domingo, 9 de dezembro de 2012

IR E NÃO VOLTAR


As Histórias de Terror do Navio Negro (Arte Plural), de Chris Priestley e David Roberts (ilustrações). Recomendo-o a todas as pessoas que sofrem de insónias e não sabem nadar. Muhaahaahaahahá!

DENDROFILIA


«Dendrófilo: adj. (dendro+filo) 1 Amigo das árvores. 2 Que vive dentro das árvores ou sobre elas.» Uma das maiores dendrófilas que conheço (e não são poucos/as) chama-se Susana Neves, é jornalista, escritora, ilustradora, fotógrafa e, essencialmente, uma pessoa maravilhosa. Acabou de publicar, com texto e fotografias da sua autoria, um belo álbum de grande formato intitulado Histórias que Fugiram das Árvores (ed. By the Book). Só vos digo que é lindíssimo. Espreitem aqui.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O MEU PRIMEIRO QUESTIONÁRIO DE PROUST


2. Qual foi o melhor parágrafo que já escreveu ou, pelo menos, a melhor frase?

Agora a sério: não sei. Mas gosto deste parágrafo que escrevi recentemente, porque me deu bastante trabalho até chegar à imagem que queria: «O Malik ficou com o terraço só para ele. E nós ficámos com o pedaço de mar que se avistava ao longe, um anel azul brilhante encaixado entre os dedos dos prédios e o braço longo da auto-estrada.» Já agora: Malik é um cão e o parágrafo faz parte do meu próximo livro, uma novela juvenil que será publicada em 2013 pelo Planeta Tangerina, com ilustrações de António Jorge Gonçalves. Chama-se Irmão Lobo.

(Respondi ao questionário de Proust – reinventado por Joel Neto – para os Booktailors. A resposta acima é para quem queria saber por que razão O Jardim Assombrado esteve “fechado” durante quatro meses… Ler o resto aqui.)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A LEBRE DE CHUMBO


Talvez já tenham reparado que na coluna do lado direito há duas capas novas. Da vermelha já falei aqui, mas A Lebre de Chumbo ainda está com o estatuto de “pré-novidade”. Desafiei o Alex Gozblau, meu amigo e compagnon de route no Ainda Falta Muito? a ilustrar este conto de fadas (ou conto maravilhoso), uma área onde nenhum de nós se tinha ainda aventurado. Ele chamou-lhe um “conto de fadas budista”. Não sei. Só posso dizer que estou muito, muito contente com o nosso trabalho. 

O livro deverá ficar pronto daqui a uma semana, mas por enquanto ainda só estará acessível aos sócios da APCC - Associação para a Promoção Cultural da Criança. A partir de Janeiro, segue para as Fnacs (pelo menos assim o espero…). Vai ser o 10º ou o 11º título da colecção Ler com Valores – e a hesitação da ordem numérica prende-se com o facto de ser publicado ao mesmo tempo que Viagem ao País da Levitação, de Gonçalo M. Tavares e Rachel Caiano.

Desde 2009 que a APCC, uma instituição de utilidade pública sem fins lucrativos, convida dois autores – escritor e ilustrador – a fazer um livro para a colecção. Ou melhor, quatro autores, visto que saem dois livros ao mesmo tempo. Livros bonitos e feitos com critério, melhores do que muitas editoras profissionais fazem... Mediante uma quota anual de cinco euros, cada criança recebe dois exemplares e (por mais 1,5 €) também o calendário, que este ano é assinado por João Fazenda. Também podem ser adquiridos na sede.

Até agora, foram nove os títulos publicados pela APCC – os três primeiros já vão para reedição. Só pelos nomes, já podem ver que é para mim uma honra fazer parte desta lista:

- O Cão e o Gato, António Torrado e André Letria

- O Voo do Golfinho, Ondjaki e Danuta Wojciechowska

- O Menino e a Nuvem, Luísa Ducla Soares e Rafaello Bergonse

- No Dia da Criança, Luísa Ducla Soares e Danuta Wojciechowska

- Contos do Lápis Verde, Álvaro Magalhães e Bernardo Carvalho

- Trapalhadas Azaradas com Molho de Chantilly, Rita Taborda Duarte e Maria João Worm

- Ginástica Animalástica, Isabel Minhós Martins e João Fazenda

- Querer Muito, João Paulo Cotrim e André da Loba

- Pirilampos e Estrelas, António Torrado e Yara Kono

AINDA AS CASAS



«O livro, cartonado, vive de um entrosamento muito forte entre texto e imagem e assume-se como um projecto de reflexão poética sobre a relação entre as casas e as pessoas. Ou melhor, propõe-se a pensar em casas como se fossem pessoas. Conceito abstracto, sim, e que só um grande cuidado e simplicidade no uso da linguagem, aliada a uma profunda sensibilidade estética, pode transformar o livro no belíssimo objecto que na realidade é.»

Rita Taborda Duarte, que conheceu e viveu esta casa por dentro, escreveu uma bela crítica ao Onde Moram as Casas, durante os meses em que O Jardim Assombrado esteve em pousio. Recupero-a agora. Pode ser lida aqui.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A LER ESTÁ EM FESTA!



E que grande festa. Começa hoje no Cinema São Jorge, em Lisboa, para durar até domingo. Ele é filmes, ele é livros, ele é debates, ele é concertos... um fartote em tempos de crise. O programa do Festival LER 25 Anos pode ser acompanhado aqui. Entretanto, não percam a edição deste mês, com a nossa «Rainha Sophia» na capa, linda, linda!

MONSTROS DA EDIÇÃO


Fernando Guedes, fundador da Editorial Verbo, é o primeiro dos «monstros da edição» (adoro esta expressão tão heróis da Marvel!) entrevistados por Sara Figueiredo Costa para a nova colecção da Booktailors. O lançamento acontece amanhã, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, com apresentação de Francisco Espadinha, editor da Presença.

ENCONTROS LUSO-GALAICO-FRANCESES


Dias 6 e 7 de Dezembro, a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto (ESE) recebe a 18ª edição dos Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil. Do programa, consta uma homenagem a Manuel António Pina (sexta, às 14h30), onde participarão a professora e investigadora Sara Reis da Silva (Universidade do Minho) e os escritores Álvaro Magalhães e Vergílio Alberto Vieira. Eu também gostava de lá estar.

LIVROS INFANTIS: UM BEST OF



Os dez melhores livros infantis do anos segundo o New York Times.Via Blogtailors.

ESPECIAL INFANTIL


«O que é escrever para crianças? É fitá-las nos olhos, falar com elas por escrito, de coração aberto, sem abdicar da inteligência, da experiência, do domínio da palavra.» A escritora Luísa Ducla Soares inaugura o Especial Infantil que, ao longo de Dezembro, trará a público as opiniões de um criterioso lote de apaixonados por esta área. Para acompanhar no blogue Edição Exclusiva. 

sábado, 1 de dezembro de 2012

AQUI MORA A CASA



Esta é a verdadeira casa que inspirou a ilustração de capa do Onde Moram as Casas, feita pelo Alexandre Esgaio. Fica nos Anjos, em Lisboa, e tem aquela morbosidade inexplicável que tanto fascina nas casas abandonadas. Nunca lá entrei, nem sei se continua habitada, mas pagava para ver. Quando vou às escolas e me perguntam o que queria ser se não fosse escritora, costumo responder que gostaria de ter uma profissão que me permitisse entrar nas casas das pessoas como um fantasma, só para lhes respirar a atmosfera.

O PRÍNCIPE DESENCANTADO


Depois de A Origem das Espécies Reinventada (Trinta por Uma Linha), João Ferreira Oliveira publicou agora o segundo livro, A Estranha História do Príncipe que Inventou o Abecedário (Máquina de Voar). Vale a pena ler e seguir os passos deste novo escritor, começando já por assistir ao lançamento que ocorre amanhã, às 16h00, na Livraria Cabeçudos. Não se esqueçam de que mudou de morada e está agora no Lumiar.

OS DIAS DA DANUTA


 

Os dias da Danuta Wojciechowska para a Agenda 2013 já andam por aí, a antecipar um ano tão... imprevisível. Uma edição Lupa Design.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

SEU APELIDO LISBOA


A Minha Primeira Amália é o 13º volume de uma colecção iniciada em 2005, que gostaríamos de ver continuada a um ritmo mais intenso. Não são assim tantos os exemplos de biografias destinadas aos leitores mais pequenos – assinadas por autores portugueses – e por isso é de saudar a chegada de um novo título. Com texto de Maria do Rosário Pedreira, editora e escritora (também de letras de fados), a biografia de Amália Rodrigues (1920-1999) é a de uma figura real conquistada para o mito, o que torna até os pormenores mais mundanos da sua vida (a infância, as superstições, os casamentos, etc.) uma matéria interessante para o leitor. As ilustrações de João Fazenda conseguem captar o chiaro-escuro do ambiente do fado, mostrando quer os semblantes carregados dos guitarristas quer a alegria que Amália provocava em quem a ouvia. Só falta mesmo o CD a acompanhar.

A Minha Primeira Amália
Maria do Rosário Pedreira
Ilustrações de João Fazenda
Dom Quixote

(Texto publicado na edição da LER nº 118.)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A MINHA PRIMEIRA AMÁLIA


Hoje, às 18h30, no Museu do Fado, João Paulo Cotrim apresenta a biografia de Amália para os mais pequenos, recentemente publicada na colecção temática da Dom Quixote. Maria do Rosário Pedreira escreveu e João Fazenda ilustrou. Nós gostámos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

ARCANO VI - OS ENAMORADOS


Eu e o Alex Gozblau fizemos um conto de fadas. «O quê, um conto de fadas?» Sim, sim. E esta é a penúltima ilustração do livro...  

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

GENTE QUE CAMINHA NO ESCURO


Quem puder, não deve deixar de passar hoje pela Biblioteca Municipal de Oeiras, onde o Rodolfo Castro é protagonista de mais uma sessão de contos que têm como público-alvo os adultos. Temas: «o desespero, o erotismo e a vingança». Começa às 21h30 e intitula-se «Histórias para gente que caminha no escuro». Na imagem, o livro Zezolla (2011), escrito pelo Rodolfo e magnificamente ilustrado por Richard Zela. Foi publicado no México, mas se lhe perguntarem ele é capaz de ter ainda alguns. É a versão mais negra, mais sinistra e mais cruel que alguma vez li da Gata Borralheira. Adorei.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O JARDIM CURIOSO


De uma extinta linha férrea dos anos 1930, apropriada pela natureza, nasceu este lugar incrível, mais tarde ficcionado no livro O Jardim Curioso (Caminho). Falámos do caso aqui. Fotografias retiradas daqui.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

UMA EDITORA COM BOM FEITIO


Enquanto não chega o novo livro do Planeta Tangerina, não deixem de ler a entrevista a Isabel Minhós Martins, editora e escritora (ou escritora e editora?) publicada ontem no Blogtailors. Gostei especialmente deste bocadinho: “Já alguma vez lhe apeteceu deixar de falar com um jornalista/crítico na sequência de uma crítica literária?” “Credo, não.” Ler tudo aqui.

ONDE VIVEM OS MONSTROS


Vivem na livraria Papa-Livros, no Porto, onde na próxima sexta-feira, entre as 15h00 e as 20h00, decorre a 1ª Feira de Oportunidades da Kalandraka. "Grandes títulos a pequenos preços", eis o mote. Se os monstros não vão faltar, quem é que se atreve?

terça-feira, 20 de novembro de 2012

DIREITOS DA CRIANÇA


A 20 de Novembro de 1989 era adoptada a Convenção sobre os Direitos da Criança pela Assembleia Geral das Nações Unidas. A editora OQO assinalou a data lembrando um dos títulos que me fazem hesitar na classificação cabal de “livro para crianças”: Fumo, de Antón Fortes e Joana Concejo, sobre o horror dos campos de concentração nazis. Para lembrar e não deixar que palavras bonitas se esvaiam em fumo.  

sábado, 10 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

ROCK'N'ROLL NIGGER



Quem vê músicas vê corações? Je ne sais pas. A ser verdade, o meu é assim, entre o negro, o azul e o numinoso:

FISHERS Z – So Long
JOSÉ AFONSO – Vejam Bem
STRANGLERS – Golden Brown
NATALIE MERCHANT – The Sleepy Giant
THE WALKABOUTS – The River People
BRUCE SPRINGSTEEN – Youngstown
NICK CAVE AND THE BAD SEEDS – The Ballad of Robert Moore and Betty Coltrane
PATTI SMITH – Rock’n’roll Nigger
PINK FLOYD – Comfortably Numb
HANK WILLIAMS – Alone and Foresaken
JACQUES BREL – Mathilde
SCREAMIN’ JAY HAWKINS – I Put a Spell on You
ROLLING STONES – Paint it Black
NEIL YOUNG – Dead Man Soundtrack
KRISTIN HERSH – Houdini Blues
MÃO MORTA – Tu Disseste
JOHNNY CASH – I Won’t Back Down
LITTLE ANNIE – Freddy and Me
TOM WAITS – Yesterday is Here
LOU REED – Sword of Damocles
LLOYD COLE – Chelsea Hotel
MARTHA AND THE MUFFINS – Echo Beach

(Esta foi a lista. Para ouvir o compacto da Play-List na TSF, clicar aqui.)

LER POR AÍ

Sabiam que a LER já chegou ao formato digital e pode ser lida em qualquer parte do mundo? Ver aqui.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

25 LIVROS DOS ÚLTIMOS 25 ANOS


Para quem ainda não reparou, a LER completa 25 anos de existência praticamente ininterrupta. Um feito. Prosseguindo a série de artigos em que os críticos da revista têm dado a conhecer as suas listas dos «25 Livros dos Últimos 25 Anos», coube-me este mês revisitar as minhas leituras mais importantes na área do infanto-juvenil. Não foi um exercício de sofrimento, muito pelo contrário. Esteve sempre claro que não se tratava da missão impossível de eleger «os 25 melhores livros», mas apenas de escolher 25 livros pessoalmente relevantes e de indubitável qualidade. Começo em 1987, com Dentes de Rato, de Agustina Bessa-Luís e Martim Lapa (ilustrações), e entro pelas décadas seguintes até chegar a 2011 e a Praia Mar, um álbum de grande formato ilustrado por Bernardo Carvalho. Querem saber o que fica pelo meio? Comprem a LER, que vale a pena. A entrevista a Alberto Manguel por Carlos Vaz Marques, o artigo traduzido do The Guardian sobre J.K. Rowling pós-Harry Potter e a comunicação de Eduardo Lourenço proferida no CCB justificam bem a módica quantia de cinco euros.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CONDOMÍNIO PRIVADO




Administra bem o teu jardim.

Passam altos os crisântemos.
Os astros
andam tão em baixo às vezes
que
se não acordamos
apodrecem nos ramos.

Administra bem o teu jardim.

Pedra
sombra
giestas
mastros
solo.

Administra bem o teu jardim.


(Poema de Mário Castrim, in A Moeda do Sol, Campo das Letras, 2006. Fotografia de Guto Ferreira, na Casa-Museu de Katherine Mansfield, Wellington, Nova Zelândia, em 2004. Publicada no nº 68 da revista LER.)

PELE DE OSSO



«Só os lobos me acolheram, sem perguntarem de onde eu tinha vindo. Fizemos grandes corridas juntos, perseguimos búfalos e veados, roubámos o fogo às aldeias e dançámos à volta das fogueiras. Éramos uma família.»


(Excerto de «Pele de Osso», um conto – não infantil – que publiquei no livro Capuchinho Vermelho: histórias secretas e outras menos, da Bags of Books. Onde participaram também António Manuel Pacheco, António Mota, Augusto Baptista, Eugénio Roda, Francisco Duarte Mangas, Isabel Minhós Martins, João Manuel Ribeiro, João Pedro Mésseder, Teresa Martinho Marques e Vergílio Alberto Vieira. Capa e design de Gémeo Luís.)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

KARATEKA EM KASKAIS



Ana Pessoa, autora de O Caderno Vermelho da Rapariga Karateka e vencedora do último prémio Branquinho da Fonseca/Expresso/Gulbenkian na modalidade juvenil, veio "das Europas" para estar presente hoje na Casa das Histórias, em Cascais. A apresentação do livro que inaugurou a colecção juvenil da Planeta Tangerina, e que foi ilustrado por Bernardo Carvalho, será feita por Rita Taborda Duarte, também ela vencedora do mesmo prémio, em 2003, com A Verdadeira História de Alice. É às 18h30. Apareçam!

PRIMEIROS LIVROS, PRIMEIRAS LEITURAS


Tudo o que a Ana Mourato faz é bom. Mais informações em http://ouvirfalarletras.blogspot.pt/

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

PRÉMIO CÂMARA CLARA


Em Penafiel, o Escritaria 2012 distinguiu o programa Câmara Clara com o prémio Carreira por esta peça, assinada pelos jornalistas Nuno F. Santos e João Nuno Soares. Entram o "Onde Moram as Casas" e "Quando Teodoro Encolheu" (que traduzi). E vozes de miúdos que deram muita graça à ideia. Eu e o Alexandre Esgaio partilhamos um bocadinho do prémio, sim? Só um bocadinho...

ALICES NA GULBENKIAN


Desde ontem e até 10 de Fevereiro de 2013, a Fundação Calouste Gulbenkian convida a visitar a exposição comissariada por Eduardo Filipe e Ju Godinho (inaugurada este Verão em Londres) que reúne cem ilustrações originais de 21 artistas de todo o mundo, em celebração do 150º aniversário de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll.

APRENDER A CONTAR HISTÓRIAS EM SINTRA



Rodolfo Castro, auto-nomeado “o pior contador de histórias do mundo” (garantimos que é mentira), vai orientar um pequeno curso teórico-prático que pode ser uma oportunidade para trabalhar histórias menos conhecidas usando técnicas expressivas de corpo, voz e expressão. Os encontros decorrem este mês, às terças-feiras, das 18h30 às 21h00, em Sintra. Mais informação aqui.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

OLHA O LIVRO NOVO DA BRUAÁ

UMA AVENTURA AUTOBIOGRÁFICA


Tudo Tem o Seu Tempo é uma autobiografia de Ana Maria Magalhães, editada pela Caminho, chegada ontem às livrarias. O lançamento será no dia 5 de Novembro, pelas 18.30 horas, na Livraria Leya na Barata e a apresentação será feita por Isabel Alçada, sua aliada na série "Uma Aventura", que vendeu oito milhões de exemplares desde 1982. O livro apresenta-se como “o relato da sua infância e juventude até aos vinte anos”.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

ÓCULOS PARA ANDAR À CHUVA



Chuva, muita chuva no 1º Festival Literário de Castelo Branco, que termina hoje. Os óculos recomendados só poderiam ser mesmo «uns óculos para andar à chuva» – como estes, feitos por alunos do Agrupamento Faria de Vasconcelos, que nos receberam com muita graça e curiosidade. O plural justifica-se porque as visitas foram partilhadas com a Patrícia Reis (escritora) e a Danuta Wojciechowska (ilustradora), excelentes companheiras de sessão e não só. O nosso «Trio Eléctrico» passou também pelo Agrupamento João Roiz e pela Escola Secundária Nun’Álvares, onde teve de agarrar 80 miúdos de 13 e 14 anos em polvorosa com o teste que iam ter na hora seguinte. Não foi fácil, mas conseguimos. Foram dois dias muito bem passados, com a excelente organização da Câmara Municipal de Castelo Branco e a produção da Booktailors. Adorei. Pode vir mais chuva!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O PAÍS DOS TERMINATORS - EM REPRISE



Felizmente, não faço parte das gerações que cresceram a ouvir mentiras sobre a grandeza de Portugal, as suas glórias passadas e os seus heróis tão convenientes. Tive um derriço por Portugal quando tinha 20 anos e lia as crónicas do MEC no Expresso, mas a verdade é que nem o saudosismo de Teixeira de Pascoaes nem o pitoresco da manteiga Primor chegam para fazer esquecer o resto. E o resto é isto: um país pobre e claustrofóbico, amesquinhado pela eterna pequenez dos seus políticos e ensandecido por rasgos pontuais de histerismo mediático à volta do futebol, do clima ou do escândalo. Não é só isto, mas é cada vez mais disto.

E nesta estreiteza que começa na geografia e se estende por todos os planos da vida nacional, acentuando-se no plano inclinado, é sempre doloroso quando desaparece mais um “dos bons”. A morte de Saldanha Sanches alimenta o sentimento de orfandade cívica e moral de quem não vive protegido por berços ou conluios; ou seja, quase todos nós, os sobreviventes.

Se a morte é absoluta, dói ainda mais quando a perda parece insubstituível. Por cada Mário Viegas e cada Agostinho da Silva que desaparece, multiplicam-se os lugares vazios, as sombras e as subserviências. Raro, cada vez mais raro encontrar o “riso admirável de quem sabe e gosta/ ter lavados e muitos dentes brancos à mostra”, como nos versos de Cesariny. Também eu estou cansada de ver “os melhores espíritos da minha geração” destruídos pelo desgosto quotidiano que é viver neste país; gente para quem emigrar, hoje, é uma decisão tão saudável como combater o mau colesterol. Quem fica, seja por que razão seja, sabe que tem de ser feito de uma liga especial para resistir à corrosão e ao desgaste permanentes. Uma têmpera de aço, ferro, carbono, fósforo, titânio, tungsténio e o diabo a sete, como o raio do Terminator.

Acontece que a maior parte das pessoas não quer ser o Terminator, com todo o direito que lhes assiste. Não quer ser herói nem vilão, porque cada uma dessas escolhas dá trabalho. Só quer ter um emprego, uma casa, uma família, um ordenado decente ao fim do mês, escola e hospital, e caracóis com cerveja ao fim-de-semana. Ao que parece, é pedir muito. Dêem-lhes mais tungsténio.


(Pela primeira vez, republico um texto do Jardim Assombrado, originalmente datado de 15 de Maio de 2010. Em memória de Manuel António Pina, mais um "dos bons" que desaparece.)


domingo, 21 de outubro de 2012

MANUEL ANTÓNIO PINA (1943-2012)



Sei que chovia na tarde de 28 de Novembro de 2003, porque tenho a data estampada na folha de rosto autografada de Os Livros. Combinámos a entrevista no Pinheiro Manso, perto de casa dele. Apareceu vestido dos pés à cabeça com um impermeável verde-garrafa, calças e casaco, a rir-se daqueles paramentos: «Não devia ter saído assim. A minha mulher diz que pareço um homem do lixo.» Falámos dos seus heróis da infância e adolescência, o tema da minha primeira reportagem para a LER, ainda sob a direcção de Mafalda Lopes da Costa. Falámos de Pancho Villa, Huckleberry Finn, Heitor, Mandrake, Will Eisner, Li’l Abner (aqueles decotes, Deus meu!), Robert Crumb, Hergé, Sandokan. Depois contou-me o episódio do cão enxotado a pontapé pelo guarda de um centro comercial, um desses rafeiros cheios de pulgas e sarna, a apontar os ossos à fome por baixo do pelo ralo. Contou-me como naquele momento desejou vestir a capa de Mandrake e transformar o pobre bicho num leão de dentes afiados. Mandrake faz um gesto e…

Não morreste. Ninguém que valha alguma coisa suporta a tua morte. Mandrake, faz um gesto. Faz a porra de um gesto. Afinal, para que servem os ilusionistas?

domingo, 24 de junho de 2012

ON THE ROAD AGAIN


Do microcosmos ao macrocosmos, tudo procede por ciclos de vida e de morte. É tempo de começar e acabar outras viagens além da blogosfera. O Jardim Assombrado vai encerrar por tempo indeterminado. Talvez volte, talvez não. Pela curiosidade, pela atenção, pelos comentários, pela generosidade, agradeço de alma e coração aos milhares de leitores que foram passeando por aqui desde Setembro de 2008.  

quinta-feira, 14 de junho de 2012

I PREFER TO KNOCK ON WOOD



I prefer movies.
I prefer cats.
I prefer the oaks along the Warta.
I prefer Dickens to Dostoyevsky.
I prefer myself liking people
to myself loving mankind.
I prefer keeping a needle and a thread on hand,
just in case.
I prefer the color green.
I prefer not to mantain
that reason is to blame for everything.
I prefer exceptions.
I prefer to leave early.
I prefer talking to doctors about something else.
I prefer the old fine-lined illustrations.
I prefer the absurdity of writing poems
to the absurdity of not writing poems.
I prefer, where love's concerned, nonspecific
anniversaries
that can be celebrated every day.
I prefer moralists
who promise me nothing.
I prefer cunning kindness to the over-trustful kind.
I prefer the earth in civvies.
I prefer conquered to conquering countries.
I prefer having some reservations.
I prefer the hell of chaos to the hell of order.
I prefer Grimm's fairy tales to the newspapers' front pages.
I prefer leaves without flowers to flowers
without leaves.
I prefer dogs with uncropped tails.
I prefer light eyes, since mine are dark.
I prefer desk drawers.
I prefer many things that I haven't mentioned
here
to many things I've also left unsaid.
I prefer zeroes on the loose
to those lined up behind a cipher.
I prefer the time of insects to the time of stars.
I prefer to knock on wood.
I prefer not to ask how much longer and when.
I prefer keeping in mind even the possibility
that existence has its own reason for being.

("Possibilities", de Wislawa Szymborska. Para a MLC.)

terça-feira, 12 de junho de 2012

UM NOVO RUGIDO DA BRUAÁ


Inéditos, inusuais, inconformistas. A Bruaá prepara-se para lançar novo livro para a semana: uma antologia de poesia humorística traduzida por Miguel Gouveia, com ilustrações de Serge Bloch: O Tigre na Rua e outros poemas. Tomem nota dos autores: «David Chericián, María Elena Walsh, Laura Elisabeth Richards, Michel Monnereau, Roger McGough, Marc Johns, Spike Milligan, Edward Lear, Javier Villafañe, Shel Silverstein, Eduardo Polo, Daniil Harms, Jacques Prévert, Richard Edwards, André Frédérique, Edgar Allan García, Ramón Gómez de la Serna, Jacques Roubaud, Roland Topor e um tal de Anónimo.» Mais informações aqui.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

THE KILLING MOON



O Jardim Assombrado entrou hoje em Quarto Minguante.

PERDEU-SE UMA PEDRA PRECIOSA



Há muito desaparecido de vista, Histórias da Minha Rua foi um dos livros da minha infância, já chegado por herança familiar. Nessa altura, as ilustrações de Maria Keil (1914-2012) perdiam em competição com os Astérix, Tintins e outros heróis mais frenéticos, mas ficaram gravadas para sempre, à espera desse «restauro» que só a idade madura confere. Tive a oportunidade de conhecer Maria Keil em Março passado, no lar do Restelo onde passou os últimos anos. A entrevista não chegou a ser publicada, por razões que não importa referir agora. Guardo a imagem de uma senhora gentil, frágil e melancólica; tive pena de não a conhecer mais cedo. Não foi o caso da Rita Pimenta, que assinou um trabalho jornalístico completíssimo para o Público. Espero que não se importe que eu use aqui um título tão puro como verdadeiro na sua delirante fantasia. Goodbye, precious.

terça-feira, 5 de junho de 2012

TODAS AS MÃES


Com minhamãe (assim mesmo, em minúsculas e sem espaços), a dupla Eugénio Roda/Gémeo Luís prossegue um discurso estilístico inconfundível, já consagrado com o Prémio Nacional de Ilustração 2005 e outras distinções. Mesmo escolhendo um tema que nunca sai da agenda, era de esperar que estas mães Eterogémeas não se confundissem com outras quaisquer. Por exemplo: «a mãe brinca com o fogo para iluminar o caminho.» Ou: «a mãe desce aos invernos para derreter a neve.» Ou ainda este, belíssimo: «o primeiro filho dá à luz a mãe.» Os textos breves, aforísticos, assentam no poder da metáfora e da metonímia, gerando facilmente efeitos de antítese («ao braço de ferro, a mãe responde com mãos de fada»), de paradoxo («o ouvido absoluto da mãe alimenta-se da surdez») e até de ironia («o negócio da mãe é abrir filiais.»). Em livre associação ao texto, Gémeo Luís envolve as figuras maternais nos seus próprios cenários, em silhuetas de papel recortado com bisturi que ilustram o texto traduzido (na mesma página) para sete línguas: inglês, francês, espanhol, italiano, alemão, holandês e grego. Porque a linguagem das mães não tem fronteiras.

minhamãe
Eugénio Roda
Ilustrações de Gémeo Luís
Edições Eterogémeas

(Texto publicado na LER nº 114. Gémeo Luís, nom de plume de Luís Mendonça, ganhou o Prémio Nacional de Ilustração com o livro O Quê Que Quem, também com texto de Eugénio Roda.)

terça-feira, 29 de maio de 2012

AS CASAS NA PAIS & FILHOS


Onde é que as crianças se sentem mesmo em casa?
Quando são abraçadas com amor e sossegadas nos seus medos pelos adultos. Quando são escutadas com tempo e atenção. Quando são reconhecidas na sua originalidade e encorajadas a ser criativas. Quando as deixam à solta na natureza. Quando estão perto dos animais. Quando podem ir para o seu lugar secreto, que tanto pode ser debaixo da cama, a ler um livro, como à mesa de jantar, a fazer trilhos de comboio com o puré de batata e a imaginar que são ervilhas.

O que é que não pode faltar num “lar doce lar”?
Confiança. Tolerância. Respeito. Delicadeza. Capacidade de nutrição – biológica, simbólica e afectiva. Bom-humor e sentido lúdico da vida. Saber brincar. Poder pôr os pés em cima do sofá. Poder falar de tudo e sobre tudo, sem medo de ser julgado. Não haver rótulos do género “o rebelde”, “a desarrumada”, “o mandão”, “a chata”, porque cada pessoa é um universo. Um sentido de coesão e unidade, mas sempre mantendo as janelas e as portas abertas ao exterior (é bom ter um quarto de hóspedes ou, pelo menos, um sofá-cama). Numa palavra: amor. É coisa que não pode mesmo faltar num “lar doce lar”.

Rainhas, óculos, viagens, casas. Aborda temas muito diferentes nos seus livros. Como é que os escolhe?
Não os escolho, no sentido em que não faço nada programático. São temas que reflectem a minha história pessoal e uma visão do mundo que me parece partilhável com os outros. Escrevo para comunicar. Utilizo os meus recursos próprios, como qualquer escritor, que passam pela minha experiência de vida, pelas leituras feitas, pela memória emocional que vem da infância, pela respiração e pelo instinto; e também pela capacidade de dominar a linguagem e saber provocar a imaginação – por exemplo, dando-me tempo. Sentir que o tempo é ilimitado é o mais importante para escrever.


(A edição de Junho da Pais & Filhos já está nas bancas. A pretexto do Onde Moram as Casas, esta pequena entrevista – a que gostei especialmente de responder – saiu na edição de Maio.)

O VALOR DAS CASAS



Enós e os aprendizes

Era uma vez um homem que fazia casas.
Chamava-se Enós e era o melhor construtor até aí jamais visto. As suas casas eram as mais bonitas e perduráveis.
Certo dia, dois aprendizes vieram ter com ele e disseram-lhe:
– Um dia vais morrer e não haverá ninguém para continuar o que tu fazes. Por que não nos ensinas o segredo da tua arte?
Enós achou razoável o que lhe pediam e, generoso, deu-lhes tudo o que sabia.
Mas, uma vez na posse do conhecimento, pensando que já eram importantes como o mestre, desprezaram-no e afastaram-se dele.
E onde Enós cobrava oitenta dinheiros, eles cobravam setenta, e diziam que as suas casas eram mais baratas e igualmente resistentes.
E assim as pessoas deixaram de dar valor às casas de Enós e conformaram-se com as casas dos aprendizes.
Enós empobreceu até ao ponto de lhe faltar o essencial, mas nem na miséria aceitou fazer casas que não fossem perduráveis.

(Um pequeno conto de Maria Teresa Andruetto, prémio Hans Christian Andersen 2012 na categoria de Escritor, incluído no livro Miniaturas, Macmillan, 2011. Tradução minha a partir do original em castelhano.)

sexta-feira, 25 de maio de 2012

CONHECER MARIA TERESA ANDRUETTO



Na sequência do post anterior sobre Peter Sis (Prémio Hans Christian Andersen 2012 na categoria de Ilustrador), é mais do que justo lembrar aqui o escritor distinguido com o seu equivalente na categoria de Autor, ambos anunciados ao mesmo tempo na última Feira do Livro Infantil de Bolonha, em Março.

Se Peter Sis é ainda pouco conhecido entre nós, arrisco dizer que o nome de Maria Teresa Andruetto (Argentina, 1954) vai permanecer no limbo dos escritores incógnitos deste importante prémio, por força da quase inacessibilidade da sua obra – mesmo na vizinha Espanha – e do que na autora se evidencia como uma vinculação radical com a experiência interior e subjectiva que faz parte da pulsão literária. Ouça-se esta entrevista arquivada na Audiovideoteca de Buenos Aires ou este resumo breve da sua percepção da literatura para crianças e perceber-se-á melhor o que quero dizer.

Na Feira do Livro Infantil de Bolonha, depois do anúncio do prémio Andersen, houve uma corrida aos livros de Maria Teresa Andruetto. Mais facilmente se encontraria um elefante numa loja de porcelanas... Só o stand do IBBY tinha alguns títulos expostos – para consulta –, além de um dossier fotocopiado com informação sobre a escritora, incluindo entrevistas que podem ser lidas na net. É uma questão de pesquisar.

Em tudo o que ressoa de condescendência e lugares-comuns, o rótulo “infantil” assenta-lhe mal – e ainda bem. Precisamos de mais reflexão e autenticidade, já cá temos fancaria q.b.. Deixo um extracto do livro Hacia una Literatura sin Adjectivos (2009), esgotadíssimo, que ditei para o gravador e depois traduzi. Para Maria Teresa Andruetto, “a pessoa que somos está antes do escritor que poderemos vir a ser”, ideia que subscrevo inteiramente.

“Um escritor não pode definir-se pelas suas intenções, mas pelos seus resultados. Se algo têm em comum os bons escritores de todos os tempos é, justamente, o facto de terem pouco em comum uns com os outros; inclusivamente, às vezes, diferenciam-se ou opõem-se fortemente uns aos outros. Aparece então uma primeira certeza: um bom escritor é um escritor diferente dos outros escritores, alguém que pela essência mesma do que faz contraria a uniformidade que tende a impor-se – resiste, por assim dizer, ao global. Alguém preocupado em perseguir uma imagem do mundo e construir com ela uma obra que pretende universalizar a sua experiência. Olhando então para o que tem de mais privado e de mais pessoal, é como um escritor pode tornar-se universal. E este é o sentido que têm as conhecidas palavras de Tolstoi: pinta a tua aldeia e pintarás o mundo. A criação nasce então do particular, qualquer que seja a particularidade que, como ser humano, caiba a quem escreve. E é a focalização no pequeno que permite, pela via da metáfora, inferir o vasto mundo.”