domingo, 3 de abril de 2011
LIVRO PARA CRIANÇAS NO SOCIEDADE CIVIL
Direitos dos animais, ciências do cérebro e Dia Mundial do Livro Infantil. Eis as "Notícias Positivas" que escolhi levar aos primeiros dez minutos do programa "Sociedade Civil". Seguiu-se um debate onde esteve presente Fernando Pinto do Amaral, actual comissário do Plano Nacional de Leitura. Para ver e ouvir a gravação do programa, é só clicar aqui.
DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL, 7
Os livros levam-nos por caminhos imprevisíveis; e um bom exemplo disso foi a comemoração do Dia Internacional do Livro Infantil, ontem, em Lisboa. Um pouco por instinto, um pouco por falta de organização, as pessoas preferiram seguir a animação de rua, “recusando” a imobilidade que exigiria a formação de um “cordão humano de leitura”, como era do programa. Por isso, como dizia Susana Silvestre, chefe de divisão das Bibliotecas de Lisboa, a meio da descida da Rua do Carmo, “o cordão transformou-se numa arruada”. Afinal, o livro é quem mais ordena. Para a festa contribuíram em muito os alunos da EB 2,3 Fernando Pessoa, com os seus bombos, timbalões e caixas. Aqui estão eles, no início do percurso, ao Chiado, e depois no fim, em frente à estação de comboios do Rossio.
quinta-feira, 31 de março de 2011
DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL, 6
Em Lisboa, as comemorações do Dia Internacional do Livro Infantil têm o seu ponto alto na realização de um “cordão humano de leitura”, que passará por várias ruas da baixa e terminará em frente à Estação do Rossio. O início está marcado para as 15h00, no Largo do Chiado, mas haverá iniciativas durante todo o dia, com música, contadores de histórias, cabeçudos e outra animação de rua. A quem quiser fazer parte do cordão, recomenda-se que leve um livro. Ver o programa completo no site das Bibliotecas Municipais de Lisboa. (Ah, o cartaz acima é da autoria de Bernardo Carvalho, vencedor do último Prémio Nacional de Ilustração).
DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL, 5
DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL, 4
No Porto, a Fundação de Serralves assinala o Dia Internacional do Livro Infantil com duas oficinas temáticas para crianças (3 de Abril), ao mesmo tempo que na livraria decorre uma feira do livro infantil.
DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL, 3
DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL, 2
Em Setúbal, a Livraria Culsete comemora o Dia Internacional do Livro Infantil com as presenças da escritora Luísa Ducla Soares e de Fernando Bento Gomes, ilustrador e autor de banda desenhada. Sábado, a partir das 15h00.
DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL, 1

“São os livros que nos permitem saber o que realmente sentiam Tom Sawyer, Huckleberry Finn e o seu amigo Jim nas viagens pelo Mississipi em finais do século XIX, quando Mark Twain escreveu as suas aventuras. Ele conhecia profundamente o que as pessoas do seu tempo pensavam sobre as demais, porque ele próprio vivia entre elas. Era uma delas.
Nas obras literárias, os relatos mais verosímeis sobre gente do passado são os que foram escritos à época em que essa mesma gente vivia.
O livro recorda.”
(A mensagem completa do 2 de Abril de 2011, Dia Internacional do Livro Infantil, pode ser lida aqui. Tradução de José António Gomes.)
THANKS, BUT NO, THANKS
Serão as novas aplicações digitais realmente necessárias aos livros para crianças? Julia Donaldson (O Grufalão), uma das escritoras mais conceituadas do Reino Unido e líder de empréstimos em bibliotecas públicas, acha que não e cita o famoso ebook de Alice no País das Maravilhas como exemplo de uma inovação que remete para a pergunta óbvia: sim, podemos mexer as cartas de um lado para o outro. E depois?
(…) "The publishers showed me an ebook of Alice in Wonderland. They said, 'Look, you can press buttons and do this and that', and they showed me the page where Alice's neck gets longer. There's a button the child can press to make the neck stretch, and I thought, well, if the child's doing that, they are not going to be listening or reading…” (…)
Ler no The Guardian.
quarta-feira, 30 de março de 2011
O DIÁRIO DE UM BANANA
E TU, GOSTAS DE HISTÓRIAS?
CANTASTÓRIAS
MAIS UM SHAUN TAN EM PORTUGUÊS
Depois de Contos dos Subúrbios (Contraponto), ficámos a saber que está para breve a edição de A Árvore Vermelha, agora pela Kalandraka. Continuem, continuem... Via O Palácio da Lua.
terça-feira, 29 de março de 2011
O PRÓXIMO LIVRO
Não tem ainda título definitivo. É um picture book e foi escrito em Outubro do ano passado, em Can Serrat (Barcelona), durante a residência da DGLB. Não podia falar dele, aqui, até que encontrasse o seu ilustrador; era como se me apropriasse de qualquer coisa ainda ausente. Agora sim. Conheci o Alexandre Esgaio por um daqueles acasos, na Feira do Livro de 2009 – mais precisamente, no pavilhão da Antígona. Com os livros por ascendente, esta dupla há-de prolongar-se noutros livros, assim o espero. Existe já outro projecto na calha, também engendrado em Barcelona, mas sobre isso falaremos no devido tempo. Para já, fica um "esboço" feito pelo Alexandre, que me lembra a dualidade de O Império das Luzes, de Magritte, um dos meus quadros preferidos. E o livro fala de quê? De casas. De casas e dessa ideia tão bem condensada por Sophia de Mello Breyner, que anotei durante o recente colóquio da Gulbenkian: “Primeiro moramos nas casas. Depois, quando as perdemos, elas moram-nos.”
VER BOLONHA POR UM CANUDO
Ora bem, como dá para perceber, ainda não foi este ano que voltámos à Feira do Livro Infantil de Bolonha, que começou ontem e se prolonga até quinta-feira. Pena, muita pena. Humildemente, pedimos aos mais abençoados pela sorte ou pela respectiva entidade empregadora que nos vão dizendo o que acontece por aqueles lados. Referimo-nos aos habitués da Planeta Tangerina, que sugeriram no seu último post o acompanhamento via twitter (aqui), especialmente para o programa de conferências à parte que discute, a fundo e pela primeira vez, a questão dos suportes digitais aplicados ao livro infantil. Muita atenção, também, ao blogue O Palácio da Lua, de Sílvia Borges Silva, jornalista de cultura da Lusa. Já publicou uma série de posts e deu-nos a saber, com cinco minutos de diferença em relação à hora anunciada no programa, o vencedor do Prémio Astrid Lindgren 2011, Shaun Tan. Melhor é impossível. Se este fosse um país decente, veríamos o trabalho da Sílvia publicado nos jornais e outros meios. Mas isso seria pedir muito, sobretudo nesta altura do campeonato nacional.
TESTE AO POP-UP
SHAUN TAN VENCE PRÉMIO ASTRID LINDGREN 2011
Praticamente em directo, Sílvia Borges Silva, jornalista da Lusa enviada à Feira do Livro Infantil de Bolonha, acaba de anunciar no seu blogue o vencedor do Prémio Astrid Lindgren 2011: o escritor e ilustrador de origem australiana Shaun Tan, finalmente publicado em Portugal pela Contraponto, como noticiámos aqui. Parabéns também ao bibliotecário Nuno Marçal, que esteve entre os nomeados com o seu Bibliomóvel.
domingo, 27 de março de 2011
TENNESSEE WILLIAMS POR TENNESSEE WILLIAMS

Question: Do you have any positive message, in your opinion?
Answer: Indeed I do think that I do.
Q: Such as what?
A: The crying, almost screaming, need of a great worldwide human effort to know ourselves and each other a great deal better, well enough to concede that no man has a monopoly on right or virtue any more than any man has a corner on duplicity and evil and so forth. If people, and races and nations, would start with that self-manifest truth, then I think that the world could sidestep the sort of corruption which I have involuntary chosen as the basic, allegorical theme of my play as whole.
Q: You sound as if you felt quite detached and superior to this process of corruption in society.
A: I have never written about any kind of vice which I can’t observe in myself.
(Tennessee Williams nasceu fez ontem cem anos. Nem a morte recente de Elisabeth Taylor, memorável na adaptação ao cinema de Gata em Telhado de Zinco Quente e Bruscamente no Verão Passado, tornaram este centenário visível, mas Helena Vasconcelos lembrou-o no Facebook. Tennessee Williams, um dos fantasmas mais obsessivos do Jardim Assombrado, entrevistou-se a si próprio e o resultado foi publicado no London Observer a 7 de Abril de 1957. Fica um excerto. A fotografia é de W. Eugene Smith.)
sábado, 26 de março de 2011
OS ONZE DE INGLATERRA

Aí está a recente lista dos dez “talentos emergentes” no Reino Unido no campo da ilustração de picture books, segundo a Booktrust Children’s Books. Oficialmente, são dez (Levi Pinfold, autor da imagem de capa acima reproduzida, é um deles), mas o título deste post explica-se aqui: “The final ten represent the best rising talent in the field of illustration today, who demonstrate remarkable creative flair, artistic skill and boundless imagination in their work. One further illustrator – Susan Steggall – was highly commended by the judges.”
Vale a pena consultar aqui a lista dos vencedores deste ano e depois seguir este link do The Guardian para assistir a um breve slideshow comentado por Anthony Browne, um dos elementos do júri, explicando o que faz um bom picture book.
Vale a pena consultar aqui a lista dos vencedores deste ano e depois seguir este link do The Guardian para assistir a um breve slideshow comentado por Anthony Browne, um dos elementos do júri, explicando o que faz um bom picture book.
sexta-feira, 25 de março de 2011
LIVRARIAS CÁ DAS NOSSAS

A questão de “como escolher livros para crianças” (ver post anterior) está muito ligada a outra, de ordem mais prática: onde procurá-los. Não é preciso cultivar a monogamia, mas a fidelidade a uma livraria – que se destaca pelos conhecimentos de um/a livreiro/a e pela organização da secção – ajuda muito. Quem diz uma livraria, diz meia dúzia delas. Com a ajuda dos comentários no Facebook e do site da DGLB, cheguei a uma lista das livrarias portuguesas especializadas em livros para crianças e adolescentes, de todo o país. Algumas não têm site nem blogue, encontrando-se apenas em páginas de directórios, mas é justo mencioná-las. Algumas não são apenas livrarias, mas também. Depois, há outras livrarias que, não sendo especializadas, primam por uma boa secção de livros para crianças, onde se nota a arrumação com critério e destaques merecidos. É o caso da Letraria, em Miraflores, ou da Bulhosa Campo de Ourique, exemplos do empenho das respectivas livreiras, Sandra Simões e Ana Rita Fernandes. Fora de Lisboa, assim de repente, lembro-me da Lura dos Livros, em Tavira, e da Centésima Página, em Braga. No Facebook, houve outras sugestões, como a Index (Porto) ou a Arquivo (Leiria). Há mais? Digam, digam.
Do lado direito do Jardim Assombrado, entre os “Links à Sombra” e o “Kindergarten”, passa a constar uma lista (em construção) de links para esses lugares onde os livros para crianças são bem tratados. Passem por lá, de preferência pessoalmente.
Do lado direito do Jardim Assombrado, entre os “Links à Sombra” e o “Kindergarten”, passa a constar uma lista (em construção) de links para esses lugares onde os livros para crianças são bem tratados. Passem por lá, de preferência pessoalmente.
Adenda: Ana Rita Fernandes, da Bulhosa Campo de Ourique, enviou-nos um email a lembrar a Livraria Pó dos Livros (cujo blogue consta nos favoritos do Jardim Assombrado) e o mérito da Débora Figueiredo na "gestão" dos livros para crianças, que merecem destaque na montra e são sempre bem recomendados. Tem toda a razão.
Mais:
- Livraria Culsete, em Setúbal, recomendada por Fátima Medeiros através de email.
50 LIVROS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Os 50 livros que uma criança deveria ler. Selecção recomendada por especialistas, publicada no The Independent. Via O Bicho dos Livros.
quinta-feira, 24 de março de 2011
CATA LIVROS: NOVO PROJECTO DA CASA DA LEITURA

“Cata Livros” é o novo projecto desenvolvido pela equipa Gulbenkian/Casa da Leitura que utiliza a internet para aproximar os jovens leitores de um conjunto de títulos essenciais da literatura para infância e juventude, com destaque para a produção nacional, assentando no carácter lúdico e interactivo das narrativas e desafios propostos. A apresentação do sítio Cata Livros realiza-se no dia 5 de Abril, pelas 15 horas, na sala infantil da Biblioteca Municipal de Oeiras.” Mais informação aqui.
FEIRA DO LIVRO DE BOLONHA: E VÃO DOIS


Já sabíamos que as ilustrações de Bernardo Carvalho para O Livro dos Quintais (Planeta Tangerina) integram a grande exposição de ilustradores na Feira do Livro Infantil de Bolonha, que começa já para a semana (ver aqui). Agora há mais uma razão para ficarmos contentes: A Contradição Humana (Caminho), de Afonso Cruz, recente Prémio SPA/RTP, foi seleccionado para a exposição The White Ravens, uma iniciativa da Biblioteca Internacional da Juventude, realizada também no âmbito de Bolonha. Convém lembrar que, em ambos os casos, a concorrência é representada apenas por milhares de livros e autores de todo o mundo. Parabéns, Bernardo. Parabéns, Afonso. “Muito bons somos nós”, como diz o Joel Neto.
NOVO LIVRO DE REBECCA DAUTREMER

Diário Secreto do Pequeno Polegar, de Philippe Lechermeier (texto) e Rebecca Dautremer (ilustrações), chega em Abril no rol de novidades da editora Educação Nacional. Veja aqui o site de uma das mais prestigiadas ilustradoras actuais.
segunda-feira, 21 de março de 2011
SHAUN TAN EM PORTUGUÊS

Uma estranheza maravilhosa. A tradução de Tales From Outer Suburbia, de Shaun Tan, é já um dos acontecimentos editoriais do ano. O site oficial está inactivo, mas em alternativa à Wikipedia pode ler-se este texto publicado no blogue O Livro Infantil. A edição é da Contraponto.
domingo, 20 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
ALMANAQUE SILVA, 2

Em Setembro de 2002, coincidindo com o Dia Mundial da Literacia e o sempiterno tema do “regresso às aulas”, assinei para a Notícias Magazine – revista de domingo do Diário de Notícias e Jornal de Notícias – um trabalho sobre literatura infantil, com 13 páginas, que fez capa com a ilustração de José Saraiva (clique para ver melhor). O título, não há que enganar, denota a influência tácita da secção de Rita Pimenta, a quem se deve o pioneirismo de trazer os livros infantis para o Público. Falei então com editores da Caminho, Asa, Campo das Letras, Ambar, Terramar e Bertrand/Quetzal; com um autor consagrado (Álvaro Magalhães) e uma estreante (Luísa Fortes da Cunha); e com Conceição Rolo, uma das principais responsáveis pelo projecto Literatura & Literacia, entre outros nomes. Há coisas que hoje corrigiria, mas foi graças a este trabalho que me apaixonei definitivamente por esta área.
Em 2002, ainda não era quimérico sonhar com dossiers de temas culturais que dessem capa, sobretudo com ilustrações de autor. Sob a direcção de Isabel Stilwell e com a sensibilidade de Cláudia Moura, ex-jornalista e agora editora da Livros Horizonte, também a Notícias Magazine desempenhou um lugar importante na valorização da ilustração na imprensa portuguesa. Porque desapareceu, ou quase? Resumida, mas certeira, a explicação de Jorge Silva está a bold e responde a quem, vendo de fora, se pergunta por que razão as revistas andam cada vez mais iguais umas às outras:
“O suplemento do Público Mil Folhas bem pode ser considerado um último fulgor da ilustração editorial nos jornais portugueses na viragem do século. A crise na imprensa diária e semanal vinha para ficar e colaborações externas como a ilustração editorial estavam prontas para o sacrifício. Herdeiro do suplemento Leituras, o Mil Folhas versava literatura e livros, música clássica e jazz, artes plásticas e design.”
(Dá saudades, não dá? Ler mais aqui, no Almanaque Silva.)
Em 2002, ainda não era quimérico sonhar com dossiers de temas culturais que dessem capa, sobretudo com ilustrações de autor. Sob a direcção de Isabel Stilwell e com a sensibilidade de Cláudia Moura, ex-jornalista e agora editora da Livros Horizonte, também a Notícias Magazine desempenhou um lugar importante na valorização da ilustração na imprensa portuguesa. Porque desapareceu, ou quase? Resumida, mas certeira, a explicação de Jorge Silva está a bold e responde a quem, vendo de fora, se pergunta por que razão as revistas andam cada vez mais iguais umas às outras:
“O suplemento do Público Mil Folhas bem pode ser considerado um último fulgor da ilustração editorial nos jornais portugueses na viragem do século. A crise na imprensa diária e semanal vinha para ficar e colaborações externas como a ilustração editorial estavam prontas para o sacrifício. Herdeiro do suplemento Leituras, o Mil Folhas versava literatura e livros, música clássica e jazz, artes plásticas e design.”
(Dá saudades, não dá? Ler mais aqui, no Almanaque Silva.)
ALMANAQUE SILVA, 1

O post de hoje no imprescindível Almanaque Silva é dedicado a João da Câmara Leme, “capista e ilustrador quase exclusivo da Editora Portugália” e da “mais amada das colecções de livros das nossa juventude, a Biblioteca dos Rapazes.” Mas A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson (imagem de capa acima), também foi muito amada por raparigas...
quarta-feira, 16 de março de 2011
COLHER DE PAU SOBRE OS AUTORES

Em 1966 saiu, pela Verbo, A Colher de Pau, adaptação de Maria de Lurdes Modesto para um livro francês de 1965 que actualmente se compra como raridade em leilões bibliográficos: La Cuiller en Bois: Mon Premier Livre de Cuisine, de Denise Perret (texto) e Catherine Cambier (ilustrações). A Babel recuperou a obra numa edição fac-similada que mantém a grafia original, acrescentando-lhe uma colher de pau de verdade. Excelente. Só é pena – para utilizarmos um eufemismo – que os nomes das duas autoras tenham desaparecido da capa. Não se podia ter conseguido outro design gráfico? Por exemplo: assim. Não se perdia nada. A César o que é de César.
CURSO DE LIVRO INFANTIL: NOVAS DATAS
A segunda edição do Curso de Livro Infantil em parceria com a Booktailors foi adiado duas semanas. Ver aqui as novas datas e mais informação.
terça-feira, 15 de março de 2011
CANTOS E CONTOS EM FAMÍLIA

A Rede das Bibliotecas de Pombal promove nos dias 18 e 19 de Março, na Biblioteca Municipal, o fórum "Cantos e Contos em Família", que tem o objectivo de sensibilizar as famílias para a importância da leitura. Oficinas de leitura e sessões de contos fazem parte do programa, que pode ser consultado aqui.
ENCONTRO DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL DA SPA

Dias 15 e 16 de Abril, no Porto, a Biblioteca Municipal Almeida Garrett recebe o 2º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da SPA. Toda a informação aqui.
sexta-feira, 11 de março de 2011
AMANHÃ: COMO ESCOLHER LIVROS PARA CRIANÇAS

É já amanhã de manhã que vou fazer a primeira das oficinas “Como Escolher Livros Para Crianças”, uma ideia que propus e que a Livraria Cabeçudos acolheu prontamente, inserindo-a no seu programa de actividades para crianças e adultos. Espero que possa ser continuada noutras livrarias, bibliotecas, associações ou qualquer espaço onde haja pais e pessoas interessadas em fazer escolhas mais informadas.
Não sei se é exacto chamar-lhe uma “oficina”, porque não haverá uma parte prática de interacção com o público, além da habitual e desejável troca de ideias e perguntas a que tentarei responder. Também é pretensioso chamar-lhe uma “formação”, já que se destina a um público generalista que compra livros para crianças e se sente, com toda a razão, desorientado no meio de tanta coisa para escolher. Chamemos-lhe, talvez, uma "acção", já que estamos em maré de agir.
Não sei se é exacto chamar-lhe uma “oficina”, porque não haverá uma parte prática de interacção com o público, além da habitual e desejável troca de ideias e perguntas a que tentarei responder. Também é pretensioso chamar-lhe uma “formação”, já que se destina a um público generalista que compra livros para crianças e se sente, com toda a razão, desorientado no meio de tanta coisa para escolher. Chamemos-lhe, talvez, uma "acção", já que estamos em maré de agir.
Nas livrarias, faço as minhas observações distanciadas nas secções infanto-juvenis e constato que, a maior parte das vezes, os pais (ou avós, ou tios, ou educadores…) não sabem por onde começar, nem descodificar os critérios de selecção. Vejo também, muitas vezes, livreiros (sobretudo nas lojas das grandes cadeias livreiras) a dizer “este está no Plano Nacional de Leitura”, usando isso como factor exclusivo de recomendação, e conheço poucos que realmente percebem e se interessam por esta área. Mas não se amofinem já, que também conheço muitas e honrosas excepções!
O que está em destaque nos escaparates não é necessariamente o melhor, mas também não tenho uma visão sacralizada do livro e acho que tudo tem o seu lugar (nem que seja a reciclagem). Mutatis mutandis: “It’s only rock’n’roll but I like it”, como cantavam os Stones. Adoro o Peter Pan e o O Vento nos Salgueiros, mas um bom atlas ilustrado também me deixa entusiasmada, como muitos outros livros informativos – tantas vezes com mais mundos lá dentro do que a ficção. Vou mostrar livros, claro, muitos livros que considero bons e recomendáveis – e também alguns exemplos contrários. Quem não gostar, paciência.
Citando o post anterior e um dos meus “gurus”, Peter Hunt, considero que pensar é fundamental em tudo o que tem a ver com os livros para crianças e adolescentes, seja do ponto de vista da produção editorial, da teoria crítica ou da estética da recepção. Aliás, não há outra alternativa. É por isso que amanhã não vou fornecer nenhuma “lista de livros recomendados pela CMA”. Vou falar da nossa responsabilidade pessoal, enquanto adultos, e da importância de termos os nossos valores bem presentes, na altura de escolher um livro para crianças. Dir-me-ão, talvez, que é um caminho perigoso, que também o Estado Novo emulou livros sem qualquer qualidade, a coberto de uma ideologia de “valores pátrios”. Calma. Ninguém vai vender radicalismos. Vamos começar por usar o bom senso. É o primeiro passo para se começar a pensar.
Para mais informações e inscrições, é favor consultar aqui o site da Cabeçudos.
(Muito obrigada ao blogue O Bicho dos Livros pela divulgação desta ideia. E também ao Cadeirão Voltaire.)
LITERATURA PARA CRIANÇAS: DUAS GRAVES ILUSÕES

De entre tudo o que importa perceber pela leitura deste livro – imprescindível a quem queira estudar a literatura infanto-juvenil com profundidade –, destaco apenas duas ideias que normalmente andam a par, para mal de todos nós. Ideias, atitudes ou «ilusões» apontadas por um senhor chamado Peter Hunt, que tivemos o privilégio de ouvir há dois anos, na Fundação Calouste Gulbenkian, lembram-se?
«A primeira é que qualquer um pode ser especialista em livros para criança; a segunda, que estamos todos do lado do bem.
Ambas são aspectos de um temperamento muito perigoso. A primeira resulta no anti-intelectualismo, já aqui observado: a ideia – ou não ideia – de que pensar não é muito apropriado nos livros para criança. Logo essa atitude abre caminho para a segunda ideia: a de que os livros infantis, como as crianças, são inocentes e que as ambições de escritores, críticos, pais e do restante de nós são ideologicamente neutras. Por causa disso, fracassamos em perceber que, além de não podemos ser apolíticos, grande parte da ideologia presente nos livros para criança e em torno deles está oculta – e na verdade mascarada como o oposto do que realmente é.»
(Peter Hunt, Crítica, Teoria e Literatura Infantil, ed. Cosac Naify, São Paulo, 2010, pág. 207. A tradução para o português foi feita por Cid Knipel. Ver aqui o livro, que custa cerca de 26 euros, ao câmbio actual.)
«A primeira é que qualquer um pode ser especialista em livros para criança; a segunda, que estamos todos do lado do bem.
Ambas são aspectos de um temperamento muito perigoso. A primeira resulta no anti-intelectualismo, já aqui observado: a ideia – ou não ideia – de que pensar não é muito apropriado nos livros para criança. Logo essa atitude abre caminho para a segunda ideia: a de que os livros infantis, como as crianças, são inocentes e que as ambições de escritores, críticos, pais e do restante de nós são ideologicamente neutras. Por causa disso, fracassamos em perceber que, além de não podemos ser apolíticos, grande parte da ideologia presente nos livros para criança e em torno deles está oculta – e na verdade mascarada como o oposto do que realmente é.»
(Peter Hunt, Crítica, Teoria e Literatura Infantil, ed. Cosac Naify, São Paulo, 2010, pág. 207. A tradução para o português foi feita por Cid Knipel. Ver aqui o livro, que custa cerca de 26 euros, ao câmbio actual.)
quinta-feira, 10 de março de 2011
O GIGANTE ARREPENDIDO
Já falei neste post de Natalie Merchant, a vocalista dos 10.000 Maniacs que assinou um disco de excepção, em 2010 (Leave Your Sleep, Nonesuch Records), uma antologia não canónica de poemas para crianças, por ela musicados e cantados. Maioritariamente do século XIX e primeira metade do século XX, tanto encontram a sua origem em autores anónimos ou esquecidos como em nomes consagrados como e.e. cummings, Christina Rossetti ou Robert Graves.
The Sleepy Giant, de Charles Edward Carryl (1841-1920), pertence mais ao primeiro caso; apesar de os seus livros terem usufruído de bastante popularidade, estão actualmente “out of print”. A história do gigante devorador de crianças, enraizada no mito de Saturno, é transversal à literatura para crianças e tem muitas variantes. Esta é uma delas. O vídeo acima está bastante bem feito e tem a vantagem de ser uma criação de autor, mas não corresponde à versão do CD, que pode ser ouvida aqui, com melhor qualidade de som e um delicioso excerto introduzido no corpo do poema por Natalie Merchant: “More eels my lady?/ Perhaps some bubble and squeak,/ or a little toad in the hole?/ A Lyconshire hot pot, perhaps?/ That would be nice.” Bem, é ouvir as duas versões, não sei qual delas é a melhor. Eis então a breve história do gigante arrependido:
The Sleepy Giant
My age is three hundred and seventy-two.
I think, with the deepest regret,
how I used to pick up and voraciously chew
the dear little boys that I met.
I've eaten them raw, in their holiday suits,
eaten them curried with rice.
I've eaten them baked, in their jackets and boots,
and found them exceedingly nice.
But now that my jaws are too weak for such fare,
I think it's exceedingly rude
to do such a thing, when I'm quite well aware,
little boys do not like being chewed.
And so I contentedly live upon eels,
and try to do nothing amiss,
pass all the time I can spare for my meals
in innocent slumber like this.
segunda-feira, 7 de março de 2011
LITERATURAS NÓRDICAS PARA CRIANÇAS E NÃO SÓ

Este mês, as revistas Lire e Le Magazine Littéraire são consagradas às “literaturas nórdicas” (houve fuga de informação, com certeza…). Além dos critérios literário, estético e científico que sempre me levará a preferir a segunda, há uma razão suplementar forte: no seu dossier, a Magazine Littéraire é a única que dedica um artigo à escrita para crianças e adolescentes. Do rompimento de uma “idade de ouro” pós-Segunda Guerra Mundial, com a sueca Astrid Lindgren (Pipi das Meias Altas) e a finlandesa Tove Jansson (Os Mumins), até à afirmação de uma escrita «complexa e experimental», por onde passam a melancolia dura e obsessiva dos países setentrionais e os reflexos mais imediatos das convulsões sociais (o divórcio, por exemplo, «um tema predilecto, mas que já não é sempre apresentado como um problema para a criança»), fica impressão de uma inequívoca contemporaneidade. Visto assim, parecemos ainda muito, muito distantes. Um excerto a reter (tradução minha):
«Com efeito, a fronteira entre a literatura para adultos e para crianças está em vias de desaparecer, bem como aquela que divide livros para rapazes e para raparigas – sendo o objectivo apenas escrever bons livros. O estilo literário escandinavo, despojado, concreto e próximo da oralidade, utilizando frequentemente as redundâncias, facilita a compreensão por parte dos leitores mais jovens. Esta simplicidade não é mais do que aparente, já que cada palavra importa, tanto quanto os silêncios.»
Mais do que uma curiosidade, é um sintoma assinalado pela autora do artigo: as traduções francesas dos livros para adolescentes confrontam-se com a censura. «As cenas ligadas à sexualidade, por exemplo, são em geral modificadas e mesmo suprimidas.»
«Com efeito, a fronteira entre a literatura para adultos e para crianças está em vias de desaparecer, bem como aquela que divide livros para rapazes e para raparigas – sendo o objectivo apenas escrever bons livros. O estilo literário escandinavo, despojado, concreto e próximo da oralidade, utilizando frequentemente as redundâncias, facilita a compreensão por parte dos leitores mais jovens. Esta simplicidade não é mais do que aparente, já que cada palavra importa, tanto quanto os silêncios.»
Mais do que uma curiosidade, é um sintoma assinalado pela autora do artigo: as traduções francesas dos livros para adolescentes confrontam-se com a censura. «As cenas ligadas à sexualidade, por exemplo, são em geral modificadas e mesmo suprimidas.»
domingo, 6 de março de 2011
ÁLVARO MAGALHÃES: A LITERATURA INFANTO-JUVENIL NÃO SERVE PARA ENSINAR
“A literatura, mesmo a infanto-juvenil, não serve para ensinar, embora noventa por cento das pessoas que escrevem para crianças pensem que sim. Nalguns casos, até devia servir para o contrário: para desensinar e desaprender, para abalar critérios e conhecimentos adquiridos. Claro que é importante aprender e ensinar, mas não é essa a função da literatura. A literatura serve sobretudo, se é que serve para alguma coisa, para lidarmos com o desconhecido: o amor e a morte. Na minha obra infanto-juvenil, se a analisarmos, a maioria das histórias são de amor ou de amor e morte.”
(Excerto de uma entrevista do escritor Álvaro Magalhães à jornalista Catarina Pires, “repescada” da Notícias Magazine de dia 13 de Fevereiro, a propósito do amor, de namorados e da série de livros Contos da Mata dos Medos.)
(Excerto de uma entrevista do escritor Álvaro Magalhães à jornalista Catarina Pires, “repescada” da Notícias Magazine de dia 13 de Fevereiro, a propósito do amor, de namorados e da série de livros Contos da Mata dos Medos.)
A MINHA ESCOLA

O primeiro número da Música & Som foi para as bancas a 11 de Fevereiro de 1977. Conseguiu o prodígio gráfico-ideológico de juntar, na mesma capa, os Abba com os Pink Floyd, e Bob Dylan com Art Sullivan. Nas semanas seguintes, houve protestos contra a inclusão do «principezinho» belga que derretia corações com a sua Petite Demoiselle, mas a revista contestava, na secção de cartas dos leitores: «Não faças o sacrifício de ler Art Sullivan. Respeitamos e compreendemos a tua posição. Só que há leitores (e não são poucos) que exigem o Art. Que fazer?...». Pergunta retórica. Durante os dez anos seguintes, a Música & Som fez muito por diferentes gerações de melómanos, publicando milhares de artigos, crónicas, reportagens, entrevistas, letras de canções, posters, críticas de discos e tudo o que interessasse a um «magazine musical». Muito rock e pop, algum jazz, alguma clássica. Os tops foram oscilando, tal como o preço do papel, e o tempo passou com o seu cortejo de preferências. As capas de Joan Baez deram lugar a Kim Wilde; os Van der Graaf Generator cederam passagem aos Bauhaus; os Tantra abriram caminho para os Heróis do Mar. Mas quando uma leitora de Lisboa escreveu a dizer que «gostaria que no ano de 83 publicassem um poster do Marco Paulo», a Música & Som respondeu, sempre tu cá, tu lá: «Olha, Fátima, temos de confessar que, de facto, não está nos nossos planos publicar qualquer poster do Marco Paulo.» Até 1987, ano em que fechou, os seguidores do rock’n’roll agradeceram a frontalidade.
(Texto publicado na edição de 6 de Março da Notícias Magazine, revista de domingo no DN e JN, na secção "Nostalgia".)
(Texto publicado na edição de 6 de Março da Notícias Magazine, revista de domingo no DN e JN, na secção "Nostalgia".)
sábado, 5 de março de 2011
UM PINGUIM NO QUINTAL


UM CÃO CHAMADO PINGUIM
António Mota, que comemorou recentemente 30 anos de carreira literária, sabe como poetizar o registo evocativo sem cair numa nostalgia vã e pomposa. O tempo das braseiras de cobre, da roupa costurada em casa, dos lanches de pão com marmelada, tudo isso faz parte do mundo de Carlitos (uma piscadela de olho ao protagonista da série Conta-me Como Foi?), que um dia encontra, abandonado numa caixa de sapatos, um cachorro sem patas dianteiras. Não é coisa que se resolva com uns pozinhos de magia, não senhor. Com a ajuda das ilustrações expressivas de Alberto Faria, Pinguim é o exemplo de como se pode narrar uma história simples e comovente (e, pelo meio, ainda fazer o reconto de Corre, Corre, Cabacinha), com a mesma naturalidade com que a vida nos acontece, todos os dias.
Pinguim
António Mota
Ilustrações de Alberto Faria
Gailivro
UMA MANTA DE QUINTAIS
Magnólias em Janeiro, ervilhas em Fevereiro, nêsperas em Maio e sardinhas em Junho. Ao longo de doze meses, oito quintais são observados como se mais nada existisse em redor, numa abordagem que tanto deve ao Almanaque Borda d’Água como aos documentários do National Geographic. Desde o Sr. Catarino, louco por árvores e plantas (homenagem a Fernando Catarino, ex-director do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa?), até às Meninas Lopes, loucas por apanhar sol, não há duas personagens iguais. Fazendo uso da projecção paralelística revelada em livros como O Mundo num Segundo ou As Duas Estradas, aqui desfilam situações quotidianas leves e bem-humoradas, sempre enquadradas sob diferentes ângulos pela ilustração. Em travelling panorâmico, vistas aéreas ou planos fechados sobre um personagem, Bernardo Carvalho proporciona ao leitor uma visão detalhada de oito mundos comunicantes, ampliando o texto de Isabel Minhós Martins. Muito bom.
O Livros dos Quintais
Isabel Minhós Martins
Ilustrações de Bernardo Carvalho
Planeta Tangerina
(Este mês, a edição da LER comemora os cem números e, por isso, não houve lugar para críticas de livros, o que incluiu as três páginas habituais das “Leituras Miúdas”. Estes são textos publicados nas edições 95 e 96, sobre dois dos três livros para crianças que este ano foram seleccionados para os Prémios SPA: Pinguim, de António Mota (texto) e Alberto Faria, e O Livro dos Quintais, de Isabel Minhós Martins (texto) e Bernardo Carvalho (ilustração). No mínimo, concorrência difícil - mas leal - para o vencedor, Afonso Cruz, “autor total” de A Contradição Humana, do qual já falámos aqui. A não perder, no blogue Letra Pequena, o trabalho de Rita Pimenta sobre as três obras. Mas que parêntesis tão longo.)
quarta-feira, 2 de março de 2011
GHOSTGIRL RENASCE DAS PÁGINAS

Chegou o segundo volume das aventuras de Charlotte Usher, personagem criada por Tonya Hurley que acerta em cheio no segmento do leitor adolescente com queda para o imaginário gótico. A recensão ao primeiro volume saiu na LER nº 88 e pode ser lida aqui.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
LER VEZES CEM

"José Saramago não é o maior escritor português da actualidade. Para mim, esse é, de longe, António Lobo Antunes. É um gigante. Teria algum pudor em me encontrar com ele para o conhecer, e, contudo, adoraria conhecê-lo. Ele é um grande e Portugal não lhe deu ainda o devido reconhecimento. Devia ter ganho o Nobel há já algum tempo. Mas não aconteceu. Por causa de Saramago. Deviam ter ganho ambos, em partilha. Mas não está completamente arredado dessa atribuição."
"Onde existir um iPad, a internet e as redes sociais não é possível o isolamento. As coisas estão a mudar rapidamente. A revolução da informação é também uma revolução política e ideológica. Já não é possível aniquilar grupos de homens, construir muros, barreiras de separação que funcionem realmente."
Declarações de George Steiner, um dos grandes pensadores do nosso tempo, que a LER publica em exclusivo na edição especial nº 100, à venda na próxima quinta-feira.
"Onde existir um iPad, a internet e as redes sociais não é possível o isolamento. As coisas estão a mudar rapidamente. A revolução da informação é também uma revolução política e ideológica. Já não é possível aniquilar grupos de homens, construir muros, barreiras de separação que funcionem realmente."
Declarações de George Steiner, um dos grandes pensadores do nosso tempo, que a LER publica em exclusivo na edição especial nº 100, à venda na próxima quinta-feira.
O OSCAR QUE NÃO FOI UM ACIDENTE
À partida, sou devota de qualquer filme que tenha acento very british e Colin Firth no elenco, mas o Oscar que me deu mais satisfação foi para o melhor longo documentário: Inside Job – A Verdade da Crise, uma reconstituição do megaprocesso de engenharia financeira, económica e política que, desde os anos 1980, perpetrou a desregulamentação e o colapso do sistema bancário tal como o conhecíamos, originando a famosa “crise”. Não, não foi uma crise acidental, como pensa a minha mãe. Sim, houve culpados, desde altas figuras de Estado e eméritos professores de Harvard e Columbia até aos patos-bravos de Wall Street; gente sem consciência nem vergonha na cara que ontem coleccionava jactos privados e hoje responde com a maior cara de pau às perguntas que lhes fazem, apalpando no bolso as carteiras recheadas de indemnizações chorudas. Money, money, money. Dirty money. Sabiam que experiências científicas demonstram que ganhar dinheiro e consumir cocaína activa a mesma parte do cérebro? Curiosa coincidência. Como escreveu um crítico do Boston Globe, o filme é “mais assustador do que qualquer coisa que Wes Craven e John Carpenter já tenham feito”. Para que serve? Por exemplo, para que o Zé-pagante comece a pensar duas vezes antes de aceitar um folheto de propaganda de qualquer coisa e assinar de cruz. Subscrevo o que diz Eduardo Pitta no Da Literatura: era bom que o Oscar trouxesse o filme de volta às salas de cinema. Que passasse na televisão a horas decentes. Que fosse dado nas escolas. Infelizmente, o programa vigente é o da idiotização geral. Dá muito jeito, pois claro. Segurem-se e vejam o trailer.
LULU E O BRONTOSSAURO

“Era uma vez uma menina chamada Lulu, e a Lulu era uma seca. Não era uma seca para comer. Não era uma seca para vestir. Era uma seca – uma grande seca – para tudo.
Lulu era filha única e os pais davam-lhe tudo o que ela queria. E agora, adivinhem. Lulu queria TUDO. Toneladas de guloseimas. Toneladas de brinquedos. Toneladas de horas de desenhos animados. E se o pai e a mãe lhe dissessem (e raramente diziam), «Desculpa, querida, mas agora já chega», Lulu guinchava até que as lâmpadas explodissem, atirava-se para o chão e esbracejava e dava pontapés. E logo o pai e a mãe concordavam: «Está bem, só por esta vez», e lá lhe davam o que ela queria.”
Começa assim o primeiro capítulo de Lulu e o Brontossauro, um livro delicioso – no estilo da escrita, na elaboração da história, no sentido de humor, nas ilustrações – que tive o prazer de traduzir; e, no caso das canções, de adaptar o melhor que me foi possível. Saiu o ano passado, pela Simon & Schuster, com a assinatura de dois autores norte-americanos de renome e diferentes gerações: Judith Viorst (texto) e Lane Smith (ilustrações). Lane é um nome masculino, embora não pareça, e talvez o reconheçam facilmente por causa do booktrailer que circulou por aí exaustivamente, It’s a Book (podem revê-lo aqui), cujo livro também será publicado em português. Quanto a Lulu e o Brontossauro, é um daqueles títulos para crianças que os adultos gostarão de ler, e julgo que se presta muitíssimo a ser contado em voz alta. Sairá em breve, com a chancela da Gailivro.
Lulu era filha única e os pais davam-lhe tudo o que ela queria. E agora, adivinhem. Lulu queria TUDO. Toneladas de guloseimas. Toneladas de brinquedos. Toneladas de horas de desenhos animados. E se o pai e a mãe lhe dissessem (e raramente diziam), «Desculpa, querida, mas agora já chega», Lulu guinchava até que as lâmpadas explodissem, atirava-se para o chão e esbracejava e dava pontapés. E logo o pai e a mãe concordavam: «Está bem, só por esta vez», e lá lhe davam o que ela queria.”
Começa assim o primeiro capítulo de Lulu e o Brontossauro, um livro delicioso – no estilo da escrita, na elaboração da história, no sentido de humor, nas ilustrações – que tive o prazer de traduzir; e, no caso das canções, de adaptar o melhor que me foi possível. Saiu o ano passado, pela Simon & Schuster, com a assinatura de dois autores norte-americanos de renome e diferentes gerações: Judith Viorst (texto) e Lane Smith (ilustrações). Lane é um nome masculino, embora não pareça, e talvez o reconheçam facilmente por causa do booktrailer que circulou por aí exaustivamente, It’s a Book (podem revê-lo aqui), cujo livro também será publicado em português. Quanto a Lulu e o Brontossauro, é um daqueles títulos para crianças que os adultos gostarão de ler, e julgo que se presta muitíssimo a ser contado em voz alta. Sairá em breve, com a chancela da Gailivro.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
CHRISTCHURCH, 2004

No lado direito deste blogue há uma etiqueta intitulada “Nova Zelândia”, porventura estranha no meio da nuvem de palavras que revelam as preferências de quem o escreve: “Livros”, “Ilustração”, “Bibliotecas”, “Promoção da leitura”, “Escritores”, “Jornalismo” e outras que tais. Está ali porque um blogue é também uma espécie de diário gráfico para os destituídos do talento de desenhar, e que ainda assim gostam de organizar os dias valendo-se de imagens registadas por outros, sem que grande mal advenha disso – a não ser, talvez, uma atitude permissiva em relação aos direitos de autor. Dito de forma mais simples, está ali porque é importante. Porque a Nova Zelândia incorpora o meu imaginário geográfico e o meu conceito de “lugar seguro”, como tentei explicar neste post.
Nos últimos dias, chegaram notícias do sismo que abalou Christchurch, a maior cidade da ilha sul da Nova Zelândia – que, talvez não seja inútil lembrar, são os nossos exactos antípodas. Simbolicamente, é uma ideia fortíssima. Do ponto de vista geológico, não sei – e creio que ninguém sabe – que implicações terá para Portugal e para a estabilidade das ingovernáveis placas tectónicas. Abalados e ingovernáveis andamos nós, de resto. A avaliar pela ausência de comentários no Público online – um barómetro das volúveis pulsações colectivas –, o sismo da Nova Zelândia não é notícia que importe muito. Não tem impacto directo nas nossas vidinhas. Não tem a dimensão de tragédia e do horror do sismo que destruiu o Haiti. A distância geográfica e o conforto civilizacional (“é um país decente, sem corrupção, a coisa há-se compor-se…”) geram uma relativa indiferença para com o número de mortos e desaparecidos – que ultrapassam as três centenas, neste momento. E, depois, há aquele consolo tão pouco humanitário – mas, ainda assim, tão humano na sua desculpabilização – que os media se encarregam de repetir ad nauseam: “Não há notícias de portugueses entre as vítimas.”
Enquanto jornalista, confesso ter sérias dúvidas quanto à pertinência da maior parte de notícias catastróficas que a agenda mediática nos impõe, todos os dias. Mas não quero parecer cínica. Se tenho evitado ver imagens do sismo que destruiu Christchurch, é apenas porque amo demasiado esta cidade, se é que se pode amar demasiado alguma coisa. No dia em que esta fotografia foi tirada, em Janeiro de 2004, eu fazia 35 anos e estava “estupidamente feliz”. Com este já vão dois lugares-comuns. Fico-me por aqui, que este post já vai longo e não me está a sair muito bem. Entre ser cínica ou sentimental, venha o diabo e escolha.
Nos últimos dias, chegaram notícias do sismo que abalou Christchurch, a maior cidade da ilha sul da Nova Zelândia – que, talvez não seja inútil lembrar, são os nossos exactos antípodas. Simbolicamente, é uma ideia fortíssima. Do ponto de vista geológico, não sei – e creio que ninguém sabe – que implicações terá para Portugal e para a estabilidade das ingovernáveis placas tectónicas. Abalados e ingovernáveis andamos nós, de resto. A avaliar pela ausência de comentários no Público online – um barómetro das volúveis pulsações colectivas –, o sismo da Nova Zelândia não é notícia que importe muito. Não tem impacto directo nas nossas vidinhas. Não tem a dimensão de tragédia e do horror do sismo que destruiu o Haiti. A distância geográfica e o conforto civilizacional (“é um país decente, sem corrupção, a coisa há-se compor-se…”) geram uma relativa indiferença para com o número de mortos e desaparecidos – que ultrapassam as três centenas, neste momento. E, depois, há aquele consolo tão pouco humanitário – mas, ainda assim, tão humano na sua desculpabilização – que os media se encarregam de repetir ad nauseam: “Não há notícias de portugueses entre as vítimas.”
Enquanto jornalista, confesso ter sérias dúvidas quanto à pertinência da maior parte de notícias catastróficas que a agenda mediática nos impõe, todos os dias. Mas não quero parecer cínica. Se tenho evitado ver imagens do sismo que destruiu Christchurch, é apenas porque amo demasiado esta cidade, se é que se pode amar demasiado alguma coisa. No dia em que esta fotografia foi tirada, em Janeiro de 2004, eu fazia 35 anos e estava “estupidamente feliz”. Com este já vão dois lugares-comuns. Fico-me por aqui, que este post já vai longo e não me está a sair muito bem. Entre ser cínica ou sentimental, venha o diabo e escolha.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
PRÉMIOS BOLONHA 2011




Aí estão os prémios e menções para os melhores livros para crianças atribuídos no âmbito da próxima Feira do Livro Infantil de Bolonha, nas categorias Ficção, Não Ficção, Novos Horizontes e Primeira Obra. É só clicar para saber tudo. Gostamos especialmente da primeira capa, à volta das fábulas de Esopo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)















