quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
BEST OF 2013: UMA ESCURIDÃO BONITA
«Era verdade, tínhamos tempo. A falta de luz também inventava mais tempo para as pessoas estarem juntas, devagar.
Para mim a falta de luz era estar ali com ela, de mãos dadas - os meus lábios na espera dos lábios dela.»
Uma Escuridão Bonita, de Ondjaki (texto) e António Jorge Gonçalves (ilustrações), Caminho, 2013.
[A partir de hoje e ao longo dos próximos dias, vou publicar a capa e um pequeno excerto dos livros de que gostei mais em 2013. Na área infanto-juvenil, claro. Uma Escuridão Bonita, de Ondjaki, o vencedor da 8ª edição do Prémio José Saramago, eu ofereceria a qualquer adolescente apaixonado... se é que isto não é um pleonasmo. António Jorge Gonçalves fez dele uma obra gráfica e visual única. Para todas as idades.]
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
DISFARCES DO MAL
«A literatura infantil não é neutra». Na edição de Dezembro do Le Monde Diplomatique, a propósito de uma recente conferência na Fundação Luso-Americana, escrevi sobre livros para crianças como instrumentos de controlo moral e ideológico, explícito ou não explícito. «É fácil perceber como a negação do Outro contraria qualquer ética do indivíduo, começando por destituí-lo da sua singularidade. O acabrunhamento e a mentira fazem parte das técnicas mais utilizadas, em nome da higienização geral» Ontem, no blogue Malomil, António Araújo deixou um excelente post intitulado «As crianças de Ceaucescu». É precisamente a isto que me refiro. E sim, temos o imperativo moral de não esquecer o mal que nos fazem.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
MOCHOS E ESTORNINHOS
No site Rua de Baixo, Andreia Rasga sugere Boa Noite, Mocho!, da veterana Pat Hutchins. Foi o penúltimo livro que traduzi para a Kalandraka (ainda há aí um novo Tomi Ungerer à espera de chegar...) e deu-me um certo trabalhinho, por causa das onomatopeias e das vozes de animais. Agora, por favor, não me digam que os estorninhos «pissitam», porque esse é um verbo que não tenciono conjugar nem sob intimidação. A alternativa que encontrei é igualmente correcta e traduzir também é uma questão de ouvido e de bom senso. Espero que gostem. É um livro especialmente indicado para pré-leitores, muito bom para ler em família. Diz a Andreia Rasga: «Esta história lê-se a cantar, imitando as onomatopeias e repetindo as deixas página a página. Um folhear embalado pelos sons da floresta acordada, enquanto o mocho tenta dormir.» Texto completo aqui.
[Adenda: e enquanto o mocho tentava dormir, a crítica de Paula Pina saía também no Cria Cria.]
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
SOU EU O CAPITÃO DA MINHA ALMA
Repórter e correspondente da LUSA e RTP na África do Sul, António Mateus é um dos mais sérios conhecedores da vida de Nelson Mandela; e se há alguma biografia a recomendar aos adolescentes, neste momento, será esta: Mandela - O Rebelde Exemplar (Planeta). Começa em 1926, quando o pequeno Rolihalahla Mandela é «rebaptizado» de Nelson («como o grande almirante britânico») pela professora primária, e segue por uma vida ímpar em que os acontecimentos são narrados com objectividade e concisão, num encadeamento em género «grande reportagem», com ilustrações sóbrias de Nuno Tuna. A infância e juventude de Mandela ocupam quase metade das 155 páginas, uma opção compreensível, embora gostássemos de ter visto mais desenvolvidos os capítulos sobre os 18 anos de prisão em Robben, quando a solidão e as provações empurraram um homem de carácter para a sua transformação num líder capaz de sentir compaixão pelo inimigo. Na ilha-prisão de Robben, Mandela repetiria como uma oração o poema de William Ernest Henley, cujo último quarteto resume a divisa que sempre o guiou: «Não importa quão estreito é o portão, / Que martírios guarde ainda a minha palma. / Sou eu o senhor do meu destino/ Sou eu o capitão da minha alma.» (tradução de Ana Maria Pereirinha)
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
AS MENINAS TAMBÉM SÃO DE MARTE
Acredito que as autoras tenham dado o seu melhor e que estes dois livros sejam bonitos e bem feitos, como é hábito do que traz a chancela da Booksmile. Mas era mesmo necessário cair nestes esterótipos tão fora de época? Meninas etéreas de um lado, construtores da sociedade do outro? Assim não vamos lá. Um estudo recente publicado na Visão explica as divergências de funcionamento entre os cérebros masculino e feminino (aquela história de Marte e Vénus), mas o que me parece mais interessante é o que está no fim do artigo, a saber: os cérebros das crianças são os que apresentam menos diferenças entre os sexos. Não precisamos de cair no oposto, nem deixar de dar bonecas e carrinhos, mas no dia em que toda esta ganga cultural deixar de ter tanto peso, aposto que todos ganharemos.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
SÁBADO HÁ FESTA TANGERINA
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
O TEMPO CIRCULAR
Foi mesmo uma bela noite de contos. Mais ele quisesse contar, mais ouviríamos. Ficou um livro belíssimo, com ilustrações do mexicano Enrique Torralba, a lembrar um pouco as atmosferas surreais de Shaun Tan, mas sem se confundirem com estas. O texto que Rodolfo Castro diz ser «o mais representativo» da sua produção deixa-nos com o incómodo das coisas por acabar, que é também o que nos faz sentir vivos e atentos. Entendam como quiserem. O Último Conto é um dos livros de 2013, absolutamente. Para encontrá-lo já, o melhor mesmo será ir à livraria Gatafunho, que arriscou fazer uma edição diferente do habitual. E agora sim, aqui fica a capa completa.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
SELF PUB
Este ano, A Lebre de Chumbo passou a integrar as listas do Plano Nacional de Leitura em regime de leitura autónoma (4º ano do 1º ciclo). No lado direito do blogue, incluí agora a referência ao PNL, para melhor orientação dos professores que queiram trabalhar os livros. Também podem ver na página da Bookoffice (aqui) as críticas que saíram na imprensa e não só. Um «obrigada» muito especial à Sara Peres pelo seu trabalho tão atento.
sábado, 30 de novembro de 2013
OS ÚLTIMOS CONTOS
Peço desculpa, mas não consegui encontrar uma imagem que mostrasse a capa deste livro, O Último Conto (Gatafunho). É um pequeno enigma que será resolvido mais logo, na livraria Gatafunho (Rua do Trombeta, 1D, ao Bairro Alto, Lisboa), a partir das 21h30, quando Rodolfo Castro revelar o que acontece a um bairro quando a voz do contador de histórias se apaga. Além da apresentação do livro, Rodolfo vai brindar os presentes com uma mão cheia de histórias, as últimas deste ano que se aproxima do fim. Vai ser uma bela noite, aposto.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
RINOCERONTES SOBEM A AVENIDA
No próximo sábado, 30 de Novembro, às 17h00, apresento o novo livro de Gilda Nunes Barata, ilustrado por Danuta Wojciechowska e Joana Paz: Um Rinoceronte e uma Gaivota na Torre de Belém (ed. Lupa). Não será bem uma apresentação formal, com direito a discurso sério; antes uma conversa entre as autoras que me caberá moderar. A seguir, inaugura-se a exposição de ilustração da Danuta e, depois, haverá uma actividade para crianças e um lanchinho. Tudo isto acontece no Espaço 62, em Lisboa (Rua Conceição da Glória, 62). Cliquem no convite para aumentar a imagem. Podem ver a página do Facebook aqui.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
QUANDO FOR MAIS VELHA QUERO SER ASSIM
Retratos de finlandeses partilhados pela Susana no Facebook. A natureza está no meio de nós. Ver mais aqui.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
MANHÃS QUE BRILHAM
as manhãs começam logo com a morte das mães,
ainda oito dias antes lavavam os cabelos em alfazema cozida,
ainda oito anos depois os cabelos irrepetíveis,
todas as luzes da terra abertas em cima delas,
e então a gente enche a banheira com água fria até ao pescoço,
e tudo brilha na mesma,
brilha cegamente.
(Do livro Servidões, um poema de Herberto Helder dito pelo jornalista da TSF Fernando Alves, numa produção audiovisual Cine Povero. Mais no Vimeo.)
sábado, 23 de novembro de 2013
TIPPI E O LIVRO DA SELVA
Ainda bem que este livro só foi publicado muito depois, ou Tippi Benjamine Okanti Degré teria sido perseguida por fotógrafos e jornalistas e gurus espirituais - e depois transformada numa atracção de freak show, o que certamente lhe teria sido fatal. Tippi, agora com 23 anos e a viver em França (nasceu a 4 de Junho de 1990), passou os seus primeiros dez anos entre os animais, acompanhando os pais, franceses e fotógrafos da vida selvagem, nas suas viagens por África. Estas fotografias e o video acima falam por si. Para uns, será um exemplo extremo de irresponsabilidade parental (como alguém comentou no FB); para outros, um caso raro de uma criança sobredotada, «índigo» ou outra dessas cores transcendentais muito em voga. Será ela a nossa parente mais próxima de um tempo não tão recuado assim, quando a humanidade ainda não tinha inventado a agricultura, o sedentarismo, a domesticação e, enfim, a civilização? Dá que pensar. As imagens são belíssimas. Bom fim-de-semana.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
CICLO DE SEMINÁRIOS NO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO
Nas próximas três segundas-feiras (dias 25 de Novembro, 2 e 9 de Dezembro), o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa (IEUL) abre as portas ao ciclo de seminários «Para pensar a literatura infantil». Três especialistas falam sobre três temas actuais. Cliquem na segunda imagem para ler melhor ou sigam este link do Instituto de Educação. As sessões decorrem sempre entre as 18h00 e as 20h30 na sala 7 do IEUL. Com entrada livre e sem necessidade de inscrição prévia.
ONTEM EM BOGOTÁ
Foi ontem oficialmente apresentada por Jerónimo Pizarro a colecção infanto-juvenil da editora colombiana Rocca. No Quiero Usar Anteojos e Donde Viven las Casas deram o pontapé de saída. Para o ano, se tudo correr como previsto, também lá estará o Hermano Lobo.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
19º ENCONTROS LUSO-GALAICO-FRANCESES
Nos dias 28 e 29 de Novembro, o auditório da Escola Superior de Educação do Porto recebe os 19º Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil, este ano sob o mote «Formar Leitores - Os Livros Imprescindíveis». Conferências, ateliers, venda de publicações e, muito importante, encontros ao vivo com a «comunidade» da LIJ. Tenho pena de não poder ir. Aqui fica o email para onde podem pedir, o quanto antes, o programa completo e a ficha de inscrição: nela@ese.pp.pt
LUGARES DE MAP
Quantas e quantas casas pode ter um homem do mundo? Para Manuel António Pina, uma das primeiras está no Sabugal, onde nasceu a 18 de Novembro de 1943. O jornalismo foi outra e, por isso, o Museu Nacional da Imprensa organizou uma mostra dividida em cinco núcleos (infância, literatura infantil, teatro, poesia e jornalismo) que pode ser vista até 31 de Janeiro de 2014 no Museu do Sabugal. Ao mesmo tempo, decorre um concurso para as escolas do distrito da Guarda com dezenas de prémios em livros para as bibliotecas escolares. Informações sobre horários e não só aqui.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
SEM SOMBRA DE DÚVIDA
Só ontem prestei atenção à notícia da Ilustrarte 2014, que inaugura em Janeiro no Museu da Electricidade. Houve cerca de dois mil participantes, 391 dos quais portugueses, e apenas seis foram seleccionados para a exposição: André da Loba, Ana Ventura, Bernardo Carvalho, João Vaz de Carvalho, Teresa Lima e - a única novidade - Marta Monteiro. Nesta sexta edição da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância, ganhou a ilustradora alemã Johanna Benz. Para saber mais é melhor consultar o blogue Letra Pequena, de Rita Pimenta, que escreveu sobre o tema no Público e sugere links para conhecer o trabalho da vencedora, entre outros. Pessoalmente, não me atrai muito esta estética do grotesco (e por isso também não gostei do livro que ganhou o último Prémio Nacional de Ilustração), mas admito as minhas limitações académicas e reconheço a diferença entre ver ilustração no ecrã e «ao vivo», por isso espero por Janeiro. Em relação à Ilustrarte 2014, prefiro salientar uma ilustradora que se estreou agora em livro: Marta Monteiro. Nascida em Penafiel, em 1973, é formada em Artes Plásticas/Escultura pelas Belas-Artes do Porto, tendo experiência no cinema de animação, ilustração e ensino. Sombras, publicado recentemente pela editora Pato Lógico, é um picture book sem texto que revela maturidade de execução e condução narrativa; e, sobretudo, uma visão do mundo singular, poética e muito humana. A ideia, como podem perceber pelas imagens, é a de que as nossas sombras diriam muito sobre nós, se pudessem (mas têm de ler o livro todo para perceber a história). Marta Monteiro vai dar que falar, aposto.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
O PINA, UM SENHOR
Em O Senhor Pina (Assírio & Alvim) Álvaro Magalhães assumiu a delicadíssima tarefa de fazer literatura e prestar homenagem a Manuel António Pina, que nos deixou a 19 de Outubro de 2012. Como arriscar este feito sem soar programático e, ao mesmo tempo, incorrer nas armadilhas do tom elegíaco, onde o sentimentalismo espreita a cada esquina? Talvez a resposta esteja na fala do urso Puff: «Sei como as coisas são quando não estamos a olhar para elas.»
Dir-se-ia que Álvaro Magalhães não andou à
procura do melhor ângulo para capturar um retrato do escritor e amigo de longa
data. Apenas deixou que ele lá estivesse, ganhando outra vida por intermédio
das palavras. Ao longo de 89 páginas de puro deleite, as duas vozes misturam-se,
o que nada deve ao sobrenatural – é até muito natural. Sendo inconfundível, a
escrita de ambos partilha da mesma lisura e profundidade poética que só se
atinge depois de largar muito lastro mental. Aliada à vocação dos brincadores, essa capacidade de «dizer,
dizendo-o» evidencia-se claramente nos livros para os mais novos – e que nos
perdoe Manuel António Pina o uso do «para», ele que desconfiava das funções.
Os gatos, as cigarrilhas, o casaco de
bombazina verde, o urso Puff, o fascínio pela ciência, os amigos, a família, a
poesia, os livros, o Porto, o futebol, o amor aos animais, a informalidade, os
atrasos proverbiais e a agenda sempre sobrecarregada pelo vício de dizer que
sim à vida, todas essas coisas entram em O
Senhor Pina. Discretamente ilustradas por Luiz Darocha, amigo comum de
ambos, são 16 pequenas histórias que nos recordam um pouco do que sabíamos
sobre ele; ou nem por isso. «Isto é verdade e não. E é tudo imaginação.» O
Pina, um senhor.
(Texto publicado na revista LER nº 128. Manuel António Pina faria hoje 70 anos. Sobre a homenagem que decorre hoje no Porto e, em especial, na Biblioteca Almeida Garrett, local escolhido para o lançamento deste livro maravilhoso, é favor consultar o blogue Letra Pequena.)
sábado, 16 de novembro de 2013
OUTONO NA BIBLIOTECA NACIONAL
Por estes dias é recomendável uma visita à Biblioteca Nacional, onde, de 19 a 23 de Novembro, decorre uma feira do livro de edições da BNP, Inapa e Direcção-Geral das Artes. Os descontos vão até 80 por cento do preço de capa para livros de história, literatura, ciência, arte, etc (lista completa aqui), com pechinchas a partir de um euro. Vale a pena reservar também algum tempo para conhecer a exposição de Livros de Horas medievais e a mostra comemorativa do centenário do psicanalista e pedagogo João dos Santos (1913-1987), um dos grandes livres pensadores da singularidade da criança. Há uma página coordenada por António Sampaio da Nóvoa que reune testemunhos e contributos à volta da sua figura e do seu trabalho (ver aqui.)
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
AMANHÃ É DIA DE DESASSOSSEGO
No dia em que José Saramago completaria 91 anos, o convite é para nos desassossegarmos e sairmos à rua com um livro na mão. Passar o dia a ler, se possível. No metro, no autocarro, no café, no jardim, na praça, na escadaria da igreja. Em qualquer lugar público onde haja gente e seja possível ver, por um instante, as palavras a circularem pelo ar, escrevendo novos livros, novas linhas, novos começos e fins. Amanhã pode ser um dia muito especial. O programa completo da Fundação José Saramago está aqui.
BRINCADOR E PENSADOR
«Nos dias que se seguiram, fui intimado a praticar desporto, que era parte do plano para me masculinizar e me tornar mais forte e resistente. Se ia para o 2º Ciclo, até devia aprender judo e karaté, ou talvez aprender a usar uma arma de fogo. Mas tenho para mim que o desporto não é tão saudável como o pintam, ou os desportistas não passavam metade da sua vida desportiva lesionados.»
(in O Rapaz dos Sapatos Prateados, de Álvaro Magalhães, um escritor que há 30 anos nos comove e nos deixa a pensar que coisa é essa, tão boa e tão indispensável, a que uns chamam «perder tempo» e outros chamam «devaneio».)
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
EM TODA A PARTE EM NENHUMA PARTE
Há dias em que daria um certo jeito ter o dom da ubiquidade. Na Casa Fernando Pessoa, às 18h30, celebra-se o centenário de Albert Camus, nascido a 7 de Novembro de 1913 num meio pobre do que era então a Argélia francesa. A quinhentos metros dali e à mesma hora, na Capela do Rato, José Tolentino Mendonça apresenta o seu último livro, Os Rostos de Jesus (ed. Círculo de Leitores/Temas e Debates), um ensaio sobre as muitas figurações de Cristo nos cruzeiros de pedra fotografados por Duarte Belo. Além da coincidência geográfica e de qualidade intelectual dos presentes (António Mega Ferreira na Casa Fernando Pessoa; José Mattoso e Tolentino Mendonça na Capela do Rato), há também aqui uma curiosa convergência moral, literária e política. Se Albert Camus, escritor e jornalista do combate pela liberdade e pelo homem, foi um agnóstico com o sentido do sagrado, José Tolentino Mendonça, poeta e teólogo, é um escritor que pensa Deus e a religião trazendo sempre o indivíduo para o centro. Não é demais recordar que a Capela do Rato foi o centro da famosa vigília que juntou crentes e não-crentes na contestação à guerra colonial, nos finais de 1972, na mesma altura em que em Moçambique ocorreram os infames massacres de Wiriyamu, Chawola e Juwau. Tudo isto dá que pensar, mas, sobretudo, ouvir. Agora, escolham. Pode dizer-se que, hoje, Campo de Ourique está no centro do mundo.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
SOMOS PARTE DA ALCATEIA
Entre as formas mais inquietantes da predação da natureza selvagem está o desaparecimento do território. As pessoas perdem as suas casas, os animais também. Não vejo qualquer diferença. Creio que só daremos um salto quântico civilizacional quando compreendermos que nem as pessoas estão à frente dos animais, nem os animais estão à frente das pessoas. A aprofundar-se este desequilíbrio, a extinção das espécies poderá ser transversal. Espero que esse dia nunca chegue. Espero também que os lobos possam continuar a viver em paz nos 17 hectares do Centro de Recuperação do Lobo Ibérico. A sobrevivência do projecto está em risco se não se juntar a quantia necessária para comprar o terreno onde o Grupo Lobo tem uma das suas importantes bases. Saiba como pode ajudar aqui.
BLAKE SUN
We are led to believe a lie
When we see not thro' the eye
Which was born in a night to perish in a night
When the soul slept in beams of light.
(William Blake, 1757-1827)
terça-feira, 5 de novembro de 2013
BOLOTA, A LOBA
Bolota nasceu no Verão de 2012, na mesma altura em que submergi na escrita do Irmão Lobo. É agora uma loba juvenil, a mais nova dos dez animais que habitam o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, situado entre Mafra e a Malveira. Estive lá no último sábado, para uma das visitas guiadas que acontecem aos fins-de-semana, graças ao empenho dos voluntários que contribuem para o trabalho desta organização não-governamental. Ali, os lobos vivem em segurança após terem sido retirados de cativeiros ilegais ou jardins zoológicos que não os querem/podem albergar por mais tempo. A reintrodução nos habitats não é uma opção. Encontrá-los à vista desarmada é sempre incerto, mas com a ajuda de binóculos todo o grupo conseguiu ver pelo menos três animais, dormindo ou em movimento. Foi uma emoção, quer para os adultos quer para as crianças. A Bolota não apareceu. Só a Faia, a progenitora, também presente nesta fotografia (o pai, Soajo, morreu depois de ela nascer). Para quem não tenha lido o Irmão Lobo, Bolota é o nome da narradora, uma adolescente de 15 anos que recorda uma estranha aventura on the road passada na infância, bem como a separação dramática da sua «tribo» familiar. Claro que não sabia da existência de Bolota, a loba, até ao último sábado. Chamem-lhe coincidência. Eu prefiro chamar-lhe a manifestação das coisas escondidas.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
A COLECCIONADORA DE ERVAS
A alfarroba é uma fonte importante de pectina
e cálcio. Os frutos do morangueiro são ricos em vitaminas e sais minerais. A
urtiga aumenta a produção de serotonina. As folhas e flores da margarida são
comestíveis. O outro nome do amor-de-hortelão é agarra-saias. Os conchelos
também são conhecidos por umbigos de Vénus. Segundo uma superstição inglesa, as
amoras não devem ser colhidas depois da festa de S. Miguel, porque o diabo terá
cuspido nelas... E mais? Há tanto para saber acerca das ervas silvestres e flores
comestíveis que a escolha das 53 apresentadas nesta agenda anual – já na quinta
edição – não foi nada fácil para Fernanda Botelho, especialista em botânica e
plantas medicinais. Também com a chancela da Dinalivro, assinou três bonitos
livros para crianças em parceria com a ilustradora Sara Simões, dedicados à
mesma temática (falámos deles aqui e aqui). Se quiserem passar 2014 de boa saúde e não
contribuir para a duvidosa indústria cosmética, é manter esta agenda em agenda.
sábado, 2 de novembro de 2013
JARDINEIROS DE SÁBADO DE MANHÃ
Cavar, sachar, cortar, regar, plantar, semear, mondar, abicar, tuturar, transplantar, enxertar, adubar, desbastar, repicar, retanchar, envasar, nivelar, abacelar, aconchegar. Nos verbos aplicados à jardinagem não há falta de «ar». A Escola de Jardinagem da Câmara Municipal de Lisboa realiza cursos livres para leigos, iniciados e avançados, sempre bastante concorridos – e agora é fácil perceber porquê. Em cima, três registos do último curso de Iniciação às Técnicas de Jardinagem: fotografia de grupo no dia de entrega dos certificados; no intervalo do café e outros mimos; a fazer rodas de alfazema. Aqui, a notícia no site da câmara. Para o ano há mais.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
LOU, LAURIE & LOVE

«To our neighbors:
What a beautiful fall! Everything shimmering and golden and all that incredible soft light. Water surrounding us.
Lou and I have spent a lot of time here in the past few years, and even though we’re city people this is our spiritual home.
Last week I promised Lou to get him out of the hospital and come home to Springs. And we made it!
Lou was a tai chi master and spent his last days here being happy and dazzled by the beauty and power and softness of nature. He died on Sunday morning looking at the trees and doing the famous 21 form of tai chi with just his musician hands moving through the air.
Lou was a prince and a fighter and I know his songs of the pain and beauty in the world will fill many people with the incredible joy he felt for life. Long live the beauty that comes down and through and onto all of us.
Laurie Anderson
his loving wife and eternal friend»
(carta de Laurie Anderson para Lou Reed, publicada no East Hampton Star, um jornal de Long Island, New York. O concerto de homenagem dos músicos portugueses é hoje, no Largo do Intendente, Lisboa)
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
WENDY NO DIVÃ: LOBO MAU
Em vésperas da chegada da revista LER de Novembro, aqui fica a segunda personagem «psicanalizada» na secção «Wendy no divã»:
LOBO
MAU Perseguido, escarnecido, quase sempre derrotado
pela astúcia, o Lobo Mau continua a ser o vilão de serviço das histórias. Há
quem o queira converter ao vegetarianismo. Má ideia.
Ao contrário do Barba Azul, um serial killer sanguinário e sem perdão
possível, o Lobo Mau não é um psicopata puro, apesar da reputação de gangster da floresta, esquivo e
intratável, sempre pronto a ferrar o dente em carne alheia. Porquinhos,
cabritinhos, meninas impúberes ou velhinhas duras de roer, tanto faz. A fome do
lobo é mítica, ancestral, ligada ao instinto primordial da sobrevivência. Para
aplacá-la, até o lobo mais viril será capaz de travestir-se de avozinha ou de mergulhar
a patorra em farinha, revelando uma propensão esquizóide para o disfarce, à
maneira do atormentado Norman Bates de Psycho.
Desfavorecido pela sorte, falta-lhe a sofisticação e a inteligência de um psicopata
como Hannibal Lecter, outro parente próximo de Barba Azul. Desgraçadamente, é
também a pouca sorte que o humaniza aos nossos olhos – e nenhum outro animal se
prestou a encarnar os medos próprios do homem como o fez o lobo, esse solitário
caçador.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
RATOS E HOMENS
Esta proposta de lei pretensamente defensora
do bem estar dos animais não é apenas má por ser cega, confusa e redutora. É má
na sua essência, no seu núcleo moral, na sua rasura da humanidade. Primeiro,
porque significa uma ingerência do Estado na intimidade das pessoas. Segundo,
porque não penaliza os verdadeiros criminosos que maltratam e abandonam.
Terceiro, porque facilita o regime de vigilância e denúncia do vizinho, gerando
ainda mais «mal estar social», como um ouvinte referiu há pouco no Fórum da
TSF. Toda a gente tem o direito de dormir sem cães a ladrarem a meio da noite?
Com certeza. Mas não é assim que se resolve um problema complexo. Antes de
mais, é preciso pensar, ouvir, voltar a pensar, ouvir mais, ponderar, e só
depois decidir. Mas este governo recusa-se a pensar. Tudo isto fez-me lembrar
esse extraordinário filme sobre Hannah Arendt e a sua reflexão filosófica sobre a
banalidade do mal. Transformando os animais em coisas descartáveis,
retira-se-lhes o direito à vida. Limitando as pessoas na sua bondade e solidariedade, retira-se-lhes o direito a serem humanas. E assim regride a civilização.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
AINDA BEM QUE NÃO EXISTEM UNICÓRNIOS
Gostava de ver uma proposta de lei (uma, vá lá) que fosse pelas pessoas e pelos animais, não contra. Poder incluir
facturas de veterinário no IRS, por exemplo. Esta ideia peregrina, vinda agora do Ministério da Agricultura, de limitar o
número de animais domésticos por domicílio – dois cães ou quatro gatos – e
ainda facilitar o regime das queixinhas pidescas da vizinhança não lembra ao diabo, ó Cristas. Os
índices de abandono de animais já são a vergonha que se sabe – e não é este tipo de
deliberações que vai melhorar alguma coisa. É preciso ver caso a caso. Excluindo os exemplos patológicos de
gente que acumula cães e gatos em casa ou os maltrata por sadismo – e que devia ser
rapidamente internada – não vejo por que razão o Estado deva decidir quantos
animais é que uma pessoa pode ter. Isto ainda não é a China, ou é? Segundo a notícia do Público, a excepção (há sempre excepções...) faz-se para os
criadores de «raças nacionais puras registadas», que podem ter os cães que
quiserem. São questões de pedigree. Só o «tio» Victor Veiga, consultor jurídico
do Clube Português de Canicultura, é que acha a nova lei muito boa e considera que «quem
quer ter mais cães arranja maneira de ter uma casinha na província». Então não
arranja? Eu até já lhes perdi a conta.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
DOS JORNAIS, 4
«A família é uma instituição horrível. Conservadora no pior sentido do termo. Herdamos dos nossos pais ou transmitimos aos nossos filhos os nossos genes, os nossos gostos, os nossos gestos. Dou-me conta de que estou a cruzar as pernas como o meu pai... Quer coisa mais conservadora do que esta? Romper com isto é difícil. A minha profissão tem o sucesso que tem porque as famílias são feitas para criar problemas.»
(Carlos Amaral Dias, psicanalista, em entrevista de Anabela Mota Ribeiro para o P2.)
[Sim, a família é uma instituição que cria mais problemas do que resolve. Valha-nos a possibilidade de, com alguma sorte e decisões acertadas (?), podermos ser melhores do que os nossos pais, como os nossos filhos poderão ser melhores do que nós e por aí fora. Mas se a instituição "família" se mantém, isto é como curar mordedura de cão com pêlo de cão. Ou não?]
DOS JORNAIS, 3
"Estamos naquela situação em que as mudanças estão mesmo a acontecer debaixo dos nossos olhos, mas não as estamos a ver ainda. É preciso que a política tenha essa perceção, a capacidade de ver o que ainda não está visível mas já está a acontecer na sociedade, nomeadamente na mobilização das novas gerações."
(...)
"Tenho essa utopia de que chegaremos a um ciclo em que não será possível continuar com esta espécie de desregulação do mundo económico, de um consumo desenfreado. Vamos ter de aprender a viver com menos, o que não quer dizer viver pior. Se soubermos estar atentos aos fenómenos sociais e ter uma consciência social, podemos encontrar outras formas de organização. Elas já estão a existir na sociedade."
(Excertos da entrevista à TSF da António Sampaio da Nóvoa, professor universitário e ex-reitor da Universidade de Lisboa, publicada no Diário de Notícias do último domingo. Tê-lo como próximo Presidente da República - hipótese que não descarta - poderia significar a interrupção desta safra inquinada de políticos que nos andam a governar do alto da sua arrogância, burrice e má-criação. Também tenho essa utopia.)
domingo, 27 de outubro de 2013
LOU REED (1942-2013)
«Life's good. But not fair at all.» Magic and loss, that's what it's all about.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
É MANDÁ-LOS PASSEAR
Anthony Browne (Inglaterra, 1946) é um daqueles autores que têm a capacidade de reunir consenso entre crianças e adultos. Narrador de histórias familiares e bem-humoradas, quase sempre com o seu quê de inquietante (Pela Floresta ou As Preocupações do Billy, entre outros), Browne é um ilustrador que também escreve, dotando os seus livros de uma grande coesão interna e sentido autoral. Foi, recorde-se, Prémio Andersen de ilustração em 2000. Em Um Passeio pelo Parque, um «clássico» de 1977, mostra o quanto é hábil na criação de intertextualidades, recorrendo ao seu imaginário fortemente surreal, devedor da influência de Magritte, e às múltiplas referências culturais e artísticas que introduz de forma inteligente. Sempre crítico da rigidez do mundo dos crescidos (veja-se o impagável Os Três Porquinhos), incide aqui, mais uma vez, sobre os temas da comunicação e dos afectos, apresentando-nos ao encontro (no parque, precisamente) entre dois adultos e duas crianças, acompanhados dos respectivos cães. É Anthony Browne no seu melhor. A edição, as usual, é da Kalandraka.
HABERMAS NA GULBENKIAN
O senhor Habermas, um clássico terrorífico dos meus tempos de faculdade, vai proferir a conferência de abertura do encontro internacional dedicado ao tema «Os Livros e a Leitura: desafios da era digital». Segunda-feira, todo o dia, na Gulbenkian, com entrada livre. Programa aqui.
NOVO BLOG: FÁBULAS DE LEITURA
Há um novo lugar na blogosfera dedicado aos livros e à leitura, com destaque para a literatura juvenil: chama-se Fábulas de Leitura. Bonito e criterioso nas escolhas. Recomenda-se.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
BOB E JAMES, DOIS GATOS VADIOS
James Bowen tocava na rua para fazer umas massas e andava num programa de reabilitação de metadona quando um certo gato cor-de-laranja começou a segui-lo para todo o lado. Quem gosta de gatos sabe que isto não é muito normal, mas que sabemos nós dos animais (e, enfim, que sabemos nós das pessoas)? Bob, o gato, tornou-se inseparável de James, que contou a história num livro e comoveu milhares de pessoas por todo o mundo. Já terá vendido um milhão de exemplares? Não sei. Apesar do best-seller, James e Bob continuam a fazer vida de rua e a vender a The Big Issue, revista dos sem-abrigo equivalente à nossa Cais. O gato tem muito melhor aspecto do que ele; lógico, nunca usou drogas. Ambos parecem espíritos livres genuínos e talvez seja por isso que se entendem. James fala em karma e vidas passadas, o que pode soar a «JuJu Magic» para muitas pessoas; talvez as mesmas que, no video, criticam o facto de Bob usar trela, por razões de segurança, mas que se cortam imediatamente a largar uns trocos para comprar a revista. Os cépticos questionadores e preguiçosos do costume. Nunca li o livro, mas tenho curiosidade. Dia 1 de Novembro chega às livrarias a continuação da história destes dois gatos vadios, publicada em português pela Porto Editora. Uma história real, certamente mais interessante do que muita ficção pateta.
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
PÓS-GRADUAÇÃO EM LITERATURA INFANTO-JUVENIL
Roubei o cartaz ao blogue O Bicho dos Livros para lembrar que a Escola Superior de Educação Jean Piaget, em Almada, ainda está a aceitar inscrições para a Pós-Graduação em Literatura Infanto-Juvenil, em horário pós-laboral e com duração de um semestre. Encontram o link com o plano de estudos aqui.
Informações e inscrições:
dir.ese.almada@almada.ipiaget.org
Secretariado: Isabel Cruz
Tel. 21 294 62 60
ou
Doutora Paula Pina
ppina@almada.piaget.org
Tel. 21 294 62 50 (ext. 300, gabinete B8)
[Adenda: informação recém-chegada à minha caixa de e-mail acrescenta que o prazo para pagamento das inscrições termina no final deste mês.]
BIBLIOTECAS, 2
A Biblioteca Municipal de São Lázaro, na freguesia da Pena, foi fundada em 1883, o que a torna a biblioteca pública mais antiga de Lisboa. Quem conhece sabe que aquela preciosa sala vintage acolhe uma não menos preciosa colecção de livros infantis e juvenis, verdadeiro suco da barbatana para investigadores e não só. Caso de Raquel Patriarca, cuja recente tese de doutoramento tem por título «O livro infanto-juvenil em Portugal entre 1870 e 1940». Nas comemoraçõeas dos 130 anos da biblioteca haverá oportunidade de ouvi-la falar mais uma vez sobre este tema (assisti à primeira e tenciono repetir). Vai ser às 17h00. No mesmo dia, mas às 15h00, tem lugar o lançamento do novo audiolivro da BOCA dedicado aos contos dos Irmãos Grimm, de que já falei aqui. António Fontinha e Maria Morais são dois dos contadores presentes. Uma tarde que promete!
BIBLIOTECAS, 1
No próximo sábado, 26 de Outubro, às 15h30, a ilustradora Catarina Sobral vai orientar uma oficina para crianças dos 7 aos 11 anos, versando uma técnica pouco utilizada: a linoleogravura. O local escolhido é a Biblioteca Municipal dos Coruchéus, em Alvalade (Lisboa). O linóleo é uma pasta fácil de trabalhar, esculpindo e escavando, e apela à habilidade motora e aos cinco sentidos (dá até vontade de comer). Maria João Worm ganhou o Prémio Nacional de Ilustração 2011 recorrendo à mesma técnica com Os Animais Domésticos. As inscrições podem ser feitas através do email da Orfeu Negro, onde Catarina Sobral tem os seus dois livros publicados: Greve e Achimpa.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
DOS JORNAIS, 2
«Todos precisamos de perdão. O perdão instala um corte positivo, interrompe a baba inútil da tristeza, essa maceração que nos faz infelizes e nos leva a esmagar os outros de infelicidade. Tão facilmente ficamos atolados em becos cegos, em círculos sem saída, reféns de uma amargura que cada vez vai sendo mais pesada e contamina inexoravelmente a vida. O ato de perdão é uma declaração unilateral de esperança.»
(crónica de José Tolentino Mendonça no último Expresso, para acompanhar com Tom Jobim.)
INSENSATEZ - TOM JOBIM
A insensatez
Que você fez
coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
o seu amor um amor
tão delicado
Ah porque você
foi fraco assim
assim tão desalmado
Ah, meu coração
quem nunca amou
não merece ser amado
Vai meu coração
ouve a razão
usa só sinceridade
Quem semeia vento,
diz a razão,
colhe sempre tempestade
Vai meu coração
pede perdão
perdão apaixonado
Vai porque quem não
pede perdão
não é nunca perdoado
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
'ONDE MORAM AS CASAS' NO CATA-LIVROS
Da capa à contracapa, Onde Moram as Casas pode agora ser lido e visto no site Cata-Livros. Também já tinha sido feito um trabalho magnífico com o Ainda Falta Muito? e A Lebre de Chumbo. Obrigada a toda a equipa!
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