Quem se expõe, arrisca-se a ser mal interpretado – ou a explicar-se mal, ou as duas coisas juntas, a mais das vezes. Para o que conta, os resultados são idênticos. Não estou aqui para ofender nem magoar ninguém e, sem querer entrar no discurso bacoco do «quem me conhece sabe que…», limito-me a reconhecer que não escolhi bem as palavras finais do post anterior. É claro que «há muitos livros bons à espera de reconhecimento», mas parece-me evidente que o júri dos prémios SPA/RTP tem elegido obras de qualidade insuspeita. Por outro lado, foi visível o esforço para afinar os critérios, passando os ilustradores também a ser nomeados, desde 2012. Mantenho que Os Ciganos, um livro com três autores (Sophia de Mello Breyner Andresen, Pedro Sousa Tavares e Danuta Wojciechowska), seja um caso sui generis de concepção de uma obra, revertendo essa originalidade em seu favor, na minha opinião. Considerar que tal possa ser obstáculo à nomeação para um prémio foi, muito provavelmente, um especiosismo da minha parte, mas sem qualquer motivação insidiosa.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
O NAUFRÁGIO DA MINHA VIDA
Em finais de Janeiro de 1975, quando eu tinha seis anos, assisti ao incêndio do Jacob Maersk, um petroleiro dinamarquês que naufragou a dezenas de metros do porto de Leixões. Morreram entre 15 a 20 marinheiros e as praias cobriram-se de crude. Na altura não sabia o que era um «desastre ecológico». Mas aquelas gigantescas labaredas assombraram o meu imaginário para sempre. E durante anos e anos relembrava este acontecimento sempre que via os restos da proa encalhada junto ao Castelo do Queijo, na Foz. Já não está lá há muito tempo. Restam estas imagens dramáticas no You Tube, tão bem escolhidas como a música de fundo.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
ACHIMPA VENCE PRÉMIO SPA
Achimpa, com texto e ilustrações de Catarina Sobral, ganhou (e muito bem) o Prémio SPA da categoria de Melhor Livro Infantil. Pequeno Livro das Coisas, de João Pedro Mésseder e Rachel Caiano, também seria um digno vencedor. Das três nomeações, só não entendo muito bem o caso de Os Ciganos, livro começado por Sophia de Mello Breyner Andresen e continuado - em 2012 - pelo seu neto, Pedro Sousa Tavares. Não está em causa o valor da obra, mas sim a delicadeza de um caso sui generis no que toca à atribuição da autoria. Sophia ou Pedro? Pedro ou Sophia? Não vale a pena complicar. Há muitos livros bons à espera de reconhecimento.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
BLIMUNDA Nº 9
Na edição nº 9 da Blimunda, revista cultural on-line da Fundação José Saramago, pode ler-se uma entrevista a André Letria e uma retrospectiva do que foi o «ABC da Edição Digital» na Fundação Calouste Gulbenkian, o mês passado. Entre muitas outras coisas. Podem fazer download no site da fundação ou ler no Scribd, aqui.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
LIVRARIA CABEÇUDOS ITINERANTE
Uma excelente notícia: a livraria Cabeçudos vai tornar-se (também) itinerante, com passagem garantida por todos os municípios de Portugal Continental. A apresentação oficial tem lugar amanhã, na Escola Secundária de Pedro Nunes, em Lisboa, pelas 10h30. Mais pormenores:
«A livraria móvel consiste num veículo transformado, adaptado ao transporte, exposição e venda de livros e é o prolongamento da Livraria Cabeçudos no que respeita à sua missão: contribuir significativamente para a promoção da literatura infantojuvenil, encorajando as crianças a iniciarem-se o mais cedo possível nessa viagem maravilhosa que é a leitura, e, motivando os jovens a preservar hábitos de leitura para que amadureçam leitores apaixonados. Promover a partilha de experiências e conhecimento entre crianças, jovens e adultos.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
AVES DEMASIADO HUMANAS
No final do ano apareceu um álbum de dois autores mexicanos que pode ser entendido como uma alegoria sobre a evolução da Humanidade, passe o tom pomposo da síntese. Nas figuras humanizadas destas aves vemos a representação de um mundo que bem conhecemos: a revolução científica dos séculos XVI a XVIII; a arquitectura que nos protege e encerra; as arriscadas máquinas de voar que sempre nos parecem frágeis na imensidão do espaço… Quando as aves sucumbiram ao excesso e ao artifício, veio também a produção em massa, a sobrepopulação, a obsessão do corpo perfeito, a guerra. «Quiseram controlar tudo: outros territórios, a vida, e inclusivamente o destino dos demais.» A imagem do tigre equilibrado numa bola de circo é a triste excepção neste mundo governado por aves de olhar duro e opaco, esquecidas de saber voar. Felizmente, «em algum lugar, ainda há quem tente estender as asas», dizem os autores, David Alvarez (n. 1984) e María Julia Garrido (n. 1986). São dele os elaborados desenhos a grafite, mas trata-se de um trabalho conjunto de texto e ilustração que lhes trouxe, merecidamente, o V Prémio Compostela para Álbuns Ilustrados.
Aves
María Julia Díaz Garrido
Ilustrações de David Daniel Álvarez Hernández
Tradução de Ana M. Noronha
Kalandraka
(Texto publicado na LER nº 121, secção «Leituras Miúdas».)
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
ESCREVER CONTRA A MENTIRA
Olho para esta ilustração e vejo um Hemingway, mas pronto. O grande Enki Bilal desenhou a capa para o tema de fundo da revista Magazine Littéraire de Fevereiro, um generoso dossier que percorre a vida e a obra de Thomas Lanier Williams, mais tarde Tennessee Williams. Completam-se este mês trinta anos sobre a morte de um homem excessivo e paradoxal; o mesmo que afirmou, numa entrevista a si próprio, encarar a escrita «como uma espécie de psicoterapia». Nada de original, mas poucos se atreveram a ir tão longe no afrontamento dos anjos e demónios interiores, em especial aqueles que andam pelo território perigoso dos distúrbios mentais (recorde-se que a irmã mais velha sofreu uma lobotomia aos 44 anos), para depois desmascarar as mentiras consentidas – familiares, sociais, políticas… – que minam a vontade, o afecto e a força do indivíduo. Num dos muitos artigos, a Magazine Littéraire lembra que Arthur Miller, Eugene O’Neill, Edward Albee e Tennessee Williams partilharam este desejo de corromper a «fábrica de ilusões» que alimenta a concórdia da moralidade. «As suas personagens esplêndidas, Blanche, o reverendo Shannon, Big Daddy, gritam a sua verdade à loucura, a Deus e à morte.»
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
CHARLOTTE SOMETIMES
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
LER SEM MODERAÇÃO
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
SEPARADOS À NASCENÇA
De cima para baixo: Neil Young (n. Canadá, 1945) e Nick Cave (n. Austrália, 1957). Em termos musicais, ambos estão a envelhecer bem, muito bem.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
OITO VEZES BLIMUNDA
Para quem ainda não reparou, a área do infanto-juvenil tem, desde Junho de 2012, ampla cobertura na revista digital da Fundação José Saramago, sobretudo graças aos contributos de Andreia Brites e Sara Figueiredo Costa. Notícias, reportagem, opinião, críticas de livros e artigos de fundo ocupam aqui um lugar de destaque, como já quase não se encontra na imprensa escrita tradicional. Desde o número de Novembro, o design e paginação têm a assinatura de Jorge Silva/Silva Designers! E, para quem antes tinha dificuldade em fazer downloads «pesados», todos os números da Blimunda estão agora à disposição no Scribd, o que torna tudo muito mais fácil. São oito revistas lindas de ver (e ler), aqui.
sábado, 26 de janeiro de 2013
UMA NOITE ASSIM
Em noite de lua cheia e quase a fechar Janeiro (o mês dos gatos, segundo a tradição popular), aqui fica uma ilustração de Axel Scheffler para O Livro dos Gatos, de T.S. Eliot (Vega). Inspirem-se!
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
MAIS HISTÓRIAS DE TERROR
(O blogger aumenta e diminui o tamanho da letra consoante os apetites do momento. Coisinha irritante.)
CONTATINAS AO VIVO
Umas adaptadas, outras com texto original do próprio Luís Correia Carmelo, as histórias de Contatinas têm sempre o dom de emocionar os ouvintes, justamente o que se espera de um contador de histórias. O som dolente da concertina ajuda muito, é certo, mas o ritmo, a voz, as pausas e o sotaque são também inseparáveis do registo único de Luís Carmelo, agora editado em CD pela Boca, com acompanhamento musical de Nuno Morão. Quem não conhece, pode ouvir um bocadinho aqui. Amanhã, 25 de Janeiro, no Clube da Palavra ao Vivo no São Luiz, as Contatinas vão ser contadas/cantadas – com desenho em tempo real de António Jorge Gonçalves – numa noite em que são ainda convidados Samuel Úria e Capicua. A partir das 23h30. Promete. E recomenda-se.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
ÁLVARO MAGALHÃES À LER - PARTE 2
(na continuação do post anterior, aqui fica a última parte da entrevista de Álvaro Magalhães que saiu em versão ultra-condensada na LER 119.)
CMA: Tratando-se de obras no mesmo género, o que é que o Lucas Mascarpone vai acrescentar ao Vampiro Valentim? Ou seja, o que vai fazer para não repetir a fórmula?
ÁLVARO MAGALHÃES: Só a fórmula gráfica se repete. A série das crónicas do Vampiro Valentim foi tão bem recebida que decidi reincidir. Foi uma espécie de bis de teatro. Mas há muitas diferenças: passando-se a história de Lucas Scarpone num mundo de gatos, tenho menos constrangimentos na exploração da fantasia e da dimensão sobrenatural. Além disso, no Valentim não há propriamente um personagem central; esse é a família. O grande herói da série é, na verdade, negativo: Adolfo-Mil Homens, o caçador (odeio caçadores!) que representa o homem moderno, desumanizado e solitário, que fala com o retrato do pai e foge das duas vizinhas que o namoram. Por sua vez, no Lucas tenho mais espaço para a construção do herói. Além das aventuras que vive, ele também busca a sua identidade e o teor do seu destino, e passa pelas angústias e pelos júbilos do enamoramento… Ou seja, não é construído pela esfera da acção, mas a partir do seu mundo interno. Também foi feito a pensar no mercado internacional. O Valentim é algo especificamente português, até portuense, e mesmo assim já chegou à Espanha, ao Brasil, até à Coreia do Sul. O Lucas tem um carácter mais universal e talvez ajude a acrescentar a lista dos meus publicados no estrangeiro, que vai em dezasseis
CMA: Acha que o Vampiro Valentim levou muitas crianças a ler mais regularmente? Quando vai às escolas (não sei se ainda vai…), sente que o seu público mudou?
ÁLVARO MAGALHÃES: O formato, em que quase tudo o que é narrado é visualizado, é perfeito para a geração das imagens, que chega à leitura com alguma resistência à mancha negra de texto, por melhor que esse texto seja. Porém, mais do que saber que estou a iniciar e a criar futuros leitores, agrada-me a ideia de ter leitores, muitos leitores. O que é um livro? Apenas um conjunto de símbolos mortos. Então chega o leitor, abre-o e as palavras ganham vida, erguendo mundos imensos, inesperados. E também elas encontram o leitor e nele se afundam, por vezes para sempre, como aquelas pedras que as crianças lançam aos poços. Quanto às visitas escolares, já não as faço há uns bons anos. Nem uma. De resto, essas visitas tornaram-se em meras estratégias de venda de livros, mesmo quando querem fazer passar aquilo por outra coisa. Nalguns casos, são mesmo as escolas os únicos sítios onde esses livros se vendem. E ainda há escritores que se gabam de fazer mais de cem visitas escolares por ano. É quase um emprego. Assemelham-se aos antigos vendedores de enciclopédias. Certa vez, uma professora de Bragança anunciou aos alunos a minha visita, no dia seguinte, e um deles ergueu um dedo no ar e perguntou: «Vem cá, como? Ele não está morto?» Tinha razão, o rapaz: escritor bom é escritor morto. Assim, e como tenho a sorte de ainda estar vivo, passei a comportar-me como se estivesse morto. Quando me telefonam de uma escola, a fazer o convite, e perguntam: «Estou a falar com o Álvaro Magalhães?», apetece-me responder: «Sim, daqui fala o morto». Levo a coisa tão a sério que também não me lembro de fazer uma sessão de apresentação de um livro, ou outra coisa qualquer. O único compromisso regular que tenho é com a minha imaginação. E chega.
CMA: A pergunta dá pano para mangas, mas como é que vê o actual panorama da literatura infanto-juvenil actualmente, em relação a tudo o que já observou?
ÁLVARO MAGALHÃES: Vista de longe, parece mais pujante do que nunca, dada a multiplicação incessante de títulos, mas não é verdade. O que predomina são os textos rasos, planos ou pedagógicos, ou os que nem isso são, tudo de uma mediania mais confrangedora do que o silêncio. São os livros dos «inhos» (usam muito os diminutivos, já que eles mesmos são diminutivos), dos lugares-comuns, das adjectivações solenes, das poetizações primárias, ou seja, das «estrelas tremeluzindo nas superfícies dos lagos» e, sobretudo, das «asas do sonho», que tudo resolvem, encobrindo a incapacidade argumental. Felizmente, há também alguns bons livros, frequentemente perdidos na confusão geral ou arredados das prateleiras mais vistas, e felizmente também esses livros já não só da malta do costume, mas também de novos autores, que, finalmente, se dão a ver. Nunca nos faltaram bons ilustradores (e então agora...), mas houve uma altura em que a espécie «escritores» parecia ameaçada. Agora não.
CMA: Tratando-se de obras no mesmo género, o que é que o Lucas Mascarpone vai acrescentar ao Vampiro Valentim? Ou seja, o que vai fazer para não repetir a fórmula?
ÁLVARO MAGALHÃES: Só a fórmula gráfica se repete. A série das crónicas do Vampiro Valentim foi tão bem recebida que decidi reincidir. Foi uma espécie de bis de teatro. Mas há muitas diferenças: passando-se a história de Lucas Scarpone num mundo de gatos, tenho menos constrangimentos na exploração da fantasia e da dimensão sobrenatural. Além disso, no Valentim não há propriamente um personagem central; esse é a família. O grande herói da série é, na verdade, negativo: Adolfo-Mil Homens, o caçador (odeio caçadores!) que representa o homem moderno, desumanizado e solitário, que fala com o retrato do pai e foge das duas vizinhas que o namoram. Por sua vez, no Lucas tenho mais espaço para a construção do herói. Além das aventuras que vive, ele também busca a sua identidade e o teor do seu destino, e passa pelas angústias e pelos júbilos do enamoramento… Ou seja, não é construído pela esfera da acção, mas a partir do seu mundo interno. Também foi feito a pensar no mercado internacional. O Valentim é algo especificamente português, até portuense, e mesmo assim já chegou à Espanha, ao Brasil, até à Coreia do Sul. O Lucas tem um carácter mais universal e talvez ajude a acrescentar a lista dos meus publicados no estrangeiro, que vai em dezasseis
CMA: Acha que o Vampiro Valentim levou muitas crianças a ler mais regularmente? Quando vai às escolas (não sei se ainda vai…), sente que o seu público mudou?
ÁLVARO MAGALHÃES: O formato, em que quase tudo o que é narrado é visualizado, é perfeito para a geração das imagens, que chega à leitura com alguma resistência à mancha negra de texto, por melhor que esse texto seja. Porém, mais do que saber que estou a iniciar e a criar futuros leitores, agrada-me a ideia de ter leitores, muitos leitores. O que é um livro? Apenas um conjunto de símbolos mortos. Então chega o leitor, abre-o e as palavras ganham vida, erguendo mundos imensos, inesperados. E também elas encontram o leitor e nele se afundam, por vezes para sempre, como aquelas pedras que as crianças lançam aos poços. Quanto às visitas escolares, já não as faço há uns bons anos. Nem uma. De resto, essas visitas tornaram-se em meras estratégias de venda de livros, mesmo quando querem fazer passar aquilo por outra coisa. Nalguns casos, são mesmo as escolas os únicos sítios onde esses livros se vendem. E ainda há escritores que se gabam de fazer mais de cem visitas escolares por ano. É quase um emprego. Assemelham-se aos antigos vendedores de enciclopédias. Certa vez, uma professora de Bragança anunciou aos alunos a minha visita, no dia seguinte, e um deles ergueu um dedo no ar e perguntou: «Vem cá, como? Ele não está morto?» Tinha razão, o rapaz: escritor bom é escritor morto. Assim, e como tenho a sorte de ainda estar vivo, passei a comportar-me como se estivesse morto. Quando me telefonam de uma escola, a fazer o convite, e perguntam: «Estou a falar com o Álvaro Magalhães?», apetece-me responder: «Sim, daqui fala o morto». Levo a coisa tão a sério que também não me lembro de fazer uma sessão de apresentação de um livro, ou outra coisa qualquer. O único compromisso regular que tenho é com a minha imaginação. E chega.
CMA: A pergunta dá pano para mangas, mas como é que vê o actual panorama da literatura infanto-juvenil actualmente, em relação a tudo o que já observou?
ÁLVARO MAGALHÃES: Vista de longe, parece mais pujante do que nunca, dada a multiplicação incessante de títulos, mas não é verdade. O que predomina são os textos rasos, planos ou pedagógicos, ou os que nem isso são, tudo de uma mediania mais confrangedora do que o silêncio. São os livros dos «inhos» (usam muito os diminutivos, já que eles mesmos são diminutivos), dos lugares-comuns, das adjectivações solenes, das poetizações primárias, ou seja, das «estrelas tremeluzindo nas superfícies dos lagos» e, sobretudo, das «asas do sonho», que tudo resolvem, encobrindo a incapacidade argumental. Felizmente, há também alguns bons livros, frequentemente perdidos na confusão geral ou arredados das prateleiras mais vistas, e felizmente também esses livros já não só da malta do costume, mas também de novos autores, que, finalmente, se dão a ver. Nunca nos faltaram bons ilustradores (e então agora...), mas houve uma altura em que a espécie «escritores» parecia ameaçada. Agora não.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
ÁLVARO MAGALHÃES À LER - PARTE 1
CMA: O seu primeiro livro é Uma História com Muitas Letras (Livros Horizonte, 1982). Nestes 30 anos de carreira literária, quais os momentos que tiveram mais importância?
ÁLVARO MAGALHÃES: Justamente a publicação desse meu primeiro livro, que foi uma simples experiência, e o facto desse e dos meus quatro livros seguintes terem sido metodicamente premiados. Foi a confirmação de uma vocação forte, um acontecimento decisivo que traçou um rumo imprevisto. Tencionava escrever poesia e, por essa altura, já tinha publicado dois livros de poesia para adultos, mas logo percebi que poesia e literatura infantil, tal como entendo esta última, não eram coisas diferentes. Tenho até a estranha convicção de que só os poetas estão aptos para a melhor literatura dita infantil, a que serve crianças e adultos com igual proveito e fervor. Penso que nos meus livros, com poucas excepções (a série Triângulo Jota e estas duas recentes, o Valentim e o Lucas, que são outras coisas), há uma dimensão poética que é estruturante. E não falo dos falsos brilhos decorativos que são confundidos com o poético, mas algo que está lá enquanto essência e não enquanto resíduo. Algures entre o real e o imaginário há um lugar poético. É aí que nascem todos os meus livros. Outro momento marcante aconteceu no início dos anos 90, quando comecei a série juvenil Triângulo Jota, cujo sucesso foi o impulso de que necessitava para passar a viver (bem, é claro, ou não valeria a pena) exclusivamente da escrita, o que já acontece há mais de vinte anos. Não há vida melhor. Quanto aos tais 30 anos, confesso não dei por nada. Acho que estava demasiado ocupado a inventar histórias, ou então a escolher as palavras que as contam melhor. Mas sinto-me como no primeiro dia, ou seja, pronto para começar. O tempo faz de nós pessoas idosas, mas, na verdade, mudamos pouco.
CMA: Creio que se podem distinguir três grandes blocos criativos (não confundir com bloqueios criativos...) na sua obra. O Álvaro Magalhães poeta, o Álvaro Magalhães do Triângulo Jota e o Álvaro Magalhães do Vampiro Valentim (e, agora, do Lucas Scarpone, no mesmo género). Este caminho corresponde à necessidade de encontrar novas vozes narrativas ou de ajustar-se a um mercado que, em 30 anos, mudou imenso?
ÁLVARO MAGALHÃES: Depois de acrescentar ao bloco do Triângulo Jota os romances juvenis A Ilha do Chifre de Ouro e O Último Grimm, consigo divisar ainda mais dois blocos; um é o dos livros de contos ou pequenas narrativas (”O senhor do seu nariz”, “Histórias pequenas de bichos pequenos”, “Hipopóptimos”, “Três histórias de amor”, “Contos do lápis verde”, os quatro contos da Mata dos Medos, etc), e o outro é o dos textos dramáticos, que são regularmente representados no Teatro da Vilarinha, de que eu e o Manuel António Pina fomos (e eu sou ainda) uma espécie de autores residentes (”Todos os rapazes são gatos”, “Enquanto a cidade dorme”, “História de um segredo”, etc). Gosto da diversidade, sinto-me bem em qualquer registo ou suporte. Encontro até nisso uma marca de prazer. O caso da poesia é diferente, mas tudo o resto se resume a contar uma história com o máximo de eficácia e plasticidade possível. Adaptação ao mercado? Sim, tenho feito adaptações pontuais, pois os leitores vão mudando ao longo do tempo. E as editoras também as fazem. Por exemplo, nesta altura, textos mais facilmente comercializáveis, como o Vampiro Valentim e Lucas Scarpone correm mais depressa do que outros, mais literários, que esperam a sua vez de ver a luz do dia…
(...)
(Parece que o blogger está bem disposto. Esta é a primeira parte da entrevista a Álvaro Magalhães, que tive de passar a «texto corrido» e encaixar nuns modestos 2500 caracteres destinados às páginas da LER 119. Com a autorização do escritor, vou publicar aqui o texto completo, porque vale a pena ler. Sem mais.)
ABC DA EDIÇÃO DIGITAL
Aproveitando um momento de tréguas do blogger, que parece apostado em confundir-me com um cliente da EDP ainda-sem-luz-depois-da-tempestade-apesar-de-ter-as-contas-em-dia, quero só lembrar que falta menos de uma semana para começarem os debates do «ABC da Edição Digital». É a primeira vez que se vai falar em Portugal (a sério) dessa coisa ainda tão mirífica que é a edição digital de livros para crianças, por iniciativa da editora Pato Lógico e da Biodroid, empresa produtora de conteúdos e aplicações digitais. Na Gulbenkian, segunda-feira, 28 de Janeiro, um dia inteirinho. Todo o programa e últimas inscrições aqui.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
CASA FECHADA
Isto não é bem uma correcção à correcção do blogue Planeta Tangerina, é mesmo um facto. A exposição «A Casa Branca», que deveria estar acessível ao público até 30 de Março, no Palácio Ribamar (Algés), encontra-se «fechada». E porquê? Ao que me disseram a semana passada, in loco, «por não haver alguém para vigiar». Desculpem, não é in loco, é mesmo: está tudo louco. Comprem o catálogo, que só custa cinco euros, vejam as imagens e leiam os textos de Sara Reis da Silva sobre os oito ilustradores que se debruçaram sobre os sete contos (e um texto dramático, O Bojador) de Sophia de Mello Breyner Andresen, a convite da Câmara Municipal de Oeiras e de André Letria, comissário da exposição. Nas imagens: André da Loba (A Floresta), Afonso Cruz (A Árvore) e Madalena Matoso (A Menina do Mar). Os restantes ilustradores, todos de primeira cepa, são Yara Kono, Gonçalo Viana, Tiago Albuquerque, Bernardo Carvalho e João Fazenda.
sábado, 12 de janeiro de 2013
WEST COUNTRY GIRL WITH A BIG FAT CAT
Gatos, café e meias quentes. O começo de um dia inspirador. O título do post é um verso do Nick Cave e a fotografia foi enviada pelo meu querido comparsa ilustrador, Alexandre Esgaio. Obrigada!
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
ESCARPAS
Cruzámos os dias de Verão
o destino perseguia-nos com um ímpeto relutante
a listar calamidades
numa ascensão
por escarpas que tínhamos julgado a salvo
Corríamos o litoral com a nossa turbulenta forma
ou deixávamo-nos imóveis a ponto de parecer mortos
entre beleza, sobreposição e perigo
sem grande esclarecimento
a noite despenhava-se
no silêncio da corrente
O vento do mar já conseguiu acalmar muitos corações
mas os nossos não
(«Escarpas», um poema de José Tolentino Mendonça. Do livro Estação Central, Assírio & Alvim, 2012.)
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
CONTOS DE MORTE E REDENÇÃO
O Jardim Assombrado ressentiu-se da época das festas. Vamos lá combater a inércia e voltar ao ritmo habitual; por exemplo, lembrando que já está aí o sexto volume da excelente colecção do Círculo de Leitores/Temas e Debates, «Contos Maravilhosos Europeus». Desta vez, é a Senhora Dona Morte quem dá o mote à colectânea de textos seleccionados, traduzidos e comentados pelo antropólogo Francisco Vaz da Silva.
SE EU FOSSE UM ANIMAL
«O ornitorrinco é um animal estranho porque parece uma espécie de ursito e tem cauda de castor e um enorme bico de pato. É mal definido o que me parece uma boa metáfora. Nós também não somos uma coisa só. Eu sou historiadora pelo menos na perna esquerda e nos cotovelos. A Bibliotecária em mim deve ocupar parte do tronco. A cabeça e as pontas dos dedos brincam com as palavras e contam histórias. O resto não sei, ainda falta descobrir.» Ler aqui a entrevista completa de Raquel Patriarca ao blogue Clube de Leitura. A Raquel começou a colecção «Livros com Bicho» (QuidNovi) juntamente com a ilustradora Marta Jacinto, e do primeiro livro já falámos aqui.
sábado, 29 de dezembro de 2012
DEZ BONS LIVROS DE 2012
- Trash – Os Rapazes do Lixo
Andy Mulligan (texto)
[Presença]
- O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca
Ana Pessoa e Bernardo Carvalho (ilustrações)
[Planeta Tangerina]
- O Manel e o Miúfa, o Medo Medricas
Rita Taborda Duarte e Maria João Lima (ilustrações)
[Caminho]
- Aves
María Julia Díaz Garrido e David Daniel Álvarez Hernández (texto e ilustrações)
[Kalandraka]
- Mar
Ricardo Henriques e André Letria (ilustrações)
[Pato Lógico]
- A Rainha das Rãs
Davide Cali e Marco Somà (ilustrações)
[Bruaá]
- A Coisa Perdida
Shaun Tan (texto e ilustrações)
[Kalandraka]
- As Histórias de Terror do Navio Negro
Chris Priestley e David Roberts (ilustrações)
[Arte Plural]
- A Lebre e o Raminho de Salsa
Sara Monteiro (texto)
[Caminho]
- Querer Muito
João Paulo Cotrim e André da Loba (ilustrações)
[APCC]
MÃOS AO MAR!
A lula é um molusco cefalópode, com dez braços para agarrar as presas. Já Be-bop-a-lula é uma canção composta em 1955 e imortalizada por Elvis Presley. Há uma espécie de lulas gigantes que atinge os 14 metros de comprimento, mais do que o exemplar conservado no Aquário Vasco da Gama, em Algés, com «apenas» oito metros. Foi capturado em 1972, na Terra Nova, quando os marinheiros já não tinham medo (ou tanto medo…) de monstros marinhos. A sugestão para os leitores de Mar – uma edição da Pato Lógico – é que visitem o Aquário Vasco da Gama, mas não só: «Abraça alguém, mesmo se for um desconhecido, no momento em que olhares para a lula.» Isso mesmo, porque este atividário não é só para pôr a cabeça a funcionar. «Ativiquê?» Atividário: cruzamento de livro de actividades com dicionário. Concebido em grande formato e a duas cores, com ilustrações de André Letria e texto de Ricardo Henriques (copy-writer que aqui se estreia em livro), Mar inaugura uma colecção que brinca com as palavras e os significados, abrindo portas atrás de portas, levantando pistas e baralhando leituras. De «água» a «zooplâncton», são 206 entradas e saídas para o mundo marítimo. No fim, os autores deixam a «lista das [palavras] excluídas indignadas». Por exemplo: «abrótea», «beribéri», «catraia», «engajar», «falcassadura», «jaquinzinho», «parantélio», «pau de cutelo» e «UB-40». Apostamos que há muitas mais. Agora todos: mãos ao Mar!
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
CURSO SOBRE LITERATURA INFANTIL NO CNC
Rosário Alçada Araújo, editora e autora de livros para crianças, vai leccionar uma formação no Centro Nacional de Cultura sobre temas que podem interessar a quem frequenta O Jardim Assombrado. Aqui fica o programa completo:
I – LITERATURA INFANTIL E JUVENIL PORTUGUESA – ANOS 40 E 50
1. Teoria e Enquadramento
2. Teoria e Enquadramento (continuação)
3. A Banda Desenhada (por João Paiva Boléo, especialista em BD)
4. A Ilustração (por Jorge Silva, especialista em Ilustração)
5. A voz de um ilustrador (por José Ruy, ilustrador)
6. Autores de Outrora e de Agora: Adolfo Simões Muller, Maria Isabel Mendonça Soares e Matilde Rosa Araújo
7. Literatura Infantil – abordagem literária e pedagógica (por Maria Isabel Mendonça Soares, escritora)
8. A Magia de Sophia – o imaginário de Sophia de Mello Breyner Andersen
9. Vale a Pena Guardar o Passado
Coordenação: Rosário Alçada Araújo
Horário: quartas-feiras; das 18h30 às 20h
Duração: 9 sessões – de 30 de Janeiro a 27 de Março
Preços:
Sócio adulto – 135 €
Sócio jovem ou > 65 anos – 108 €
Não sócio adulto – 162 €
Não sócio jovem ou > 65 anos - 129,60 € €
Inscrição: dias 10 e 11 de Janeiro, ou até ao próprio dia, se houver vagas.
Informações: 213 466 722
I – LITERATURA INFANTIL E JUVENIL PORTUGUESA – ANOS 40 E 50
1. Teoria e Enquadramento
2. Teoria e Enquadramento (continuação)
3. A Banda Desenhada (por João Paiva Boléo, especialista em BD)
4. A Ilustração (por Jorge Silva, especialista em Ilustração)
5. A voz de um ilustrador (por José Ruy, ilustrador)
6. Autores de Outrora e de Agora: Adolfo Simões Muller, Maria Isabel Mendonça Soares e Matilde Rosa Araújo
7. Literatura Infantil – abordagem literária e pedagógica (por Maria Isabel Mendonça Soares, escritora)
8. A Magia de Sophia – o imaginário de Sophia de Mello Breyner Andersen
9. Vale a Pena Guardar o Passado
Coordenação: Rosário Alçada Araújo
Horário: quartas-feiras; das 18h30 às 20h
Duração: 9 sessões – de 30 de Janeiro a 27 de Março
Preços:
Sócio adulto – 135 €
Sócio jovem ou > 65 anos – 108 €
Não sócio adulto – 162 €
Não sócio jovem ou > 65 anos - 129,60 € €
Inscrição: dias 10 e 11 de Janeiro, ou até ao próprio dia, se houver vagas.
Informações: 213 466 722
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
CHUVA DE LANÇAMENTOS
Mais do que um lançamento, vai ser uma festa – das já lendárias festas do Planeta Tangerina. Desta vez, a propósito do livro O Que Há, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, e num sítio que vale a pena conhecer: o Jardim de Inverno do Hospital de Sant’Anna, na Parede (junto à Marginal). Dizem que vai haver “ateliers para crianças, lanche, livros a preço de amigo e vista de mar”. E, se eles dizem, é porque é verdade. Às 15h30.
ACHIMPADAMENTE
E porque não há duas sem três, nem três sem quatro, amanhã também é dia de Achimpa, o segundo livro de Catarina Sobral editado pela Orfeu Negro. Na livraria Cabeçudos, em Lisboa (16h00), com a presença da autora e uma leitura performativa de Miguel Fragata.
ERA UMA VEZ UM CÃO
Também amanhã, 15 de Dezembro, na livraria Papa-Livros (Porto), a Tcharan convida para o lançamento do livro Era Uma Vez um Cão, de Adélia Carvalho (texto) e João Vaz de Carvalho (ilustrações). A sessão começa às 16h00 e contará com a apresentação de Margarida Noronha, editora da Kalandraka, além da presença dos autores e do presidente da Câmara de Baião, José L. Carneiro, entidade patrocinadora do livro.
O VOO DA ABELHA
A Abelha Zarelha, o primeiro livro da colecção Livros Com Bicho (Booklândia), vai voar até Lisboa no dia 15 de Dezembro (amanhã, sábado), para pousar na Livraria Bulhosa de Campo de Ourique pelas 11h30. As autoras, Raquel Patriarca (texto) e Marta Jacinto (ilustração), acompanham depois a abelha até à Livraria Letraria, no Centro Comercial Dolce Vita Miraflores, para um voo picado por volta das 17h00. São livros de pequeno formato e páginas muito resistentes, com pouco texto, a pensar sobretudo nos pré-leitores.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
ESTREIA ABSOLUTA EM FAMÍLIA
Há uns meses, o Teatro Nacional de São João convidou-me a escrever uma peça de teatro para crianças – e eu convidei a minha irmã, Micaela Maia de Almeida, que além de perceber a potes de teatro escreve maravilhosamente. Eu sei que isto soa muito suspeito e nada imparcial, mas digam lá quantas vezes na vida é que temos a oportunidade de escrever uma peça fifty-fifty com a irmã? O resultado do nosso trabalho chama-se Esperança ou o Parque de Estacionamento e vai ser lido amanhã à noite, em mais uma sessão das “Leituras no Mosteiro”, a partir das 21h00. E deixo aqui a informação do Teatro S. João, para o caso de quererem saber mais coisas (ah, o “nome artístico e facebookiano” da minha irmã é esse mesmo):
«Na última sessão do ano partimos a noite ao meio. A primeira parte é dedicada às crianças e leremos duas peças em estreia mundial: Esperança ou o Parque de Estacionamento, de Carla Maia de Almeida e Menina Micaela Maia, e Joana e o Bulldozer, de Pedro Eiras; para compor o ramalhete ainda leremos excertos de Ai que medo!, de José Carretas. A segunda parte é só para adultos. Eis o que se lerá: De fora, de Joana Craveiro; excertos de Nióbio, de Carlos Costa e Ana Vitorino; e ainda a peça absolutamente inédita Pergunta a duquesa ao criado, de Miguel Loureiro.»
PEQUENO LIVRO DAS COISAS
Hoje, às 18h00, na livraria Pó dos Livros, a Andreia Brites apresenta o Pequeno Livro das Coisas, de João Pedro Mésseder e Rachel Caiano (ilustrações). São coisas que fascinam.
SONO DE BELEZA
domingo, 9 de dezembro de 2012
IR E NÃO VOLTAR
As Histórias de Terror do Navio Negro (Arte Plural), de Chris Priestley e David Roberts (ilustrações). Recomendo-o a todas as pessoas que sofrem de insónias e não sabem nadar. Muhaahaahaahahá!
DENDROFILIA
«Dendrófilo: adj. (dendro+filo) 1 Amigo das árvores. 2 Que vive dentro das árvores ou sobre elas.» Uma das maiores dendrófilas que conheço (e não são poucos/as) chama-se Susana Neves, é jornalista, escritora, ilustradora, fotógrafa e, essencialmente, uma pessoa maravilhosa. Acabou de publicar, com texto e fotografias da sua autoria, um belo álbum de grande formato intitulado Histórias que Fugiram das Árvores (ed. By the Book). Só vos digo que é lindíssimo. Espreitem aqui.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
O MEU PRIMEIRO QUESTIONÁRIO DE PROUST
2. Qual foi o melhor parágrafo que já escreveu ou, pelo menos, a melhor frase?
Agora a sério: não sei. Mas gosto deste parágrafo que escrevi recentemente, porque me deu bastante trabalho até chegar à imagem que queria: «O Malik ficou com o terraço só para ele. E nós ficámos com o pedaço de mar que se avistava ao longe, um anel azul brilhante encaixado entre os dedos dos prédios e o braço longo da auto-estrada.» Já agora: Malik é um cão e o parágrafo faz parte do meu próximo livro, uma novela juvenil que será publicada em 2013 pelo Planeta Tangerina, com ilustrações de António Jorge Gonçalves. Chama-se Irmão Lobo.
(Respondi ao questionário de Proust – reinventado por Joel Neto – para os Booktailors. A resposta acima é para quem queria saber por que razão O Jardim Assombrado esteve “fechado” durante quatro meses… Ler o resto aqui.)
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
A LEBRE DE CHUMBO
Talvez já tenham reparado que na coluna do lado direito há duas capas novas. Da vermelha já falei aqui, mas A Lebre de Chumbo ainda está com o estatuto de “pré-novidade”. Desafiei o Alex Gozblau, meu amigo e compagnon de route no Ainda Falta Muito? a ilustrar este conto de fadas (ou conto maravilhoso), uma área onde nenhum de nós se tinha ainda aventurado. Ele chamou-lhe um “conto de fadas budista”. Não sei. Só posso dizer que estou muito, muito contente com o nosso trabalho.
O livro deverá ficar pronto daqui a uma semana, mas por enquanto ainda só estará acessível aos sócios da APCC - Associação para a Promoção Cultural da Criança. A partir de Janeiro, segue para as Fnacs (pelo menos assim o espero…). Vai ser o 10º ou o 11º título da colecção Ler com Valores – e a hesitação da ordem numérica prende-se com o facto de ser publicado ao mesmo tempo que Viagem ao País da Levitação, de Gonçalo M. Tavares e Rachel Caiano.
Desde 2009 que a APCC, uma instituição de utilidade pública sem fins lucrativos, convida dois autores – escritor e ilustrador – a fazer um livro para a colecção. Ou melhor, quatro autores, visto que saem dois livros ao mesmo tempo. Livros bonitos e feitos com critério, melhores do que muitas editoras profissionais fazem... Mediante uma quota anual de cinco euros, cada criança recebe dois exemplares e (por mais 1,5 €) também o calendário, que este ano é assinado por João Fazenda. Também podem ser adquiridos na sede.
Até agora, foram nove os títulos publicados pela APCC – os três primeiros já vão para reedição. Só pelos nomes, já podem ver que é para mim uma honra fazer parte desta lista:
- O Cão e o Gato, António Torrado e André Letria
- O Voo do Golfinho, Ondjaki e Danuta Wojciechowska
- O Menino e a Nuvem, Luísa Ducla Soares e Rafaello Bergonse
- No Dia da Criança, Luísa Ducla Soares e Danuta Wojciechowska
- Contos do Lápis Verde, Álvaro Magalhães e Bernardo Carvalho
- Trapalhadas Azaradas com Molho de Chantilly, Rita Taborda Duarte e Maria João Worm
- Ginástica Animalástica, Isabel Minhós Martins e João Fazenda
- Querer Muito, João Paulo Cotrim e André da Loba
- Pirilampos e Estrelas, António Torrado e Yara Kono
AINDA AS CASAS
«O livro, cartonado, vive de um entrosamento muito forte entre texto e imagem e assume-se como um projecto de reflexão poética sobre a relação entre as casas e as pessoas. Ou melhor, propõe-se a pensar em casas como se fossem pessoas. Conceito abstracto, sim, e que só um grande cuidado e simplicidade no uso da linguagem, aliada a uma profunda sensibilidade estética, pode transformar o livro no belíssimo objecto que na realidade é.»
Rita Taborda Duarte, que conheceu e viveu esta casa por dentro, escreveu uma bela crítica ao Onde Moram as Casas, durante os meses em que O Jardim Assombrado esteve em pousio. Recupero-a agora. Pode ser lida aqui.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
A LER ESTÁ EM FESTA!
E que grande festa. Começa hoje no Cinema São Jorge, em Lisboa, para durar até domingo. Ele é filmes, ele é livros, ele é debates, ele é concertos... um fartote em tempos de crise. O programa do Festival LER 25 Anos pode ser acompanhado aqui. Entretanto, não percam a edição deste mês, com a nossa «Rainha Sophia» na capa, linda, linda!
MONSTROS DA EDIÇÃO
Fernando Guedes, fundador da Editorial Verbo, é o primeiro dos «monstros da edição» (adoro esta expressão tão heróis da Marvel!) entrevistados por Sara Figueiredo Costa para a nova colecção da Booktailors. O lançamento acontece amanhã, às 18h30, na Casa Fernando Pessoa, com apresentação de Francisco Espadinha, editor da Presença.
ENCONTROS LUSO-GALAICO-FRANCESES
ESPECIAL INFANTIL
«O que é escrever para crianças? É fitá-las nos olhos, falar com elas por escrito, de coração aberto, sem abdicar da inteligência, da experiência, do domínio da palavra.» A escritora Luísa Ducla Soares inaugura o Especial Infantil que, ao longo de Dezembro, trará a público as opiniões de um criterioso lote de apaixonados por esta área. Para acompanhar no blogue Edição Exclusiva.
sábado, 1 de dezembro de 2012
AQUI MORA A CASA
Esta é a verdadeira casa que inspirou a ilustração de capa do Onde Moram as Casas, feita pelo Alexandre Esgaio. Fica nos Anjos, em Lisboa, e tem aquela morbosidade inexplicável que tanto fascina nas casas abandonadas. Nunca lá entrei, nem sei se continua habitada, mas pagava para ver. Quando vou às escolas e me perguntam o que queria ser se não fosse escritora, costumo responder que gostaria de ter uma profissão que me permitisse entrar nas casas das pessoas como um fantasma, só para lhes respirar a atmosfera.
O PRÍNCIPE DESENCANTADO
Depois de A Origem das Espécies Reinventada (Trinta por Uma Linha), João Ferreira Oliveira publicou agora o segundo livro, A Estranha História do Príncipe que Inventou o Abecedário (Máquina de Voar). Vale a pena ler e seguir os passos deste novo escritor, começando já por assistir ao lançamento que ocorre amanhã, às 16h00, na Livraria Cabeçudos. Não se esqueçam de que mudou de morada e está agora no Lumiar.
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