sexta-feira, 15 de novembro de 2013
AMANHÃ É DIA DE DESASSOSSEGO
No dia em que José Saramago completaria 91 anos, o convite é para nos desassossegarmos e sairmos à rua com um livro na mão. Passar o dia a ler, se possível. No metro, no autocarro, no café, no jardim, na praça, na escadaria da igreja. Em qualquer lugar público onde haja gente e seja possível ver, por um instante, as palavras a circularem pelo ar, escrevendo novos livros, novas linhas, novos começos e fins. Amanhã pode ser um dia muito especial. O programa completo da Fundação José Saramago está aqui.
BRINCADOR E PENSADOR
«Nos dias que se seguiram, fui intimado a praticar desporto, que era parte do plano para me masculinizar e me tornar mais forte e resistente. Se ia para o 2º Ciclo, até devia aprender judo e karaté, ou talvez aprender a usar uma arma de fogo. Mas tenho para mim que o desporto não é tão saudável como o pintam, ou os desportistas não passavam metade da sua vida desportiva lesionados.»
(in O Rapaz dos Sapatos Prateados, de Álvaro Magalhães, um escritor que há 30 anos nos comove e nos deixa a pensar que coisa é essa, tão boa e tão indispensável, a que uns chamam «perder tempo» e outros chamam «devaneio».)
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
EM TODA A PARTE EM NENHUMA PARTE
Há dias em que daria um certo jeito ter o dom da ubiquidade. Na Casa Fernando Pessoa, às 18h30, celebra-se o centenário de Albert Camus, nascido a 7 de Novembro de 1913 num meio pobre do que era então a Argélia francesa. A quinhentos metros dali e à mesma hora, na Capela do Rato, José Tolentino Mendonça apresenta o seu último livro, Os Rostos de Jesus (ed. Círculo de Leitores/Temas e Debates), um ensaio sobre as muitas figurações de Cristo nos cruzeiros de pedra fotografados por Duarte Belo. Além da coincidência geográfica e de qualidade intelectual dos presentes (António Mega Ferreira na Casa Fernando Pessoa; José Mattoso e Tolentino Mendonça na Capela do Rato), há também aqui uma curiosa convergência moral, literária e política. Se Albert Camus, escritor e jornalista do combate pela liberdade e pelo homem, foi um agnóstico com o sentido do sagrado, José Tolentino Mendonça, poeta e teólogo, é um escritor que pensa Deus e a religião trazendo sempre o indivíduo para o centro. Não é demais recordar que a Capela do Rato foi o centro da famosa vigília que juntou crentes e não-crentes na contestação à guerra colonial, nos finais de 1972, na mesma altura em que em Moçambique ocorreram os infames massacres de Wiriyamu, Chawola e Juwau. Tudo isto dá que pensar, mas, sobretudo, ouvir. Agora, escolham. Pode dizer-se que, hoje, Campo de Ourique está no centro do mundo.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
SOMOS PARTE DA ALCATEIA
Entre as formas mais inquietantes da predação da natureza selvagem está o desaparecimento do território. As pessoas perdem as suas casas, os animais também. Não vejo qualquer diferença. Creio que só daremos um salto quântico civilizacional quando compreendermos que nem as pessoas estão à frente dos animais, nem os animais estão à frente das pessoas. A aprofundar-se este desequilíbrio, a extinção das espécies poderá ser transversal. Espero que esse dia nunca chegue. Espero também que os lobos possam continuar a viver em paz nos 17 hectares do Centro de Recuperação do Lobo Ibérico. A sobrevivência do projecto está em risco se não se juntar a quantia necessária para comprar o terreno onde o Grupo Lobo tem uma das suas importantes bases. Saiba como pode ajudar aqui.
BLAKE SUN
We are led to believe a lie
When we see not thro' the eye
Which was born in a night to perish in a night
When the soul slept in beams of light.
(William Blake, 1757-1827)
terça-feira, 5 de novembro de 2013
BOLOTA, A LOBA
Bolota nasceu no Verão de 2012, na mesma altura em que submergi na escrita do Irmão Lobo. É agora uma loba juvenil, a mais nova dos dez animais que habitam o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, situado entre Mafra e a Malveira. Estive lá no último sábado, para uma das visitas guiadas que acontecem aos fins-de-semana, graças ao empenho dos voluntários que contribuem para o trabalho desta organização não-governamental. Ali, os lobos vivem em segurança após terem sido retirados de cativeiros ilegais ou jardins zoológicos que não os querem/podem albergar por mais tempo. A reintrodução nos habitats não é uma opção. Encontrá-los à vista desarmada é sempre incerto, mas com a ajuda de binóculos todo o grupo conseguiu ver pelo menos três animais, dormindo ou em movimento. Foi uma emoção, quer para os adultos quer para as crianças. A Bolota não apareceu. Só a Faia, a progenitora, também presente nesta fotografia (o pai, Soajo, morreu depois de ela nascer). Para quem não tenha lido o Irmão Lobo, Bolota é o nome da narradora, uma adolescente de 15 anos que recorda uma estranha aventura on the road passada na infância, bem como a separação dramática da sua «tribo» familiar. Claro que não sabia da existência de Bolota, a loba, até ao último sábado. Chamem-lhe coincidência. Eu prefiro chamar-lhe a manifestação das coisas escondidas.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
A COLECCIONADORA DE ERVAS
A alfarroba é uma fonte importante de pectina
e cálcio. Os frutos do morangueiro são ricos em vitaminas e sais minerais. A
urtiga aumenta a produção de serotonina. As folhas e flores da margarida são
comestíveis. O outro nome do amor-de-hortelão é agarra-saias. Os conchelos
também são conhecidos por umbigos de Vénus. Segundo uma superstição inglesa, as
amoras não devem ser colhidas depois da festa de S. Miguel, porque o diabo terá
cuspido nelas... E mais? Há tanto para saber acerca das ervas silvestres e flores
comestíveis que a escolha das 53 apresentadas nesta agenda anual – já na quinta
edição – não foi nada fácil para Fernanda Botelho, especialista em botânica e
plantas medicinais. Também com a chancela da Dinalivro, assinou três bonitos
livros para crianças em parceria com a ilustradora Sara Simões, dedicados à
mesma temática (falámos deles aqui e aqui). Se quiserem passar 2014 de boa saúde e não
contribuir para a duvidosa indústria cosmética, é manter esta agenda em agenda.
sábado, 2 de novembro de 2013
JARDINEIROS DE SÁBADO DE MANHÃ
Cavar, sachar, cortar, regar, plantar, semear, mondar, abicar, tuturar, transplantar, enxertar, adubar, desbastar, repicar, retanchar, envasar, nivelar, abacelar, aconchegar. Nos verbos aplicados à jardinagem não há falta de «ar». A Escola de Jardinagem da Câmara Municipal de Lisboa realiza cursos livres para leigos, iniciados e avançados, sempre bastante concorridos – e agora é fácil perceber porquê. Em cima, três registos do último curso de Iniciação às Técnicas de Jardinagem: fotografia de grupo no dia de entrega dos certificados; no intervalo do café e outros mimos; a fazer rodas de alfazema. Aqui, a notícia no site da câmara. Para o ano há mais.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
LOU, LAURIE & LOVE

«To our neighbors:
What a beautiful fall! Everything shimmering and golden and all that incredible soft light. Water surrounding us.
Lou and I have spent a lot of time here in the past few years, and even though we’re city people this is our spiritual home.
Last week I promised Lou to get him out of the hospital and come home to Springs. And we made it!
Lou was a tai chi master and spent his last days here being happy and dazzled by the beauty and power and softness of nature. He died on Sunday morning looking at the trees and doing the famous 21 form of tai chi with just his musician hands moving through the air.
Lou was a prince and a fighter and I know his songs of the pain and beauty in the world will fill many people with the incredible joy he felt for life. Long live the beauty that comes down and through and onto all of us.
Laurie Anderson
his loving wife and eternal friend»
(carta de Laurie Anderson para Lou Reed, publicada no East Hampton Star, um jornal de Long Island, New York. O concerto de homenagem dos músicos portugueses é hoje, no Largo do Intendente, Lisboa)
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
WENDY NO DIVÃ: LOBO MAU
Em vésperas da chegada da revista LER de Novembro, aqui fica a segunda personagem «psicanalizada» na secção «Wendy no divã»:
LOBO
MAU Perseguido, escarnecido, quase sempre derrotado
pela astúcia, o Lobo Mau continua a ser o vilão de serviço das histórias. Há
quem o queira converter ao vegetarianismo. Má ideia.
Ao contrário do Barba Azul, um serial killer sanguinário e sem perdão
possível, o Lobo Mau não é um psicopata puro, apesar da reputação de gangster da floresta, esquivo e
intratável, sempre pronto a ferrar o dente em carne alheia. Porquinhos,
cabritinhos, meninas impúberes ou velhinhas duras de roer, tanto faz. A fome do
lobo é mítica, ancestral, ligada ao instinto primordial da sobrevivência. Para
aplacá-la, até o lobo mais viril será capaz de travestir-se de avozinha ou de mergulhar
a patorra em farinha, revelando uma propensão esquizóide para o disfarce, à
maneira do atormentado Norman Bates de Psycho.
Desfavorecido pela sorte, falta-lhe a sofisticação e a inteligência de um psicopata
como Hannibal Lecter, outro parente próximo de Barba Azul. Desgraçadamente, é
também a pouca sorte que o humaniza aos nossos olhos – e nenhum outro animal se
prestou a encarnar os medos próprios do homem como o fez o lobo, esse solitário
caçador.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
RATOS E HOMENS
Esta proposta de lei pretensamente defensora
do bem estar dos animais não é apenas má por ser cega, confusa e redutora. É má
na sua essência, no seu núcleo moral, na sua rasura da humanidade. Primeiro,
porque significa uma ingerência do Estado na intimidade das pessoas. Segundo,
porque não penaliza os verdadeiros criminosos que maltratam e abandonam.
Terceiro, porque facilita o regime de vigilância e denúncia do vizinho, gerando
ainda mais «mal estar social», como um ouvinte referiu há pouco no Fórum da
TSF. Toda a gente tem o direito de dormir sem cães a ladrarem a meio da noite?
Com certeza. Mas não é assim que se resolve um problema complexo. Antes de
mais, é preciso pensar, ouvir, voltar a pensar, ouvir mais, ponderar, e só
depois decidir. Mas este governo recusa-se a pensar. Tudo isto fez-me lembrar
esse extraordinário filme sobre Hannah Arendt e a sua reflexão filosófica sobre a
banalidade do mal. Transformando os animais em coisas descartáveis,
retira-se-lhes o direito à vida. Limitando as pessoas na sua bondade e solidariedade, retira-se-lhes o direito a serem humanas. E assim regride a civilização.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
AINDA BEM QUE NÃO EXISTEM UNICÓRNIOS
Gostava de ver uma proposta de lei (uma, vá lá) que fosse pelas pessoas e pelos animais, não contra. Poder incluir
facturas de veterinário no IRS, por exemplo. Esta ideia peregrina, vinda agora do Ministério da Agricultura, de limitar o
número de animais domésticos por domicílio – dois cães ou quatro gatos – e
ainda facilitar o regime das queixinhas pidescas da vizinhança não lembra ao diabo, ó Cristas. Os
índices de abandono de animais já são a vergonha que se sabe – e não é este tipo de
deliberações que vai melhorar alguma coisa. É preciso ver caso a caso. Excluindo os exemplos patológicos de
gente que acumula cães e gatos em casa ou os maltrata por sadismo – e que devia ser
rapidamente internada – não vejo por que razão o Estado deva decidir quantos
animais é que uma pessoa pode ter. Isto ainda não é a China, ou é? Segundo a notícia do Público, a excepção (há sempre excepções...) faz-se para os
criadores de «raças nacionais puras registadas», que podem ter os cães que
quiserem. São questões de pedigree. Só o «tio» Victor Veiga, consultor jurídico
do Clube Português de Canicultura, é que acha a nova lei muito boa e considera que «quem
quer ter mais cães arranja maneira de ter uma casinha na província». Então não
arranja? Eu até já lhes perdi a conta.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
DOS JORNAIS, 4
«A família é uma instituição horrível. Conservadora no pior sentido do termo. Herdamos dos nossos pais ou transmitimos aos nossos filhos os nossos genes, os nossos gostos, os nossos gestos. Dou-me conta de que estou a cruzar as pernas como o meu pai... Quer coisa mais conservadora do que esta? Romper com isto é difícil. A minha profissão tem o sucesso que tem porque as famílias são feitas para criar problemas.»
(Carlos Amaral Dias, psicanalista, em entrevista de Anabela Mota Ribeiro para o P2.)
[Sim, a família é uma instituição que cria mais problemas do que resolve. Valha-nos a possibilidade de, com alguma sorte e decisões acertadas (?), podermos ser melhores do que os nossos pais, como os nossos filhos poderão ser melhores do que nós e por aí fora. Mas se a instituição "família" se mantém, isto é como curar mordedura de cão com pêlo de cão. Ou não?]
DOS JORNAIS, 3
"Estamos naquela situação em que as mudanças estão mesmo a acontecer debaixo dos nossos olhos, mas não as estamos a ver ainda. É preciso que a política tenha essa perceção, a capacidade de ver o que ainda não está visível mas já está a acontecer na sociedade, nomeadamente na mobilização das novas gerações."
(...)
"Tenho essa utopia de que chegaremos a um ciclo em que não será possível continuar com esta espécie de desregulação do mundo económico, de um consumo desenfreado. Vamos ter de aprender a viver com menos, o que não quer dizer viver pior. Se soubermos estar atentos aos fenómenos sociais e ter uma consciência social, podemos encontrar outras formas de organização. Elas já estão a existir na sociedade."
(Excertos da entrevista à TSF da António Sampaio da Nóvoa, professor universitário e ex-reitor da Universidade de Lisboa, publicada no Diário de Notícias do último domingo. Tê-lo como próximo Presidente da República - hipótese que não descarta - poderia significar a interrupção desta safra inquinada de políticos que nos andam a governar do alto da sua arrogância, burrice e má-criação. Também tenho essa utopia.)
domingo, 27 de outubro de 2013
LOU REED (1942-2013)
«Life's good. But not fair at all.» Magic and loss, that's what it's all about.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
É MANDÁ-LOS PASSEAR
Anthony Browne (Inglaterra, 1946) é um daqueles autores que têm a capacidade de reunir consenso entre crianças e adultos. Narrador de histórias familiares e bem-humoradas, quase sempre com o seu quê de inquietante (Pela Floresta ou As Preocupações do Billy, entre outros), Browne é um ilustrador que também escreve, dotando os seus livros de uma grande coesão interna e sentido autoral. Foi, recorde-se, Prémio Andersen de ilustração em 2000. Em Um Passeio pelo Parque, um «clássico» de 1977, mostra o quanto é hábil na criação de intertextualidades, recorrendo ao seu imaginário fortemente surreal, devedor da influência de Magritte, e às múltiplas referências culturais e artísticas que introduz de forma inteligente. Sempre crítico da rigidez do mundo dos crescidos (veja-se o impagável Os Três Porquinhos), incide aqui, mais uma vez, sobre os temas da comunicação e dos afectos, apresentando-nos ao encontro (no parque, precisamente) entre dois adultos e duas crianças, acompanhados dos respectivos cães. É Anthony Browne no seu melhor. A edição, as usual, é da Kalandraka.
HABERMAS NA GULBENKIAN
O senhor Habermas, um clássico terrorífico dos meus tempos de faculdade, vai proferir a conferência de abertura do encontro internacional dedicado ao tema «Os Livros e a Leitura: desafios da era digital». Segunda-feira, todo o dia, na Gulbenkian, com entrada livre. Programa aqui.
NOVO BLOG: FÁBULAS DE LEITURA
Há um novo lugar na blogosfera dedicado aos livros e à leitura, com destaque para a literatura juvenil: chama-se Fábulas de Leitura. Bonito e criterioso nas escolhas. Recomenda-se.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
BOB E JAMES, DOIS GATOS VADIOS
James Bowen tocava na rua para fazer umas massas e andava num programa de reabilitação de metadona quando um certo gato cor-de-laranja começou a segui-lo para todo o lado. Quem gosta de gatos sabe que isto não é muito normal, mas que sabemos nós dos animais (e, enfim, que sabemos nós das pessoas)? Bob, o gato, tornou-se inseparável de James, que contou a história num livro e comoveu milhares de pessoas por todo o mundo. Já terá vendido um milhão de exemplares? Não sei. Apesar do best-seller, James e Bob continuam a fazer vida de rua e a vender a The Big Issue, revista dos sem-abrigo equivalente à nossa Cais. O gato tem muito melhor aspecto do que ele; lógico, nunca usou drogas. Ambos parecem espíritos livres genuínos e talvez seja por isso que se entendem. James fala em karma e vidas passadas, o que pode soar a «JuJu Magic» para muitas pessoas; talvez as mesmas que, no video, criticam o facto de Bob usar trela, por razões de segurança, mas que se cortam imediatamente a largar uns trocos para comprar a revista. Os cépticos questionadores e preguiçosos do costume. Nunca li o livro, mas tenho curiosidade. Dia 1 de Novembro chega às livrarias a continuação da história destes dois gatos vadios, publicada em português pela Porto Editora. Uma história real, certamente mais interessante do que muita ficção pateta.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Roubei o cartaz ao blogue O Bicho dos Livros para lembrar que a Escola Superior de Educação Jean Piaget, em Almada, ainda está a aceitar inscrições para a Pós-Graduação em Literatura Infanto-Juvenil, em horário pós-laboral e com duração de um semestre. Encontram o link com o plano de estudos aqui.
Informações e inscrições:
dir.ese.almada@almada.ipiaget.org
Secretariado: Isabel Cruz
Tel. 21 294 62 60
ou
Doutora Paula Pina
ppina@almada.piaget.org
Tel. 21 294 62 50 (ext. 300, gabinete B8)
[Adenda: informação recém-chegada à minha caixa de e-mail acrescenta que o prazo para pagamento das inscrições termina no final deste mês.]
BIBLIOTECAS, 2
A Biblioteca Municipal de São Lázaro, na freguesia da Pena, foi fundada em 1883, o que a torna a biblioteca pública mais antiga de Lisboa. Quem conhece sabe que aquela preciosa sala vintage acolhe uma não menos preciosa colecção de livros infantis e juvenis, verdadeiro suco da barbatana para investigadores e não só. Caso de Raquel Patriarca, cuja recente tese de doutoramento tem por título «O livro infanto-juvenil em Portugal entre 1870 e 1940». Nas comemoraçõeas dos 130 anos da biblioteca haverá oportunidade de ouvi-la falar mais uma vez sobre este tema (assisti à primeira e tenciono repetir). Vai ser às 17h00. No mesmo dia, mas às 15h00, tem lugar o lançamento do novo audiolivro da BOCA dedicado aos contos dos Irmãos Grimm, de que já falei aqui. António Fontinha e Maria Morais são dois dos contadores presentes. Uma tarde que promete!
BIBLIOTECAS, 1
No próximo sábado, 26 de Outubro, às 15h30, a ilustradora Catarina Sobral vai orientar uma oficina para crianças dos 7 aos 11 anos, versando uma técnica pouco utilizada: a linoleogravura. O local escolhido é a Biblioteca Municipal dos Coruchéus, em Alvalade (Lisboa). O linóleo é uma pasta fácil de trabalhar, esculpindo e escavando, e apela à habilidade motora e aos cinco sentidos (dá até vontade de comer). Maria João Worm ganhou o Prémio Nacional de Ilustração 2011 recorrendo à mesma técnica com Os Animais Domésticos. As inscrições podem ser feitas através do email da Orfeu Negro, onde Catarina Sobral tem os seus dois livros publicados: Greve e Achimpa.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
DOS JORNAIS, 2
«Todos precisamos de perdão. O perdão instala um corte positivo, interrompe a baba inútil da tristeza, essa maceração que nos faz infelizes e nos leva a esmagar os outros de infelicidade. Tão facilmente ficamos atolados em becos cegos, em círculos sem saída, reféns de uma amargura que cada vez vai sendo mais pesada e contamina inexoravelmente a vida. O ato de perdão é uma declaração unilateral de esperança.»
(crónica de José Tolentino Mendonça no último Expresso, para acompanhar com Tom Jobim.)
INSENSATEZ - TOM JOBIM
A insensatez
Que você fez
coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
o seu amor um amor
tão delicado
Ah porque você
foi fraco assim
assim tão desalmado
Ah, meu coração
quem nunca amou
não merece ser amado
Vai meu coração
ouve a razão
usa só sinceridade
Quem semeia vento,
diz a razão,
colhe sempre tempestade
Vai meu coração
pede perdão
perdão apaixonado
Vai porque quem não
pede perdão
não é nunca perdoado
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
'ONDE MORAM AS CASAS' NO CATA-LIVROS
Da capa à contracapa, Onde Moram as Casas pode agora ser lido e visto no site Cata-Livros. Também já tinha sido feito um trabalho magnífico com o Ainda Falta Muito? e A Lebre de Chumbo. Obrigada a toda a equipa!
PHILIP PULLMAN RESPONDE
«(...) Não me parece que nos nossos dias haja quem acredite nas musas, mas compreendo porque é que as pessoas costumavam acreditar. As ideias vêm-nos misteriosamente; não podemos garantir que teremos uma boa ideia só por dizermos que somos escritores. As ideias parece virem de algum lado, do escuro, por nenhuma razão em particular.
Mas ajuda estar-se preparado. Quando as pessoas me perguntam de onde tiro as minhas ideias, por vezes digo: "Não sei de onde vêm, mas sei para onde vão: vão para a minha secretária, e se ela não estiver lá elas vão-se embora." Por outras palavras, quer estejamos à secretária quer estejamos noutro sítio qualquer, temos de estar preparados para reconhecer uma boa ideia e fazer alguma coisa dela. (...)»
(Philip Pullman, escritor inglês, autor da trilogia Mundos Paralelos (His Dark Materials), respondendo à pergunta «Como é que os escritores pensam nas suas ideias?», no livro Grandes Perguntas de Gente Miúda com Respostas Simples de Gente Graúda, editado recentemente pela Presença. Já agora, «as ideias parece virem» ou «as ideias parecem vir»?)
domingo, 20 de outubro de 2013
DOS JORNAIS, 1
É pena que o Público não tenha posto online (acessível a todos) esta reportagem de Andreia Sanches, publicada na edição de ontem. «Não quero ser como os meus pais» é um título que sobressalta, quando sabemos que as crianças crescem imitando os comportamentos dos adultos. Que um adolescente de 15 anos diga isto, referindo-se a um núcleo familiar «normal», é revelador de uma desesperada lucidez que a escola devia ter capacidade de perceber. Mas, claro, não há psicólogos que cheguem nem se considera prioritário saber o que vai na cabeça das pessoas, ainda que não faltem psicólogos no desemprego e o suicídio seja a segunda causa de morte em Portugal. Alguns excertos significativos:
«Todos os dias, o casal sai de manhã e faz o que milhares de outros fazem: regressa a casa pelo congestionado IC19. Chegam a casa à noite, conta Pedro Proença, o advogado de defesa. Não é a vida que o adolescente ambiciona para o seu futuro.»
«Nunca houve propriamente discussões com a família. Mas o jovem, filho único, aluno do ensino secundário, de um curso de Economia, foi-se isolando dos pais. A sua rotina era esta: casa-escola-casa-jogos-de-computador. E livros. Lê bastante.»
«Disse-me [ao advogado de defesa]: 'Não quero ser igual aos meus pais'. Não se identifica com alguns valores, ter uma vida monocromática, sair de manhã para ir ganhar dinheiro, voltar à noite exausto, prescindir de uma existência mais interessante e de uma relação afectiva com os filhos.»
«Ao advogado, o rapaz disse que há muito se sentia triste. Queixou-se do curso de Economia. "Disse-me: 'Quando vejo o que o Governo faz com o país, começo a odiar a área que escolhi'."
(Detachment, o filme de Tony Kaye, tem tudo, mas tudo a ver com isto. Na imagem, liceu de Columbine, nos EUA, onde a 20 de Abril de 1999 dois estudantes mataram 13 pessoas e se suicidaram em seguida.)
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
FAQ: FREQUENTES ATITUDES QUADRADAS
Frequentes Atitudes Quadradas quando se trata de escolher livros para crianças:
- Ler o livro apenas com o cérebro de um adulto.
- Pensar que os livros servem só para educar e ensinar.
- Pensar que as crianças “não percebem”.
- Pensar que quanto mais infantis e “fofinhas” são as ilustrações, melhor.
- Pensar que as ilustrações não acrescentam nada ao texto.
- Pensar que os livros com pouco texto (ou sem texto) têm menos valor e que não vale a pena dar dinheiro por eles.
- Dizer à criança “escolhe um livro até cinco euros”.
- Dizer à criança “esse não, que não é para a tua idade”.
- Dizer à criança “mas tu não sabes ler, para que queres esse livro?!”
- Insistir em escolher o livro quando quer ser ela a fazê-lo.
- Escolher um livro à pressa.
- Escolher livros assinados por “celebridades” que nunca deram provas de saber escrever.
(Agora que chega ao fim mais uma edição do Curso de Livro Infantil Booktailors, vou deixar aqui no Jardim Assombrado alguns tópicos abordados, a começar por aquilo que designei de FAQ - Frequentes Atitudes Quadradas. Obrigada a todos os que divulgaram na blogosfera, passa-palavra e Facebook. Para o ano há mais... espero!)
OS LIVROS SÃO
A meio de outra manhã de outro dia qualquer,
aí por volta das onze horas, o Puff apareceu sem ter entrado no escritório do
senhor Pina.
«Viva! O que estás a fazer?»«Estou a escrever um livro para a Sara e para a Ana. O Inventão.»
«Ah e é um livro para crianças, então?»
«Quando for lido por uma criança é um livro para crianças. Quando for lido por um adulto é um livro para adultos. Os livros não são “para”, os livros são.»
(Álvaro Magalhães, O Senhor Pina, ed. Assírio & Alvim)
terça-feira, 15 de outubro de 2013
ESCREVER PARA NÃO TER DE MENTIR
Face à plausível inutilidade da literatura e da arte em geral, também me pergunto porque escrevo, quando poderia certamente fazer coisas melhores. Uma vez, na Feira do Livro de Lisboa, ouvi Lídia Jorge afirmar que «essa é a única pergunta a que não se pode responder com sinceridade» [porque escreve?]. «Precisaria de uma vida inteira para responder», disse Phillip Roth a este respeito. Não serve de grande consolo, nem chega para nos libertar da sensação de fraude que, a espaços, desperta o inimigo que ri dentro de nós. Escrever para quê, para quem?
Se
calhar, escrevo para não ter de mentir. Porque aparentada com a maldade, a
mentira é abominável, seja aquela que destrói um povo e um país (todas as
ditaduras o exemplificam), sejam as mentiras que contamos aos outros e a nós
próprios, acossados pelo medo atávico do incompreensível. Porque incapazes de
lidar com as consequências da verdade, todos mentimos; faz parte da tendência
do género humano para a devassidão. Não há remédio, muito menos remédio santo.
Sendo
uma possibilidade de interpretar e reorganizar o mundo à nossa volta, incluindo
o mundo que nos acontece, a escrita e a arte surgem como libertação
temporária do mal absoluto, que é sempre frio e estéril. Para destruir o ser
humano, basta atirá-lo para uma grande desolação interior. Contar-lhe uma
mentira e negar-lhe a possibilidade de contrapor com as armas que tiver à mão:
a palavra, a espada, o riso ou outras. Para uma luta justa.
Talvez
isto seja também uma mentira, mas creio que, se não pudesse escrever, mentiria
muito mais.
(Imagem retirada daqui.)
DA TRILOGIA CANINA
Depois de Arturo, com texto de Davide Cali e fotografia de Ninamasina, a Bruaá anuncia a chegada às livrarias de Um Nome Para o Cão, de Ivan Chermayeff. O apelido soa familiar? É que Ivan é irmão de Peter Chermayeff, arquitecto que concebeu o projecto do Oceanário de Lisboa. Este é o primeiro de três títulos do autor que a Bruaá vai publicar. Para completar a «trilogia canina», já está na calha outro livro, desta vez de um «artista português». Cão será, perdão, quem será?
NOVIDADES CÍRCULO DE LEITORES
Mil páginas que reunem num só volume a tradução integral dos contos dos Irmãos Grimm e o oitavo título da colecção Grandes Exploradores, dedicado a Marco Polo (Viagem ao Império do Meio).
domingo, 13 de outubro de 2013
NÃO SEI QUE TÍTULO HEI-DE PÔR PARA DIZER QUE ESTE FILME TEM MESMO DE SER VISTO
Detachment ou Indiferença: não sei se passou nos cinemas portugueses. Ia dizer que todos os professores e pais deviam ver este filme, mas rectifico: todos devíamos ver este filme. Não é para quem sonha com utopias; é para quem sabe que não está sozinho nesta luta e que a mudança na forma como entendemos a educação e o progresso é inevitável. Precisamos de mais consciência, mais compromisso, mais coragem e carácter. Precisamos de pessoas que se importem e que recusem essa arma equipada com silenciador que dá pelo nome de "indiferença". Logo que possam, ampliem o ecrã do computador e vejam o filme no You Tube, inteiro e legendado em português (aqui). Professor numa escola secundária, Adrien Brody faz o melhor papel da vida dele, pelo menos desde O Pianista; de resto, toda a direcção de actores é brilhante. A linguagem não é meiga e algumas cenas idem, mas não se assustem. Depois digam-me se não valeu a pena.
sábado, 12 de outubro de 2013
'IRMÃO LOBO' EM BLUE MOOD
«A história que conta prende-nos a atenção e chocalha-nos a consciência. E a forma como é contada carrega um equilíbrio admirável entre aquilo que são as confusões e o ensimesmamento próprios da juventude e a ausência de paternalismo e discurso pedagógico.» Raquel Patriarca, investigadora na área da literatura para crianças, escreveu sobre o Irmão Lobo no blogue Bankbluebook.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
COMO VIVEM OS ANIMAIS
Gosto muito, mas mesmo muito desta colecção de novelty books: livros com pop-ups, abas para levantar, tiras para puxar e outros «segredos» que interagem com o leitor. A capa reproduzida acima pertence à edição inglesa da Templar Publishing, mas já está disponível em português (Como Vivem os Animais, Editorial Presença) e esperemos que cheguem os outros. Da mesma dupla de autoras anglo-saxónicas, Christiane Dorion e Beverley Young, foi também publicado Como Funciona o Mundo, que recebeu vários prémios (e, diga-se a verdade, é mais imaginativo e mais bem feito...). Quando escrevi o Irmão Lobo peguei nele muitas vezes para observar em três dimensões o movimento das placas tectónicas, uma metáfora da desagregação familiar que atravessa todo o livro. Se não sabiam, ficam a saber.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
O FILHO DA LAVADEIRA
No dia em que se anuncia o Nobel da Literatura, nada me parece mais importante do que conhecer o discurso de Luiz Ruffato (Minas Gerais, 1961) para a inauguração da Feira do Livro de Frankfurt. Não apenas este excerto, mas todo o texto que reivindica claramente um papel actuante e engagé, sem que tal descambe na interpretação panfletária e maniqueísta do mundo. De resto, basta ler o escritor, publicado em Portugal pela Quetzal e Tinta-da-China.
«Eu acredito, talvez até ingenuamente, no papel transformador da literatura. Filho de uma lavadeira analfabeta e um pipoqueiro semianalfabeto, eu mesmo pipoqueiro, caixeiro de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil, torneiro-mecânico, gerente de lanchonete, tive meu destino modificado pelo contato, embora fortuito, com os livros. E se a leitura de um livro pode alterar o rumo da vida de uma pessoa, e sendo a sociedade feita de pessoas, então a literatura pode mudar a sociedade. Em nossos tempos, de exacerbado apego ao narcisismo e extremado culto ao individualismo, aquele que nos é estranho, e que por isso deveria nos despertar o fascínio pelo reconhecimento mútuo, mais que nunca tem sido visto como o que nos ameaça. Voltamos as costas ao outro --seja ele o imigrante, o pobre, o negro, o indígena, a mulher, o homossexual-- como tentativa de nos preservar, esquecendo que assim implodimos a nossa própria condição de existir. Sucumbimos à solidão e ao egoísmo e nos negamos a nós mesmos. Para me contrapor a isso escrevo: quero afetar o leitor, modificá-lo, para transformar o mundo. Trata-se de uma utopia, eu sei, mas me alimento de utopias. Porque penso que o destino último de todo ser humano deveria ser unicamente esse, o de alcançar a felicidade na Terra. Aqui e agora.»
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
VIVER DUAS VEZES
Christiane F. sobreviveu para ver a sua segunda biografia, que estará em destaque na Feira do Livro de Frankfurt. Tem agora 51 anos. E eu já não tenho tempo para ler o mesmo livro 13 vezes, como dantes. Ver o artigo no Le Monde ou o booktrailer (não faz mal se não entender alemão).
DEZ MANDAMENTOS DO LIVRO INFANTIL
Parafraseando Tristan Tzara e o seu Manifesto Dada: em princípio sou contra os mandamentos, mas também sou contra os princípios. Via La Double Vie de Veronique.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Ó VERÃO, VOLTA PARA TRÁS
Hortas Aromáticas, uma edição Dinalivro, apresenta-se como um livro para «os dias longos de Verão», sendo já o terceiro da dupla Fernanda Botelho/Sara Simões. Nestes dias em que o sol e o calor resolveram refrear a chegada do Outono, apetece mesmo pegar nele. Da autora do texto e do seu blogue, Malva Silvestre, já tínhamos falado aqui; faltou lembrar que Sara Simões, especialista em ilustração científica, tem também um blogue, Velhadaldeia.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
OS GRIMM NA BOCA DO LOBO
Lembram-se de ouvir as histórias dos Irmãos Grimm na TSF? Foi o ano passado, por ocasião das comemorações dos 200 anos da primeira edição alemã. Em parceria com o IELT, a editora Boca reuniu em audiolivro 35 contos, naquele que é o quinto projecto da colecção HOT - Histórias Oralmente Transmissíveis. António Fontinha, Cristina Taquelim, Maria Morais, Rodolfo Castro e Thomas Bakk, contadores de histórias da melhor cepa, dão a voz ao manifesto, enquanto a bela capa é assinada por José Feitor. A primeira apresentação pública acontece este domingo, 6 de Outubro, no Porto, durante a Festa de Outono da Fundação de Serralves. Mais tarde, a 26 de Outubro, Lisboa também terá direito ao seu quinhão de contos, desta feita na Biblioteca Municipal de São Lázaro, que está festa de 130º aniversário. Toda a informação no blogue da Boca e o «era uma vez...» da Branca de Neve para escutar aqui.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
LER DE OUTUBRO
Já saiu a Ler deste mês. Nas «Leituras Miúdas», falo do novo livro de Álvaro Magalhães, O Senhor Pina (Assírio & Alvim), uma pequena maravilha para nos alegrar o Outono. Na secção «Wendy no Divã», o paciente é o Lobo Mau, esse vilão sempre sedutor. Ainda as respostas do ilustrador Alex Gozblau para o «Scrapbook» e a coluna das reclamações «Efeito Sombra». Boas leituras!
terça-feira, 1 de outubro de 2013
OS LIVROS DIFÍCEIS
O Meu Pai Está Desempregado (Máquina de Voar) é um livro que arrisca e sai a ganhar. Não é fácil abordar temas difíceis sem ceder à moral do panfleto ou cair na lamechice. Imagino o quanto se retorceram os estômagos das autoras ao serem «entrevistadas» por apresentadores deste calibre, no Correio da Manhã TV. A «Tia» Maya e mais um rapaz cujo nome ignoro, graças a Deus, desconheciam o livro até ao momento em que a produção o deixou sobre a mesa e não o tinham lido, nem sequer por alto. Proferiram meia dúzia de patetices que não justificam o salário que auferem. A «Tia» Maya diz que não é fácil lidar com pais que são figuras públicas e sugere que o próximo livro da colecção O que fazem os pais? seja sobre «apresentadores». Tremo só de pensar. Jornalistas da Lusa, Carla Jorge e Irina Melo, autoras do texto (a ilustração é de Catarina Correia Marques), falaram nos poucos minutos que escaparam aos egos vorazes dos ditos apresentadores-figuras-públicas. Deixaram a ideia de que pode ser «um livro difícil de oferecer» a uma criança cujo pai ou mãe estejam desempregados. Mas isso, obviamente, não é um defeito.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
WENDY NO DIVÃ: O CHAPELEIRO LOUCO
Com a recente mudança gráfica e editorial da revista LER, também as «Leituras Miúdas» sofreram uma reviravolta. Menos crítica, menos texto, menos páginas, como em toda a revista, mas algumas novas secções que me estão a dar muito gozo escrever. «Wendy no divã» é uma delas. Onde se fala das perturbações mentais e casos patológicos dos personagens da literatura infanto-juvenil (e são quase todos!). Noblesse oblige, coube ao Chapeleiro Louco abrir as hostilidades. Para a semana, chega o Lobo Mau.
Chapeleiro Louco
É um caso grave de psicose partilhada, talvez originada pelo abuso de chá. Não
há remissão possível para quem tenta reparar um relógio com manteiga.
A expressão «louco como um
chapeleiro» já existia antes de Lewis Carroll ter escrito o capítulo sete de Alice no País das Maravilhas. Contudo,
os sintomas patológicos causados por intoxicação com mercúrio, metal outrora
usado na confecção de chapéus, não coincidem com o quadro clínico psicótico do
Chapeleiro Louco. É muito possível que tenha sido inspirado na figura de
Theophilus Carter, um comerciante excêntrico, contemporâneo de Carroll, que
inventou um relógio de cabeceira com sistema de alarme. Tal explicaria a
obsessão do personagem com o tempo e a hora do chá: «Agora são sempre seis
horas», diz, deixando Alice à beira de um ataque de nervos. Com a Lebre de
Março e o Arganaz, companheiros de delírio, é um caso evidente de folie à trois, ou psicose partilhada. Proferiu
um enigma esfíngico, exemplar do espírito nonsense:
«Em que é que um corvo se parece com uma escrivaninha?» Desde a publicação do
livro, em 1865, surgiram inúmeras respostas. O Chapeleiro ri-se.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
NO LABORATÓRIO COM RODOLFO CASTRO
Recomendo
este Laboratório de Contadores de Histórias do Rodolfo Castro porque já o fiz.
Aprendi muito – não só com o Rodolfo mas com todo o grupo – aspectos
importantes da selecção e adaptação dos contos às exigências do contar, e sobre
como podemos trazer à superfície o que é próprio de nós, da nossa forma de nos
movimentarmos no mundo e da maneira como o comunicamos. Foram horas muito
enriquecedoras e muito bem passadas – e não importa se se é um contador
experimentado ou apenas um curioso na matéria. Vai acontecer em Lisboa, na Biblioteca
Camões, aos sábados, das 10h00 às 17h00, nos dias 12 e 26 de Outubro e 9 e 23
de Novembro. Informações e inscrições pelo email habitantedoconto@gmail.com.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
LOBO E KARATECA VÃO ATÉ AVEIRO
Na próxima sexta-feira, às 18h00, o Lobo encontra-se com a Karateca, na livraria Gigões & Anantes (Aveiro). Vai ser uma luta renhida entre duas espécies diferentes ou, pelo contrário, descobrirão que podem entrar no mesmo programa BBC Vida Selvagem? Isabel Minhós Martins, editora do Planeta Tangerina, também estará presente neste encontro inédito entre o Lobo e a Karateca! Não percam!
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