quinta-feira, 25 de abril de 2013
A LIBERDADE É UMA FLOR
Uma história para hoje e sempre: O Rapaz da Bicicleta Azul, de Álvaro Magalhães (texto) e Marta Madureira (ilustrações). «Dedicado à memória do capitão Salgueiro Maia, que, um dia, colheu para todos nós a flor da liberdade.» Foi há 39 anos.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
CITY-BREAKS: BOGOTÁ
A partir de hoje e até dia 22 de Abril, estarei do outro lado do Atlântico, na capital da Colômbia, para participar como escritora convidada da 26ª edição da Feira do Livro de Bogotá - FILBO 2013, onde Portugal é o país convidado. Vejam aqui.
AMANHÃ
Apresentação do novo livro do Planeta Tangerina, uma surpresa para quem tem medo da matemática: Tantos Animais e Outras Lengalengas de Contar, de Manuela Castro Neves (texto) e Yara Kono (ilustração).
terça-feira, 16 de abril de 2013
DONAS DE CASA DESESPERADAS
Com Branca de Neve e suas Irmãs chega ao fim uma das melhores colecções que já pode servir como referência para os arquivos do futuro. O sétimo e último volume incide sobre três tipos de contos de fadas estreitamente ligados: A Bela Adormecida, Branca de Neve e A Menina que Busca os Seus Irmãos. Francisco Vaz da Silva (antropólogo, professor universitário e investigador) seleccionou, traduziu e comentou. Da nota de imprensa do Círculo de Leitores/Temas e Debates, que também está de parabéns por esta edição:
«Enquanto A Bela Adormecida realça um cenário de encantamento na puberdade, Branca de Neve salienta a dimensão subjacente de rivalidade e transição entre mulheres e A Menina Que Busca os Seus Irmãos articula os temas do sangue púbere, da rivalidade feminina e da consanguinidade à luz do esquema condutor da transição de uma jovem entre laços de sangue e relações de aliança.»
Numa palavra: indispensável.
TERTÚLIA DE PRIMAVERA
Em Abril, a habitual tertúlia à volta do livro infantil promovida pela Bulhosa de Campo de Ourique (e especialmente por essa livreira tão especial que é a Ana Rita Fernandes) tem como tema a Primavera. Mostrar livros, ver livros, conversar sobre livros… É já na próxima quinta-feira, dia 18, pelas 18h30. Com ou sem livros a tiracolo, todos são livres de aparecer.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
AUTO-AJUDA PARA CRIANÇAS?
Não tenho nada contra os livros de auto-ajuda, embora a designação me soe mais apropriada para uma empresa de reboque de automóveis. Termos equivalentes, como «espiritualidades» ou «desenvolvimento pessoal», são igualmente ambíguos, o que diz muito sobre as limitações da nossa linguagem e a extensão dos nossos preconceitos. Neste aspecto, a inteligentsia tende a funcionar como as cartomantes: adivinha pela chancela. As memórias de Auschwitz escritas por Primo Levi são literatura, mas o best-seller do psicoterapeuta Viktor E. Frankl (O Homem em Busca de um Sentido), passado na mesma altura, já é outra coisa. Os estudos do comportamento animal por Konrad Lorenz não provocam a mesma desconfiança que o ensaio de Mark Rowlands (O Filósofo e o Lobo) sobre a sua longa convivência com um lobo. Alunos universitários não percebem Piaget, mas ai do professor que lhe recomende O Elemento, de Ken Robinson.
Denegrir estes livros apenas porque não são literatura é de uma desonestidade intelectual a toda a prova – precisamente porque a maior parte não pretende passar por literatura. Havendo de tudo, desde o muito bom ao execrável, como em qualquer área editorial, resisto apenas ao uso da expressão «auto-ajuda para crianças». Parece-me um contra-senso atribuir às crianças a capacidade de se «auto-ajudarem», fazendo metalinguagem sobre os seus problemas – a morte de um familiar, o divórcio, o abuso sexual, o bullying, etc. Muitos desses livros (os bons, pelo menos) falam de comportamentos, emoções, fenómenos sociais, questões filosóficas, humanidades, criatividade, valores… Porque não chamar as coisas pelos nomes?
A tentativa de juntar os dois géneros que mais vendem – a auto-ajuda e o infanto-juvenil – resulta nestes rótulos descabelados. Há pouco, vi no facebook o anúncio de um workshop de «empreendedorismo para bebés». Que será isso? Os primeiros dentes associados ao espírito de iniciativa? Lápis de cor e a gestão do risco? Cocó na fralda e o negócio da compostagem? É um mundo louco. Chamem o reboque do bom senso.
(Texto de opinião publicado na revista LER nº 123, na rubrica «Boca do Lobo»)
quarta-feira, 10 de abril de 2013
APRESENTO-VOS O 'IRMÃO LOBO'
Com o país em estado de sítio e o mundo de olhos postos num tarado que brinca às guerras, há um certo pudor em manifestar alegria. Mas não devia ser assim, porque isso é fazer o jogo de quem nos quer ver frágeis e oprimidos. Portanto, aqui vai: tenho um livro novo e não podia estar mais contente. Porque tem a chancela do Planeta Tangerina e porque foi ilustrado pelo António Jorge Gonçalves, que acreditaram nele mesmo quando só tinha dez páginas. Foi uma das provas de generosidade mais importantes que já tive e estou-lhes profundamente grata.
Irmão Lobo. Esta história começou a formar-se na minha cabeça em Outubro de 2010, pouco antes de partir para a residência da DGLB, em Can Serrat, Barcelona. Ao longo de um ano e meio fui tomando notas e deixando que as personagens entrassem na minha vida – aliás, sempre lá estiveram. Malik, Alce Negro, Blanche, Fóssil, Miss Kitty, Bolota, Kalkitos: são todos uma parte de mim e da minha família mais íntima, real e imaginária.
Escrevi-o durante o último Verão, em estado de absoluta entrega, aproveitando uma fase de pouquíssimo trabalho jornalístico. Dantes, o Verão costumava ser bom para os freelancers; já não é. Mas há males que vêm por bem.
É um «romance juvenil»? Digamos que sim, para facilitar. Eu preferia que o lessem sem essas baias. É um romance deste tempo terrível que andamos a viver, isso sem dúvida. É também um romance on the road, em parte. A história de uma família que se desagrega pela falta de dinheiro e de sentido, contada a duas vozes alternadas: uma, quando a protagonista tem 15 anos; a outra, aos oito, num flash-back que recorda a estranha aventura passada na infância, em viagem por um país consumido pelo fogo. A abrir, versos do grande Johnny Cash, Ring of Fire. Porque acredito na imortalidade do rock'n'roll.
Espero mesmo que gostem. Era só meu. Agora, é vosso.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
'AINDA FALTA MUITO?' NO CATA-LIVROS
A equipa do Cata-Livros fez um trabalho excelente com o Ainda Falta Muito?, explorando muitas das pistas que o livro deixa em aberto. No site, pode ser folheado do princípio ao fim, acompanhado pela leitura em voz alta do sonoplasta e contador João Condeixa. Há também muitos jogos e um passatempo a que os leitores podem responder até 5 de Maio. E ainda a primeira parte de uma entrevista presencial onde falo sobre algumas das minhas brincadeiras de infância e outras coisas. Está tudo aqui, no Salão Salamaleque, e para quem não está familiarizado com o percurso... basta ir clicando.
VI PRÉMIO INTERNACIONAL COMPOSTELA
Mariana Ruiz Johnson (Buenos Aires, 1984) venceu o VI Prémio Internacional Compostela para álbuns ilustrados, no valor de 9000 euros. A obra Mamã foi considerada a melhor entre as 374 a concurso, provenientes de 21 países. Esperemos que chegue cá depressa.
sábado, 6 de abril de 2013
sábado, 30 de março de 2013
CITY-BREAKS: ALTO MINHO
Páscoa que é Páscoa é no Minho, com arroz de forno, pão-de-ló e visita do compasso. O Jardim Assombrado vai até ao norte, onde a chuva cai abençoada. Até daqui a uma semana.
(Fotografia de 1973, na casa dos meus bisavós maternos, em Moreira. Quatro anos de exploração do mundo. Já usava óculos.)
sexta-feira, 29 de março de 2013
ABRIL É PARA LER EM TODO LADO
Chama-se «Ler em todo lado» e é uma iniciativa conjunta da Rede de Bibliotecas Municipais da Câmara de Lisboa e da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL). De 1 a 28 de Abril, bibliotecas, livrarias e outros espaços da cidade vão ser palco de dezenas de acções ligadas à promoção do livro e da leitura. Noblesse oblige, o Dia Internacional do Livro Infantil (próxima terça, 2 de Abril) será uma das datas fortes, mas chamamos desde já a atenção para a comemoração dos 120 anos de Almada Negreiros (6 de Abril) e para a inauguração da Biblioteca Municipal dos Coruchéus, em Alvalade (23 de Abril). Foi criado um site para a divulgação do programa completo, que pode ser consultado aqui.
quinta-feira, 28 de março de 2013
MAR À VISTA
A editora Pato Lógico convida toda a gente a espreitar o que tem feito (a começar por um dos livros mais bonitos do ano passado: Mar, de Ricardo Henriques e André Letria). A inauguração acontece no próximo sábado, na Fabrica Features (último andar da loja Benetton, ao Chiado). Apareçam. Não sejam patos.
ABRIL NA UNIVERSIDADE DE AVEIRO
Um mês cheio de coisas boas, a convite do Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro.
quarta-feira, 27 de março de 2013
COMO UM BORDADO
Seguindo a tradição, Maria João Worm, vencedora do Prémio Nacional de Ilustração do ano passado, é a autora do cartaz para o Dia Internacional do Livro Infantil. Lindíssimo, não acham?
PORTUGUESES NO THE WHITE RAVENS 2013
Já que estamos em maré de boas notícias, embora os livros para os mais novos raramente sejam notícia nos telejornais (et pour cause...), lembramos aqui a recente angariação de dois títulos portugueses para a International Youth Library, a maior biblioteca de livros para crianças e adolescentes, com mais de 600 mil títulos. Fica em Munique e é visitável. Ao catálogo The White Ravens, no qual já existem uma série de obras made in Portugal, foram acrescentados agora mais dois títulos: Greve, de Catarina Sobral (Orfeu Negro) e O Mundo no Chão, de Nuno Casimiro e João Vaz de Carvalho (Bags of Books). Parabéns a ambos.
DIAS COMO HOJE
Manhã cedo, os parabéns seguiram para Bolonha via SMS. Temos pena de não estar na festa. Por esta hora já toda a gente sabe que o Planeta Tangerina ganhou o prémio de melhor editora europeia na área do livro infantil (ver o artigo do Público/Lusa aqui). É um feito extraordinário, se pensarmos que foram as próprias editoras participantes na feira que elegeram os vencedores para cada continente. Por aqui, também surgiu «um brilhozinho nos olhos» com a vitória da neozelandesa Gecko Press, pela Oceânia. É verdade, há dias (e noites) que deviam durar para sempre.
segunda-feira, 25 de março de 2013
NÃO QUERO USAR ÓCULOS EM HOLANDÊS
Pois é. Mesmo com os nossos nomes trocados na capa (a editora garantiu que não há confusão possível...) e um lettering que deixa muito a desejar em relação ao original do André Letria, é muito bom ver a edição holandesa do Não Quero Usar Óculos, traduzida com o apoio da DGLAB. Quem quiser espreitar o miolo pode ver aqui.
BLIMUNDA Nº 10
Em Março, a revista digital Blimunda chegou num formato diferente do habitual. Noblesse oblige, fazemos os nossos sublinhados: «A secção dedicada ao infantil e juvenil centra-se no centenário do nascimento de Ilse Losa, com depoimentos de Álvaro Magalhães, José António Gomes, Manuela Bacelar e Ana Cristina Vasconcelos, para além da reprodução fac-símile de um texto da autora, publicado em 1948 na revista Vértice». Ler aqui.
A MATEMÁTICA É PARA COMER
Se «a poesia é para comer», como disse Natália Correia, o último livro do Planeta Tangerina é para devorar. Com texto de Manuela Castro Neves e ilustrações de Yara Kono, Tantos Animais e Outras Lengalengas de Contar desmente quase tudo o que foi dito no post anterior sobre a (maldita) matemática. Ler mais sobre o livro aqui e aqui.
quinta-feira, 21 de março de 2013
TEORIA DOS CONJUNTOS
Nunca gostei de matemática. Lembro-me de uma professora do 8º ano que ficou para a história como «Gasganete» (o vilão dos Schtrumpfs), o que diz tudo sobre o sentimento que conscienciosamente lhe devotávamos. Lembro-me também de um professor lunático do ciclo preparatório que passava as aulas a desenhar círculos no quadro, a fim de nos explicar a «teoria dos conjuntos», cuja aplicação prática continuo sem perceber. Todos o achávamos estranhíssimo. Quando soubemos que morava na pensão central da vila (chamada, precisamente, Pensão Central), a nossa estranheza misturou-se com o gozo cruel típico da idade e passámos a vê-lo como um desgraçado sem casa nem família. A minha mãe, professora na mesma escola, dizia que ele tinha tido «uma depressão»; mas, para nós, crianças electrizadas pela brincadeira e pelo ar livre, era igual ao litro. Percebo agora que aquele ar de zombie se deveria ao facto de o homem andar completamente drunfado. Já naquela altura, a vida dos professores comportava uma violência que não conseguíamos imaginar. O pior estava para vir.
quarta-feira, 20 de março de 2013
AMANHÃ É DIA MUNDIAL DA POESIA
Não chames ao mundo morada, não lhe dês um nome
pois falhas a tua Primavera
as sugestões atmosféricas tornam-se paisagens equívocas
e nunca chegamos a perceber
como avança uma história
ou uma tempestade
Diante da janela iluminada
acredita apenas na duração
do amor
(«A janela iluminada», de José Tolentino Mendonça, in Estação Central, Assírio & Alvim, 2011)
terça-feira, 19 de março de 2013
ORAÇÃO PARA O DIA DO PAI
Pai nosso que estais nos céus,
com as andorinhas e os mísseis
quero que voltes antes que esqueças
como se chega ao sul do Rio Grande
(...)
Um Pai-nosso latino-americano, adaptação do poema de Mario Benedetti por José Tolentino Mendonça, in Pai-Nosso que Estais na Terra, ed. Paulinas, 2011
NA LIVRARIA GIGÕES E ANANTES
Aqui no petit pays a vida das livrarias especializadas em livros para os mais novos depende sempre de muita coisa. Apesar da ………. (aquela palavra que anda na boca de toda a gente), podemos contar com mais um espaço onde livros e leitores são bem tratados: a Gigões e Anantes, em Aveiro. Inaugurou em Setembro do ano passado, mas só a semana passada tive oportunidade de visitá-la pessoalmente, no regresso da Biblioteca de Ílhavo e do Centro Educativo da Coutada (onde também fui muito bem tratada, diga-se de passagem). O que salta logo à vista na Gigões e Anantes é o conhecimento do ofício de quem anda por lá: pessoas que gostam de livros, que acompanham a ilustração, que vão a Bolonha, que lêem autores estrangeiros, que querem fazer coisas «fora da caixa». Pessoas que sabem do assunto, enfim. A oferta é excelente, abarcando títulos de (quase) todas as editoras portuguesas, grandes e pequenas, bem como obras em inglês, francês e espanhol. O mais difícil é mesmo encontrar um livro mau; ou, vá lá, mauzinho. Não têm site, mas estão no Facebook. Procurem nos canteiros do lado direito do Jardim Assombrado, na lista «Aqui há Livros!» (actualizada ontem). A fotografia é de Mário Marnoto.
segunda-feira, 18 de março de 2013
NÃO HÁ PREVISÃO DE VAIAS
terça-feira, 12 de março de 2013
PORTUGAL NOS PRÉMIOS ANDERSEN 2014
«A ilustradora Teresa Lima e o escritor António Torrado são os candidatos de Portugal ao Prémio Hans Christian Andersen de 2014, atribuído pelo IBBY.» Ler a notícia no blogue O Palácio da Lua.
segunda-feira, 11 de março de 2013
MUITO LÁ DE CASA
Sei que O Jardim Assombrado tem estado entregue aos gatos, mas por bons motivos. Ultimamente visitei uma série de escolas, onde experimentei uma nova forma – mais interactiva, digamos – de apresentar os meus livros, com a ajuda de pequenos voluntários. Foi um improviso que acabou por resultar bem, fugindo ao esquema «botar faladura/perguntas/respostas/autógrafos». Também gosto de mostrar-lhes outros objectos relacionados com a escrita, como o caderninho onde tomo notas, algum livro especial da minha infância ou uma ilustração original. Tudo o que os faça pensar que um livro não se resume ao livro é bom e deixa-os interessados e curiosos. Divertimo-nos todos muito mais. Esta fotografia foi tirada no Centro Educativo do Trovela, uma das escolas do Agrupamento de António Feijó, em Ponte de Lima, onde fui muitíssimo bem recebida por alunos e professores. O Ainda Falta Muito?, que é sempre posto de lado em favor do Não Quero Usar Óculos, foi acompanhado com um roteiro de análise textual exemplar, dando origem a trabalhos muito criativos e ligados à vida interior das crianças. E pude falar em leiras e penedos com a certeza de que me entendiam; e ouvir de novo a palavra «borronas» (sinónimo de canetas de feltro), o que já não acontecia desde os meus dez ou onze anos. Deus queira que eu um dia possa recuperar o norte.
terça-feira, 5 de março de 2013
MORANGOS COM AÇÚCAR
«Este encantador livro de cozinha, dedicado às raparigas mais jovens, alia, de uma maneira muito equilibrada, o passatempo e a vida real.» Com versão portuguesa de Maria de Lourdes Modesto e supervisão de Yvonne Bonis, inspectora do Ensino Manual e da Economia Doméstica de Paris, O Meu Livro de Cozinha (Verbo) apresentou-nos a receitas inesquecíveis como a Pombinha, os Corações em Flor, a Brisa do Oceano ou a Nani Negrinha. Escrevíamos «alperches», «tira-cápsulas» e «avòzinha» com acento grave; não sabíamos o que era paprika nem onde desencantar «duas latas de puré de castanhas ao natural». Apesar disso, foi o livro de cozinha mais popular entre as miúdas da década de 70, as mesmas que hoje dão voltas à imaginação para esticar o orçamento e inventar mais uma receita de frango.
(Texto publicado na LER nº 122, secção «A Biblioteca do Nautilus».)
segunda-feira, 4 de março de 2013
UMA ILHA EM BOLONHA
Creio que este é um feito inédito na Feira do Livro Infantil de Bolonha: um livro português, perdão, um livro da editora Planeta Tangerina recebeu uma menção especial nos prémios deste ano, na categoria Opera Prima (primeira obra). Podem ser conhecidos aqui. O contemplado é A Ilha, com texto de João Gomes de Abreu e ilustrações de Yara Kono. Há muitos anos que a equipa Tangerina vai a Bolonha e este prémio é o justo retorno desse investimento («grandes» editoras portuguesas, aprendam). Parabéns a todos e em especial ao João, que tem já de começar a preparar o próximo. Aqui fica a crítica que saiu na edição nº 115 da revista LER, o ano passado:
«João Gomes de Abreu, professor, designer e colaborador da Planeta Tangerina, sai dos bastidores para assinar aquele que é o texto mais político dos quase 40 títulos já publicados pela editora. Não no sentido da «política partidária», evidentemente, mas «político» no sentido original do termo – que interessa à polis, aos cidadãos, à vida pública; uma matéria pensante também partilhada em textos de Isabel Minhós Martins como Ir e Vir ou Siga a Seta!. Tudo se joga no plano da alusão e do humor, recorrendo a uma prosa directa e assertiva que pretende, sobretudo, comunicar uma ideia forte. Em poucas linhas: fascinados pelos continentais, os habitantes de uma ilha decidem construir uma ponte que os una ao outro lado, não hesitando em delapidar os seus recursos – a montanha, as árvores e a areia – na prossecução desse impulso megalómano. As ilustrações de Yara Kono, sem repetirem caras e formas, traduzem a singularidade da ilha, onde contornos a traço preto sugerem relevos em cenários bidimensionais. Um livro para sorrir e fazer pensar, que talvez ganhasse com uma punchline final, mas que nem por isso deixa de ser um belo começo para o autor.»
domingo, 3 de março de 2013
A ESTRADA
Ontem, ao voltar da manifestação no Terreiro do Paço em direcção a Santa Apolónia, sem táxis nem autocarros à vista, e depois de ter caminhado sobre carris, saltado uns quantos muros e atravessado o caminho de gente sem-abrigo, fogueiras a arder em bidões e cães a ladrar ao longe, lembrei-me deste filme impressionante baseado no livro homónimo de Cormac McCarthy. O retrato do país que somos agora: uma estrada para lugar nenhum. Ao fim de uma hora de caminho inóspito, cheguei a casa, quase feliz. Quase.
sábado, 2 de março de 2013
OS EUNUCOS
Os eunucos devoram-se a si mesmos
Não mudam de uniforme, são venais
E quando os mais são feitos em torresmos
Defendem os tiranos contra os pais
(Versos de José Afonso, Os Eunucos. Cartoon de António para o Expresso.)
sexta-feira, 1 de março de 2013
TEATRO DE MANUEL ANTÓNIO PINA
Os textos e a selecção dos mesmos são da sua autoria, reconstituindo um universo poético «que nos surpreende a cada momento com devaneios e brincadeiras». Manuel António Pina (1943-2012) acompanhou de perto esta peça encenada por Ana Luena, com interpretação de Pedro Mendonça e Rui Lima – actor e músico, respectivamente. O que vai na cabeça do menino Manuel regressa em boa hora ao Teatro do Campo Alegre, no Porto, para uma curta temporada de espectáculos agendada para os dias 7, 8, 9 e 10 de Março. Informações pelo telefone 22 606 30 17.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
AINDA OS PRÉMIOS SPA
Quem se expõe, arrisca-se a ser mal interpretado – ou a explicar-se mal, ou as duas coisas juntas, a mais das vezes. Para o que conta, os resultados são idênticos. Não estou aqui para ofender nem magoar ninguém e, sem querer entrar no discurso bacoco do «quem me conhece sabe que…», limito-me a reconhecer que não escolhi bem as palavras finais do post anterior. É claro que «há muitos livros bons à espera de reconhecimento», mas parece-me evidente que o júri dos prémios SPA/RTP tem elegido obras de qualidade insuspeita. Por outro lado, foi visível o esforço para afinar os critérios, passando os ilustradores também a ser nomeados, desde 2012. Mantenho que Os Ciganos, um livro com três autores (Sophia de Mello Breyner Andresen, Pedro Sousa Tavares e Danuta Wojciechowska), seja um caso sui generis de concepção de uma obra, revertendo essa originalidade em seu favor, na minha opinião. Considerar que tal possa ser obstáculo à nomeação para um prémio foi, muito provavelmente, um especiosismo da minha parte, mas sem qualquer motivação insidiosa.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
O NAUFRÁGIO DA MINHA VIDA
Em finais de Janeiro de 1975, quando eu tinha seis anos, assisti ao incêndio do Jacob Maersk, um petroleiro dinamarquês que naufragou a dezenas de metros do porto de Leixões. Morreram entre 15 a 20 marinheiros e as praias cobriram-se de crude. Na altura não sabia o que era um «desastre ecológico». Mas aquelas gigantescas labaredas assombraram o meu imaginário para sempre. E durante anos e anos relembrava este acontecimento sempre que via os restos da proa encalhada junto ao Castelo do Queijo, na Foz. Já não está lá há muito tempo. Restam estas imagens dramáticas no You Tube, tão bem escolhidas como a música de fundo.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
ACHIMPA VENCE PRÉMIO SPA
Achimpa, com texto e ilustrações de Catarina Sobral, ganhou (e muito bem) o Prémio SPA da categoria de Melhor Livro Infantil. Pequeno Livro das Coisas, de João Pedro Mésseder e Rachel Caiano, também seria um digno vencedor. Das três nomeações, só não entendo muito bem o caso de Os Ciganos, livro começado por Sophia de Mello Breyner Andresen e continuado - em 2012 - pelo seu neto, Pedro Sousa Tavares. Não está em causa o valor da obra, mas sim a delicadeza de um caso sui generis no que toca à atribuição da autoria. Sophia ou Pedro? Pedro ou Sophia? Não vale a pena complicar. Há muitos livros bons à espera de reconhecimento.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
BLIMUNDA Nº 9
Na edição nº 9 da Blimunda, revista cultural on-line da Fundação José Saramago, pode ler-se uma entrevista a André Letria e uma retrospectiva do que foi o «ABC da Edição Digital» na Fundação Calouste Gulbenkian, o mês passado. Entre muitas outras coisas. Podem fazer download no site da fundação ou ler no Scribd, aqui.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
LIVRARIA CABEÇUDOS ITINERANTE
Uma excelente notícia: a livraria Cabeçudos vai tornar-se (também) itinerante, com passagem garantida por todos os municípios de Portugal Continental. A apresentação oficial tem lugar amanhã, na Escola Secundária de Pedro Nunes, em Lisboa, pelas 10h30. Mais pormenores:
«A livraria móvel consiste num veículo transformado, adaptado ao transporte, exposição e venda de livros e é o prolongamento da Livraria Cabeçudos no que respeita à sua missão: contribuir significativamente para a promoção da literatura infantojuvenil, encorajando as crianças a iniciarem-se o mais cedo possível nessa viagem maravilhosa que é a leitura, e, motivando os jovens a preservar hábitos de leitura para que amadureçam leitores apaixonados. Promover a partilha de experiências e conhecimento entre crianças, jovens e adultos.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
AVES DEMASIADO HUMANAS
No final do ano apareceu um álbum de dois autores mexicanos que pode ser entendido como uma alegoria sobre a evolução da Humanidade, passe o tom pomposo da síntese. Nas figuras humanizadas destas aves vemos a representação de um mundo que bem conhecemos: a revolução científica dos séculos XVI a XVIII; a arquitectura que nos protege e encerra; as arriscadas máquinas de voar que sempre nos parecem frágeis na imensidão do espaço… Quando as aves sucumbiram ao excesso e ao artifício, veio também a produção em massa, a sobrepopulação, a obsessão do corpo perfeito, a guerra. «Quiseram controlar tudo: outros territórios, a vida, e inclusivamente o destino dos demais.» A imagem do tigre equilibrado numa bola de circo é a triste excepção neste mundo governado por aves de olhar duro e opaco, esquecidas de saber voar. Felizmente, «em algum lugar, ainda há quem tente estender as asas», dizem os autores, David Alvarez (n. 1984) e María Julia Garrido (n. 1986). São dele os elaborados desenhos a grafite, mas trata-se de um trabalho conjunto de texto e ilustração que lhes trouxe, merecidamente, o V Prémio Compostela para Álbuns Ilustrados.
Aves
María Julia Díaz Garrido
Ilustrações de David Daniel Álvarez Hernández
Tradução de Ana M. Noronha
Kalandraka
(Texto publicado na LER nº 121, secção «Leituras Miúdas».)
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
ESCREVER CONTRA A MENTIRA
Olho para esta ilustração e vejo um Hemingway, mas pronto. O grande Enki Bilal desenhou a capa para o tema de fundo da revista Magazine Littéraire de Fevereiro, um generoso dossier que percorre a vida e a obra de Thomas Lanier Williams, mais tarde Tennessee Williams. Completam-se este mês trinta anos sobre a morte de um homem excessivo e paradoxal; o mesmo que afirmou, numa entrevista a si próprio, encarar a escrita «como uma espécie de psicoterapia». Nada de original, mas poucos se atreveram a ir tão longe no afrontamento dos anjos e demónios interiores, em especial aqueles que andam pelo território perigoso dos distúrbios mentais (recorde-se que a irmã mais velha sofreu uma lobotomia aos 44 anos), para depois desmascarar as mentiras consentidas – familiares, sociais, políticas… – que minam a vontade, o afecto e a força do indivíduo. Num dos muitos artigos, a Magazine Littéraire lembra que Arthur Miller, Eugene O’Neill, Edward Albee e Tennessee Williams partilharam este desejo de corromper a «fábrica de ilusões» que alimenta a concórdia da moralidade. «As suas personagens esplêndidas, Blanche, o reverendo Shannon, Big Daddy, gritam a sua verdade à loucura, a Deus e à morte.»
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
CHARLOTTE SOMETIMES
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
LER SEM MODERAÇÃO
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
SEPARADOS À NASCENÇA
De cima para baixo: Neil Young (n. Canadá, 1945) e Nick Cave (n. Austrália, 1957). Em termos musicais, ambos estão a envelhecer bem, muito bem.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
OITO VEZES BLIMUNDA
Para quem ainda não reparou, a área do infanto-juvenil tem, desde Junho de 2012, ampla cobertura na revista digital da Fundação José Saramago, sobretudo graças aos contributos de Andreia Brites e Sara Figueiredo Costa. Notícias, reportagem, opinião, críticas de livros e artigos de fundo ocupam aqui um lugar de destaque, como já quase não se encontra na imprensa escrita tradicional. Desde o número de Novembro, o design e paginação têm a assinatura de Jorge Silva/Silva Designers! E, para quem antes tinha dificuldade em fazer downloads «pesados», todos os números da Blimunda estão agora à disposição no Scribd, o que torna tudo muito mais fácil. São oito revistas lindas de ver (e ler), aqui.
sábado, 26 de janeiro de 2013
UMA NOITE ASSIM
Em noite de lua cheia e quase a fechar Janeiro (o mês dos gatos, segundo a tradição popular), aqui fica uma ilustração de Axel Scheffler para O Livro dos Gatos, de T.S. Eliot (Vega). Inspirem-se!
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