A Biblioteca Municipal de São Lázaro, na freguesia da Pena, foi fundada em 1883, o que a torna a biblioteca pública mais antiga de Lisboa. Quem conhece sabe que aquela preciosa sala vintage acolhe uma não menos preciosa colecção de livros infantis e juvenis, verdadeiro suco da barbatana para investigadores e não só. Caso de Raquel Patriarca, cuja recente tese de doutoramento tem por título «O livro infanto-juvenil em Portugal entre 1870 e 1940». Nas comemoraçõeas dos 130 anos da biblioteca haverá oportunidade de ouvi-la falar mais uma vez sobre este tema (assisti à primeira e tenciono repetir). Vai ser às 17h00. No mesmo dia, mas às 15h00, tem lugar o lançamento do novo audiolivro da BOCA dedicado aos contos dos Irmãos Grimm, de que já falei aqui. António Fontinha e Maria Morais são dois dos contadores presentes. Uma tarde que promete!
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
BIBLIOTECAS, 2
A Biblioteca Municipal de São Lázaro, na freguesia da Pena, foi fundada em 1883, o que a torna a biblioteca pública mais antiga de Lisboa. Quem conhece sabe que aquela preciosa sala vintage acolhe uma não menos preciosa colecção de livros infantis e juvenis, verdadeiro suco da barbatana para investigadores e não só. Caso de Raquel Patriarca, cuja recente tese de doutoramento tem por título «O livro infanto-juvenil em Portugal entre 1870 e 1940». Nas comemoraçõeas dos 130 anos da biblioteca haverá oportunidade de ouvi-la falar mais uma vez sobre este tema (assisti à primeira e tenciono repetir). Vai ser às 17h00. No mesmo dia, mas às 15h00, tem lugar o lançamento do novo audiolivro da BOCA dedicado aos contos dos Irmãos Grimm, de que já falei aqui. António Fontinha e Maria Morais são dois dos contadores presentes. Uma tarde que promete!
BIBLIOTECAS, 1
No próximo sábado, 26 de Outubro, às 15h30, a ilustradora Catarina Sobral vai orientar uma oficina para crianças dos 7 aos 11 anos, versando uma técnica pouco utilizada: a linoleogravura. O local escolhido é a Biblioteca Municipal dos Coruchéus, em Alvalade (Lisboa). O linóleo é uma pasta fácil de trabalhar, esculpindo e escavando, e apela à habilidade motora e aos cinco sentidos (dá até vontade de comer). Maria João Worm ganhou o Prémio Nacional de Ilustração 2011 recorrendo à mesma técnica com Os Animais Domésticos. As inscrições podem ser feitas através do email da Orfeu Negro, onde Catarina Sobral tem os seus dois livros publicados: Greve e Achimpa.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
DOS JORNAIS, 2
«Todos precisamos de perdão. O perdão instala um corte positivo, interrompe a baba inútil da tristeza, essa maceração que nos faz infelizes e nos leva a esmagar os outros de infelicidade. Tão facilmente ficamos atolados em becos cegos, em círculos sem saída, reféns de uma amargura que cada vez vai sendo mais pesada e contamina inexoravelmente a vida. O ato de perdão é uma declaração unilateral de esperança.»
(crónica de José Tolentino Mendonça no último Expresso, para acompanhar com Tom Jobim.)
INSENSATEZ - TOM JOBIM
A insensatez
Que você fez
coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
o seu amor um amor
tão delicado
Ah porque você
foi fraco assim
assim tão desalmado
Ah, meu coração
quem nunca amou
não merece ser amado
Vai meu coração
ouve a razão
usa só sinceridade
Quem semeia vento,
diz a razão,
colhe sempre tempestade
Vai meu coração
pede perdão
perdão apaixonado
Vai porque quem não
pede perdão
não é nunca perdoado
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
'ONDE MORAM AS CASAS' NO CATA-LIVROS
Da capa à contracapa, Onde Moram as Casas pode agora ser lido e visto no site Cata-Livros. Também já tinha sido feito um trabalho magnífico com o Ainda Falta Muito? e A Lebre de Chumbo. Obrigada a toda a equipa!
PHILIP PULLMAN RESPONDE
«(...) Não me parece que nos nossos dias haja quem acredite nas musas, mas compreendo porque é que as pessoas costumavam acreditar. As ideias vêm-nos misteriosamente; não podemos garantir que teremos uma boa ideia só por dizermos que somos escritores. As ideias parece virem de algum lado, do escuro, por nenhuma razão em particular.
Mas ajuda estar-se preparado. Quando as pessoas me perguntam de onde tiro as minhas ideias, por vezes digo: "Não sei de onde vêm, mas sei para onde vão: vão para a minha secretária, e se ela não estiver lá elas vão-se embora." Por outras palavras, quer estejamos à secretária quer estejamos noutro sítio qualquer, temos de estar preparados para reconhecer uma boa ideia e fazer alguma coisa dela. (...)»
(Philip Pullman, escritor inglês, autor da trilogia Mundos Paralelos (His Dark Materials), respondendo à pergunta «Como é que os escritores pensam nas suas ideias?», no livro Grandes Perguntas de Gente Miúda com Respostas Simples de Gente Graúda, editado recentemente pela Presença. Já agora, «as ideias parece virem» ou «as ideias parecem vir»?)
domingo, 20 de outubro de 2013
DOS JORNAIS, 1
É pena que o Público não tenha posto online (acessível a todos) esta reportagem de Andreia Sanches, publicada na edição de ontem. «Não quero ser como os meus pais» é um título que sobressalta, quando sabemos que as crianças crescem imitando os comportamentos dos adultos. Que um adolescente de 15 anos diga isto, referindo-se a um núcleo familiar «normal», é revelador de uma desesperada lucidez que a escola devia ter capacidade de perceber. Mas, claro, não há psicólogos que cheguem nem se considera prioritário saber o que vai na cabeça das pessoas, ainda que não faltem psicólogos no desemprego e o suicídio seja a segunda causa de morte em Portugal. Alguns excertos significativos:
«Todos os dias, o casal sai de manhã e faz o que milhares de outros fazem: regressa a casa pelo congestionado IC19. Chegam a casa à noite, conta Pedro Proença, o advogado de defesa. Não é a vida que o adolescente ambiciona para o seu futuro.»
«Nunca houve propriamente discussões com a família. Mas o jovem, filho único, aluno do ensino secundário, de um curso de Economia, foi-se isolando dos pais. A sua rotina era esta: casa-escola-casa-jogos-de-computador. E livros. Lê bastante.»
«Disse-me [ao advogado de defesa]: 'Não quero ser igual aos meus pais'. Não se identifica com alguns valores, ter uma vida monocromática, sair de manhã para ir ganhar dinheiro, voltar à noite exausto, prescindir de uma existência mais interessante e de uma relação afectiva com os filhos.»
«Ao advogado, o rapaz disse que há muito se sentia triste. Queixou-se do curso de Economia. "Disse-me: 'Quando vejo o que o Governo faz com o país, começo a odiar a área que escolhi'."
(Detachment, o filme de Tony Kaye, tem tudo, mas tudo a ver com isto. Na imagem, liceu de Columbine, nos EUA, onde a 20 de Abril de 1999 dois estudantes mataram 13 pessoas e se suicidaram em seguida.)
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
FAQ: FREQUENTES ATITUDES QUADRADAS
Frequentes Atitudes Quadradas quando se trata de escolher livros para crianças:
- Ler o livro apenas com o cérebro de um adulto.
- Pensar que os livros servem só para educar e ensinar.
- Pensar que as crianças “não percebem”.
- Pensar que quanto mais infantis e “fofinhas” são as ilustrações, melhor.
- Pensar que as ilustrações não acrescentam nada ao texto.
- Pensar que os livros com pouco texto (ou sem texto) têm menos valor e que não vale a pena dar dinheiro por eles.
- Dizer à criança “escolhe um livro até cinco euros”.
- Dizer à criança “esse não, que não é para a tua idade”.
- Dizer à criança “mas tu não sabes ler, para que queres esse livro?!”
- Insistir em escolher o livro quando quer ser ela a fazê-lo.
- Escolher um livro à pressa.
- Escolher livros assinados por “celebridades” que nunca deram provas de saber escrever.
(Agora que chega ao fim mais uma edição do Curso de Livro Infantil Booktailors, vou deixar aqui no Jardim Assombrado alguns tópicos abordados, a começar por aquilo que designei de FAQ - Frequentes Atitudes Quadradas. Obrigada a todos os que divulgaram na blogosfera, passa-palavra e Facebook. Para o ano há mais... espero!)
OS LIVROS SÃO
A meio de outra manhã de outro dia qualquer,
aí por volta das onze horas, o Puff apareceu sem ter entrado no escritório do
senhor Pina.
«Viva! O que estás a fazer?»«Estou a escrever um livro para a Sara e para a Ana. O Inventão.»
«Ah e é um livro para crianças, então?»
«Quando for lido por uma criança é um livro para crianças. Quando for lido por um adulto é um livro para adultos. Os livros não são “para”, os livros são.»
(Álvaro Magalhães, O Senhor Pina, ed. Assírio & Alvim)
terça-feira, 15 de outubro de 2013
ESCREVER PARA NÃO TER DE MENTIR
Face à plausível inutilidade da literatura e da arte em geral, também me pergunto porque escrevo, quando poderia certamente fazer coisas melhores. Uma vez, na Feira do Livro de Lisboa, ouvi Lídia Jorge afirmar que «essa é a única pergunta a que não se pode responder com sinceridade» [porque escreve?]. «Precisaria de uma vida inteira para responder», disse Phillip Roth a este respeito. Não serve de grande consolo, nem chega para nos libertar da sensação de fraude que, a espaços, desperta o inimigo que ri dentro de nós. Escrever para quê, para quem?
Se
calhar, escrevo para não ter de mentir. Porque aparentada com a maldade, a
mentira é abominável, seja aquela que destrói um povo e um país (todas as
ditaduras o exemplificam), sejam as mentiras que contamos aos outros e a nós
próprios, acossados pelo medo atávico do incompreensível. Porque incapazes de
lidar com as consequências da verdade, todos mentimos; faz parte da tendência
do género humano para a devassidão. Não há remédio, muito menos remédio santo.
Sendo
uma possibilidade de interpretar e reorganizar o mundo à nossa volta, incluindo
o mundo que nos acontece, a escrita e a arte surgem como libertação
temporária do mal absoluto, que é sempre frio e estéril. Para destruir o ser
humano, basta atirá-lo para uma grande desolação interior. Contar-lhe uma
mentira e negar-lhe a possibilidade de contrapor com as armas que tiver à mão:
a palavra, a espada, o riso ou outras. Para uma luta justa.
Talvez
isto seja também uma mentira, mas creio que, se não pudesse escrever, mentiria
muito mais.
(Imagem retirada daqui.)
DA TRILOGIA CANINA
Depois de Arturo, com texto de Davide Cali e fotografia de Ninamasina, a Bruaá anuncia a chegada às livrarias de Um Nome Para o Cão, de Ivan Chermayeff. O apelido soa familiar? É que Ivan é irmão de Peter Chermayeff, arquitecto que concebeu o projecto do Oceanário de Lisboa. Este é o primeiro de três títulos do autor que a Bruaá vai publicar. Para completar a «trilogia canina», já está na calha outro livro, desta vez de um «artista português». Cão será, perdão, quem será?
NOVIDADES CÍRCULO DE LEITORES
Mil páginas que reunem num só volume a tradução integral dos contos dos Irmãos Grimm e o oitavo título da colecção Grandes Exploradores, dedicado a Marco Polo (Viagem ao Império do Meio).
domingo, 13 de outubro de 2013
NÃO SEI QUE TÍTULO HEI-DE PÔR PARA DIZER QUE ESTE FILME TEM MESMO DE SER VISTO
Detachment ou Indiferença: não sei se passou nos cinemas portugueses. Ia dizer que todos os professores e pais deviam ver este filme, mas rectifico: todos devíamos ver este filme. Não é para quem sonha com utopias; é para quem sabe que não está sozinho nesta luta e que a mudança na forma como entendemos a educação e o progresso é inevitável. Precisamos de mais consciência, mais compromisso, mais coragem e carácter. Precisamos de pessoas que se importem e que recusem essa arma equipada com silenciador que dá pelo nome de "indiferença". Logo que possam, ampliem o ecrã do computador e vejam o filme no You Tube, inteiro e legendado em português (aqui). Professor numa escola secundária, Adrien Brody faz o melhor papel da vida dele, pelo menos desde O Pianista; de resto, toda a direcção de actores é brilhante. A linguagem não é meiga e algumas cenas idem, mas não se assustem. Depois digam-me se não valeu a pena.
sábado, 12 de outubro de 2013
'IRMÃO LOBO' EM BLUE MOOD
«A história que conta prende-nos a atenção e chocalha-nos a consciência. E a forma como é contada carrega um equilíbrio admirável entre aquilo que são as confusões e o ensimesmamento próprios da juventude e a ausência de paternalismo e discurso pedagógico.» Raquel Patriarca, investigadora na área da literatura para crianças, escreveu sobre o Irmão Lobo no blogue Bankbluebook.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
COMO VIVEM OS ANIMAIS
Gosto muito, mas mesmo muito desta colecção de novelty books: livros com pop-ups, abas para levantar, tiras para puxar e outros «segredos» que interagem com o leitor. A capa reproduzida acima pertence à edição inglesa da Templar Publishing, mas já está disponível em português (Como Vivem os Animais, Editorial Presença) e esperemos que cheguem os outros. Da mesma dupla de autoras anglo-saxónicas, Christiane Dorion e Beverley Young, foi também publicado Como Funciona o Mundo, que recebeu vários prémios (e, diga-se a verdade, é mais imaginativo e mais bem feito...). Quando escrevi o Irmão Lobo peguei nele muitas vezes para observar em três dimensões o movimento das placas tectónicas, uma metáfora da desagregação familiar que atravessa todo o livro. Se não sabiam, ficam a saber.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
O FILHO DA LAVADEIRA
No dia em que se anuncia o Nobel da Literatura, nada me parece mais importante do que conhecer o discurso de Luiz Ruffato (Minas Gerais, 1961) para a inauguração da Feira do Livro de Frankfurt. Não apenas este excerto, mas todo o texto que reivindica claramente um papel actuante e engagé, sem que tal descambe na interpretação panfletária e maniqueísta do mundo. De resto, basta ler o escritor, publicado em Portugal pela Quetzal e Tinta-da-China.
«Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro --seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual-- como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora.»
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
VIVER DUAS VEZES
Christiane F. sobreviveu para ver a sua segunda biografia, que estará em destaque na Feira do Livro de Frankfurt. Tem agora 51 anos. E eu já não tenho tempo para ler o mesmo livro 13 vezes, como dantes. Ver o artigo no Le Monde ou o booktrailer (não faz mal se não entender alemão).
DEZ MANDAMENTOS DO LIVRO INFANTIL
Parafraseando Tristan Tzara e o seu Manifesto Dada: em princípio sou contra os mandamentos, mas também sou contra os princípios. Via La Double Vie de Veronique.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Ó VERÃO, VOLTA PARA TRÁS
Hortas Aromáticas, uma edição Dinalivro, apresenta-se como um livro para «os dias longos de Verão», sendo já o terceiro da dupla Fernanda Botelho/Sara Simões. Nestes dias em que o sol e o calor resolveram refrear a chegada do Outono, apetece mesmo pegar nele. Da autora do texto e do seu blogue, Malva Silvestre, já tínhamos falado aqui; faltou lembrar que Sara Simões, especialista em ilustração científica, tem também um blogue, Velhadaldeia.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
OS GRIMM NA BOCA DO LOBO
Lembram-se de ouvir as histórias dos Irmãos Grimm na TSF? Foi o ano passado, por ocasião das comemorações dos 200 anos da primeira edição alemã. Em parceria com o IELT, a editora Boca reuniu em audiolivro 35 contos, naquele que é o quinto projecto da colecção HOT - Histórias Oralmente Transmissíveis. António Fontinha, Cristina Taquelim, Maria Morais, Rodolfo Castro e Thomas Bakk, contadores de histórias da melhor cepa, dão a voz ao manifesto, enquanto a bela capa é assinada por José Feitor. A primeira apresentação pública acontece este domingo, 6 de Outubro, no Porto, durante a Festa de Outono da Fundação de Serralves. Mais tarde, a 26 de Outubro, Lisboa também terá direito ao seu quinhão de contos, desta feita na Biblioteca Municipal de São Lázaro, que está festa de 130º aniversário. Toda a informação no blogue da Boca e o «era uma vez...» da Branca de Neve para escutar aqui.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
LER DE OUTUBRO
Já saiu a Ler deste mês. Nas «Leituras Miúdas», falo do novo livro de Álvaro Magalhães, O Senhor Pina (Assírio & Alvim), uma pequena maravilha para nos alegrar o Outono. Na secção «Wendy no Divã», o paciente é o Lobo Mau, esse vilão sempre sedutor. Ainda as respostas do ilustrador Alex Gozblau para o «Scrapbook» e a coluna das reclamações «Efeito Sombra». Boas leituras!
terça-feira, 1 de outubro de 2013
OS LIVROS DIFÍCEIS
O Meu Pai Está Desempregado (Máquina de Voar) é um livro que arrisca e sai a ganhar. Não é fácil abordar temas difíceis sem ceder à moral do panfleto ou cair na lamechice. Imagino o quanto se retorceram os estômagos das autoras ao serem «entrevistadas» por apresentadores deste calibre, no Correio da Manhã TV. A «Tia» Maya e mais um rapaz cujo nome ignoro, graças a Deus, desconheciam o livro até ao momento em que a produção o deixou sobre a mesa e não o tinham lido, nem sequer por alto. Proferiram meia dúzia de patetices que não justificam o salário que auferem. A «Tia» Maya diz que não é fácil lidar com pais que são figuras públicas e sugere que o próximo livro da colecção O que fazem os pais? seja sobre «apresentadores». Tremo só de pensar. Jornalistas da Lusa, Carla Jorge e Irina Melo, autoras do texto (a ilustração é de Catarina Correia Marques), falaram nos poucos minutos que escaparam aos egos vorazes dos ditos apresentadores-figuras-públicas. Deixaram a ideia de que pode ser «um livro difícil de oferecer» a uma criança cujo pai ou mãe estejam desempregados. Mas isso, obviamente, não é um defeito.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
WENDY NO DIVÃ: O CHAPELEIRO LOUCO
Com a recente mudança gráfica e editorial da revista LER, também as «Leituras Miúdas» sofreram uma reviravolta. Menos crítica, menos texto, menos páginas, como em toda a revista, mas algumas novas secções que me estão a dar muito gozo escrever. «Wendy no divã» é uma delas. Onde se fala das perturbações mentais e casos patológicos dos personagens da literatura infanto-juvenil (e são quase todos!). Noblesse oblige, coube ao Chapeleiro Louco abrir as hostilidades. Para a semana, chega o Lobo Mau.
Chapeleiro Louco
É um caso grave de psicose partilhada, talvez originada pelo abuso de chá. Não
há remissão possível para quem tenta reparar um relógio com manteiga.
A expressão «louco como um
chapeleiro» já existia antes de Lewis Carroll ter escrito o capítulo sete de Alice no País das Maravilhas. Contudo,
os sintomas patológicos causados por intoxicação com mercúrio, metal outrora
usado na confecção de chapéus, não coincidem com o quadro clínico psicótico do
Chapeleiro Louco. É muito possível que tenha sido inspirado na figura de
Theophilus Carter, um comerciante excêntrico, contemporâneo de Carroll, que
inventou um relógio de cabeceira com sistema de alarme. Tal explicaria a
obsessão do personagem com o tempo e a hora do chá: «Agora são sempre seis
horas», diz, deixando Alice à beira de um ataque de nervos. Com a Lebre de
Março e o Arganaz, companheiros de delírio, é um caso evidente de folie à trois, ou psicose partilhada. Proferiu
um enigma esfíngico, exemplar do espírito nonsense:
«Em que é que um corvo se parece com uma escrivaninha?» Desde a publicação do
livro, em 1865, surgiram inúmeras respostas. O Chapeleiro ri-se.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
NO LABORATÓRIO COM RODOLFO CASTRO
Recomendo
este Laboratório de Contadores de Histórias do Rodolfo Castro porque já o fiz.
Aprendi muito – não só com o Rodolfo mas com todo o grupo – aspectos
importantes da selecção e adaptação dos contos às exigências do contar, e sobre
como podemos trazer à superfície o que é próprio de nós, da nossa forma de nos
movimentarmos no mundo e da maneira como o comunicamos. Foram horas muito
enriquecedoras e muito bem passadas – e não importa se se é um contador
experimentado ou apenas um curioso na matéria. Vai acontecer em Lisboa, na Biblioteca
Camões, aos sábados, das 10h00 às 17h00, nos dias 12 e 26 de Outubro e 9 e 23
de Novembro. Informações e inscrições pelo email habitantedoconto@gmail.com.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
LOBO E KARATECA VÃO ATÉ AVEIRO
Na próxima sexta-feira, às 18h00, o Lobo encontra-se com a Karateca, na livraria Gigões & Anantes (Aveiro). Vai ser uma luta renhida entre duas espécies diferentes ou, pelo contrário, descobrirão que podem entrar no mesmo programa BBC Vida Selvagem? Isabel Minhós Martins, editora do Planeta Tangerina, também estará presente neste encontro inédito entre o Lobo e a Karateca! Não percam!
domingo, 22 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
ELAS CONTAM COM ELAS
Mais uma iniciativa da Fundação José Saramago, em parceria com a editora
Boca – palavras que alimentam: sessões bimestrais de contadores de histórias com entrada livre (nos limites da lotação da sala). A primeira acontece hoje, na Casa dos Bicos, às 18h30. Ana
Sofia Paiva, Cláudia Fonseca e Cristina Taquelim abrem as hostilidades. Ver aqui os pormenores.
NOVIDADES NA ORFEU MINI
O primeiro livro de Oliver Jeffers, How to Catch a Star, publicado em 2004, chega agora à colecção Orfeu Mini para fazer companhia aos outros seis títulos do autor. E chega também um livro de grande formato que vai pôr toda a gente a contar pinguins...
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
NOVA PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA INFANTO-JUVENIL
A Escola Superior de Educação Jean Piaget, em Almada, vai abrir este ano a Pós-Graduação em Literatura Infanto-Juvenil, com duração de um semestre. Se tudo correr conforme o previsto, farei parte de uma excelente equipa. Encontram o link com o plano de estudos aqui.
Informações e inscrições:
dir.ese.almada@almada.ipiaget.org
Secretariado: Isabel Cruz
Tel. 21 294 62 60
ou
Doutora Paula Pina
ppina@almada.piaget.org
Tel. 21 294 62 50 (ext. 300, gabinete B8)
NOVO LIVRO NA TCHARAN
Com texto de Adélia Carvalho e ilustrações de Marta Madureira, O Rei Vai à Caça é o novo livro da editora Tcharan. Por enquanto é o que podemos dizer... e sabe a pouco. Quem puder ir ao lançamento, este sábado, no Porto, vai com certeza ficar a saber de tudo e ainda ter direito a ver as ilustrações originais em exposição na Papa-Livros (clicar no convite para saber pormenores).
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
ETERNA BIBLIOTECA, ETERNOS LEITORES
Pelo que percebi, foram unânimes as opiniões quanto à qualidade e critério do 11º encontro ETerna Biblioteca, que aconteceu sexta-feira e sábado, em Sintra. Eu também adorei estar presente. De cima para baixo: atelier «As Cozinheiras de Livros» de Margarida Botelho, pelo Teatro de Marionetas Valdevinos; Raquel Camacho, uma das responsáveis pela organização, junto à Cabeçudos - Livraria Itinerante; conversa à volta do tema «A importância da biblioteca na minha vida», com Valério Romão (escritor), Mariana Norton (actriz e cantora), Nuno Costa Santos (escritor e argumentista), Rui Andrade (Livraria Cabeçudos) e aqui a "je", ao meio, na moderação; atelier «Dançando com as palavras», de Lucrécia Alves. As fotografias são de Pedro Tomé e roubei-as à página da ETerna Biblioteca no Facebook.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
CURSO DE LIVRO INFANTIL BOOKTAILORS
- Então,
Mr. Spock, já se inscreveu no Curso de Livro Infantil Booktailors?
- Eu
bem queria, mas estes bananas da Enterprise não passam um dia sem mim...
domingo, 15 de setembro de 2013
GRANDES VERDADES À DISPOSIÇÃO NO FACEBOOK
«Um bom sofrimento é terapêutico.» Ouvi esta frase há um ror de anos, num programa de rádio que Fernando Alves, jornalista da TSF, mantinha com o psicanalista Carlos Amaral Dias. Ficou-me para sempre. Na altura, tinha um namorado meio pateta que se riu ao ouvir aquilo («Que estupidez. Como é que um sofrimento pode ser bom?»). Mas um sofrimento pode ser bom quando é sincero, autêntico, from the guts; aí, não só é bom como necessário, porque pior do que tudo é esse fazer de conta como modo de vida. Morre-se disso e nem sequer se sabe. Custa-me a crer que aqueles humores atirados de repente para o Facebook, à espera de palmadinhas nas costas ou comentários cínicos, sejam sofrimentos autênticos, porque «um bom sofrimento» reserva-se, não se partilha com toda a gente nem se consola com tão pouco. O Tom Waits tem razão. O mundo pode ser um lugar terrível - e muitas vezes é -, mas precisamos de ser os melhores editores dos nossos sofrimentos. Sempre.
sábado, 14 de setembro de 2013
UMA ÁRVORE COM MUITAS FOLHAS
Hoje à tarde, em Sintra, quase a fechar o 11º encontro ETerna Biblioteca, tive o gosto (muito gosto, mesmo) de moderar uma conversa sobre "a importância da biblioteca nas nossas vidas". Lá estiveram os escritores Valério Romão e Nuno Costa Santos, a cantora e actriz Mariana Norton, e Rui Andrade, um dos responsáveis da Livraria Cabeçudos, também presente em formato itinerante (por esta hora, talvez ainda esteja estacionada junto ao Palácio da Vila. Foi ele quem nos apresentou este pequeno video de cinco minutos, realizado em associação com o Agrupamento de Escolas de Aviz. Onde aparece este miúdo entusiasta, que às tantas diz: "A imaginação é uma árvore com muitas folhas" (gestos alusivos a acompanhar). Maravilha. Vejam.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
PRÉMIO MARIA ROSA COLAÇO 2012
Conceição Dinis Tomé ganhou o Prémio Maria Rosa Colaço 2012, atribuído pela Câmara Municipal de Almada (dedicado à modalidade de literatura juvenil, nesta edição). Passado na ultrajante Alemanha de Hitler, O Caderno do Avô Heinrich foi agora lançado pela Editorial Presença. Um breve relance - porque ainda não houve tempo para mais - sugere-nos uma escrita limpa e um pensamento amadurecido. Promete. Para quem quiser saber mais sobre a autora, deixo um excerto do press:«Conceição Diniz Tomé nasceu em Vila Nova de Famalicão, em 1970. Formou-se no ensino de Português-Francês e atualmente é professora bibliotecária no Agrupamento de Escolas Viseu Sul. É autora dos contos infantis A Lua e o Pirilampo (2003) e História do Rapaz Que Se Tornou Fazedor de Estrelas (vencedor do Concurso de Literatura Infanto-Juvenil/Prémio Centro Cultural do Alto Minho, em 2009). Colaborou na antologia Histórias para Um Natal (2004) com o conto Manhã de Natal».
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
UM LIVRO É UMA PORTA ABERTA
«Um livro é uma porta para dentro de ti mesmo.» Ilustração de Paulo Galindro para o 11º encontro ETerna Biblioteca, amanhã e depois, em Sintra. Vou estar aqui.
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
NO CENTENÁRIO DE ILSE LOSA
A Biblioteca Nacional inaugurou esta semana uma pequena mostra bibliográfica de Ilse Losa (n. Bauer, 20 de Março de 1913), escritora de origem alemã e ascendência judia que se fixou em Portugal em 1934, até falecer no Porto a 6 de Janeiro de 2006. Tradutora do Diário de Anne Frank, mundo opressor que conheceu de perto, Ilse Losa experimentou quase todos os géneros, tendo sido reconhecida pelo seu contributo para a literatura para crianças com o Prémio Calouste Gulbenkian de 1984. O Mundo em que Vivi (Maranus, 1949), Beatriz e o Plátano (Asa, 1976) e Silka (Livros Horizonte, 1984) são livros incontornáveis e de uma beleza desassombrada, que não envelheceram nem um pouco. Escrita «de sobressalto», disse-o Vitorino Nemésio. A exposição prolonga-se até 16 de Novembro. Ver mais aqui.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
RENTRÉE 2013: ALGUMAS NOVIDADES
Já falei aqui da reedição da História da Égua Branca, mas ontem soube do próximo título a publicar na colecção Assirinha (Assírio & Alvim). E promete! Trata-se de uma homenagem de Álvaro Magalhães ao seu grande amigo Manuel António Pina, ilustrada por Luiz Darocha, aqui num registo totalmente diferente de A Princesa e a Loba, de Ana Folhadela, também editado pela A&A. Segundo o comunicado de imprensa: «O Senhor Pina é um conjunto de dezasseis ficções que erguem um retrato íntimo, sensível e muito bem-humorado do poeta Manuel António Pina, desde o seu modo peculiar de olhar e viver a vida e a literatura até à sua relação com Joanica-Puff, o Urso com Poucos Miolos que ele tanto admirava.» Outra novidade apetecível, de que falarei mais tarde com o devido pormenor, é Trocado Por Miúdos, um projecto editorial em que especialistas reconhecidos de muitas áreas (com destaque para as Ciências) respondem a perguntas feitas por crianças portuguesas entre os 6 e os 12 anos. Last but not least, aí está o segundo volume da segunda série da colecção Cherub, que já saiu em final de Agosto mas que também faz parte das novidades da Porto Editora para esta rentrée.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
BIBLIOTECAS DO NOSSO CONTENTAMENTO
De amanhã a oito, 13 e 14 de Setembro, começa o 11º Encontro de Professores e Educadores do Concelho de Sintra sobre Bibliotecas Escolares, mais conhecido por ETerna Biblioteca. As actividades dividem-se entre o Hotel Tivoli Sintra e a Biblioteca Municipal - Casa Mantero. As inscrições são gratuitas (aqui) e o programa é o que podem ver acima (e também no Facebook). Like, like, like.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
HISTÓRIA DA ÉGUA BRANCA POR CRISTINA VALADAS
No início, parece uma história de matriz tradicional, seguindo o modelo do pai que reparte a herança entre três filhos e deles espera as provas necessárias. Só que, a caminho do final, Eugénio de Andrade imprimiu-lhe uma crueza de linguagem e um volte-face moral que tornou o texto algo difícil (ou «desafiante», como agora se diz) de ilustrar. A História da Égua Branca é reeditada pela Assírio & Alvim, agora com ilustrações de Cristina Valadas, chegando às livrarias esta semana. Ainda não a vimos, mas estamos curiosos para comparar com a anterior edição da Campo das Letras, ilustrada por Joana Quental.
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