quinta-feira, 20 de junho de 2013

RAINHA TODOS OS DIAS



Embora atrasada, eu sei, não quero deixar de lembrar que a primeira edição do Prémio Manuel António Pina, criado este ano pela editora Tcharan, foi para o livro A Rainha dos Estapafúrdios, de José Eduardo Agualusa (texto) e Danuta Wojciechowska (ilustrações). Parabéns a ambos! Aqui fica a crítica que escrevi para a LER aquando da publicação:

«Uma das premissas dos contos tradicionais é que «os maus não são tão maus como parecem, e os bons são bem piores do que se pensa» (Maria Teresa Meireles). É esse o ponto de partida de A Rainha dos Estapafúrdios, história de uma perdigota «gorducha e desajeitada» que consegue livrar-se do estigma de Patinho Feio e encontrar o seu lugar fora do ninho familiar. Como? Com astúcia, coragem e muita bazófia, tal e qual o Gato das Botas. Os conflitos e as provas dos contos repetem-se, mudando apenas cenários e personagens; aqui, o campo dá lugar à savana, e a hiena e o leão substituem o urso ou o lobo. À estrutura narrativa de base, José Eduardo Agualusa acrescenta um olhar próprio, poético e cheio de humor, isso que seduziu os leitores do (já longínquo) Estranhões e Bizarrocos. As cores quentes e os padrões africanos encontram o seu elemento nas ilustrações de Danuta Wojciechowska, contribuindo para fazer deste livro um encontro feliz.»

A Rainha dos Estapafúrdios
José Eduardo Agualusa
Ilustrações de Danuta Wojciechowska
Dom Quixote

terça-feira, 18 de junho de 2013

PORQUE É URGENTE RESISTIR



«Aos quinze anos, Bolota quebra com dedicação e prazer a resistência da água, a cada braçada. E a novela fecha-se com um passo noutra direcção, nascida provavelmente dessa perda, porque a vida se faz vivendo e resistir implica também integrar e mudar. Em algum momento, todos os leitores o sabem, o pressentem. E mesmo que disso não fique memória, não serão exactamente os mesmos. É isso que este livro faz.» Ler o texto completo aqui.

(Um excerto do belíssimo texto que a Andreia Brites escreveu para o lançamento do Irmão Lobo, na Galeria Monumental, em Lisboa, e que levámos no último sábado à Culsete, em Setúbal. Obrigada, Fátima Ribeiro de Medeiros. Obrigada também ao José Teófilo Duarte, pelo convite no post abaixo, e ao Eduardo, Lena e Luís, pelas fotos e pelo resto.)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

IRMÃO LOBO CORRE ATÉ SETÚBAL


Amanhã à tarde tenho o prazer de visitar uma das nossas livrarias de referência, que está de parabéns por tudo e também pelo aniversário: a Culsete, em Setúbal. A anfitriã Fátima Ribeiro de Medeiros fará as honras da casa, como é costume. Vão estar também presentes a Andreia Brites, que fez a apresentação do livro na Galeria Monumental e vai explicar "Porque é urgente resistir", e a Isabel Minhós Martins, minha editora na Planeta Tangerina (uau, ainda não tinha escrito "minha editora"). O António Jorge Gonçalves não pode ir (está de férias e bem merece) mas nós deixaremos os devidos elogios. Sei que a concorrência da praia é grande, mas estão todos convidados a passar pela Culsete.

Para vos convencer (espero), deixo aqui alguns dos uivos mais recentes do Irmão Lobo nos media e redes sociais, obviamente com um grande sorriso de contentamento:

Luís Caetano, Antena 2, Última Edição.
Sara Figueiredo Costa, Expresso.
José Mário Silva, LER (o texto está no site do Planeta Tangerina).
Maria do Rosário Pedreira, Horas Extraordinárias.
Sílvia Souto Cunha, Visão.
Maria João Costa, Rádio Renascença, Ensaio Geral (ao minuto 58).
Andreia Brites, revista Blimunda, da Fundação José Saramago.

OLHA QUE BOA IDEIA PARA AS FÉRIAS


quarta-feira, 12 de junho de 2013

MANUEL ANTÓNIO PINA EM TESE DE DOUTORAMENTO



Rareando os doutoramentos à volta da literatura infanto-juvenil, é caso para comemorar quando os poucos são dados à estampa. A obra de Manuel António Pina (1943-2012) dá pano para mangas, mas Sara Reis da Silva, professora e investigadora da Universidade do Minho, selecionou um núcleo composto por mais de vinte títulos que começa com O País das Pessoas de Pernas para o Ar e termina com História do Sábio Fechado na sua Biblioteca, passando por Gigões & Anantes, Os Piratas ou O Inventão. De 1973 a 2009, tudo é justificado na tese Presença e Significado de Manuel António Pina na Literatura Portuguesa para a Infância e Juventude, uma edição Fundação Calouste Gulbenkian/Fundação para a Ciência e Tecnologia.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

UMA LUZ AO FUNDO DO COELHO




Pôr o coelho a correr para que surja uma luz ao fundo do túnel. Eu olho para a capa dupla do último livro publicado pelo Planeta Tangerina (novamente, o ilustrador Bernardo Carvalho a solo) e só consigo fazer esta leitura. Mas claro que não pode ser isso... Não pode. Os livros para crianças não se metem na política. Política é coisa muito séria. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

TRABALHAR NA OFICINA


O Teatro do Bairro e o Pato Lógico juntaram-se para preparar o regresso às férias. Nos meses de Junho e Julho, crianças dos seis aos doze anos vão trabalhar para as oficinas. Isto é exploração da criatividade!

terça-feira, 4 de junho de 2013

PIPPI LANGSTRUMP: O DIREITO À INSURREIÇÃO


“Pouco a pouco, os clássicos da literatura para crianças (ou literatura tout court) vão sendo objecto de novas edições mais arejadas. E, no caso em apreço, já tardava. Desde a década de 1970 que não se encontrava facilmente uma tradução da obra que deu origem à série emitida pela RTP, no tempo em que a televisão era a preto e branco. O texto agora vertido para português por Maria do Céu Mascarenhas segue a nova tradução ilustrada pela inglesa Lauren Child, autora de personagens igualmente irrequietas como Clarice Bean – com a qual se estreou em 1999 – e vencedora do prestigiado prémio de ilustração Kate Greenaway. Dificilmente se poderia ter escolhido um nome mais indicado para esta parceria.


Pippi das Meias Altas (Pippi Langstrump ou Longstocking) foi a mais célebre criação da escritora sueca Astrid Lindgren (1907-2002) e, provavelmente, uma projecção da sua personalidade contestatária e irreverente. «A morte e o amor são os grandes acontecimentos que as pessoas experimentam», afirmou: «Não devemos assustar as crianças, mas elas continuam a necessitar de serem chocalhadas pela arte, tal como os adultos.»

Quando o livro foi publicado na Suécia, em 1945, houve receio de que tão livre espírito não fosse capaz de se tornar suficientemente popular entre os leitores – receio que se revelou infundado, já que as colecções de Pippi venderam mais de 145 milhões de exemplares e foram traduzidas em 91 idiomas, segundo informação da Booksmile, a editora que apostou no regresso desta miúda excepcional. Em vários sentidos. À luz de certas correntes educativas actuais e mesmo do senso comum, Pippi é um caso flagrante do «politicamente incorrecto»: estende massa de biscoitos no chão da cozinha, contrariando as mais elementares regras de higiene. Entra na escola a trote de cavalo, faz orelhas moucas quando a professora lhe pede para não a tratar por «tu» e acaba por desestabilizar a aula com as suas respostas desconcertantes. Quando os bem-intencionados cidadãos da pequena cidade sueca onde vive decidem que o melhor será interná-la num lar para crianças, Pippi mostra a sua força hercúlea e pega nos polícias como se fossem caixas de fósforos.

E, depois, há essa questão incómoda relativa à ordem familiar: Pippi é órfã e vive sozinha, acompanhada por um cavalo e um macaquinho, o famoso Senhor Nelson. E acha uma maravilha, «porque assim não havia ninguém que a mandasse para a cama quando estava a meio de um jogo fascinante, nem que a impedisse de comer todos os chocolates que lhe apetecesse» (já estamos a ver várias testas franzidas…). Sardenta, de cabelos ruivos espetados, um par de meias altas às riscas e de cores diferentes, Pippi sobreviveu à normalização. Sorte dela. E nossa.”


(Texto integral publicado na edição de Maio da revista LER, sobre o clássico da escritora sueca Astrid Lindgren, que acaba de chegar numa nova tradução da Booksmile, ilustrada por Lauren Child.)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

IRMÃO LOBO BOBO

AMANHÃ E TODOS OS DIAS


ANTÓNIO MOTA É CANDIDATO AO PRÉMIO ALMA

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Homenageando a autora de Pippi das Meias Altas, o ALMA (Astrid Lindgren Memorial Award) foi criado em 2003 pelo governo sueco. Trata-se do prémio mais valioso ligado à escrita, ilustração e promoção da literatura infanto-juvenil: cerca de 542 mil euros. Valioso, também, no que toca ao prestígio, embora não tanto como o Andersen, considerado o "Nobel" para escritores e ilustradores deste campo literário. Depois da escolha para o Prémio Ibero-Americano, este ano, a DGLAB propôs a candidatura de António Mota, justificando assim a sua opção:


"António Mota é um dos mais prolíficos escritores portugueses para a infância e juventude. O caráter da sua obra tem a singular qualidade de ser ao mesmo tempo intemporal e universal. Não tendo o seu trabalho, pelo menos até ao momento, sido objeto de muitas traduções, razão que pode talvez encontrar-se na sua natureza mais permanente e duradoura, discreta e sensível, como as mensagens que, independentemente dos tempos, dos contextos, queremos eternizadas ao longo de todas as gerações, ao longo de todos os crescimentos de todas as crianças, é esta mesma qualidade que defendemos como universal e rara. Eis o motivo por que entendemos que a escrita de António Mota integra o espírito do ALMA."


(O Jardim Assombrado subscreve inteiramente e promete um ramo de flores silvestres a António Mota, se ganhar. Se não ganhar, também!)

sábado, 25 de maio de 2013

HOJE, LANÇAMENTO NA GALERIA MONUMENTAL


O Irmão Lobo passou pelo programa Liliput, de Sandy Gageiro (Antena 1). Ouvir aqui

Últimos uivos na blogosfera: 

"Não pode ser de leitura obrigatória porque todos sabemos que a obrigação contribui seriamente para matar a leitura. Mas, arrisco dizer, estará no top três dos livros infanto-juvenis de 2013. Irmão Lobo é avassalador na abordagem, na construção das personagens, na progressão narrativa." (O Bicho dos Livros)

"Irmão Lobo não é um livro para crianças, jovens de idade menor nem categoria nenhuma. Irmão Lobo é um livro para nós, maior e imensurável quando a pessoa é singular, reflexo da viagem das vísceras arteriais que ligam sempre, sempre ao coração." (Not quite sun, not quite the moon)

terça-feira, 21 de maio de 2013

33 ILUSTRADORES 33


Uma exposição com 33 ilustradores portugueses, comissariada por Jorge Silva e integrada no XV Festival do Clube de Criativos de Portugal, inaugura amanhã na Central Station (antiga estação dos CTT, ao Mercado da Ribeira, Lisboa). E nós a pensar que andava tudo meio morto. Único senão: só fica cinco dias. Ver no blogue Letra Pequena.

CURSO DO CNC EM DIFERIDO

O blog O Bicho dos Livros anda a seguir o curso do Centro Nacional de Cultura ("O Papel Histórico da Literatura Infanto-Juvenil"), orientado pela editora e escritora Rosário Alçada Araújo, e tem deixado extensos posts sobre a matéria dada. Sigamos o Bicho.

sábado, 18 de maio de 2013

PALAVRAS PARA QUE VOS QUERO


Quem esteve na abertura do 4º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil - Palavras para que vos quero, ontem de manhã, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett (Porto), não deu o seu tempo por perdido.  Durante cerca de uma hora, Jorge Silva, designer e director de arte, proporcionou uma breve lição de história da ilustração para a infância em Portugal, recolhendo exemplos do passado para ilustrar (literalmente) questões do presente. Falou, por exemplo, da mistura fascinante entre o registo erudito e o registo simples ("a simplicidade é puro engano"), protagonizada por um Bernardo Marques; da vantagem das edições em que ilustradores são também responsáveis pela concretização gráfica dos seus livros, já conseguida por Gabriel Ferrão ("um dos ilustradores mais mal-amados") para as populares colecções da Majora; ou da necessidade de estes se tornarem marketeers das suas próprias criações, divulgando o seu trabalho e a sua imagem, como já o fazia Ana de Castro Osório no início do século XX.

Depois de um dia dedicado à ilustração, sábado é reservado à escrita e aos escritores. A partir das 10h00, António Mota, Manuel Jorge Marmelo, Francisco Duarte Mangas, Ana Saldanha e Álvaro Magalhães vão passar pelo auditório da biblioteca, bem como a jardineira de serviço neste blogue. Valter Hugo Mãe já não vem. O programa pode ser consultado aqui.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

ONDJAKI GANHA O PRÉMIO FNLIJ



A Bicicleta Que Tinha Bigodes, de Ondjaki (Luanda, 1977), com ilustrações de António Jorge Gonçalves, ganhou o mais importante prémio literário brasileiro de literatura para crianças e jovens. Criado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil FNLIJ, secção brasileira do International Board for Young People (IBBY), teve a sua primeira versão em 1975. Publicado pela Caminho, o livro já tinha vencido o Prémio Bissaya Barreto de Literatura para a Infância, em 2012. Vale a pena rever o video do programa Ler Mais, Ler Melhor.

MAIS ALGUNS UIVOS RECENTES



«Ao contrário do que se possa supor, Irmão Lobo, editado pela Editora Planeta Tangerina, não é um livro infantil. Irmão Lobo é um livro sobre o amargo mundo dos adultos visto através da perspectiva fantasista e doce de uma criança.» Ler a crítica completa de Mário Rufino no Diário Digital, aqui.

O Irmão Lobo também passou pelo programa «À Volta dos Livros» (Antena 1), de Ana Daniela Soares… E ainda pelo «Escrever na Água» (RDP África), quase uma hora de conversa com a jornalista Fernanda Almeida. Ouvir aqui e aqui.

Adenda: ainda hoje, o Irmão Lobo foi "Livro do Dia" nas escolhas de Carlos Vaz Marques (TSF). Ouvir aqui.

'IRMÃO LOBO' ANDOU DE AVIÃO



«Escrevo este postal sentada entre as nuvens e a sueca - que agora tem um colar feito de almofada (juro que é verdade) e podia dizer que escolhi a refeição vegetariana porque é sempre certo que é a melhor nos aviões, ou porque é mais saudável, ou porque é menos um frango degolado; o que é certo é que a Miss Kitty teve grande influência sobre a minha escolha, não há como negá-lo.

Ela é a irmã que nunca tive e que procuro atabalhoadamente em cada uma das minhas amigas. O que vale é que o meu irmão é um belíssimo Fóssil, a minha mãe é uma Força da Natureza e o meu pai um Homem de Sol. Por isso, posso hoje ser uma Bolota feliz e, ao mesmo tempo, um furacão Blanche, o que é mesmo muito estranho.

Não perceberam? Pois é, terão de ler o livro.»

(Mas primeiro podem começar por ler o texto do blogue Prateleira-de-Baixo. Aqui.)

quarta-feira, 15 de maio de 2013

'A LEBRE DE CHUMBO' CONTADA EM VOZ ALTA

«Era uma vez um país onde não faltava nada.» Começa assim a A Lebre de Chumbo, um livro que eu e o Alex Gozblau fizemos para a colecção da APCC. A história está agora online no Cata-Livros, onde pode ser folheada e ouvida em voz alta, mas só até metade... Querem saber como é que acaba? Não digo.

OS PRIMEIROS PACTOS


Ser Amigo, de Ariana Pappini (Kalandraka), é um picture book excelente para crianças pré-leitoras, capaz de conciliar o apuro estético com a simplicidade do texto. À atenção dos educadores de infância.

terça-feira, 14 de maio de 2013

ESTE ALCE É NOSSO


Na colecção Orfeu Mini, chega o sexto livro de Oliver Jeffers, vencedor do Prémio Irish Book Awards 2012 (melhor livro na categoria Júnior).

sábado, 11 de maio de 2013

ENTREVISTA AO CATA-LIVROS


Parte I e Parte II.

NOVA BIBLIOTECA EM LISBOA



Depois da passagem pela Escola Secundária Padre António Vieira, do 10º ao 12º anos, e do regresso como moradora (de 2005 a 2009), não tenho dúvidas em afirmar que Alvalade está no meu Top 3 de Lisboa. Fico muito contente com a reconquista de uma nova biblioteca para o bairro, inaugurada no último Dia Mundial do Livro: a Biblioteca Municipal dos Coruchéus. Estou ansiosa por visitá-la.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

CURSO DE LIVRO INFANTIL BOOKTAILORS


- Já te inscreveste no Curso de Livro Infantil Booktailors?
- Não... ainda estou a pensar...
- Estás armada em ursa?

HOJE E NOS PRÓXIMOS DIAS


Começa hoje e prolonga-se até amanhã, na Biblioteca Municipal de Pombal, o XI Encontro de Literatura Infanto-Juvenil. Na Universidade do Minho, em Braga, prossegue o III Ciclo de Actividades em Literatura para a Infância e Juventude. E daqui a uma semana, no Porto, a Biblioteca Almeida Garrett recebe durante dois dias o 4º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil – Palavras Para Que Vos Quero, do qual em breve falaremos com pormenor. Cliquem nos links para saber os programas e escolham a geografia mais próxima.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

'IRMÃO LOBO' NO CRIA CRIA E NO PALÁCIO DA LUA



“Irmão Lobo” assume a dimensão de dupla viagem iniciática em flashback – a da criança que é obrigada a crescer por força das dificuldades vividas por uma família em violenta desagregação; a da adolescente que se torna adulta ao olhar para a infância. Unindo estas duas numa só voz, surge Malik, o cão-lobo, pelo de neve e olhos claros: a força, sabedoria, lealdade, o mestre, mentor e guia. Aquele que entende e aquele que acredita e que nos faz acreditar que é possível – o nosso Irmão Lobo. (Ler no Cria Cria)

"irmão lobo" é atravessado pelo desencanto e pela tristeza, discretamente reforçados com a ilustração de antónio jorge gonçalves e com a autora a colocar-se ao lado e não acima do seu leitor, sem falinhas mansas nem falsas moralidades.
suponho que os adolescentes agradecem essa franqueza. (Ler no Palácio da Lua)

... e ainda no blogue da Rede de Bibliotecas Escolares e no Bibliotecar (em actualização).

segunda-feira, 6 de maio de 2013

EMPREGOS PARA ESCRITORES


Adorava ter um emprego de restauradora de móveis antigos, jardineira ou cozinheira. Acredito que reflexão e trabalho braçal andam a par, e que as melhores ideias surgem quando não se pensa muito no assunto.

ENID BLYTON, A IMPASSÍVEL



Enid Blyton, sobre quem a Texto publicou recentemente uma biografia assinada por Alice Vieira, não era flor que se cheirasse. So what? À parte a minha fé (oscilante) no género humano, agrada-me que os escritores de livros para crianças possam revelar os mesmos defeitos de carácter que «os outros», habilitando-se unicamente a serem julgados no Supremo Tribunal da Literatura. Certo, certo é que a senhora Blyton escreveu mais de 700 livros, graças a um método de trabalho draconiano e a um patético alheamento da realidade, a começar pela família e a acabar no resto do mundo. Nos seus canhenhos pessoais de relatório & contas, escrevia assim, a 2 de Setembro de 1939: «Trabalhei o dia todo. Hoje a Alemanha invadiu a Polónia, por isso imagino que logo à noite estaremos em guerra.» Ler o artigo completo no The Guardian.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O LOBO FAZ-SE À ESTRADA



O Planeta Tangerina está a oferecer três exemplares do Irmão Lobo. Só têm de olhar para a ilustração do António Jorge Gonçalves e responder à pergunta «onde leva esta estrada?», num texto livre que não pode ter mais de 2000 caracteres. Sigam as instruções aqui.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

'IRMÃO LOBO' NO HIPOPÓMATOS NA LUA



«Um livro intenso, que nos desassossega e que, à semelhança do que Malik faz com Bolota, nos continua a seguir...». O blogue Hipopómatos na Lua pegou no Irmão Lobo e levou-o para o jardim. Vejam aqui.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

terça-feira, 30 de abril de 2013

CURSO DE LIVRO INFANTIL BOOKTAILORS


- Começa a 20 de Maio. Já o consigo ver ao longe...
- Onde? Onde?
- Aqui, olha.

(Fotografia gamada ao FB do João Villalobos. Eu, no Parque Yosemite, em 1902)

segunda-feira, 29 de abril de 2013

'IRMÃO LOBO' NO RUA DE BAIXO



«As ilustrações de António Jorge Gonçalves, num triângulo cromático entre o branco, o negro e o azul, retratam na perfeição o estado de melancolia presente da primeira à última página. Livro para crianças e adolescentes? Apenas meia verdade. “Irmão Lobo” é um livro tão bom que todos os crescidos deveriam ser obrigados a lê-lo.» Ler a crítica integral no Rua de Baixo.

sábado, 27 de abril de 2013

COLÔMBIA ME GUSTA


Listo! Aí estão as capas das edições colombianas do Não Quero Usar Óculos e Onde Moram as Casas, livros que inauguraram a linha infanto-juvenil da Taller de Edición Rocca. O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca (Planeta Tangerina) também foi editado pela mesma editora de Bogotá. Viva!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A LIBERDADE É UMA FLOR



Uma história para hoje e sempre: O Rapaz da Bicicleta Azul, de Álvaro Magalhães (texto) e Marta Madureira (ilustrações). «Dedicado à memória do capitão Salgueiro Maia, que, um dia, colheu para todos nós a flor da liberdade.» Foi há 39 anos.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

CITY-BREAKS: BOGOTÁ



A partir de hoje e até dia 22 de Abril, estarei do outro lado do Atlântico, na capital da Colômbia, para participar como escritora convidada da 26ª edição da Feira do Livro de Bogotá - FILBO 2013, onde Portugal é o país convidado. Vejam aqui.

AMANHÃ


Apresentação do novo livro do Planeta Tangerina, uma surpresa para quem tem medo da matemática: Tantos Animais e Outras Lengalengas de Contar, de Manuela Castro Neves (texto) e Yara Kono (ilustração).

terça-feira, 16 de abril de 2013

DONAS DE CASA DESESPERADAS



Com Branca de Neve e suas Irmãs chega ao fim uma das melhores colecções que já pode servir como referência para os arquivos do futuro. O sétimo e último volume incide sobre três tipos de contos de fadas estreitamente ligados: A Bela Adormecida, Branca de Neve e A Menina que Busca os Seus Irmãos. Francisco Vaz da Silva (antropólogo, professor universitário e investigador) seleccionou, traduziu e comentou. Da nota de imprensa do Círculo de Leitores/Temas e Debates, que também está de parabéns por esta edição:

«Enquanto A Bela Adormecida realça um cenário de encantamento na puberdade, Branca de Neve salienta a dimensão subjacente de rivalidade e transição entre mulheres e A Menina Que Busca os Seus Irmãos articula os temas do sangue púbere, da rivalidade feminina e da consanguinidade à luz do esquema condutor da transição de uma jovem entre laços de sangue e relações de aliança.»

Numa palavra: indispensável.

TERTÚLIA DE PRIMAVERA


Em Abril, a habitual tertúlia à volta do livro infantil promovida pela Bulhosa de Campo de Ourique (e especialmente por essa livreira tão especial que é a Ana Rita Fernandes) tem como tema a Primavera. Mostrar livros, ver livros, conversar sobre livros… É já na próxima quinta-feira, dia 18, pelas 18h30. Com ou sem livros a tiracolo, todos são livres de aparecer.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

AUTO-AJUDA PARA CRIANÇAS?



Não tenho nada contra os livros de auto-ajuda, embora a designação me soe mais apropriada para uma empresa de reboque de automóveis. Termos equivalentes, como «espiritualidades» ou «desenvolvimento pessoal», são igualmente ambíguos, o que diz muito sobre as limitações da nossa linguagem e a extensão dos nossos preconceitos. Neste aspecto, a inteligentsia tende a funcionar como as cartomantes: adivinha pela chancela. As memórias de Auschwitz escritas por Primo Levi são literatura, mas o best-seller do psicoterapeuta Viktor E. Frankl (O Homem em Busca de um Sentido), passado na mesma altura, já é outra coisa. Os estudos do comportamento animal por Konrad Lorenz não provocam a mesma desconfiança que o ensaio de Mark Rowlands (O Filósofo e o Lobo) sobre a sua longa convivência com um lobo. Alunos universitários não percebem Piaget, mas ai do professor que lhe recomende O Elemento, de Ken Robinson.

Denegrir estes livros apenas porque não são literatura é de uma desonestidade intelectual a toda a prova – precisamente porque a maior parte não pretende passar por literatura. Havendo de tudo, desde o muito bom ao execrável, como em qualquer área editorial, resisto apenas ao uso da expressão «auto-ajuda para crianças». Parece-me um contra-senso atribuir às crianças a capacidade de se «auto-ajudarem», fazendo metalinguagem sobre os seus problemas – a morte de um familiar, o divórcio, o abuso sexual, o bullying, etc. Muitos desses livros (os bons, pelo menos) falam de comportamentos, emoções, fenómenos sociais, questões filosóficas, humanidades, criatividade, valores… Porque não chamar as coisas pelos nomes?

A tentativa de juntar os dois géneros que mais vendem – a auto-ajuda e o infanto-juvenil – resulta nestes rótulos descabelados. Há pouco, vi no facebook o anúncio de um workshop de «empreendedorismo para bebés». Que será isso? Os primeiros dentes associados ao espírito de iniciativa? Lápis de cor e a gestão do risco? Cocó na fralda e o negócio da compostagem? É um mundo louco. Chamem o reboque do bom senso.

(Texto de opinião publicado na revista LER nº 123, na rubrica «Boca do Lobo»)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

APRESENTO-VOS O 'IRMÃO LOBO'



Com o país em estado de sítio e o mundo de olhos postos num tarado que brinca às guerras, há um certo pudor em manifestar alegria. Mas não devia ser assim, porque isso é fazer o jogo de quem nos quer ver frágeis e oprimidos. Portanto, aqui vai: tenho um livro novo e não podia estar mais contente. Porque tem a chancela do Planeta Tangerina e porque foi ilustrado pelo António Jorge Gonçalves, que acreditaram nele mesmo quando só tinha dez páginas. Foi uma das provas de generosidade mais importantes que já tive e estou-lhes profundamente grata.

Irmão Lobo. Esta história começou a formar-se na minha cabeça em Outubro de 2010, pouco antes de partir para a residência da DGLB, em Can Serrat, Barcelona. Ao longo de um ano e meio fui tomando notas e deixando que as personagens entrassem na minha vida – aliás, sempre lá estiveram. Malik, Alce Negro, Blanche, Fóssil, Miss Kitty, Bolota, Kalkitos: são todos uma parte de mim e da minha família mais íntima, real e imaginária.

Escrevi-o durante o último Verão, em estado de absoluta entrega, aproveitando uma fase de pouquíssimo trabalho jornalístico. Dantes, o Verão costumava ser bom para os freelancers; já não é. Mas há males que vêm por bem.

É um «romance juvenil»? Digamos que sim, para facilitar. Eu preferia que o lessem sem essas baias. É um romance deste tempo terrível que andamos a viver, isso sem dúvida. É também um romance on the road, em parte. A história de uma família que se desagrega pela falta de dinheiro e de sentido, contada a duas vozes alternadas: uma, quando a protagonista tem 15 anos; a outra, aos oito, num flash-back que recorda a estranha aventura passada na infância, em viagem por um país consumido pelo fogo. A abrir, versos do grande Johnny Cash, Ring of Fire. Porque acredito na imortalidade do rock'n'roll.

Espero mesmo que gostem. Era só meu. Agora, é vosso.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

'AINDA FALTA MUITO?' NO CATA-LIVROS



A equipa do Cata-Livros fez um trabalho excelente com o Ainda Falta Muito?, explorando muitas das pistas que o livro deixa em aberto. No site, pode ser folheado do princípio ao fim, acompanhado pela leitura em voz alta do sonoplasta e contador João Condeixa. Há também muitos jogos e um passatempo a que os leitores podem responder até 5 de Maio. E ainda a primeira parte de uma entrevista presencial onde falo sobre algumas das minhas brincadeiras de infância e outras coisas. Está tudo aqui, no Salão Salamaleque, e para quem não está familiarizado com o percurso... basta ir clicando.

VI PRÉMIO INTERNACIONAL COMPOSTELA


Mariana Ruiz Johnson (Buenos Aires, 1984) venceu o VI Prémio Internacional Compostela para álbuns ilustrados, no valor de 9000 euros. A obra Mamã foi considerada a melhor entre as 374 a concurso, provenientes de 21 países. Esperemos que chegue cá depressa.