sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
BEST OF 2013: A BELA HISTÓRIA DE O PRINCIPEZINHO
Saint-Exupéry entregou-se de alma e coração à composição deste álbum singular, que não se parece com nenhum outro e, no entanto, é rico em referências. O autor ilustrou-o com as suas próprias aguarelas (facto raro que deve ser sublinhado); quis que fosse criado à sua imagem e semelhança mas dirigindo-se a todos. Quis que os seus leitores o reconhecessem no livro, pelos inúmeros ecos biográficos que o ligam à obra e à sua história pessoal, mas quis também que se reconhecessem a si próprios, apelando à memória da infância. É esta a magia e a graça de uma narrativa que nunca se deixa dominar completamente.
A Bela História de O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry, Presença, 2013.
[Há livros que se esgotam na sua época e livros que estão em permanente actualização, mercê da transversalidade de leituras e de uma profundidade simbólica incessante. É o caso de O Principezinho, mas também de Alice no País das Maravilhas, Winnie-the-Pooh ou Peter Pan. O que há de novo nesta edição da Presença não é o texto de Saint-Exupéry, mas o interessantíssimo dossier que o acompanha. Desde o enquadramento histórico da primeira edição americana, em 1943, até aos testemunhos de amigos e amores, passando por excertos de outros livros, desenhos e esboços do autor, fotografias de época, reproduções de capas, um capítulo inédito e, last but not least, um conjunto de textos ensaísticos que reflectem sobre os temas literários, filosóficos, simbólicos e mitológicos da obra. Verdadeiramente imprescindível.]
BEST OF 2013: UM ATALHO NO TEMPO
– Como é que isto aconteceu? Não é uma maravilha? Sinto-me como se tivesse acabado de nascer! Já não estou sozinho! Tens noção do que isso significa para mim?
– Mas tu és bom no básquete e coisas – protestou Meg. – És bom nas aulas. Toda a gente gosta de ti.
– Por todos os motivos mais irrelevantes – disse Calvin. – Ainda não conheci ninguém, ninguém no mundo com que eu possa conversar. Claro, sei portar-me ao mesmo nível que toda a gente, sei diminuir-me, mas esse não sou eu.
Meg tirou um molho de garfos da gaveta e virou-os uma e outra vez, a contemplá-los.
– Estou toda confusa outra vez.
– Oh, também eu – disse Calvin alegremente. – Mas agora, pelo menos, sei que vamos para algum lado.
Um Atalho no Tempo, de Madeleine L'Engle, Oficina do Livro, 2013.
[Poucos devem ter dado pela edição em português deste clássico contemporâneo da literatura juvenil, numa colecção em que o ponto fraco são sempre as capas, demasiado banais e infantis. Publicado em 1962, nos EUA, arrebatou vários prémios literários, entre os quais o prestigiado Newbery, atribuído pela Associação das Bibliotecas Americanas. Madeleine L'Engle escreveu um romance de ficção científica - tanto quanto se pode dizer que Ursula K. Le Guin escreve livros de ficção científica - protagonizado por três miúdos inadaptados que investigam o desaparecimento misterioso de um cientista numa missão secreta do governo. À época, os conceitos extraídos da física quântica foram considerados estranhos, bem como a linguagem não-infantilizada e a relevância dada à personagem feminina. Rejeitado dezenas de vezes, tal como Harry Potter, o livro acabou por provar o seu valor. E não envelheceu.]
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
BEST OF 2013: AS HISTÓRIAS DE TERROR DA ENTRADA DO TÚNEL
Laura caminhava em direcção ao portão do jardim, com a sua camisa de dormir branca quase brilhando naquela luz fantasmagórica. Parecia mais um espírito que uma criança mortal, brilhando como um fogo-fátuo enquanto se embrenhava na sombra escura do bosque.
Penélope seguiu-a pelo jardim assim que deixou de correr o risco de ser vista por Laura se esta voltasse e olhasse para trás. Sentia o coração a bater acelerado de excitação enquanto pensava no que deveria fazer a seguir.
Deveria gritar e acordar a casa toda? Laura teria de explicar por que raio andava a deambular pelo jardim à meia-noite. Mas Penélope também.
As Histórias de Terror da Entrada do Túnel, de Chris Priestley, com ilustrações de David Roberts, Arte Plural, 2013.
[Para miúdos e miúdas que gostem de histórias de terror ao melhor estilo gótico, a série de Chris Priestley tem proporcionado excelentes arrepios. O terceiro volume não é tão bom como As Histórias de Terror do Navio Negro, mas anda lá perto. Esperemos que continuem em 2014.]
BEST OF 2013: O ÚLTIMO CONTO
Jacinto era um bom contador de histórias. A sua voz equilibrava-se entre a serenidade e a fúria.
O Último Conto, de Rodolfo Castro (texto) e Enrique Torralba (ilustrações), Gatafunho, 2013.
[As primeiras linhas
de O Último Conto fazem jus a um dos
títulos de Maria Gabriela Llansol, segundo a qual «o começo de um livro é
precioso». Lançado em edição simultânea no México, Brasil
e Portugal, O Último Conto é o
segundo livro de Rodolfo Castro (Argentina, 1965) publicado na Gatafunho,
depois de A Intenção Leitora, a Intenção
Narrativa, sobre a sua experiência de contador de histórias, a viver há
três anos e meio em Portugal. É um picture book com marcas de novela gráfica,
em que o trabalho do ilustrador Enrique Torralba (México, 1969), com nítidas influências
de Shaun Tan, nos remete para um universo onírico mas inquietantemente próximo.
Um pequeno tesouro.]
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
BEST OF 2013: CONTOS COMPLETOS - IRMÃOS GRIMM
Era uma vez um jovem pastor que queria casar e conhecia três irmãs de igual beleza, o que lhe dificultava a escolha e o impedia de se decidir por uma delas. Pediu conselho à mãe, que disse: «Convida as três, coloca-lhes queijo à frente e presta atenção a como elas o cortam.» O jovem assim fez. A primeira engoliu o queijo com a casca. A segunda tirou a casca à pressa, mas naquela rapidez desaproveitou as partes boas do queijo e deitou-as fora com a casca. A terceira tirou a casca com cuidado e não descascou o queijo nem demais nem de menos. O pastor contou o sucedido à mãe, que lhe disse: «Escolhe a terceira para tua mulher.» Ele assim fez e viveu feliz e contente com ela.
Contos Completos - Irmãos Grimm, Temas e Debates/Círculo de Leitores, 2013.
[São exactamente mil páginas que reunem os três volumes de Contos da Infância e do Lar; pela primeira vez numa edição integral em língua portuguesa, com tradução e notas de Teresa Aica Bairos e coordenação científica de Francisco Vaz da Silva. Na introdução, Teresa Aica Bairos adverte não ter partido da edição de 1812, mas de edições posteriores. Se a primeira foi resultado de «um trabalho de recolha etnográfica dirigido a um público adulto», a partir daí, os irmãos Jacob e Wilhelm foram incorporando sucessivas críticas e preceitos morais. «Ao nível do conteúdo, pode dizer-se, generalizando, que os Grimm omitiram alusões sexuais ou eróticas, e emendaram referências a situações de incesto ou de abuso familiar que consideraram perturbadoras para crianças. Em contrapartida, algumas cenas de violência tornaram-se mais gráficas e detalhadas», conclui a tradutora. Uma subversão interessante, quand même...]
BEST OF 2013: O SENHOR PINA
O senhor Pina sentou-se num sofá, a limpar as lentes dos óculos.
«O que farias tu, Puff, se estivesses no meu lugar?», perguntou, por fim.
«Eu? Nada. Quando não se faz nada, as coisas resolvem-se por si.»
«Tens a certeza?»
«Bem, é verdade que, por vezes, ficam um bocadinho estranhas, mas depois lá se resolvem.»
O senhor Pina fez uma acrobacia e ficou de pé.
O Senhor Pina, de Álvaro Magalhães, com desenhos de Luiz Darocha, Assírio e Alvim, 2013.
[Um livro absolutamente iluminado. Que dirias tu, Puff, se estivesses no meu lugar?]
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
BEST OF 2013: O CADERNO DO AVÔ HEINRICH
– Um homem, Heinrich, define-se apenas por três medidas: a capacidade de amar, a capacidade de sonhar e a capacidade de lutar – disse-me o meu pai, enquanto a minha mãe lhe limpava o sangue que escorria do nariz.
Depois, trocou de roupa e foi-se deitar. O silêncio que inundava a nossa casa naquela noite latejava como uma ferida infectada. Apenas se ouvia a nossa respiração, entrecortada por breves soluços da minha mãe. Todos estávamos acordados, mas não havia palavras para dizer.
(O Caderno do Avô Heinrich, de Conceição Dinis Tomé, Presença, 2013.)
[Outra revelação, desta vez na literatura. Prémio Literário Maria Rosa Colaço de 2012, na modalidade de literatura juvenil, Conceição Dinis Tomé conseguiu tratar um tema fortíssimo - o Holocausto - sem incorrer no sentimentalismo. Habilidade narrativa, uma escrita ágil e cuidada, um talento especial para descrever cenários e situações aplicando o conselho de Kurt Vonnegut: faz com que aconteçam coisas terríveis às tuas personagens para o leitor ver de que massa é que são feitas.]
BEST OF 2013: SOMBRAS
Sombras, de Marta Monteiro, Pato Lógico, 2013.
[Ao contrário dos títulos anteriores do «best of 2013», não é possível publicar um excerto porque... é um livro sem texto. Extraordinariamente consistente e original, este picture book puro revela-nos uma visão de autor que coincide com uma visão do mundo, dispensando quaisquer palavras. Imaginando o que as sombras poderiam acrescentar à realidade dos corpos e dos nossos gestos diários, Marta Monteiro protagonizou uma estreia que se poderá considerar a revelação do ano no domínio da ilustração.]
domingo, 15 de dezembro de 2013
BEST OF 2013: PORTUGAL LENDÁRIO
Para cura de crianças engaranhadas não há nada como a Fonte dos Engaranhos. Fica na aldeia de Couços, freguesia de Murias, concelho de Mirandela. A fonte tem fama, mas o leitor é capaz de não saber o que é engaranho. Pois é raquitismo. Ali na região, as mães agarram nas crianças com esse problema e levam-nas à fonte. Despem-nas e mergulham-nas. Quando se vêm embora, deixam lá ficar a roupa que levam, que é para ficar também o mal. Pois esta lenda assenta do desengaranhar próprio dessa fonte.
Portugal Lendário - Tesouro da Tradição Popular, de José Viale Moutinho, Círculo de Leitores, 2013.
[Do Minho ao Algarve, incluindo Madeira e Açores, todos os concelhos do território português estão aqui representados. Um trabalho de recolha etnográfica de referência, que começou por ser distribuído em fichas com o Diário de Notícias e se materializou nesta bela edição. Fica o repto do autor: «Numa época marcada pela globalização, este livro é, todo ele, uma aventura identitária, que ninguém, e por nenhum preço, nos pode retirar. É o tiras!»]
sábado, 14 de dezembro de 2013
BEST OF 2013: A VERDADEIRA HISTÓRIA DO CAPITÃO GANCHO
–Ah, James, és tu... Entra. Estava à tua espera. James pisou as pedrinhas brancas que cobriam o jardim.
– Ainda descalço? – riu-se o inglês, assim que se apercebeu. – Olha só para ti! Estás vestido a rigor, mas os sapatos não consegues mesmo utilizá-los! Como hei de chamar-te, rebelde?
– Espírito livre soa melhor.
A Verdadeira História do Capitão Gancho, de P.D. Baccalario, Civilização, 2013.
[Na senda de Emilio Salgari, eis um romance de aventuras que faz jus à figura melancólica e atormentada do Capitão Gancho, reconstruindo a sua vida desde o nascimento - como filho bastardo do Rei Jorge IV - até à secreta errância na Índia do império britânico. Crossover fiction da melhor.]
BEST OF 2013: PIPPI DAS MEIAS ALTAS
Tens de compreender, senhora professora, quando se tem uma mãe que é um anjo que está no céu, um pai que é o rei da ilha selvagem, e se passou toda a vida a velejar pelas mares fora, uma pessoa não sabe como é que se há de comportar na escola.
Pippi das Meias Altas, de Astrid Lindgren, ilustrado por Lauren Child, Booksmile, 2013.
[Publicado na Suécia em 1945, o clássico de Astrid Lindgren apareceu finalmente numa boa tradução em português, com ilustrações da inglesa Lauren Child. Uma dupla de força e uma nova vida para aquela que é, provavelmente, a personagem mais anarquista da literatura infantil.]
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
BEST OF 2013: TANTOS ANIMAIS E OUTRAS LENGALENGAS DE CONTAR
1, 2, 3, lá na loja do chinês...
3, 2, 1, há muitas latas de atum.
4, 5, 6, há coloridos papéis...
6, 5, 4, e toda a espécie de sapato.
7, 8, 9, há chapéus p'ra quando chove...
9, 8, 7, e rodas de trotinete.
10, 11, 12, mas a portinha fechou-se...
12, 11, 10, hei de voltar outra vez.
Tantos Animais e Outras Lengalengas de Contar, de Manuela Castro Neves (texto) e Yara Kono (ilustrações), Planeta Tangerina, 2013.
[Vinte lengalengas originais concebidas em torno de um modelo matemático e de um tema: pares e ímpares, contagem decrescente, numerais ordinais, múltiplos de dois, etc. As ilustrações incorporam formas geométricas e numéricas, amplificando o sentido lúdico do texto, sempre muito consistente na sua arquitectura poética. Um livro para pré-leitores e primeiros leitores, a descobrir especialmente por professores e educadores.]
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
BEST OF 2013: UMA ESCURIDÃO BONITA
«Era verdade, tínhamos tempo. A falta de luz também inventava mais tempo para as pessoas estarem juntas, devagar.
Para mim a falta de luz era estar ali com ela, de mãos dadas - os meus lábios na espera dos lábios dela.»
Uma Escuridão Bonita, de Ondjaki (texto) e António Jorge Gonçalves (ilustrações), Caminho, 2013.
[A partir de hoje e ao longo dos próximos dias, vou publicar a capa e um pequeno excerto dos livros de que gostei mais em 2013. Na área infanto-juvenil, claro. Uma Escuridão Bonita, de Ondjaki, o vencedor da 8ª edição do Prémio José Saramago, eu ofereceria a qualquer adolescente apaixonado... se é que isto não é um pleonasmo. António Jorge Gonçalves fez dele uma obra gráfica e visual única. Para todas as idades.]
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
DISFARCES DO MAL
«A literatura infantil não é neutra». Na edição de Dezembro do Le Monde Diplomatique, a propósito de uma recente conferência na Fundação Luso-Americana, escrevi sobre livros para crianças como instrumentos de controlo moral e ideológico, explícito ou não explícito. «É fácil perceber como a negação do Outro contraria qualquer ética do indivíduo, começando por destituí-lo da sua singularidade. O acabrunhamento e a mentira fazem parte das técnicas mais utilizadas, em nome da higienização geral» Ontem, no blogue Malomil, António Araújo deixou um excelente post intitulado «As crianças de Ceaucescu». É precisamente a isto que me refiro. E sim, temos o imperativo moral de não esquecer o mal que nos fazem.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
MOCHOS E ESTORNINHOS
No site Rua de Baixo, Andreia Rasga sugere Boa Noite, Mocho!, da veterana Pat Hutchins. Foi o penúltimo livro que traduzi para a Kalandraka (ainda há aí um novo Tomi Ungerer à espera de chegar...) e deu-me um certo trabalhinho, por causa das onomatopeias e das vozes de animais. Agora, por favor, não me digam que os estorninhos «pissitam», porque esse é um verbo que não tenciono conjugar nem sob intimidação. A alternativa que encontrei é igualmente correcta e traduzir também é uma questão de ouvido e de bom senso. Espero que gostem. É um livro especialmente indicado para pré-leitores, muito bom para ler em família. Diz a Andreia Rasga: «Esta história lê-se a cantar, imitando as onomatopeias e repetindo as deixas página a página. Um folhear embalado pelos sons da floresta acordada, enquanto o mocho tenta dormir.» Texto completo aqui.
[Adenda: e enquanto o mocho tentava dormir, a crítica de Paula Pina saía também no Cria Cria.]
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
SOU EU O CAPITÃO DA MINHA ALMA
Repórter e correspondente da LUSA e RTP na África do Sul, António Mateus é um dos mais sérios conhecedores da vida de Nelson Mandela; e se há alguma biografia a recomendar aos adolescentes, neste momento, será esta: Mandela - O Rebelde Exemplar (Planeta). Começa em 1926, quando o pequeno Rolihalahla Mandela é «rebaptizado» de Nelson («como o grande almirante britânico») pela professora primária, e segue por uma vida ímpar em que os acontecimentos são narrados com objectividade e concisão, num encadeamento em género «grande reportagem», com ilustrações sóbrias de Nuno Tuna. A infância e juventude de Mandela ocupam quase metade das 155 páginas, uma opção compreensível, embora gostássemos de ter visto mais desenvolvidos os capítulos sobre os 18 anos de prisão em Robben, quando a solidão e as provações empurraram um homem de carácter para a sua transformação num líder capaz de sentir compaixão pelo inimigo. Na ilha-prisão de Robben, Mandela repetiria como uma oração o poema de William Ernest Henley, cujo último quarteto resume a divisa que sempre o guiou: «Não importa quão estreito é o portão, / Que martírios guarde ainda a minha palma. / Sou eu o senhor do meu destino/ Sou eu o capitão da minha alma.» (tradução de Ana Maria Pereirinha)
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
AS MENINAS TAMBÉM SÃO DE MARTE
Acredito que as autoras tenham dado o seu melhor e que estes dois livros sejam bonitos e bem feitos, como é hábito do que traz a chancela da Booksmile. Mas era mesmo necessário cair nestes esterótipos tão fora de época? Meninas etéreas de um lado, construtores da sociedade do outro? Assim não vamos lá. Um estudo recente publicado na Visão explica as divergências de funcionamento entre os cérebros masculino e feminino (aquela história de Marte e Vénus), mas o que me parece mais interessante é o que está no fim do artigo, a saber: os cérebros das crianças são os que apresentam menos diferenças entre os sexos. Não precisamos de cair no oposto, nem deixar de dar bonecas e carrinhos, mas no dia em que toda esta ganga cultural deixar de ter tanto peso, aposto que todos ganharemos.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
SÁBADO HÁ FESTA TANGERINA
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
O TEMPO CIRCULAR
Foi mesmo uma bela noite de contos. Mais ele quisesse contar, mais ouviríamos. Ficou um livro belíssimo, com ilustrações do mexicano Enrique Torralba, a lembrar um pouco as atmosferas surreais de Shaun Tan, mas sem se confundirem com estas. O texto que Rodolfo Castro diz ser «o mais representativo» da sua produção deixa-nos com o incómodo das coisas por acabar, que é também o que nos faz sentir vivos e atentos. Entendam como quiserem. O Último Conto é um dos livros de 2013, absolutamente. Para encontrá-lo já, o melhor mesmo será ir à livraria Gatafunho, que arriscou fazer uma edição diferente do habitual. E agora sim, aqui fica a capa completa.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
SELF PUB
Este ano, A Lebre de Chumbo passou a integrar as listas do Plano Nacional de Leitura em regime de leitura autónoma (4º ano do 1º ciclo). No lado direito do blogue, incluí agora a referência ao PNL, para melhor orientação dos professores que queiram trabalhar os livros. Também podem ver na página da Bookoffice (aqui) as críticas que saíram na imprensa e não só. Um «obrigada» muito especial à Sara Peres pelo seu trabalho tão atento.
sábado, 30 de novembro de 2013
OS ÚLTIMOS CONTOS
Peço desculpa, mas não consegui encontrar uma imagem que mostrasse a capa deste livro, O Último Conto (Gatafunho). É um pequeno enigma que será resolvido mais logo, na livraria Gatafunho (Rua do Trombeta, 1D, ao Bairro Alto, Lisboa), a partir das 21h30, quando Rodolfo Castro revelar o que acontece a um bairro quando a voz do contador de histórias se apaga. Além da apresentação do livro, Rodolfo vai brindar os presentes com uma mão cheia de histórias, as últimas deste ano que se aproxima do fim. Vai ser uma bela noite, aposto.
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
RINOCERONTES SOBEM A AVENIDA
No próximo sábado, 30 de Novembro, às 17h00, apresento o novo livro de Gilda Nunes Barata, ilustrado por Danuta Wojciechowska e Joana Paz: Um Rinoceronte e uma Gaivota na Torre de Belém (ed. Lupa). Não será bem uma apresentação formal, com direito a discurso sério; antes uma conversa entre as autoras que me caberá moderar. A seguir, inaugura-se a exposição de ilustração da Danuta e, depois, haverá uma actividade para crianças e um lanchinho. Tudo isto acontece no Espaço 62, em Lisboa (Rua Conceição da Glória, 62). Cliquem no convite para aumentar a imagem. Podem ver a página do Facebook aqui.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
QUANDO FOR MAIS VELHA QUERO SER ASSIM
Retratos de finlandeses partilhados pela Susana no Facebook. A natureza está no meio de nós. Ver mais aqui.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
MANHÃS QUE BRILHAM
as manhãs começam logo com a morte das mães,
ainda oito dias antes lavavam os cabelos em alfazema cozida,
ainda oito anos depois os cabelos irrepetíveis,
todas as luzes da terra abertas em cima delas,
e então a gente enche a banheira com água fria até ao pescoço,
e tudo brilha na mesma,
brilha cegamente.
(Do livro Servidões, um poema de Herberto Helder dito pelo jornalista da TSF Fernando Alves, numa produção audiovisual Cine Povero. Mais no Vimeo.)
sábado, 23 de novembro de 2013
TIPPI E O LIVRO DA SELVA
Ainda bem que este livro só foi publicado muito depois, ou Tippi Benjamine Okanti Degré teria sido perseguida por fotógrafos e jornalistas e gurus espirituais - e depois transformada numa atracção de freak show, o que certamente lhe teria sido fatal. Tippi, agora com 23 anos e a viver em França (nasceu a 4 de Junho de 1990), passou os seus primeiros dez anos entre os animais, acompanhando os pais, franceses e fotógrafos da vida selvagem, nas suas viagens por África. Estas fotografias e o video acima falam por si. Para uns, será um exemplo extremo de irresponsabilidade parental (como alguém comentou no FB); para outros, um caso raro de uma criança sobredotada, «índigo» ou outra dessas cores transcendentais muito em voga. Será ela a nossa parente mais próxima de um tempo não tão recuado assim, quando a humanidade ainda não tinha inventado a agricultura, o sedentarismo, a domesticação e, enfim, a civilização? Dá que pensar. As imagens são belíssimas. Bom fim-de-semana.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
CICLO DE SEMINÁRIOS NO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO
Nas próximas três segundas-feiras (dias 25 de Novembro, 2 e 9 de Dezembro), o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa (IEUL) abre as portas ao ciclo de seminários «Para pensar a literatura infantil». Três especialistas falam sobre três temas actuais. Cliquem na segunda imagem para ler melhor ou sigam este link do Instituto de Educação. As sessões decorrem sempre entre as 18h00 e as 20h30 na sala 7 do IEUL. Com entrada livre e sem necessidade de inscrição prévia.
ONTEM EM BOGOTÁ
Foi ontem oficialmente apresentada por Jerónimo Pizarro a colecção infanto-juvenil da editora colombiana Rocca. No Quiero Usar Anteojos e Donde Viven las Casas deram o pontapé de saída. Para o ano, se tudo correr como previsto, também lá estará o Hermano Lobo.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
19º ENCONTROS LUSO-GALAICO-FRANCESES
Nos dias 28 e 29 de Novembro, o auditório da Escola Superior de Educação do Porto recebe os 19º Encontros Luso-Galaico-Franceses do Livro Infantil e Juvenil, este ano sob o mote «Formar Leitores - Os Livros Imprescindíveis». Conferências, ateliers, venda de publicações e, muito importante, encontros ao vivo com a «comunidade» da LIJ. Tenho pena de não poder ir. Aqui fica o email para onde podem pedir, o quanto antes, o programa completo e a ficha de inscrição: nela@ese.pp.pt
LUGARES DE MAP
Quantas e quantas casas pode ter um homem do mundo? Para Manuel António Pina, uma das primeiras está no Sabugal, onde nasceu a 18 de Novembro de 1943. O jornalismo foi outra e, por isso, o Museu Nacional da Imprensa organizou uma mostra dividida em cinco núcleos (infância, literatura infantil, teatro, poesia e jornalismo) que pode ser vista até 31 de Janeiro de 2014 no Museu do Sabugal. Ao mesmo tempo, decorre um concurso para as escolas do distrito da Guarda com dezenas de prémios em livros para as bibliotecas escolares. Informações sobre horários e não só aqui.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
SEM SOMBRA DE DÚVIDA
Só ontem prestei atenção à notícia da Ilustrarte 2014, que inaugura em Janeiro no Museu da Electricidade. Houve cerca de dois mil participantes, 391 dos quais portugueses, e apenas seis foram seleccionados para a exposição: André da Loba, Ana Ventura, Bernardo Carvalho, João Vaz de Carvalho, Teresa Lima e - a única novidade - Marta Monteiro. Nesta sexta edição da Bienal Internacional de Ilustração para a Infância, ganhou a ilustradora alemã Johanna Benz. Para saber mais é melhor consultar o blogue Letra Pequena, de Rita Pimenta, que escreveu sobre o tema no Público e sugere links para conhecer o trabalho da vencedora, entre outros. Pessoalmente, não me atrai muito esta estética do grotesco (e por isso também não gostei do livro que ganhou o último Prémio Nacional de Ilustração), mas admito as minhas limitações académicas e reconheço a diferença entre ver ilustração no ecrã e «ao vivo», por isso espero por Janeiro. Em relação à Ilustrarte 2014, prefiro salientar uma ilustradora que se estreou agora em livro: Marta Monteiro. Nascida em Penafiel, em 1973, é formada em Artes Plásticas/Escultura pelas Belas-Artes do Porto, tendo experiência no cinema de animação, ilustração e ensino. Sombras, publicado recentemente pela editora Pato Lógico, é um picture book sem texto que revela maturidade de execução e condução narrativa; e, sobretudo, uma visão do mundo singular, poética e muito humana. A ideia, como podem perceber pelas imagens, é a de que as nossas sombras diriam muito sobre nós, se pudessem (mas têm de ler o livro todo para perceber a história). Marta Monteiro vai dar que falar, aposto.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
O PINA, UM SENHOR
Em O Senhor Pina (Assírio & Alvim) Álvaro Magalhães assumiu a delicadíssima tarefa de fazer literatura e prestar homenagem a Manuel António Pina, que nos deixou a 19 de Outubro de 2012. Como arriscar este feito sem soar programático e, ao mesmo tempo, incorrer nas armadilhas do tom elegíaco, onde o sentimentalismo espreita a cada esquina? Talvez a resposta esteja na fala do urso Puff: «Sei como as coisas são quando não estamos a olhar para elas.»
Dir-se-ia que Álvaro Magalhães não andou à
procura do melhor ângulo para capturar um retrato do escritor e amigo de longa
data. Apenas deixou que ele lá estivesse, ganhando outra vida por intermédio
das palavras. Ao longo de 89 páginas de puro deleite, as duas vozes misturam-se,
o que nada deve ao sobrenatural – é até muito natural. Sendo inconfundível, a
escrita de ambos partilha da mesma lisura e profundidade poética que só se
atinge depois de largar muito lastro mental. Aliada à vocação dos brincadores, essa capacidade de «dizer,
dizendo-o» evidencia-se claramente nos livros para os mais novos – e que nos
perdoe Manuel António Pina o uso do «para», ele que desconfiava das funções.
Os gatos, as cigarrilhas, o casaco de
bombazina verde, o urso Puff, o fascínio pela ciência, os amigos, a família, a
poesia, os livros, o Porto, o futebol, o amor aos animais, a informalidade, os
atrasos proverbiais e a agenda sempre sobrecarregada pelo vício de dizer que
sim à vida, todas essas coisas entram em O
Senhor Pina. Discretamente ilustradas por Luiz Darocha, amigo comum de
ambos, são 16 pequenas histórias que nos recordam um pouco do que sabíamos
sobre ele; ou nem por isso. «Isto é verdade e não. E é tudo imaginação.» O
Pina, um senhor.
(Texto publicado na revista LER nº 128. Manuel António Pina faria hoje 70 anos. Sobre a homenagem que decorre hoje no Porto e, em especial, na Biblioteca Almeida Garrett, local escolhido para o lançamento deste livro maravilhoso, é favor consultar o blogue Letra Pequena.)
sábado, 16 de novembro de 2013
OUTONO NA BIBLIOTECA NACIONAL
Por estes dias é recomendável uma visita à Biblioteca Nacional, onde, de 19 a 23 de Novembro, decorre uma feira do livro de edições da BNP, Inapa e Direcção-Geral das Artes. Os descontos vão até 80 por cento do preço de capa para livros de história, literatura, ciência, arte, etc (lista completa aqui), com pechinchas a partir de um euro. Vale a pena reservar também algum tempo para conhecer a exposição de Livros de Horas medievais e a mostra comemorativa do centenário do psicanalista e pedagogo João dos Santos (1913-1987), um dos grandes livres pensadores da singularidade da criança. Há uma página coordenada por António Sampaio da Nóvoa que reune testemunhos e contributos à volta da sua figura e do seu trabalho (ver aqui.)
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
AMANHÃ É DIA DE DESASSOSSEGO
No dia em que José Saramago completaria 91 anos, o convite é para nos desassossegarmos e sairmos à rua com um livro na mão. Passar o dia a ler, se possível. No metro, no autocarro, no café, no jardim, na praça, na escadaria da igreja. Em qualquer lugar público onde haja gente e seja possível ver, por um instante, as palavras a circularem pelo ar, escrevendo novos livros, novas linhas, novos começos e fins. Amanhã pode ser um dia muito especial. O programa completo da Fundação José Saramago está aqui.
BRINCADOR E PENSADOR
«Nos dias que se seguiram, fui intimado a praticar desporto, que era parte do plano para me masculinizar e me tornar mais forte e resistente. Se ia para o 2º Ciclo, até devia aprender judo e karaté, ou talvez aprender a usar uma arma de fogo. Mas tenho para mim que o desporto não é tão saudável como o pintam, ou os desportistas não passavam metade da sua vida desportiva lesionados.»
(in O Rapaz dos Sapatos Prateados, de Álvaro Magalhães, um escritor que há 30 anos nos comove e nos deixa a pensar que coisa é essa, tão boa e tão indispensável, a que uns chamam «perder tempo» e outros chamam «devaneio».)
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
EM TODA A PARTE EM NENHUMA PARTE
Há dias em que daria um certo jeito ter o dom da ubiquidade. Na Casa Fernando Pessoa, às 18h30, celebra-se o centenário de Albert Camus, nascido a 7 de Novembro de 1913 num meio pobre do que era então a Argélia francesa. A quinhentos metros dali e à mesma hora, na Capela do Rato, José Tolentino Mendonça apresenta o seu último livro, Os Rostos de Jesus (ed. Círculo de Leitores/Temas e Debates), um ensaio sobre as muitas figurações de Cristo nos cruzeiros de pedra fotografados por Duarte Belo. Além da coincidência geográfica e de qualidade intelectual dos presentes (António Mega Ferreira na Casa Fernando Pessoa; José Mattoso e Tolentino Mendonça na Capela do Rato), há também aqui uma curiosa convergência moral, literária e política. Se Albert Camus, escritor e jornalista do combate pela liberdade e pelo homem, foi um agnóstico com o sentido do sagrado, José Tolentino Mendonça, poeta e teólogo, é um escritor que pensa Deus e a religião trazendo sempre o indivíduo para o centro. Não é demais recordar que a Capela do Rato foi o centro da famosa vigília que juntou crentes e não-crentes na contestação à guerra colonial, nos finais de 1972, na mesma altura em que em Moçambique ocorreram os infames massacres de Wiriyamu, Chawola e Juwau. Tudo isto dá que pensar, mas, sobretudo, ouvir. Agora, escolham. Pode dizer-se que, hoje, Campo de Ourique está no centro do mundo.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
SOMOS PARTE DA ALCATEIA
Entre as formas mais inquietantes da predação da natureza selvagem está o desaparecimento do território. As pessoas perdem as suas casas, os animais também. Não vejo qualquer diferença. Creio que só daremos um salto quântico civilizacional quando compreendermos que nem as pessoas estão à frente dos animais, nem os animais estão à frente das pessoas. A aprofundar-se este desequilíbrio, a extinção das espécies poderá ser transversal. Espero que esse dia nunca chegue. Espero também que os lobos possam continuar a viver em paz nos 17 hectares do Centro de Recuperação do Lobo Ibérico. A sobrevivência do projecto está em risco se não se juntar a quantia necessária para comprar o terreno onde o Grupo Lobo tem uma das suas importantes bases. Saiba como pode ajudar aqui.
BLAKE SUN
We are led to believe a lie
When we see not thro' the eye
Which was born in a night to perish in a night
When the soul slept in beams of light.
(William Blake, 1757-1827)
terça-feira, 5 de novembro de 2013
BOLOTA, A LOBA
Bolota nasceu no Verão de 2012, na mesma altura em que submergi na escrita do Irmão Lobo. É agora uma loba juvenil, a mais nova dos dez animais que habitam o Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, situado entre Mafra e a Malveira. Estive lá no último sábado, para uma das visitas guiadas que acontecem aos fins-de-semana, graças ao empenho dos voluntários que contribuem para o trabalho desta organização não-governamental. Ali, os lobos vivem em segurança após terem sido retirados de cativeiros ilegais ou jardins zoológicos que não os querem/podem albergar por mais tempo. A reintrodução nos habitats não é uma opção. Encontrá-los à vista desarmada é sempre incerto, mas com a ajuda de binóculos todo o grupo conseguiu ver pelo menos três animais, dormindo ou em movimento. Foi uma emoção, quer para os adultos quer para as crianças. A Bolota não apareceu. Só a Faia, a progenitora, também presente nesta fotografia (o pai, Soajo, morreu depois de ela nascer). Para quem não tenha lido o Irmão Lobo, Bolota é o nome da narradora, uma adolescente de 15 anos que recorda uma estranha aventura on the road passada na infância, bem como a separação dramática da sua «tribo» familiar. Claro que não sabia da existência de Bolota, a loba, até ao último sábado. Chamem-lhe coincidência. Eu prefiro chamar-lhe a manifestação das coisas escondidas.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
A COLECCIONADORA DE ERVAS
A alfarroba é uma fonte importante de pectina
e cálcio. Os frutos do morangueiro são ricos em vitaminas e sais minerais. A
urtiga aumenta a produção de serotonina. As folhas e flores da margarida são
comestíveis. O outro nome do amor-de-hortelão é agarra-saias. Os conchelos
também são conhecidos por umbigos de Vénus. Segundo uma superstição inglesa, as
amoras não devem ser colhidas depois da festa de S. Miguel, porque o diabo terá
cuspido nelas... E mais? Há tanto para saber acerca das ervas silvestres e flores
comestíveis que a escolha das 53 apresentadas nesta agenda anual – já na quinta
edição – não foi nada fácil para Fernanda Botelho, especialista em botânica e
plantas medicinais. Também com a chancela da Dinalivro, assinou três bonitos
livros para crianças em parceria com a ilustradora Sara Simões, dedicados à
mesma temática (falámos deles aqui e aqui). Se quiserem passar 2014 de boa saúde e não
contribuir para a duvidosa indústria cosmética, é manter esta agenda em agenda.
sábado, 2 de novembro de 2013
JARDINEIROS DE SÁBADO DE MANHÃ
Cavar, sachar, cortar, regar, plantar, semear, mondar, abicar, tuturar, transplantar, enxertar, adubar, desbastar, repicar, retanchar, envasar, nivelar, abacelar, aconchegar. Nos verbos aplicados à jardinagem não há falta de «ar». A Escola de Jardinagem da Câmara Municipal de Lisboa realiza cursos livres para leigos, iniciados e avançados, sempre bastante concorridos – e agora é fácil perceber porquê. Em cima, três registos do último curso de Iniciação às Técnicas de Jardinagem: fotografia de grupo no dia de entrega dos certificados; no intervalo do café e outros mimos; a fazer rodas de alfazema. Aqui, a notícia no site da câmara. Para o ano há mais.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
LOU, LAURIE & LOVE

«To our neighbors:
What a beautiful fall! Everything shimmering and golden and all that incredible soft light. Water surrounding us.
Lou and I have spent a lot of time here in the past few years, and even though we’re city people this is our spiritual home.
Last week I promised Lou to get him out of the hospital and come home to Springs. And we made it!
Lou was a tai chi master and spent his last days here being happy and dazzled by the beauty and power and softness of nature. He died on Sunday morning looking at the trees and doing the famous 21 form of tai chi with just his musician hands moving through the air.
Lou was a prince and a fighter and I know his songs of the pain and beauty in the world will fill many people with the incredible joy he felt for life. Long live the beauty that comes down and through and onto all of us.
Laurie Anderson
his loving wife and eternal friend»
(carta de Laurie Anderson para Lou Reed, publicada no East Hampton Star, um jornal de Long Island, New York. O concerto de homenagem dos músicos portugueses é hoje, no Largo do Intendente, Lisboa)
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