segunda-feira, 26 de março de 2012

FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE BOLONHA, 2










Momentos revista Caras, de cima para baixo: Gonçalo Viana, José Oliveira e Afonso Cruz; Danuta Wojciechowska, Yara Kono, André Letria e Madalena Matoso; Café dos Ilustradores, com o boné do Afonso Cruz em primeiro plano; na primeira fila do Café dos Ilustradores: Rita Pimenta, Teresa Lima, João Vaz de Carvalho e Yara Kono; eu e o Alex Gozblau, junto às ilustrações do Ainda Falta Muito? na exposição Como as Cerejas.

FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE BOLONHA, 1





quarta-feira, 14 de março de 2012

MENSAGEM DO DIA DO LIVRO INFANTIL 2012


“Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro. Na verdade não era só um, mas muitos os contos que enchiam o mundo com as suas histórias de meninas desobedientes e lobos sedutores, de sapatinhos de cristal e príncipes apaixonados, de gatos astutos e soldadinhos de chumbo, de gigantes bonacheirões e fábricas de chocolate. Encheram o mundo de palavras, de inteligência, de imagens, de personagens extraordinárias. Permitiram risos, encantos e convívios. Carregaram-no de significado. E desde então os contos continuam a multiplicar-se para nos dizerem mil e uma vezes: “Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro…”

Quando lemos, contamos ou ouvimos contos, cultivamos a imaginação, como se fosse necessário dar-lhe treino para a mantermos em forma. Um dia, sem que o saibamos certamente, uma dessas histórias entrará na nossa vida para arranjar soluções originais para os obstáculos que se nos coloquem no caminho.

Quando lemos, contamos ou ouvimos contos em voz alta, estamos a repetir um ritual muito antigo que cumpriu um papel fundamental na história da civilização: construir uma comunidade. À volta dos contos reuniram-se as culturas, as épocas e as gerações, para nos dizerem que japoneses, alemães e mexicanos são um só; como um só são os que viveram no século XVII e nós mesmos, que lemos um conto na Internet; e os avós, os pais e os filhos. Os contos chegam iguais aos seres humanos, apesar das nossas grandes diferenças, porque no fundo todos somos os seus protagonistas. Ao contrário dos organismos vivos, que nascem, reproduzem-se e morrem, os contos são fecundos e imortais, em especial os da tradição oral, que se adequam às circunstâncias e ao contexto do momento em que são contados ou rescritos. E são contos que nos tornam seus autores quando os recontamos ou ouvimos.

E também era uma vez um país cheio de mitos, contos e lendas que viajaram durante séculos, de boca em boca, para mostrar a sua ideia de criação, para narrar a sua história, para oferecer a sua riqueza cultural, para aguçar a curiosidade e levar sorrisos aos lábios. Era igualmente um país onde poucos habitantes tinham acesso aos livros. Mas isso é uma história que já começou a mudar. Hoje os contos estão a chegar cada vez mais aos lugares distantes do meu país, o México. E, ao encontrarem os seus leitores, estão a cumprir o seu papel de criar comunidades, de criar famílias e de criar indivíduos com maior possibilidade de serem felizes.”


(“Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro” foi o mote do IBBY para Francisco Hinojosa, o escritor mexicano a quem coube escrever o texto comemorativo do próximo Dia Internacional do Livro Infantil, 2 de Abril de 2012. Gosto bastante. A tradução para português é de Maria Carlos Loureiro, responsável da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, que todos os anos convida o vencedor do último Prémio Nacional de Ilustração a desenhar o cartaz alusivo. Desta vez, a sorte coube a Yara Kono, ilustradora residente do Planeta Tangerina, que ganhou também a viagem para a Feira do Livro Infantil de Bolonha. Só faltam cinco dias…)

segunda-feira, 12 de março de 2012

BOLONHA 1978


"Queen Althea of Pomperania". Ilustração de Tomie de Paola (EUA), um dos seleccionados para a exposição internacional da Feira do Livro Infantil de Bolonha, em 1978.

domingo, 11 de março de 2012

JOSÉ OLIVEIRA EM DISCURSO DIRECTO


José Oliveira foi responsável pela edição da área infanto-juvenil da Caminho entre 1982 e 2011, tempo suficiente para a construção de um catálogo em que figuram dezenas de nomes de qualidade inquestionável – de Alice Vieira a Afonso Cruz, de Anthony Browne a Chris Wormell. As suas memórias da Feira do Livro Infantil de Bolonha abarcam três décadas. Abrimos uma pequena janela. [Obs.: a entrevistadora dispensou o uso das aspas na transcrição do texto para o seu próprio blogue.]

PRÉMIOS LITERÁRIOS 2012

Já repararam na quantidade de prémios literários que pululam por esse país fora? Pensem que "talento" rima com "orçamento" e vejam os pormenores aqui.

sexta-feira, 9 de março de 2012

16º PRÉMIO NACIONAL DE ILUSTRAÇÃO


Atenção, retardatários: as candidaturas à 16ª edição do Prémio Nacional de Ilustração estão abertas até ao dia 23 de Março. Podem concorrer ilustradores portugueses ou residentes em Portugal, com uma obra para crianças e jovens que tenha sido editada entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2011. O vencedor receberá € 5.000.00, acrescido de uma comparticipação de € 1.500.00 para custear a sua deslocação à Feira do Livro Infantil de Bolonha de 2013. É o caso de Yara Kono, vencedora o ano passado (e autora da imagem acima) com o livro O Papão no Desvão (Caminho), com texto de Ana Saldanha.

Mais informações e regulamento no site da DGLB.

quarta-feira, 7 de março de 2012

OBRA INTEGRAL DOS GRIMM EM PORTUGUÊS


Pela primeira vez, os Contos da Infância e do Lar (Temas e Debates/Círculo de Leitores) surgem numa edição integral em língua portuguesa, com tradução e notas de Teresa Aica Bairos e coordenação científica de Francisco Vaz da Silva, organizador do congresso internacional sobre os Irmãos Grimm que se prepara para acontecer em Lisboa, de 21 a 23 de Junho. Ao todo, são duzentos contos reunidos em três volumes de cerca de 500 páginas – o primeiro acaba de sair –, que assinalam o bicentenário da publicação original em língua alemã. Na introdução, Teresa Aica Bairos adverte não ter partido da edição de 1812, mas de edições posteriores. Se a primeira foi resultado de «um trabalho de recolha etnográfica dirigido a um público adulto», a partir daí, os irmãos Jacob e Wilhelm foram incorporando sucessivas críticas e preceitos morais. «Ao nível do conteúdo, pode dizer-se, generalizando, que os Grimm omitiram alusões sexuais ou eróticas, e emendaram referências a situações de incesto ou de abuso familiar que consideraram perturbadoras para crianças. Em contrapartida, algumas cenas de violência tornaram-se mais gráficas e detalhadas», conclui a tradutora. Uma subversão interessante, quand même...

terça-feira, 6 de março de 2012

TODOS A BORDO


Uma das inovações da Planeta Tangerina reside na procura de um olhar de autor sobre os «grandes temas», termo que usamos aqui entre aspas na tentativa de lhe retirar grandiloquência. Trata-se de um olhar partilhado entre escritor e ilustrador, geralmente focado no microcosmos quotidiano (O Livro dos Quintais, As Duas Estradas ou És Mesmo Tu?), mas que por vezes se expande no sentido de uma sabedoria universal – e que, no nosso entender, tem como expoente o livro Quando Eu Nasci. As duas vias são, a mais das vezes, complementares, como se prova neste Ir e Vir, espécie de poética do movimento aplicada à História da Humanidade. Começámos por andar e correr, depois «passámos a percorrer todo o espaço num curtíssimo espaço de tempo». Fizemo-lo facilmente? «Se olharmos mais de perto, uma palavra nunca mente». Comparadas com as viagens migratórias de outros animais (a andorinha-do-mar, a borboleta-monarca e outros), somos seres barulhentos e poluentes. As ilustrações de Bernardo Carvalho, em forma de recorte e colagem, distinguem momentos de confusão e de clareza neste «ir e vir» constante de pessoas, coisas e animais, interpretando à transparência o texto de Isabel Minhós Martins. Não há como passar ao lado desta viagem.

Ir e Vir
Isabel Minhós Martins
Ilustrações de Bernardo Carvalho
Planeta Tangerina

(Texto publicado na LER nº 111, na secção “Leituras Miúdas”.)

quinta-feira, 1 de março de 2012

BOLONHA POR BERNARDO


Bernardo Carvalho é o autor da capa da LER de Março, a partir de hoje nas bancas. É uma edição que me deixa particularmente feliz, por apostar neste grande plano sobre a ilustração portuguesa na Feira do Livro Infantil de Bolonha, tema desenvolvido no interior. Além do Bernardo, há perfis da Danuta Wojciechowska, Marta Madureira, Inês Oliveira e Tiago Albuquerque. Foi difícil fazer uma selecção sobre a selecção dos 25 ilustradores, mas quem se mete no jornalismo, hélas, sabe que optar é um acto contínuo (e desgastante). A secção "Leituras Miúdas" está mais pequena, mas voltaremos ao normal na edição de Abril. Até lá, viva Bolonha!

A ALMA DOS BICHOS


"Os bichos também têm alma,/ a alma que é própria dos bichos/ e que os homens não entendem." Os versos de João Pedro Mésseder e as ilustrações de Manuela Bacelar foram à procura da alma dos bichos. Procurem-na no próximo sábado, na livraria Centésima Página, em Braga, onde pelas 17h00 será apresentado o livro Gatos, Lagartos e outros poemas.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A CASA SINCRONIZADA VENCE PRÉMIOS SPA


Ontem, o júri dos Prémios SPA distinguiu um livro com música dentro: A Casa Sincronizada (Caminho), de Inês Pupo e Gonçalo Pratas, os mesmos de Canta o Galo Gordo, vencedores na categoria de Literatura – Melhor Livro Infanto-Juvenil. Finalmente, este ano, os ilustradores também já têm direito de cidadania na concepção da obra e podem subir ao palco, em vez se serem apenas “evocados” pelos escritores. É uma sincronia merecida e em tudo desejável, que confirma o ditado “água mole em pedra dura”, etc., etc… No caso, as ilustrações são assinadas por Pedro Brito, autor de BD, o mesmo do fabuloso Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos (a meias com João Fazenda, nas Edições Polvo). E agora, toca a afinar essas cordas vocais para fazer o próximo livro.

A TODOS OS ILUSTRADORES DISTRAÍDOS


Senhoras e senhores ilustradores, a vida não acaba (ou começa) na Feira do Livro Infantil de Bolonha. Toca a convocar o vosso imenso talento e técnica para desenhar a futura mascote da rede de livrarias Bertrand. O concurso “Leitores de todos os tamanhos” está aberto até ao dia 9 de Março (sim, há que despachar) e o autor do trabalho escolhido receberá 2500 euros, que dão sempre jeito. O regulamento está disponível em http://www.grupobertrandcirculo.com/ e na página do Facebook.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 11


A invenção das clarabóias

No princípio, aprenderam a ter medo e protegeram-se.
Construíram casas de pedra e lama, pequenos refúgios
onde não tardaram a sentir-se cada vez mais sós.

Sonharam que, um dia, um feixe de luz haveria
de afagá-los. E, fascinados pelo céu, desenharam
óculos pelos telhados.

Tiveram, desde logo, a companhia das estrelas.
Hoje os deuses ainda passam os olhos pelas suas casas
todas as noites, antes de adormecerem.

(in A Casa e o Cheiro dos Livros, de Maria do Rosário Pedreira, Quetzal. Na imagem: uma clarabóia no Porto.)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 10


A casa do mundo

Aquilo que às vezes parece
um sinal no rosto
é a casa do mundo
é um armário poderoso
com tecidos sanguíneos guardados
e a sua tribo de portas sensíveis.

Cheira a teias eróticas. Arca delirante
arca sobre o cheiro a mar de amar.

Mar fresco. Muros romanos. Toda a música.
O corredor lembra uma corda suspensa entre
os Pirinéus, as janelas entre faces gregas.
Janelas que cheiram ao ar de fora
à núpcia do ar com a casa ardente.

Luzindo cheguei à porta.
Interrompo os objetos de família, atiro-lhes
a porta.
Acendo os interruptores, acendo a interrupção,
as novas paisagens têm cabeça, a luz
é uma pintura clara, mais claramente lembro:
uma porta, um armário, aquela casa.

Um espelho verde de face oval
é que parece uma lata de conservas dilatada
com um tubarão a revirar-se no estômago
no fígado, nos rins, nos tecidos sangúíneos.

É a casa do mundo:
desaparece em seguida.

(in O seu a seu tempo, de Luiza Neto Jorge, Assírio & Alvim. Na imagem: janela de uma casa de Matosinhos.)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 9



Morada

Habitamos
uma casa quando
a sombra dos nossos gestos
fica mesmo depois
de fecharmos a porta.

(in Curso Intensivo de Jardinagem, de Margarida Ferra, & etc.)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 8


“A casa é a casa de família, é para lá pôr as crianças e os homens, para os manter num lugar feito para eles, para conter a sua perdição, para os distrair desse humor de aventura e de fuga que é o deles, desde o princípio dos tempos. Quando se aborda esse tema o mais difícil é chegar ao material liso, sem asperezas, que é o pensamento da mulher em torno dessa empresa demente que uma casa representa. A de procurar o ponto de união comum às crianças e aos homens.”

(“A casa”, in A Vida Material, de Marguerite Duras, Difel)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 7


The Bustle in a House

The Bustle in a House
The Morning after Death
Is solemnest of industries
Enacted opon Earth –

The Sweeping up the Heart
And putting Love away
We shall not want to use again
Until Eternity –

(Emily Dickinson)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 6


As casas

Há sempre um deus fantástico nas casas
Em que eu vivo. E em volta dos meus passos
Eu sinto os grandes anjos cujas asas
Contêm todo o vento dos espaços.

(in Dia do Mar V, de Sophia de Mello Breyner Andresen, Caminho. Na imagem: Palácio de Monserrate, Sintra)

RESPOSTAS COM BICHO

No blogue O Bicho dos Livros, cinco perguntas feitas pela Andreia Brites, a propósito do Onde Moram as Casas. Ler aqui.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 5


Ruínas

Por onde quer que tenha começado,
pelo corpo ou pelo sentido,
ficou tudo por fazer, o feito e o não feito,
como num sono agitado interrompido.

O teu nome tinha alturas inacessíveis
e lugares mal iluminados onde
se escondiam animais tímidos que só à noite se mostravam
e deveria talvez ter começado por aí.

Agora é tarde, do que podia
ter sido restam ruínas;
sobre elas construirei a minha igreja
como quem, ao fim do dia, volta a uma casa.

(in Como se Desenha uma Casa, de Manuel António Pina, Assírio & Alvim.)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 4


Falemos de casas, do sagaz exercício de um poder
tão firme e silencioso como só houve
no tempo mais antigo.
Estes são os arquitectos, aqueles que vão morrer,
sorrindo com ironia e doçura no fundo
de um alto segredo que os restitui à lama.
De doces mãos irreprimíveis.
- Sobre os meses, sonhando nas últimas chuvas,
as casas encontram seu inocente jeito de durar contra
a boca subtil rodeada em cima pela treva das palavras.

Digamos que descobrimos amoras, a corrente oculta
do gosto, o entusiasmo do mundo.
Descobrimos corpos de gente que se protege e sorve, e o silêncio
admirável das fontes –
pensamentos nas pedras de alguma coisa celeste
como fogo exemplar.
Digamos que dormimos nas casas, e vemos as musas
um pouco inclinadas para nós como estreitas e erguidas flores
tenebrosas, e temos memória
e absorvente melancolia
e atenção às portas sobre a extinção dos dias altos.

Estas são as casas. E se vamos morrer nós mesmos,
espantamo-nos um pouco, e muito, com tais arquitectos
que não viram as torrentes infindáveis
das rosas, ou as águas permanentes,
ou um sinal de eternidade espalhado nos corações
rápidos.
- Que fizeram estes arquitectos destas casas, eles que vagabundearam
pelos muitos sentidos dos meses,
dizendo: aqui fica uma casa, aqui outra, aqui outra,
para que se faça uma ordem, uma duração,
uma beleza contra a força divina?

Alguém trouxera cavalos, descendo os caminhos da montanha.
Alguém viera do mar.
Alguém chegara do estrangeiro, coberto de pó.
Alguém lera livros, poemas, profecias, mandamentos,
inspirações.
- Estas casas serão destruídas.
Como um girassol, elaborado para a bebedeira, insistente
no seu casamento solar, assim
se esgotará cada casa, esbulhada de um fogo,
vergando a demorada cabeça para os rios misteriosos
da terra
onde os próprios arquitectos se desfazem com suas mãos
múltiplas, as caras ardendo nas velozes
iluminações.

Falemos de casas. É verão, outono,
nome profuso entre as paisagens inclinadas
Traziam o sal, os construtores
da alma, comportavam em si
restituidores deslumbramentos em presença da suspensão
de animais e estrelas,
imaginavam bem a pureza com homens e mulheres
ao lado uns dos outros, sorrindo enigmaticamente,
tocando uns nos outros –
comovidos, difíceis, dadivosos,
ardendo devagar.

Só um instante em cada primavera se encontravam
com o junquilho original,
arrefeciam o resto do ano, eram breves os mestres
da inspiração.
- E as casas levantavam-se
sobre as águas ao comprido do céu.
Mas casas, arquitectos, encantadas trocas de carne
doce e obsessiva - tudo isso
está longe da canção que era preciso escrever.

- E de tudo os espelhos são a invenção mais impura.

Falemos de casas, da morte. Casas são rosas
Para cheirar muito cedo, ou à noite, quando a esperança
Nos abandona para sempre.
Casas são rios diuturnos, nocturnos rios
Celestes que fulguram lentamente
Até uma baía fria – que talvez não exista,
como uma secreta eternidade.

Falemos de casas como quem fala da sua alma,
Entre um incêndio,
Junto ao modelo das searas,
na aprendizagem da paciência de vê-las erguer
e morrer com um pouco, um pouco
de beleza.

(Poema de Herberto Helder, in Ofício Cantante, Assírio & Alvim. Na imagem: uma das casas mais bonitas de Matosinhos.)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 3



Casa branca

Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.

A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.

Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.


(Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, in Poesia I, 1944)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 2


“Apaixonamo-nos pelas pessoas, quando as escutamos. Amamo-las. E só deixamos de as desejar quando deixamos de as ouvir. Com as casas passa-se o mesmo. Depois fica apenas uma ténue lembrança. Grata. Porque cheia de memórias.
Permitam-me que insista. As casas são como as pessoas. Porque também haveremos de amá-las mais quando elas deixarem de nos ser. Quando as perdermos. E, então, das duas uma: ou haveremos de desejá-las em ruínas, ou haveremos de desejar a nossa morte. Ou as duas. Depois, não teremos coragem nem para uma coisa nem para outra. Guardaremos essa mágoa. Sobreviveremos.”

(in As Casas, de Dóris Graça Dias, João Azevedo Editor, 1991)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 1


Oh as casas as casas as casas

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas

(Poema de Ruy Belo. Na imagem: casas de Matosinhos.)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CELEBRIDADES E BESTAS CÉLERES


Escrever livros para crianças tornou-se uma actividade integrada no star system, encarada com a mesma benevolência que antes se reservava à passagem devastadora de uma banda rock pela suite de um hotel de luxo. Em ambos os casos, é uma questão de fazer as contas. Outros campos do sistema literário têm fronteiras mais rígidas; mas a literatura infantil, à semelhança dos hotéis e aeroportos, ainda é vista como um não-lugar nesse sistema, um território devassado por onde meio mundo passa e outro tanto faz a sua perninha. Tudo bem. Também não defendo a Arábia Saudita como paradigma da liberdade de expressão. Convém apenas lembrar que as crianças não estão no mesmo pé de igualdade que os adultos; e, em especial, dos adultos cuja intenção é escrever livros para elas. Entre outras coisas, porque não possuem as mesmas capacidades cognitivas e emocionais, as mesmas competências leitoras, a mesma experiência de vida que lhes dá a possibilidade de distinguir o muito bom do puro trash. Dizer que são as crianças, em última instância, a determinar a qualidade dos livros que lhes são dirigidos é de uma desonestidade intelectual a toda a prova, quando é óbvio que essa «decisão» só se faz a posteriori; isto é, com o livro nas mãos, sob a influência dos adultos, da televisão, do marketing e de outros factores externos. Dito de forma mais simples: as crianças não são tontas, mas são facilmente manipuláveis (salvo as que entram nos filmes do John Carpenter) e raramente são os primeiros decisores. Quem frequenta os espaços infantis das livrarias sabe que assim é. Quando a oferta é qualitativamente pobre e os livros não são vistos como imprescindíveis, sobretudo em tempos de crise, o poder de escolha diminui. Novamente, é tudo uma questão de fazer as contas.

(Texto publicado na coluna de opinião “Boca do Lobo” da última LER, secção “Leituras Miúdas”.)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

CEREJAS, CASAS E OUTRAS COISAS POSITIVAS


Esta foi a segunda vez que fui à televisão comentar a rubrica “Notícias Positivas”, sete ou oito minutos no início do programa Sociedade Civil. O pretexto foi o lançamento do Onde Moram as Casas, que estará esta semana nas livrarias. Registo o facto de a Fernanda Freitas ter escolhido mostrar a ilustração do camião de mudanças num dia de chuva, a mais melancólica de todas que o Alexandre Esgaio fez (com texto a condizer), e aquela a que ninguém fica insensível. Não sei se as crianças registam o impacto emocional desta experiência da mesma forma que os adultos, mas o livro é para todos. À parte isso, tive o cuidado de não me vestir de preto e de sorrir mais, seguindo os conselhos de algumas almas que zelam por mim. Descontando os “aahh…” e aqueles momentos críticos de hesitação em que nos sentimos vagamente estrábicos, acho que correu bem. A seguir, no debate, falou-se de “barrigas de aluguer”, perdão, “maternidade de substituição”, como prontamente me admoestou um dos convidados, antes de entrar para o estúdio, acusando-me de insultar o género a que pertenço. Longe de mim. As minhas “Notícias Positivas”? Novo site Portugal-Bolonha 2012, blogue do ano para o Almanaque Silva e simpósio sobre os Irmãos Grimm em Lisboa. Obrigada à Angelina Pereira, do blogue Bibliotecar (também ficou bem classificado no ranking do Aventar), que conseguiu sacar esta imagem. Podem ver o resto aqui.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

PORTUGAL-BOLONHA 2012: O SITE


Tudo o que vai acontecer este ano na Feira do Livro Infantil de Bolonha, de 19 a 22 de Março de 2012, vai passar por aqui. São as primeiras notícias do site - incluindo a lista dos 25 ilustradores portugueses presentes na exposição "Como as cerejas" - concebido pela Silvadesigners, onde também estarei a jardinar nas próximas semanas.

sábado, 28 de janeiro de 2012

OUVIR O CORAÇÃO DAS CASAS


“É isso que este belo livro nos vem dizer: de tanto se habitarem, de tanto se habituarem, casas e pessoas se parecem entre si. Estas casas do largo (é o texto que o diz) "gostam de estar perto umas das outras, tão perto que se possam tocar, ver, ouvir, cheirar e saborear". São assim as casas da primeira ilustração. Há uma árvore e dois bancos no centro do largo, um cão persegue um gato num passeio, há uma loja de roupa, uma bicicleta encostada a um candeeiro e um marco de correio, um terraço com vasos de flores, uma janela aberta deixando ver um rádio sobre a mesa, há roupa na corda no primeiro andar da casa branca em cujo rés-do-chão há um café.”

(A crónica de Fernando Alves nos “Sinais” de ontem foi dedicada ao Onde Moram as Casas. É um belo texto para ouvir ou ler na íntegra na página da TSF, aqui. A fotografia acima foi tirada na casa onde nasci, em Matosinhos, junto às flores que mais tarde voltariam a crescer no Jardim Assombrado.)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

COM AS MÃOS NA MASSA...


... a trabalhar no site que vai dizer tudo sobre a presença de Portugal - país convidado - na próxima Feira do Livro Infantil de Bolonha. Muito em breve daremos notícias no Jardim Assombrado. Um pouco de paciência...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

ÓCULOS PARA UMA CUCA BACANA


«Portuguesa natural de Matosinhos, Carla Maia de Almeida é autora de Não Quero Usar Óculos, da Editora Peirópolis. Inspirado nas vivências de sua própria infância (já que aos 4 anos de idade ela começou a usar óculos), o livro já encantou adultos e crianças portuguesas e agora vem brilhando também no Brasil.»

Eu diria que primeiro sou de Matosinhos, e só depois "portuguesa". Manias. Este é o início de uma entrevista online à revista Crescer (Globo), a propósito da edição brasileira do Não Quero Usar Óculos, o meu segundo livro, com ilustrações do André Letria. A secção dedicada à literatura infantil chama-se “Livros para uma cuca bacana”. É disso mesmo que precisamos! Ler aqui.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ILUSTRARTE 2012






Os dias de inauguração não são os ideais para ver exposições, por isso terei de voltar o quanto antes ao Museu da Electricidade, em Belém, onde a Ilustrarte tomou forma na sua 5ª edição. Dos 50 ilustradores eleitos pelo júri, três chamaram-me imediatamente a atenção, pela concretização técnica e pela formulação do imaginário. De cima para baixo: Tim Van den Abeele (Bélgica), Michael Roher (Áustria) e Annalisa Bollini (Itália). Peço desculpa pela qualidade da "scannerização" caseira, in loco são incomparavelmente melhores. Podem ser vistas de terça a domingo, das 10h00 às 18h00, até ao dia 8 de Abril. A entrada é livre. Mais informação aqui.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

NOVO LIVRO DE DAVID ALMOND


Prémio Hans Christian Andersen 2010 para a modalidade de escrita, o inglês David Almond (de quem já falei aqui ou aqui) tem um novo livro traduzido para português, desta vez sob a chancela da Livros Horizonte (os outros estão na Presença). Chama-se Que Monstros Fabricamos?, está na linha da “crossover fiction” e entrou na shortlist para o Costa Children’s Book Award e a Carnegie Medal. Também foi adaptado a longa-metragem pela BBC. O jornal The Sunday Herald refere-se a ele como “o romance mais profundo e mais negro” de David Almond e o The Guardian caracteriza-o nos seguintes termos: «De um lirismo elegíaco sobre a inocência perdida, pontuado por momentos de humor feroz, este romance eficaz e revelador agarra-nos logo e fica a ressoar nas nossas memórias». Como fã incondicional, declaro-me rendida a priori e aguardo a volta do correio.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

ERA UMA CASINFÂNCIA


Era uma casabsoluta - como
direi? - um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.

(Herberto Helder, excerto de «Poemacto II: Minha cabeça estremece com todo o esquecimento» musicado por Rodrigo Leão & Gabriel Gomes «"Os Poetas": Entre Nós e as Palavras», 1997)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ANIVERSÁRIO


cada dia que passa escrevo menos, e o pouco que escrevo exige todo o tempo disponível, requer paixão e partilha.
está frio de quebrar ossos.
às vezes queria ser pastor, homem transumante, ir e regressar com o sol e as chuvas, ir e regressar eternamente com o ciclo das estações.
hoje fiz trinta e seis anos. acabaram-se algumas coisas na minha vida, sinto isto, apesar de ainda não perceber claramente o quê. estou certo que a juventude não recomeça nunca, nem terá início hoje. habituo-me à grande desolação dos dias
diz o horóscopo que os capricórnios têm uma velhice feliz. a velhice, dizia Céline, é um sobejo da vida.
escasseia o tempo na tentativa de vislumbrar algum sossego.
escrever, passar a vida a escrever, para quê?

(in O Medo, de Al Berto, que faria hoje 64 anos)

VER AS CASAS POR DENTRO


Faltam só três semanas para o Onde Moram as Casas chegar às livrarias. Quem quiser espreitar já um bocadinho, só tem de ir à página da Caminho e clicar no "ver por dentro".

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

CURSO DE LIVRO INFANTIL BOOKTAILORS

A quarta edição do Curso de Livro Infantil, uma parceria Booktailors/CMA, já está marcada para o início de Abril. Toda a informação aqui.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

PRINCESAS E DRAGÕES




Passaram trinta anos desde o encontro do antropólogo Francisco Vaz da Silva com o lobisomem minhoto – e quem quiser saber pormenores deste encontro só tem de ler a entrevista publicada na edição de Novembro da LER (online aqui). Trinta anos de investigação que antecederam estes Contos Maravilhosos Europeus, uma excelente colecção que está a ser publicada pelo Círculo de Leitores/Temas e Debates, e que reúne algumas das principais versões de contos de fadas onde se cruzam gatas borralheiras e capuchinhos vermelhos, belas e dragões, monstros terríveis e brancas de neve, entre outras figurações do bem e do mal obsessivamente repetidas em épocas e geografias distantes.

Depois das variantes da Gata Borralheira, do Capuchinho Vermelho e das Fadas e Serpentes (mulheres encantadas), o início de 2012 traz o quarto volume da colecção, Matadores de Dragões, Princesas Resgatadas: «Em cosmogonias diversas, este [o acto de matar um dragão] é um acto primordial que figura a transformação do caos em cosmos. Nos contos maravilhosos a morte do dragão liberta uma princesa encantada, cuja conotação aquática ou astral é por vezes perceptível. Geralmente, tais princesas libertas representam um valor precioso retido pelo dragão e que a morte deste liberta.»

Em 2012, serão publicados os últimos três volumes da colecção: A Bela e o Monstro – Contos de Encantamento; A Morte Madrinha, Polegarzinha e Outros Contos; Branca de Neve e suas Irmãs.

Recorde-se que Francisco Vaz da Silva, professor no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e investigador no Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT) da Universidade Nova de Lisboa, está a organizar o simpósio internacional sobre os Irmãos Grimm que decorrerá em Lisboa, em Junho de 2012.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PERDER UM EDITOR


Faço minhas as palavras da Sara Figueiredo Costa no Cadeirão Voltaire e da Andreia Brites n’O Bicho dos Livros acerca do afastamento de José Oliveira da Leya. A notícia do Público de ontem falava dele (não falando) como “o editor da Teorema”, uma forma muito especiosa de pôr as coisas, tendo em conta que José Oliveira foi editor da Teorema no último ano e responsável pela edição infanto-juvenil da Caminho nas últimas três décadas e meia. “Assim de repente”, parafraseando a Sara, isso dá quantos milhares de livros e de autores e de leitores? OK. Mas não, não é uma questão de fazer as contas, como dizia o outro que emigrou mais cedo. Basta citar um romance juvenil de 1979 (Rosa, Minha Irmã Rosa, de Alice Vieira), lembrar os prémios Newberry e Andersen publicados na colecção “Caminho Jovens” nas décadas de 1980 e 90, ou ainda as traduções da colecção “Borboletras”, já em 2009, para perceber a longevidade, coesão e excelência do catálogo construído por José Oliveira durante todo este tempo. Para mais pormenores, leiam o post da Andreia.

A notícia atingiu-me pessoalmente, porque José Oliveira foi meu editor na Caminho, e só posso dizer que isso foi uma sorte e um privilégio. Lembro-me do dia em que falei com ele a primeira vez, em Agosto de 2002: estava a preparar um dossier sobre literatura infantil para a Notícias Magazine (sim, é verdade, faziam-se dossiers…) e fui entrevistá-lo depois de três ou quatro horas de sono. Não foi preciso chegar a meio para me dar conta de que estava a fazer uma péssima entrevista. Expliquei a razão, tanto quanto é possível explicar, e ele sugeriu, cheio de paciência e gentileza, que remarcássemos para outro dia. Mas eu não tinha mais tempo e coisa lá se compôs, entre mortos e feridos. Sair incólume dessa primeira impressão fatal foi a parte de “sorte”. O privilégio acabou. É tudo muito estranho.



Para ilustrar este post, escolhi a capa de um dos títulos da colecção “Caminho Jovens”, que o próprio José Oliveira me resgatou do purgatório dos livros esquecidos. Obrigada por tudo.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

UMA RAIZ NA PORTO EDITORA


O Grupo Porto Editora começou o ano anunciando a criação de uma editora que promete apostar no livro infantil. Chama-se Raiz Editora e significa – segundo o comunicado de imprensa – a transição para uma “nova identidade” da que até há pouco era conhecida por Lisboa Editora, no sentido de “um novo posicionamento na área da edição escolar, principal segmento de actividade, ao mesmo tempo que se propõe entrar noutras áreas, nomeadamente na literatura infantil-juvenil.” As novidades serão anunciadas em Fevereiro (esperamos que sejam boas). Para já, aqui fica o video de apresentação.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

PERSÉFONE REINVENTADA


Talvez o leitor nunca venha a saber ao certo quem é Mina McKee. Dizer que se trata de uma menina de nove anos que lê William Blake («Era pintor e poeta e algumas pessoas diziam que era louco – tal e qual dizem de mim») já é desvendar algo sobre a «McKee Paradoxal», a «McKee Disparatada», a «McKee Esquisita». A McKee que responde aos testes inventando palavras à maneira de Joyce, sendo «retirada» da escola. Mas dizer isso é explicar quase nada. Goste-se ou não, entrar no diário de Mina McKee significa dar um passo no escuro, à procura das palavras que ressoam sob a superfície. Ao contrário de O Segredo do Senhor Ninguém, cuja narrativa se encadeava sem sobressaltos formais, O Meu Nome é Mina, passado num tempo imediatamente anterior, situa-nos numa escrita guiada pela corrente de consciência («stream of counsciousness»), em que o experimentalismo da linguagem atinge a própria composição gráfica e tipográfica. A história de Mina McKee, uma revisitação contemporânea do mito de Perséfone e Deméter – a princesa dos infernos e a sua mãe protectora e nutritiva –, é um dos romances juvenis mais extraordinários traduzidos em 2011.

O Meu Nome é Mina
David Almond
Tradução de Manuela Vaz
Presença

(Texto publicado na edição nº 109 da LER.)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

AS CASAS JÁ MORAM AQUI


Este ano o Pai Natal chegou um pouco atrasado, mas chegou. Eis os primeiros exemplares do Onde Moram as Casas, cuja capa (ficou linda, Alexandre) em breve estará a fazer companhia às outras três que podem ver ali à vossa direita. Quando é que sai para as livrarias? No mês dos gatos, claro!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

...E UM POSTALINHO TAMBÉM


Do Alex Gozblau, pois claro. O Jardim Assombrado vai passar o Natal ao norte, como manda a tradição. E ainda que de vez em quando gostasse de emigrar para a Nova Zelândia, levando atrás os seus metrosíderos, kauris, cabbage trees e restante flora endémica, promete que volta. Só para chatear. Boas Festas (e levem isto à letra)!

UMA PRENDINHA DE NATAL...


Seguindo a recente sugestão dada pelo nosso PM aos professores desempregados, inicialmente enviei este curioso item para uns happy few. Dado que a coisa começa a tomar proporções de concertação e estratégia nacional, parece-me que, mais tarde ou mais cedo, todos nós, detentores de passaporte português, seremos convidados a procurar melhor sorte noutras paragens. É bom termos governantes assim, que nos moralizam, que nos entusiasmam, que nos dão confiança e fé no futuro quando mais precisamos! O kit fica à disposição de todos os frequentadores do Jardim Assombrado, com a possibilidade de substituirem a Super Bock por Sagres e a sandocha de presunto por torresmos ou coisa parecida. (Imagem retirada do blogue Sud Express.)