segunda-feira, 30 de abril de 2012

LER DE MAIO


Quem não gostar do último número da LER só merece andar na prancha. Ver aqui o making of da capa de João Lemos: http://vimeo.com/41214679.

domingo, 29 de abril de 2012

FALAR DE LIVROS

Hoje, domingo, vou estar na Feira do Livro de Lisboa para falar sobre "os livros do ano" (2011) na área do infanto-juvenil, com a companhia de Isabel Minhós Martins e Ana Maria Magalhães. O debate será moderado por Tito Couto, da Booktailors. Às 17h00, no auditório da APEL. Apareçam.

terça-feira, 24 de abril de 2012

ALICE VIEIRA E ENID BLYTON



No Câmara Clara do último domingo, Alice Vieira falou sobre o que é escrever, ler e viver, numa entrevista interessantíssima com Paula Moura Pinheiro que inclui reportagens de Luís Caetano e Inês Fonseca Santos, uma das quais sobre Enid Blyton, em antecipação à biografia que vai ser em breve publicada pela Oficina do Livro, assinada pela autora de Rosa, Minha Irmã Rosa. Ao minuto 23.48, faço uma fugaz aparição para contar um pouco do que para mim representaram as aventuras de Os Cinco. O corte de cabelo é do Verão passado, mas, fora isso, nada perdeu a actualidade. Ver o programa completo em http://camaraclara.rtp.pt/#/arquivo/252.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O MELHOR LIVRO PARA…



No Dia Mundial do Livro, a nossa sugestão vai para os mediadores de leitura (pais, professores, educadores, animadores…) que permanentemente se questionam sobre que livro “escolher para”. Quem quiser passar parte das próximas segundas-feiras na Pó dos Livros, em Lisboa, e seguir a segunda edição das sessões “O melhor livro para…”, conduzidas pela Andreia Brites, em horário pós-laboral, vai com certeza sair de lá com muitas e boas pistas para os tempos mais próximos. Hoje começa-se pelo tema ”Onde está a poesia”, seguindo-se, com periodicidade quinzenal, “Dar que pensar”, “O humor e o conhecimento do mundo”, “A perda”, “Não ficção” e “Questões sociais e do quotidiano.” Tudo muito apetitoso…

Preço de cada sessão: 10.00 €, conjunto das 4 sessões 35.00 €. Inscrições pelo telefone 217959339 ou pelo email podoslivros@sapo.pt

PS – Aproveitamos para dar os parabéns ao blogue O Bicho dos Livros, que faz sete anos. Como cantava o outro, “é muito tempo”!

domingo, 22 de abril de 2012

LEITORES VORAZES



Não foi critério único, mas foi simbolicamente relevante. Porque ler um livro significa vestir a pele de muitas personagens, incluindo um dragão (leiam isto sem quaisquer conotações clubísticas, sff), esta é a proposta vencedora do concurso de ilustração Leitores de Todos os Tamanhos, promovido pelas Livrarias Bertrand. Escolhida entre 276 candidaturas, Catarina Correia Marques convenceu o júri (de que fiz parte) e o seu trabalho poderá ser visto numa exposição conjunta que já está em preparação.

'ONDE MORAM AS CASAS' NO EXPRESSO

Sara Figueiredo Costa deu quatro estrelas ao Onde Moram as Casas. A crítica completa, que saiu no Expresso da semana passada, já pode ser lida on-line, no Cadeirão Voltaire.

terça-feira, 3 de abril de 2012

SEMPRE EM DIA




Para avivar a memória, aqui ficam os últimos três cartazes comemorativos do Dia Internacional do Livro Infantil, por Madalena Matoso (2010), Bernardo Carvalho (2011) e Yara Kono (2012).

IRMÃOS GRIMM EM EXPOSIÇÃO


A propósito do Dia Internacional do Livro Infantil (foi ontem, mas para nós é todos os dias), o Diário Câmara Clara fez uma peça sobre a exposição dedicada aos Irmãos Grimm, cuja curadora é Maria Teresa Cortez, professora da Universidade de Aveiro. Da sua tese de doutoramento à volta dos Grimm já tínhamos falado aqui. A exposição vai estar na biblioteca da universidade até 30 de Abril. Na imagem, o cartaz comemorativo de 2008, assinado por Teresa Lima, vencedora no ano anterior do Prémio Nacional de Ilustração.

UMA CASA NA MALETA

Um obrigada muito especial à Linda Castelo-Grande, do projecto de promoção da leitura "Maleta da Marieta", que fiquei a conhecer (sem saber que a conhecia...). Vejam aqui como ficou registada a passagem do Onde Moram as Casas pela Livraria Papa-Livros, sábado passado, no Porto.

CURSO DE LIVRO INFANTIL BOOKTAILORS

Atenção, gente: o Curso de Livro Infantil CMA/Booktailors passou para 15 de Maio. Ver aqui.

quinta-feira, 29 de março de 2012

AS CASAS TAMBÉM MORAM NO PORTO


... mais propriamente na Rua Miguel Bombarda, 523, onde no próximo sábado, às 16h00, eu e o Alexandre Esgaio estaremos para falar da nossa casa comum com telhado de livro. Antes da sessão na Papa-Livros, passaremos pela FNAC do Mar Shopping, às 11h30, para uma sessão mais dedicada à miudagem. Aviso já que o Alexandre dá uns autógrafos lindos.

quarta-feira, 28 de março de 2012

4º CURSO DE LIVRO INFANTIL BOOKTAILORS

A partir do próximo dia 2 de Abril, Dia Internacional do Livro Infantil, vou iniciar (assim haja quorum...) a 4ª edição do (mini) Curso de Livro Infantil em parceria com os Booktailors. Programa, informações e inscrições aqui.

CASAS ROLANTES


O Onde Moram as Casas passou pelo programa da RTP Ler Mais Ler Melhor, que animou as ilustrações do Alexandre Esgaio. A Teresa Sampaio entrevistou os autores. Façam favor de entrar.

terça-feira, 27 de março de 2012

FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE BOLONHA, 6


Vista para as casas de Bolonha a partir da varanda da Lisa, onde morei durante seis dias estupendos.

FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE BOLONHA, 5


As cerejas não vieram só de Portugal...

FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE BOLONHA, 4


Ana Pereirinha e Manuel San Payo no stand da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. E ainda o desenho de uma antiga aluna que me agradou mesmo muito… Who is she?

FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE BOLONHA, 3






De cima para baixo: Assunção Mendonça e Maria Carlos Loureiro, da DGLB, e Agnese Soffritti, o team incansável entre o Stand de Portugal e a exposição Como as Cerejas; Marta Madureira a mostrar o seu port-folio no Stand de Portugal; aspecto do interior do stand; a mesma perspectiva, mas do exterior, revelando já algumas “falhas” nos expositores (a percentagem de furtos aumentou este ano, dizem, por causa daquela palavra que anda na boca de toda a gente… Voldemort); o Onde Moram as Casas no escaparate da selecção da DGLB, com o dedo da Maria Remédio a apontar, estilo fotografia dos vespertinos de outrora (“… e aqui foi o local do acidente”).

segunda-feira, 26 de março de 2012

FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE BOLONHA, 2










Momentos revista Caras, de cima para baixo: Gonçalo Viana, José Oliveira e Afonso Cruz; Danuta Wojciechowska, Yara Kono, André Letria e Madalena Matoso; Café dos Ilustradores, com o boné do Afonso Cruz em primeiro plano; na primeira fila do Café dos Ilustradores: Rita Pimenta, Teresa Lima, João Vaz de Carvalho e Yara Kono; eu e o Alex Gozblau, junto às ilustrações do Ainda Falta Muito? na exposição Como as Cerejas.

FEIRA DO LIVRO INFANTIL DE BOLONHA, 1





quarta-feira, 14 de março de 2012

MENSAGEM DO DIA DO LIVRO INFANTIL 2012


“Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro. Na verdade não era só um, mas muitos os contos que enchiam o mundo com as suas histórias de meninas desobedientes e lobos sedutores, de sapatinhos de cristal e príncipes apaixonados, de gatos astutos e soldadinhos de chumbo, de gigantes bonacheirões e fábricas de chocolate. Encheram o mundo de palavras, de inteligência, de imagens, de personagens extraordinárias. Permitiram risos, encantos e convívios. Carregaram-no de significado. E desde então os contos continuam a multiplicar-se para nos dizerem mil e uma vezes: “Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro…”

Quando lemos, contamos ou ouvimos contos, cultivamos a imaginação, como se fosse necessário dar-lhe treino para a mantermos em forma. Um dia, sem que o saibamos certamente, uma dessas histórias entrará na nossa vida para arranjar soluções originais para os obstáculos que se nos coloquem no caminho.

Quando lemos, contamos ou ouvimos contos em voz alta, estamos a repetir um ritual muito antigo que cumpriu um papel fundamental na história da civilização: construir uma comunidade. À volta dos contos reuniram-se as culturas, as épocas e as gerações, para nos dizerem que japoneses, alemães e mexicanos são um só; como um só são os que viveram no século XVII e nós mesmos, que lemos um conto na Internet; e os avós, os pais e os filhos. Os contos chegam iguais aos seres humanos, apesar das nossas grandes diferenças, porque no fundo todos somos os seus protagonistas. Ao contrário dos organismos vivos, que nascem, reproduzem-se e morrem, os contos são fecundos e imortais, em especial os da tradição oral, que se adequam às circunstâncias e ao contexto do momento em que são contados ou rescritos. E são contos que nos tornam seus autores quando os recontamos ou ouvimos.

E também era uma vez um país cheio de mitos, contos e lendas que viajaram durante séculos, de boca em boca, para mostrar a sua ideia de criação, para narrar a sua história, para oferecer a sua riqueza cultural, para aguçar a curiosidade e levar sorrisos aos lábios. Era igualmente um país onde poucos habitantes tinham acesso aos livros. Mas isso é uma história que já começou a mudar. Hoje os contos estão a chegar cada vez mais aos lugares distantes do meu país, o México. E, ao encontrarem os seus leitores, estão a cumprir o seu papel de criar comunidades, de criar famílias e de criar indivíduos com maior possibilidade de serem felizes.”


(“Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro” foi o mote do IBBY para Francisco Hinojosa, o escritor mexicano a quem coube escrever o texto comemorativo do próximo Dia Internacional do Livro Infantil, 2 de Abril de 2012. Gosto bastante. A tradução para português é de Maria Carlos Loureiro, responsável da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, que todos os anos convida o vencedor do último Prémio Nacional de Ilustração a desenhar o cartaz alusivo. Desta vez, a sorte coube a Yara Kono, ilustradora residente do Planeta Tangerina, que ganhou também a viagem para a Feira do Livro Infantil de Bolonha. Só faltam cinco dias…)

segunda-feira, 12 de março de 2012

BOLONHA 1978


"Queen Althea of Pomperania". Ilustração de Tomie de Paola (EUA), um dos seleccionados para a exposição internacional da Feira do Livro Infantil de Bolonha, em 1978.

domingo, 11 de março de 2012

JOSÉ OLIVEIRA EM DISCURSO DIRECTO


José Oliveira foi responsável pela edição da área infanto-juvenil da Caminho entre 1982 e 2011, tempo suficiente para a construção de um catálogo em que figuram dezenas de nomes de qualidade inquestionável – de Alice Vieira a Afonso Cruz, de Anthony Browne a Chris Wormell. As suas memórias da Feira do Livro Infantil de Bolonha abarcam três décadas. Abrimos uma pequena janela. [Obs.: a entrevistadora dispensou o uso das aspas na transcrição do texto para o seu próprio blogue.]

PRÉMIOS LITERÁRIOS 2012

Já repararam na quantidade de prémios literários que pululam por esse país fora? Pensem que "talento" rima com "orçamento" e vejam os pormenores aqui.

sexta-feira, 9 de março de 2012

16º PRÉMIO NACIONAL DE ILUSTRAÇÃO


Atenção, retardatários: as candidaturas à 16ª edição do Prémio Nacional de Ilustração estão abertas até ao dia 23 de Março. Podem concorrer ilustradores portugueses ou residentes em Portugal, com uma obra para crianças e jovens que tenha sido editada entre 1 de Janeiro e 31 de Dezembro de 2011. O vencedor receberá € 5.000.00, acrescido de uma comparticipação de € 1.500.00 para custear a sua deslocação à Feira do Livro Infantil de Bolonha de 2013. É o caso de Yara Kono, vencedora o ano passado (e autora da imagem acima) com o livro O Papão no Desvão (Caminho), com texto de Ana Saldanha.

Mais informações e regulamento no site da DGLB.

quarta-feira, 7 de março de 2012

OBRA INTEGRAL DOS GRIMM EM PORTUGUÊS


Pela primeira vez, os Contos da Infância e do Lar (Temas e Debates/Círculo de Leitores) surgem numa edição integral em língua portuguesa, com tradução e notas de Teresa Aica Bairos e coordenação científica de Francisco Vaz da Silva, organizador do congresso internacional sobre os Irmãos Grimm que se prepara para acontecer em Lisboa, de 21 a 23 de Junho. Ao todo, são duzentos contos reunidos em três volumes de cerca de 500 páginas – o primeiro acaba de sair –, que assinalam o bicentenário da publicação original em língua alemã. Na introdução, Teresa Aica Bairos adverte não ter partido da edição de 1812, mas de edições posteriores. Se a primeira foi resultado de «um trabalho de recolha etnográfica dirigido a um público adulto», a partir daí, os irmãos Jacob e Wilhelm foram incorporando sucessivas críticas e preceitos morais. «Ao nível do conteúdo, pode dizer-se, generalizando, que os Grimm omitiram alusões sexuais ou eróticas, e emendaram referências a situações de incesto ou de abuso familiar que consideraram perturbadoras para crianças. Em contrapartida, algumas cenas de violência tornaram-se mais gráficas e detalhadas», conclui a tradutora. Uma subversão interessante, quand même...

terça-feira, 6 de março de 2012

TODOS A BORDO


Uma das inovações da Planeta Tangerina reside na procura de um olhar de autor sobre os «grandes temas», termo que usamos aqui entre aspas na tentativa de lhe retirar grandiloquência. Trata-se de um olhar partilhado entre escritor e ilustrador, geralmente focado no microcosmos quotidiano (O Livro dos Quintais, As Duas Estradas ou És Mesmo Tu?), mas que por vezes se expande no sentido de uma sabedoria universal – e que, no nosso entender, tem como expoente o livro Quando Eu Nasci. As duas vias são, a mais das vezes, complementares, como se prova neste Ir e Vir, espécie de poética do movimento aplicada à História da Humanidade. Começámos por andar e correr, depois «passámos a percorrer todo o espaço num curtíssimo espaço de tempo». Fizemo-lo facilmente? «Se olharmos mais de perto, uma palavra nunca mente». Comparadas com as viagens migratórias de outros animais (a andorinha-do-mar, a borboleta-monarca e outros), somos seres barulhentos e poluentes. As ilustrações de Bernardo Carvalho, em forma de recorte e colagem, distinguem momentos de confusão e de clareza neste «ir e vir» constante de pessoas, coisas e animais, interpretando à transparência o texto de Isabel Minhós Martins. Não há como passar ao lado desta viagem.

Ir e Vir
Isabel Minhós Martins
Ilustrações de Bernardo Carvalho
Planeta Tangerina

(Texto publicado na LER nº 111, na secção “Leituras Miúdas”.)

quinta-feira, 1 de março de 2012

BOLONHA POR BERNARDO


Bernardo Carvalho é o autor da capa da LER de Março, a partir de hoje nas bancas. É uma edição que me deixa particularmente feliz, por apostar neste grande plano sobre a ilustração portuguesa na Feira do Livro Infantil de Bolonha, tema desenvolvido no interior. Além do Bernardo, há perfis da Danuta Wojciechowska, Marta Madureira, Inês Oliveira e Tiago Albuquerque. Foi difícil fazer uma selecção sobre a selecção dos 25 ilustradores, mas quem se mete no jornalismo, hélas, sabe que optar é um acto contínuo (e desgastante). A secção "Leituras Miúdas" está mais pequena, mas voltaremos ao normal na edição de Abril. Até lá, viva Bolonha!

A ALMA DOS BICHOS


"Os bichos também têm alma,/ a alma que é própria dos bichos/ e que os homens não entendem." Os versos de João Pedro Mésseder e as ilustrações de Manuela Bacelar foram à procura da alma dos bichos. Procurem-na no próximo sábado, na livraria Centésima Página, em Braga, onde pelas 17h00 será apresentado o livro Gatos, Lagartos e outros poemas.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A CASA SINCRONIZADA VENCE PRÉMIOS SPA


Ontem, o júri dos Prémios SPA distinguiu um livro com música dentro: A Casa Sincronizada (Caminho), de Inês Pupo e Gonçalo Pratas, os mesmos de Canta o Galo Gordo, vencedores na categoria de Literatura – Melhor Livro Infanto-Juvenil. Finalmente, este ano, os ilustradores também já têm direito de cidadania na concepção da obra e podem subir ao palco, em vez se serem apenas “evocados” pelos escritores. É uma sincronia merecida e em tudo desejável, que confirma o ditado “água mole em pedra dura”, etc., etc… No caso, as ilustrações são assinadas por Pedro Brito, autor de BD, o mesmo do fabuloso Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos (a meias com João Fazenda, nas Edições Polvo). E agora, toca a afinar essas cordas vocais para fazer o próximo livro.

A TODOS OS ILUSTRADORES DISTRAÍDOS


Senhoras e senhores ilustradores, a vida não acaba (ou começa) na Feira do Livro Infantil de Bolonha. Toca a convocar o vosso imenso talento e técnica para desenhar a futura mascote da rede de livrarias Bertrand. O concurso “Leitores de todos os tamanhos” está aberto até ao dia 9 de Março (sim, há que despachar) e o autor do trabalho escolhido receberá 2500 euros, que dão sempre jeito. O regulamento está disponível em http://www.grupobertrandcirculo.com/ e na página do Facebook.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 11


A invenção das clarabóias

No princípio, aprenderam a ter medo e protegeram-se.
Construíram casas de pedra e lama, pequenos refúgios
onde não tardaram a sentir-se cada vez mais sós.

Sonharam que, um dia, um feixe de luz haveria
de afagá-los. E, fascinados pelo céu, desenharam
óculos pelos telhados.

Tiveram, desde logo, a companhia das estrelas.
Hoje os deuses ainda passam os olhos pelas suas casas
todas as noites, antes de adormecerem.

(in A Casa e o Cheiro dos Livros, de Maria do Rosário Pedreira, Quetzal. Na imagem: uma clarabóia no Porto.)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 10


A casa do mundo

Aquilo que às vezes parece
um sinal no rosto
é a casa do mundo
é um armário poderoso
com tecidos sanguíneos guardados
e a sua tribo de portas sensíveis.

Cheira a teias eróticas. Arca delirante
arca sobre o cheiro a mar de amar.

Mar fresco. Muros romanos. Toda a música.
O corredor lembra uma corda suspensa entre
os Pirinéus, as janelas entre faces gregas.
Janelas que cheiram ao ar de fora
à núpcia do ar com a casa ardente.

Luzindo cheguei à porta.
Interrompo os objetos de família, atiro-lhes
a porta.
Acendo os interruptores, acendo a interrupção,
as novas paisagens têm cabeça, a luz
é uma pintura clara, mais claramente lembro:
uma porta, um armário, aquela casa.

Um espelho verde de face oval
é que parece uma lata de conservas dilatada
com um tubarão a revirar-se no estômago
no fígado, nos rins, nos tecidos sangúíneos.

É a casa do mundo:
desaparece em seguida.

(in O seu a seu tempo, de Luiza Neto Jorge, Assírio & Alvim. Na imagem: janela de uma casa de Matosinhos.)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 9



Morada

Habitamos
uma casa quando
a sombra dos nossos gestos
fica mesmo depois
de fecharmos a porta.

(in Curso Intensivo de Jardinagem, de Margarida Ferra, & etc.)

domingo, 19 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 8


“A casa é a casa de família, é para lá pôr as crianças e os homens, para os manter num lugar feito para eles, para conter a sua perdição, para os distrair desse humor de aventura e de fuga que é o deles, desde o princípio dos tempos. Quando se aborda esse tema o mais difícil é chegar ao material liso, sem asperezas, que é o pensamento da mulher em torno dessa empresa demente que uma casa representa. A de procurar o ponto de união comum às crianças e aos homens.”

(“A casa”, in A Vida Material, de Marguerite Duras, Difel)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 7


The Bustle in a House

The Bustle in a House
The Morning after Death
Is solemnest of industries
Enacted opon Earth –

The Sweeping up the Heart
And putting Love away
We shall not want to use again
Until Eternity –

(Emily Dickinson)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 6


As casas

Há sempre um deus fantástico nas casas
Em que eu vivo. E em volta dos meus passos
Eu sinto os grandes anjos cujas asas
Contêm todo o vento dos espaços.

(in Dia do Mar V, de Sophia de Mello Breyner Andresen, Caminho. Na imagem: Palácio de Monserrate, Sintra)

RESPOSTAS COM BICHO

No blogue O Bicho dos Livros, cinco perguntas feitas pela Andreia Brites, a propósito do Onde Moram as Casas. Ler aqui.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 5


Ruínas

Por onde quer que tenha começado,
pelo corpo ou pelo sentido,
ficou tudo por fazer, o feito e o não feito,
como num sono agitado interrompido.

O teu nome tinha alturas inacessíveis
e lugares mal iluminados onde
se escondiam animais tímidos que só à noite se mostravam
e deveria talvez ter começado por aí.

Agora é tarde, do que podia
ter sido restam ruínas;
sobre elas construirei a minha igreja
como quem, ao fim do dia, volta a uma casa.

(in Como se Desenha uma Casa, de Manuel António Pina, Assírio & Alvim.)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 4


Falemos de casas, do sagaz exercício de um poder
tão firme e silencioso como só houve
no tempo mais antigo.
Estes são os arquitectos, aqueles que vão morrer,
sorrindo com ironia e doçura no fundo
de um alto segredo que os restitui à lama.
De doces mãos irreprimíveis.
- Sobre os meses, sonhando nas últimas chuvas,
as casas encontram seu inocente jeito de durar contra
a boca subtil rodeada em cima pela treva das palavras.

Digamos que descobrimos amoras, a corrente oculta
do gosto, o entusiasmo do mundo.
Descobrimos corpos de gente que se protege e sorve, e o silêncio
admirável das fontes –
pensamentos nas pedras de alguma coisa celeste
como fogo exemplar.
Digamos que dormimos nas casas, e vemos as musas
um pouco inclinadas para nós como estreitas e erguidas flores
tenebrosas, e temos memória
e absorvente melancolia
e atenção às portas sobre a extinção dos dias altos.

Estas são as casas. E se vamos morrer nós mesmos,
espantamo-nos um pouco, e muito, com tais arquitectos
que não viram as torrentes infindáveis
das rosas, ou as águas permanentes,
ou um sinal de eternidade espalhado nos corações
rápidos.
- Que fizeram estes arquitectos destas casas, eles que vagabundearam
pelos muitos sentidos dos meses,
dizendo: aqui fica uma casa, aqui outra, aqui outra,
para que se faça uma ordem, uma duração,
uma beleza contra a força divina?

Alguém trouxera cavalos, descendo os caminhos da montanha.
Alguém viera do mar.
Alguém chegara do estrangeiro, coberto de pó.
Alguém lera livros, poemas, profecias, mandamentos,
inspirações.
- Estas casas serão destruídas.
Como um girassol, elaborado para a bebedeira, insistente
no seu casamento solar, assim
se esgotará cada casa, esbulhada de um fogo,
vergando a demorada cabeça para os rios misteriosos
da terra
onde os próprios arquitectos se desfazem com suas mãos
múltiplas, as caras ardendo nas velozes
iluminações.

Falemos de casas. É verão, outono,
nome profuso entre as paisagens inclinadas
Traziam o sal, os construtores
da alma, comportavam em si
restituidores deslumbramentos em presença da suspensão
de animais e estrelas,
imaginavam bem a pureza com homens e mulheres
ao lado uns dos outros, sorrindo enigmaticamente,
tocando uns nos outros –
comovidos, difíceis, dadivosos,
ardendo devagar.

Só um instante em cada primavera se encontravam
com o junquilho original,
arrefeciam o resto do ano, eram breves os mestres
da inspiração.
- E as casas levantavam-se
sobre as águas ao comprido do céu.
Mas casas, arquitectos, encantadas trocas de carne
doce e obsessiva - tudo isso
está longe da canção que era preciso escrever.

- E de tudo os espelhos são a invenção mais impura.

Falemos de casas, da morte. Casas são rosas
Para cheirar muito cedo, ou à noite, quando a esperança
Nos abandona para sempre.
Casas são rios diuturnos, nocturnos rios
Celestes que fulguram lentamente
Até uma baía fria – que talvez não exista,
como uma secreta eternidade.

Falemos de casas como quem fala da sua alma,
Entre um incêndio,
Junto ao modelo das searas,
na aprendizagem da paciência de vê-las erguer
e morrer com um pouco, um pouco
de beleza.

(Poema de Herberto Helder, in Ofício Cantante, Assírio & Alvim. Na imagem: uma das casas mais bonitas de Matosinhos.)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

AS CASAS, 3



Casa branca

Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flocos marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.

A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.

Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.


(Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, in Poesia I, 1944)