segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Ó VERÃO, VOLTA PARA TRÁS


Hortas Aromáticas, uma edição Dinalivro, apresenta-se como um livro para «os dias longos de Verão», sendo já o terceiro da dupla Fernanda Botelho/Sara Simões. Nestes dias em que o sol e o calor resolveram refrear a chegada do Outono, apetece mesmo pegar nele. Da autora do texto e do seu blogue, Malva Silvestre, já tínhamos falado aqui; faltou lembrar que Sara Simões, especialista em ilustração científica, tem também um blogue, Velhadaldeia.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

OS GRIMM NA BOCA DO LOBO


Lembram-se de ouvir as histórias dos Irmãos Grimm na TSF? Foi o ano passado, por ocasião das comemorações dos 200 anos da primeira edição alemã. Em parceria com o IELT, a editora Boca reuniu em audiolivro 35 contos, naquele que é o quinto projecto da colecção HOT - Histórias Oralmente Transmissíveis. António Fontinha, Cristina Taquelim, Maria Morais, Rodolfo Castro e Thomas Bakk, contadores de histórias da melhor cepa, dão a voz ao manifesto, enquanto a bela capa é assinada por José Feitor. A primeira apresentação pública acontece este domingo, 6 de Outubro, no Porto, durante a Festa de Outono da Fundação de Serralves. Mais tarde, a 26 de Outubro, Lisboa também terá direito ao seu quinhão de contos, desta feita na Biblioteca Municipal de São Lázaro, que está festa de 130º aniversário. Toda a informação no blogue da Boca e o «era uma vez...» da Branca de Neve para escutar aqui.  

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

LER DE OUTUBRO


Já saiu a Ler deste mês. Nas «Leituras Miúdas», falo do novo livro de Álvaro Magalhães, O Senhor Pina (Assírio & Alvim), uma pequena maravilha para nos alegrar o Outono. Na secção «Wendy no Divã», o paciente é o Lobo Mau, esse vilão sempre sedutor. Ainda as respostas do ilustrador Alex Gozblau para o «Scrapbook» e a coluna das reclamações «Efeito Sombra». Boas leituras!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

OS LIVROS DIFÍCEIS


O Meu Pai Está Desempregado (Máquina de Voar) é um livro que arrisca e sai a ganhar. Não é fácil abordar temas difíceis sem ceder à moral do panfleto ou cair na lamechice. Imagino o quanto se retorceram os estômagos das autoras ao serem «entrevistadas» por apresentadores deste calibre, no Correio da Manhã TV. A «Tia» Maya e mais um rapaz cujo nome ignoro, graças a Deus, desconheciam o livro até ao momento em que a produção o deixou sobre a mesa e não o tinham lido, nem sequer por alto. Proferiram meia dúzia de patetices que não justificam o salário que auferem. A «Tia» Maya diz que não é fácil lidar com pais que são figuras públicas e sugere que o próximo livro da colecção O que fazem os pais? seja sobre «apresentadores». Tremo só de pensar. Jornalistas da Lusa, Carla Jorge e Irina Melo, autoras do texto (a ilustração é de Catarina Correia Marques), falaram nos poucos minutos que escaparam aos egos vorazes dos ditos apresentadores-figuras-públicas. Deixaram a ideia de que pode ser «um livro difícil de oferecer» a uma criança cujo pai ou mãe estejam desempregados. Mas isso, obviamente, não é um defeito.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

WENDY NO DIVÃ: O CHAPELEIRO LOUCO



Com a recente mudança gráfica e editorial da revista LER, também as «Leituras Miúdas» sofreram uma reviravolta. Menos crítica, menos texto, menos páginas, como em toda a revista, mas algumas novas secções que me estão a dar muito gozo escrever. «Wendy no divã» é uma delas. Onde se fala das perturbações mentais e casos patológicos dos personagens da literatura infanto-juvenil (e são quase todos!). Noblesse oblige, coube ao Chapeleiro Louco abrir as hostilidades. Para a semana, chega o Lobo Mau.


Chapeleiro Louco 
É um caso grave de psicose partilhada, talvez originada pelo abuso de chá. Não há remissão possível para quem tenta reparar um relógio com manteiga.

A expressão «louco como um chapeleiro» já existia antes de Lewis Carroll ter escrito o capítulo sete de Alice no País das Maravilhas. Contudo, os sintomas patológicos causados por intoxicação com mercúrio, metal outrora usado na confecção de chapéus, não coincidem com o quadro clínico psicótico do Chapeleiro Louco. É muito possível que tenha sido inspirado na figura de Theophilus Carter, um comerciante excêntrico, contemporâneo de Carroll, que inventou um relógio de cabeceira com sistema de alarme. Tal explicaria a obsessão do personagem com o tempo e a hora do chá: «Agora são sempre seis horas», diz, deixando Alice à beira de um ataque de nervos. Com a Lebre de Março e o Arganaz, companheiros de delírio, é um caso evidente de folie à trois, ou psicose partilhada. Proferiu um enigma esfíngico, exemplar do espírito nonsense: «Em que é que um corvo se parece com uma escrivaninha?» Desde a publicação do livro, em 1865, surgiram inúmeras respostas. O Chapeleiro ri-se.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

NO LABORATÓRIO COM RODOLFO CASTRO



Recomendo este Laboratório de Contadores de Histórias do Rodolfo Castro porque já o fiz. Aprendi muito – não só com o Rodolfo mas com todo o grupo – aspectos importantes da selecção e adaptação dos contos às exigências do contar, e sobre como podemos trazer à superfície o que é próprio de nós, da nossa forma de nos movimentarmos no mundo e da maneira como o comunicamos. Foram horas muito enriquecedoras e muito bem passadas – e não importa se se é um contador experimentado ou apenas um curioso na matéria. Vai acontecer em Lisboa, na Biblioteca Camões, aos sábados, das 10h00 às 17h00, nos dias 12 e 26 de Outubro e 9 e 23 de Novembro. Informações e inscrições pelo email habitantedoconto@gmail.com.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

LOBO E KARATECA VÃO ATÉ AVEIRO


Na próxima sexta-feira, às 18h00, o Lobo encontra-se com a Karateca, na livraria Gigões & Anantes (Aveiro). Vai ser uma luta renhida entre duas espécies diferentes ou, pelo contrário, descobrirão que podem entrar no mesmo programa BBC Vida Selvagem? Isabel Minhós Martins, editora do Planeta Tangerina, também estará presente neste encontro inédito entre o Lobo e a Karateca! Não percam!

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ELAS CONTAM COM ELAS

 
Mais uma iniciativa da Fundação José Saramago, em parceria com a editora Boca – palavras que alimentam: sessões bimestrais de contadores de histórias com entrada livre (nos limites da lotação da sala). A primeira acontece hoje, na Casa dos Bicos, às 18h30. Ana Sofia Paiva, Cláudia Fonseca e Cristina Taquelim abrem as hostilidades. Ver aqui os pormenores.

NOVIDADES NA ORFEU MINI



O primeiro livro de Oliver Jeffers, How to Catch a Star, publicado em 2004, chega agora à colecção Orfeu Mini para fazer companhia aos outros seis títulos do autor. E chega também um livro de grande formato que vai pôr toda a gente a contar pinguins...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

NOVA PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA INFANTO-JUVENIL


A Escola Superior de Educação Jean Piaget, em Almada, vai abrir este ano a Pós-Graduação em Literatura Infanto-Juvenil, com duração de um semestre. Se tudo correr conforme o previsto, farei parte de uma excelente equipa. Encontram o link com o plano de estudos aqui.

Informações e inscrições:
dir.ese.almada@almada.ipiaget.org
Secretariado: Isabel Cruz
Tel. 21 294 62 60

ou

Doutora Paula Pina
ppina@almada.piaget.org
Tel. 21 294 62 50 (ext. 300, gabinete B8)

NOVO LIVRO NA TCHARAN


Com texto de Adélia Carvalho e ilustrações de Marta Madureira, O Rei Vai à Caça é o novo livro da editora Tcharan. Por enquanto é o que podemos dizer... e sabe a pouco. Quem puder ir ao lançamento, este sábado, no Porto, vai com certeza ficar a saber de tudo e ainda ter direito a ver as ilustrações originais em exposição na Papa-Livros (clicar no convite para saber pormenores). 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

ETERNA BIBLIOTECA, ETERNOS LEITORES

Pelo que percebi, foram unânimes as opiniões quanto à qualidade e critério do 11º encontro ETerna Biblioteca, que aconteceu sexta-feira e sábado, em Sintra. Eu também adorei estar presente. De cima para baixo: atelier «As Cozinheiras de Livros» de Margarida Botelho, pelo Teatro de Marionetas Valdevinos; Raquel Camacho, uma das responsáveis pela organização, junto à Cabeçudos - Livraria Itinerante; conversa à volta do tema «A importância da biblioteca na minha vida», com Valério Romão (escritor), Mariana Norton (actriz e cantora), Nuno Costa Santos (escritor e argumentista), Rui Andrade (Livraria Cabeçudos) e aqui a "je", ao meio, na moderação; atelier «Dançando com as palavras», de Lucrécia Alves. As fotografias são de Pedro Tomé e roubei-as à página da ETerna Biblioteca no Facebook.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

domingo, 15 de setembro de 2013

GRANDES VERDADES À DISPOSIÇÃO NO FACEBOOK


«Um bom sofrimento é terapêutico.» Ouvi esta frase há um ror de anos, num programa de rádio que Fernando Alves, jornalista da TSF, mantinha com o psicanalista Carlos Amaral Dias. Ficou-me para sempre. Na altura, tinha um namorado meio pateta que se riu ao ouvir aquilo («Que estupidez. Como é que um sofrimento pode ser bom?»). Mas um sofrimento pode ser bom quando é sincero, autêntico, from the guts; aí, não só é bom como necessário, porque pior do que tudo é esse fazer de conta como modo de vida. Morre-se disso e nem sequer se sabe. Custa-me a crer que aqueles humores atirados de repente para o Facebook, à espera de palmadinhas nas costas ou comentários cínicos, sejam sofrimentos autênticos, porque «um bom sofrimento» reserva-se, não se partilha com toda a gente nem se consola com tão pouco. O Tom Waits tem razão. O mundo pode ser um lugar terrível - e muitas vezes é -, mas precisamos de ser os melhores editores dos nossos sofrimentos. Sempre.

sábado, 14 de setembro de 2013

UMA ÁRVORE COM MUITAS FOLHAS



Hoje à tarde, em Sintra, quase a fechar o 11º encontro ETerna Biblioteca, tive o gosto (muito gosto, mesmo) de moderar uma conversa sobre "a importância da biblioteca nas nossas vidas". Lá estiveram os escritores Valério Romão e Nuno Costa Santos, a cantora e actriz Mariana Norton, e Rui Andrade, um dos responsáveis da Livraria Cabeçudos, também presente em formato itinerante (por esta hora, talvez ainda esteja estacionada junto ao Palácio da Vila. Foi ele quem nos apresentou este pequeno video de cinco minutos, realizado em associação com o Agrupamento de Escolas de Aviz. Onde aparece este miúdo entusiasta, que às tantas diz: "A imaginação é uma árvore com muitas folhas" (gestos alusivos a acompanhar). Maravilha. Vejam.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

PRÉMIO MARIA ROSA COLAÇO 2012


Conceição Dinis Tomé ganhou o Prémio Maria Rosa Colaço 2012, atribuído pela Câmara Municipal de Almada (dedicado à modalidade de literatura juvenil, nesta edição). Passado na ultrajante Alemanha de Hitler, O Caderno do Avô Heinrich foi agora lançado pela Editorial Presença. Um breve relance - porque ainda não houve tempo para mais - sugere-nos uma escrita limpa e um pensamento amadurecido. Promete. Para quem quiser saber mais sobre a autora, deixo um excerto do press:«Conceição Diniz Tomé nasceu em Vila Nova de Famalicão, em 1970. Formou-se no ensino de Português-Francês e atualmente é professora bibliotecária no Agrupamento de Escolas Viseu Sul. É autora dos contos infantis A Lua e o Pirilampo (2003) e História do Rapaz Que Se Tornou Fazedor de Estrelas (vencedor do Concurso de Literatura Infanto-Juvenil/Prémio Centro Cultural do Alto Minho, em 2009). Colaborou na antologia Histórias para Um Natal (2004) com o conto Manhã de Natal».

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

UM LIVRO É UMA PORTA ABERTA


«Um livro é uma porta para dentro de ti mesmo.» Ilustração de Paulo Galindro para o 11º encontro ETerna Biblioteca, amanhã e depois, em Sintra. Vou estar aqui.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

NO CENTENÁRIO DE ILSE LOSA


A Biblioteca Nacional inaugurou esta semana uma pequena mostra bibliográfica de Ilse Losa (n. Bauer, 20 de Março de 1913), escritora de origem alemã e ascendência judia que se fixou em Portugal em 1934, até falecer no Porto a 6 de Janeiro de 2006. Tradutora do Diário de Anne Frank, mundo opressor que conheceu de perto, Ilse Losa experimentou quase todos os géneros, tendo sido reconhecida pelo seu contributo para a literatura para crianças com o Prémio Calouste Gulbenkian de 1984. O Mundo em que Vivi (Maranus, 1949), Beatriz e o Plátano (Asa, 1976) e Silka (Livros Horizonte, 1984) são livros incontornáveis e de uma beleza desassombrada, que não envelheceram nem um pouco. Escrita «de sobressalto», disse-o Vitorino Nemésio. A exposição prolonga-se até 16 de Novembro. Ver mais aqui.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

RENTRÉE 2013: ALGUMAS NOVIDADES




Já falei aqui da reedição da História da Égua Branca, mas ontem soube do próximo título a publicar na colecção Assirinha (Assírio & Alvim). E promete! Trata-se de uma homenagem de Álvaro Magalhães ao seu grande amigo Manuel António Pina, ilustrada por Luiz Darocha, aqui num registo totalmente diferente de A Princesa e a Loba, de Ana Folhadela, também editado pela A&A. Segundo o comunicado de imprensa: «O Senhor Pina é um conjunto de dezasseis ficções que erguem um retrato íntimo, sensível e muito bem-humorado do poeta Manuel António Pina, desde o seu modo peculiar de olhar e viver a vida e a literatura até à sua relação com Joanica-Puff, o Urso com Poucos Miolos que ele tanto admirava.» Outra novidade apetecível, de que falarei mais tarde com o devido pormenor, é Trocado Por Miúdos, um projecto editorial em que especialistas reconhecidos de muitas áreas (com destaque para as Ciências) respondem a perguntas feitas por crianças portuguesas entre os 6 e os 12 anos. Last but not least, aí está o segundo volume da segunda série da colecção Cherub, que já saiu em final de Agosto mas que também faz parte das novidades da Porto Editora para esta rentrée.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

BIBLIOTECAS DO NOSSO CONTENTAMENTO


De amanhã a oito, 13 e 14 de Setembro, começa o 11º Encontro de Professores e Educadores do Concelho de Sintra sobre Bibliotecas Escolares, mais conhecido por ETerna Biblioteca. As actividades dividem-se entre o Hotel Tivoli Sintra e a Biblioteca Municipal - Casa Mantero. As inscrições são gratuitas (aqui) e o programa é o que podem ver acima (e também no Facebook). Like, like, like.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

HISTÓRIA DA ÉGUA BRANCA POR CRISTINA VALADAS



No início, parece uma história de matriz tradicional, seguindo o modelo do pai que reparte a herança entre três filhos e deles espera as provas necessárias. Só que, a caminho do final, Eugénio de Andrade imprimiu-lhe uma crueza de linguagem e um volte-face moral que tornou o texto algo difícil (ou «desafiante», como agora se diz) de ilustrar. A História da Égua Branca é reeditada pela Assírio & Alvim, agora com ilustrações de Cristina Valadas, chegando às livrarias esta semana. Ainda não a vimos, mas estamos curiosos para comparar com a anterior edição da Campo das Letras, ilustrada por Joana Quental.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

HEIDI OU ADELHEID


Ainda a propósito de reedição de Heidi pela Booksmile, compare-se com esta edição dos anos 1970 da colecção Histórias, colecção essa que tinha a particularidade de incluir páginas de banda desenhada, um atalho para leitores mais apressados (ou gulosos). As traduções, manhosas q.b., usavam como base adaptações em castelhano da Editorial Bruguera; mas isso não era relevante, face ao atractivo das imagens. Por falar em manha, talvez o leitor não saiba que existe uma polémica - por resolver - em relação à autoria de Heidi, desde que um investigador alemão descobriu um livro de 1830 intitulado Adelheid, das Madchen von Alpenbirge, a história de uma menina chamada Adelaide (Heidi é diminutivo) que também vive nos Alpes. O caso remonta a 2010 e, desde então, debate-se a originalidade da criação de Johanna Spyri; ou seja, falou-se de «plágio» e da hipótese de Heidi ter nacionalidade alemã. Também, querem ter tudo...

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A VOZ DOS DRAGÕES



«Aqueles que se recusam a ouvir a voz dos dragões estão condenados a viver os pesadelos dos políticos. Gostamos de pensar que vivemos à luz do dia, mas metade do mundo está sempre na escuridão; e a fantasia, tal como a poesia, fala a linguagem da noite.» 

Ursula K. Le Guin

A MONTANHA MÁGICA



 "Da simpática aldeia de Maienfeld parte um caminho que atravessa prados verdes recobertos de árvores e vai dar ao sopé das montanhas, que lá do alto olham, imponentes e sérias, este lado do vale." Começa assim a história de Heidi, personagem criada por Johanna Spyri (lê-se "espirr") que a geração dos quarentas conheceu através da televisão, com a série homónima transmitida na RTP em meados dos anos 1970. A editora Booksmile presta um serviço aos leitores com esta nova tradução do original em língua alemã (a versão inglesa pode ser lida integralmente no site do Projecto Gutenberg), que surge no seguimento da publicação recente de outro clássico, Pippi das Meias Altas. Mais: respeitou-se a divisão da história em dois volumes, tal como tinha sido dada à estampa em 1880, e até o subtítulo da mesma época: "Uma história para crianças e para quem gosta de crianças". Embora as ilustrações de capa - da autoria de Rita Antunes - apontem claramente para o leitor actual, a tradução não surge nessa irritante versão digest dos "novos" livros de Os Cinco, Os Sete e outras obras de Enid Blyton, que são uma sensaboria para quem os leu no tempo da outra senhora. Valha-nos isso. Na sua idealização romântica da infância e da vida ao ar livre, antídotos contra as doenças da alma (Avô) e do corpo (Clara), o regresso de Heidi parece-nos muito, muito saudável.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

NOVIDADES DA OQO


OK, já não serão bem novidades, visto que o email chegou em fins de Julho... Mas há apenas um Verão por ano e os leitores mais fiéis dos Jardim Assombrado concordarão que viver não é (só) cumprir obrigações e rotinas. Invocando a vossa magnanimidade, senão clemência, regresso ao blogger com dois bons livros anunciados pela editora OQO: Os Sete Irmãos Chineses, um texto tradicional ilustrado por André da Loba e adaptado por Rodolfo Castro (mais conhecido como contador de histórias, et pour cause). Também de matriz tradicional, com raízes no Burkina Faso, chega-nos Árvores no Caminho, com texto de Régine Taymond-García e ilustrações de Varina Starkoff, sobre o qual se diz: « A árvore vermelha é o mogno africano (Khaya senegalensis), sob a qual se reúnem os sábios para tomar decisões. É conhecida como a árvore da palavra.»

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

PÓS-GRADUAÇÃO EM LIVRO INFANTIL EM B-LEARNING



Em 2009, tive a sorte de fazer parte de um grupo de alunos - mais de vinte - que concluíram o primeiro ano do curso de Pós-Graduação em Livro Infantil da Universidade Católica Portuguesa, lançado por iniciativa de José Alfaro e Dora Batalim. Foi um passo fundamental para a legitimação académica de um campo do sistema literário há muito carecido de credibilidade (a culpa tem as costas largas e não vale a pena entrar por aí...). Teve defeitos? Com certeza. Desde logo, porque foi o primeiro; e esse mérito e coragem implicam uma dose de risco que cabe a cada um gerir, na medida das suas expectativas. Perguntaram-me muitas vezes se «recomendava», se «achava bom» e «se valia a pena». Tentei esquivar-me com a mesma souplesse que reservo aos conselhos amorosos: simplesmente, não dou. Cada um que faça o seu caminho; de pouco serve a experiência alheia em matérias do coração. Porque é disso que se trata, resumindo: livros e amor aos livros. O que posso dizer, com toda a certeza e honestidade, é que nunca me arrependi de ter feito este curso - entretanto revisto e aumentado nos anos seguintes. Os nomes do actual corpo docente são do melhor que temos, isso também o garanto: pessoas esclarecidas, com muita experiência nas suas áreas, e um olhar contemporâneo que se foi aperfeiçoando. Foi importantíssimo para o meu itinerário profissional e pessoal. Entretanto, não sei se por culpa da «crise» se por necessidade metodológica, o curso passou este ano do regime presencial para o regime de b-learning; o que também corresponderá aos desejos de muitas pessoas que não residem em Lisboa. Parece-me uma excelente opção. Como vai funcionar nesta nova modalidade, não sei. Ninguém sabe. Informem-se, reflictam, decidam, pensem pela vossa cabeça. De resto, está tudo aqui muito bem explicado.As candidaturas decorrem até 11 de Outubro.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

ILUSTRAI-VOS!


Ilustradores de todo o mundo: até 30 de Setembro podeis enviar três das vossas melhores ilustrações para o edifício da Central Tejo, Lisboa, Portugal. O regulamento está todo aqui.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

ANDEI NO CARROSSEL COM O CRIA CRIA


No Verão passado, o blogue Cria Cria teve a ideia de convidar algumas pessoas do meio editorial a deixarem as suas sugestões lúdicas, literárias, musicais e outras que tais. Faço parte dos reincidentes deste ano. Yoga para crianças, um livro sobre jardinagem e outro sobre "Os Cinco" são três coisas boas que me apraz recomendar. É só clicar para saber mais.

domingo, 21 de julho de 2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

DOMINÓ DAS CASAS


Passei os últimos meses obcecada com a lembrança deste dominó da minha irmã mais nova, um dos jogos mais memoráveis da nossa infância; não tanto pelo jogo em si, mas pela possibilidade que me dava de imaginar mundos diferentes e arranjar casamentos improváveis entre as figuras. A cigana com o cowboy. O italiano com a romena. O inglês com a bretã. O índio com a cambojana. E depois havia as palavras raras, que eu saboreava como um mistério à minha medida: «cubata malgaxe», «isba russa», «coliba romena», «sampana chinês», «choça marroquina»... Ficou-me na ideia a graciosidade bamboleante da rapariga taitiana e a arquitectura robusta das casas do norte da Europa. Ainda hoje, quando fecho os olhos, parece que sinto o cheiro da relva que cobria o telhado do chalé sueco. Como devia ser bom fazer crescer flores mesmo por cima dos nossos sonhos.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

DO BOM USO DO TEMPO



Mais dois livros informativos que vale a pena conhecer. De Fernanda Botelho, com ilustrações de Sara Simões, Salada de Flores e Sementes à Solta são um convite às primeiras descobertas sobre botânica, alimentação e medicinas naturais, temas amplamente divulgados no blogue da autora: Malva Silvestre.

HISTÓRIA INTERMINÁVEL


Especialmente para miúdos em «idade enciclopédica» (8-10 anos), aí está um novo título da colecção O Mundo que nos Rodeia (ed. Texto), um dos melhores exemplos de livros informativos ilustrados que por cá se publicam. Na mesma colecção: A História das Invenções, A História da Pintura, A História da Ciência e A História da Astronomia e do Espaço.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

DE FÉRIAS COM O PATO LÓGICO


Estão em preparação acelerada as actividades à volta do livro Mar, de Ricardo Henriques (texto) e André Letria (ilustrações e design). O nosso satélite meteorológico adverte que uma semana de férias com a Pato Lógico faz bem à saúde. Toda a informação aqui.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

GRANDE MUNDO


O Mundo num Segundo, uma das primeiras obras do catálogo do Planeta Tangerina, acaba de ser reeditado num formato maior do que o original publicado em 2008 (um quadrado com cerca de 15 cm de lado), permitindo assim uma apreensão mais fácil dos infinitos pormenores destes cenários multiqualquercoisa. É uma reedição há muito esperada e que agradará à maioria, sobretudo a bibliotecários e promotores da leitura, a braços com a dificuldade de o mostrar "ao longe". Numa altura em que existe um certo fenómeno de "o rei vai nu" à volta da ilustração disforme e esgrouvinhada, é um prazer reencontrar estas páginas tão bem desenhadas por Bernardo Carvalho. Ouçam-no, juntamente com Isabel Minhós Martins (autora do texto) neste pequeno video do Letra Pequena.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O TAPETE MÁGICO


Desconhecida do comum dos leitores, a força da ilustração iraniana já não surpreende, pelo menos, quem vai regularmente à Feira do Livro Infantil de Bolonha. Mas a singularidade de O Jardim de Babai deve-se mais à sua riqueza interpretativa do que ao convite a um olhar exótico, patente na edição bilingue (português e persa) e na possibilidade de leitura em sentidos contrários. Tal como uma tecelagem que se faz e desfaz, pegando por um fio ou por outro, o que encontramos no âmago desta belíssimo livro é, acima de tudo, uma reflexão sobre a integridade do ser. No centro do jardim que é também um tapete – dois símbolos antiquíssimos da ordem e da proporção –, está sempre a mesma figura concêntrica de Babai (sinónimo infantil para “cordeirinho”), ela própria desenhada como um jardim e um tapete. Filha de mãe belga e pai iraniano, Mandana Sadat (Bruxelas, 1971) recorre à iconografia islâmica, onde se destaca a geometria simbólica do número quatro e os elementos sagrados da natureza rodeando o centro. “Depois de muito procurar, encontrei esta parcela de terra soalheira junto a uma nascente”, diz Babai. E assim começou a cultivar o seu jardim.

O Jardim de Babai 
 Mandana Sadat
Tradução de Dora Batalim
Bruaá

(Texto publicado na edição 126 da revista LER.)

sexta-feira, 21 de junho de 2013

RIDERS ON THE STORM



Na última Feira do Livro de Lisboa, comprei, ao preço da chuva, meia dúzia de edições originais da Abril, editora brasileira que nos anos 70 publicava a banda desenhada do nosso contentamento. Zé Carioca, O Pato Donald, Mônica, Cebolinha, Os Monstrinhos, Luluzinha, Disney Especial... Achei até uma raridade de 1976: uma banda desenhada de Li’l Abner, o hillbilly americano criado por All Capp durante a Grande Depressão, que chegou cá com o nome Ferdinando Buscapé (quem se lembra?).

Emocionante, mesmo, foi reencontrar algumas páginas de publicidade que naquele tempo mostravam que o Brasil já estava muito à frente, enquanto nós gramávamos os anúncios da margarina Planta. Esta, dos jeans Staroup, era absolutamente fascinante, na sua sugestão de liberdade e sensualidade inocente (ou não) que por cá só encontrava paralelo – numa perspectiva didáctica – na famosa Enciclopédia da Vida Sexual, da Verbo. Imagino que as doutas consciências a achem politicamente incorrecta, tal como o slogan: “Agora criança também pode.” Para mim, foi todo um imaginário que se acendeu.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

RAINHA TODOS OS DIAS



Embora atrasada, eu sei, não quero deixar de lembrar que a primeira edição do Prémio Manuel António Pina, criado este ano pela editora Tcharan, foi para o livro A Rainha dos Estapafúrdios, de José Eduardo Agualusa (texto) e Danuta Wojciechowska (ilustrações). Parabéns a ambos! Aqui fica a crítica que escrevi para a LER aquando da publicação:

«Uma das premissas dos contos tradicionais é que «os maus não são tão maus como parecem, e os bons são bem piores do que se pensa» (Maria Teresa Meireles). É esse o ponto de partida de A Rainha dos Estapafúrdios, história de uma perdigota «gorducha e desajeitada» que consegue livrar-se do estigma de Patinho Feio e encontrar o seu lugar fora do ninho familiar. Como? Com astúcia, coragem e muita bazófia, tal e qual o Gato das Botas. Os conflitos e as provas dos contos repetem-se, mudando apenas cenários e personagens; aqui, o campo dá lugar à savana, e a hiena e o leão substituem o urso ou o lobo. À estrutura narrativa de base, José Eduardo Agualusa acrescenta um olhar próprio, poético e cheio de humor, isso que seduziu os leitores do (já longínquo) Estranhões e Bizarrocos. As cores quentes e os padrões africanos encontram o seu elemento nas ilustrações de Danuta Wojciechowska, contribuindo para fazer deste livro um encontro feliz.»

A Rainha dos Estapafúrdios
José Eduardo Agualusa
Ilustrações de Danuta Wojciechowska
Dom Quixote