terça-feira, 13 de maio de 2014

O MAPA NÃO É O TERRITÓRIO


Os 20 livros imprescindíveis que é preciso ler durante a infância: este guia de sugestões de leitura das lojas Imaginarium já existe há pelo menos um ano, mas confesso que só ontem tropecei nele. Não tem assinatura da equipa nem do atelier que o produziu. Está bem escrito e bem organizado; e quase todas as escolhas são, de facto, imprescindíveis para o contacto com a nata dos livros para a infância: Leo Lionni, Maurice Sendak, Tomi Ungerer, Arnold Lobel e outros nomes de primeira água. Parece-me sintomático, em época de contenção sedimentada de custos para a Cultura e Educação (o que é que isso interessa?), que estas iniciativas partam de empresas privadas. O ano passado, a Fnac foi mais abrangente e lançou o guia Biblioteca Fnac Kids - 100 livros que crescem contigo. A selecção também era bastante criteriosa,  mas a edição e revisão de texto deixavam algo a desejar, e este é um dos aspectos perniciosos da livre iniciativa: fazer o vulgo acreditar que «para quem é, bacalhau basta», «tão bonzinhos que nós somos», «é grátis, agradeça» e outras falácias do género. O problema é quando, por força de nos preocuparmos demasiado com a estrita sobrevivência, nos contentamos com pouco e deixamos de acreditar que merecemos o melhor. Dar e receber o melhor, sempre.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

LÁ FORA NÃO HÁ LIMITES



Foi ontem o lançamento do Lá Fora - Guia para descobrir a natureza, como falámos no post anterior. Muita gente respondeu ao convite do Planeta Tangerina para fazer o percurso da Lagoa Pequena, um sítio bonito às portas de Lisboa. As lontras fizeram jus à sua timidez, mas puderam observar-se várias aves e prestar atenção a outras manifestações mais subtis. Muito impressionante para adultos e crianças: o enorme peixe morto e encalhado nas rochas... A natureza é mesmo assim! Talvez o guia seja um pouco pesado para transportar a toda a hora (afinal, são 368 páginas), mas nada tem de maçudo. Das árvores às rochas, dos anfíbios aos tipos de nuvens, toda a abundante informação se presta a uma apreensão intuitiva, facilitada pelo design gráfico e pelas ilustrações, e abrindo caminho para actividades extra-leitura. Por exemplo, como preparar uma saída nocturna para ouvir os pirilampos ou como fazer uma escultura inspirada na Land Art. Isabel Minhós Martins, editora do Planeta Tangerina, disse no início que tinha sido «um livro muito difícil de fazer» e compreende-se porquê. Mas valeu a pena.

sábado, 10 de maio de 2014

IR PARA FORA LÁ FORA


«Criado com a colaboração de uma equipa de especialistas portugueses, este livro pretende despertar a curiosidade sobre a fauna, a flora e outros aspectos do mundo natural que podem ser observados em Portugal. Inclui também propostas de actividades e muitas ilustrações, para a judar toda a família a ganhar balanço, sair de casa e descobrir - ou simplesmente contemplar - todo o mundo incrível que existe "Lá Fora".»

Com textos de Maria Ana Peixe Dias e Inês Teixeira do Rosário, ilustrações pela mão de Bernardo Carvalho, Lá Fora é um guia para descobrir a natureza com a marca do Planeta Tangerina. O local escolhido para o lançamento é muito especial: como quem vai para as praias do Meco/Alfarim, virar um pouco antes para o lado direito e já está. Tudo explicado aqui.  

sexta-feira, 9 de maio de 2014

CURSO DE LIVRO INFANTIL BOOKTAILORS


Só recentemente vi este post que o Cria Cria dedicou ao Curso de Livro Infantil Booktailors, entretanto marcado para os dias 8, 10, 15, 17, 22 e 24 de Julho (ver aqui). Muito obrigada! Se não estiverem todos de férias, vão ser uns fins de tarde muito bem passados.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

PARA MARCAR NA AGENDA


Depois não venham dizer que «não acontece nada»... Sempre a mexer, a psicóloga Ana Mourato e seu projecto Ouvir o Falar das Letras promove mais uma acção de formação subordinada ao tema «O conto, os lobos e os medos organizadores da infância», dia 14 de Junho (já fiz e recomendo). Dia 23 de Maio, o Departamento de Educação da Universidade de Aveiro passa a palavra a Andreia Brites (O Bicho dos Livros) para falar sobre um tema difícil, com um título muito bem achado: «Os jovens e a leitura: um gueto dentro do gueto». Mais próximo, dia 19 de Maio, decorre o simpósio sobre a obra de António Mota, no Instituto de Educação da Universidade do Minho. O programa é suculento e culmina com a presença do próprio escritor, noblesse oblige. Cliquem nas imagens para ler melhor.

terça-feira, 6 de maio de 2014

THE WARRIOR'S REMINDER



Gosto mais de falar para adolescentes e adultos do que para crianças, é um facto. As crianças são a minha «zona de conforto», mas obrigam-me a um ajuste cognitivo de linguagem que, nos livros, é muito mais livre. Quando me perguntam, por exemplo, «o que me inspira para escrever», dou por mim a falar da natureza e do mundo em geral, quando só me apetece dizer que o fundamental é a nossa vida interior, consciente e inconsciente, porque é nessa torrente que mergulhamos quando nos comprometemos verdadeiramente com a arte. Portanto, quando não digo isto e digo outra coisa simpática, soa-me sempre como uma espécie de mentira; ainda que seja uma «mentira positiva», como diz o meu tio Ruben. Ora, estou cansada de mentiras e deste embuste institucionalizado. Na véspera de visitar o INETE, uma escola profissional em Lisboa onde se completa o ensino secundário, tinha preparado uma espécie de aula em power-point sobre o que é isso de escrever. À última hora, mudei tudo. Peguei nos meus livros e numa série de objectos pessoais, desde um disco de vinil a uma pequena estatueta africana que me assombrou a infância, e fui ter com eles. Ouviram-me durante hora e meia, com uma atenção tão generosa quanto curiosa. Passei-lhes um poema da Erykha Badu que me acompanha há anos, The Warrior's Reminder, e que um aluno chamado André quis ler alto para todos nós, espontaneamente, num inglês perfeito. Passei-lhes o que sentia, sem preocupações de «fazer bonito». Porque tão importante como «escrever contra a mentira» é falar contra a mentira.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

PRÉMIO BISSAYA BARRETO 2014


Pequeno Livro das Coisas (Caminho), escrito por João Pedro Mésseder e ilustrado por Rachel Caiano, venceu o Prémio Bissaya Barreto de Literatura para a Infância 2014. Sendo um dos critérios a valorização estética das obras, o prémio, no valor de cinco mil euros, será dividido pelos dois autores. Ver notícia aqui. Para espreitar o livro por dentro, o blog Hipopótamos na Lua já deu uma valente ajuda.

PINA & COMPANHIA



Para arrumar na estante, eventualmente ao lado de O Senhor Pina, o terceiro volume da colecção Vozes e rostos da literatura infantojuvenil portuguesa, que antes se debruçou sobre a obra de Luísa Ducla Soares e Vergílio Alberto Vieira. Editado pela Tropelias & Companhia, Coisas que não há: sobre a escrita de Manuel António Pina, contou com a organização de Sara Reis da Silva e João Manuel Ribeiro, compreendendo uma série de textos de investigação e uma entrevista a que até aqui não era fácil aceder. 

domingo, 4 de maio de 2014

O SENHOR PINA: PRÉMIO SPA 2014



Soube ontem pelo anúncio de página inteira do Expresso: O Senhor Pina, de Álvaro Magalhães e Luiz Darocha (ilustrações) foi distinguido este ano pela Sociedade Portuguesa de Autores na categoria de Melhor Livro Infanto-Juvenil. Os outros dois nomeados: O Rei Vai à Caça, de Adélia Carvalho e Marta Madureira (ilustrações) e... Irmão Lobo, de Carla Maia de Almeida e António Jorge Gonçalves (ilustrações). Este ano não há transmissão da entrega dos prémios pela RTP.

Sobre o fantástico O Senhor Pina, ver aqui, aqui, aqui e aqui.  Uma entrevista que fiz a Álvaro Magalhães, em Janeiro do ano passado, pode ser lida aqui e aqui.

sábado, 3 de maio de 2014

MAIS NOVIDADES DA ORFEU NEGRO




Além da chegada em português de David Wiesner, a Orfeu Negro tem na calha mais um livro de Oliver Jeffers, a estreia de Beatrice Alemagna no catálogo e também de Madalena Moniz, ilustradora do belíssimo Sílvio Domador de Caracóis, editado em 2010 pela Caminho, com texto de Francisco Duarte Mangas.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

DAVID WIESNER NA ORFEU NEGRO


A editora Orfeu Negro vai publicar um dos autores mais conceituados no domínio da ilustração e do storytelling, o norte-americano David Wiesner (New Jersey, 1956). Vencedor por três vezes do Prémio Caldecott, que distingue o melhor álbum ilustrado editado no ano anterior, Wiesner é um exímio desenhador e um mestre na composição de narrativas visuais, recorrendo a pouco ou nenhum texto, sozinho ou em parceria com escritores. Art & Max, o livro a publicar brevemente em português, afasta-se da fantasia cinematográfica de Tuesday (e continuada em Hurricane e June 29, 1993), bem como da habilidosa metaficção de The Three Pigs; mas é um livro visualmente muito estimulante, ideal para quem queira explorar o tema das artes visuais. Oxalá que a Orfeu Negro possa trazer mais livros de Wiesner. O meu preferido é The Night of the Gargoyles (ver o post A Vida Interior das Gárgulas).

Antes que alguém mande retirar do YouTube, vale a pena ver aqui o pequeno filme de animação realizado por Geoff Dunbar e produzido por Paul McCartney, a partir do livro Tuesday. O site oficial de David Wiesner está aqui.

sábado, 26 de abril de 2014

COMO SI FUERA UN TÓTEM


Listo! Em vésperas da 27ª FILBO - Feira Internacional do Livro de Bogotá, chega a notícia de que está pronta a edição em castelhano do Irmão Lobo, com tradução de Jeronimo Pizarro e a chancela da editora Rocca. Hermano Lobo. Garanto: soa como se tivesse sido eu a escrever. «Malik. Pienso en él como si fuera un totém que hubiera logrado mantener unida a una tribu, mientras buscaba adaptarse al apartamento y soñaba con su viejo tipi en medio de la pradera.» Algumas páginas podem ser vistas aqui.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

CAPITÃO DE ABRIL


Este post só poderia ir para a etiqueta «Heróis». Com texto de José Jorge Letria e ilustrações de António Jorge Gonçalves, Salgueiro Maia - o homem do tanque da liberdade é uma das primeiras biografias da nova colecção produzida em parceria pela Imprensa Nacional Casa da Moeda e a editora Pato Lógico. Daqui a uns meses também darei o meu contributo, num volume dedicado à escritora e feminista Ana de Castro Osório. Para já, celebremos este dia que nos lembra o valor da liberdade!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

THE KIDS ARE ALRIGHT: ALICE, 2



Esta Alice veste-se de negro. Em 1982, os ingleses The Sisters of Mercy criaram mais uma personagem atraída por estados alterados de consciência. A austeridade dos anos 80 substituiu o devaneio lúdico e psicadélico dos Jefferson Airplane: «Alice in her party dressed to kill/ She thanks you turns away/ Needs you like she needs her pills/ To tell her that the world's okay.» E o mundo ficou negro durante muito tempo.

THE KIDS ARE ALRIGHT: ALICE, 1



Entre as muitas canções inspiradas em Alice no País das Maravilhas, White Rabbit, dos Jefferson Airplane, é um clássico que não perdeu o seu charme indiscreto. Onde se fala de cogumelos, cachimbos de água, comprimidos e outros elementos de conteúdo explícito, tal como quis Grace Slick, que leva todos os créditos pela canção. Do álbum Surrealistic Pillow, de 1967.

Mais da série «The Kids are Alright» com Metallica e René Aubry, respectivamente, aqui e aqui.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A NATUREZA DOS FENÓMENOS


O velho ulmeiro que vejo da janela do escritório começou a libertar as primeiras folhas. Enquanto outras árvores já vão adiantadas na Primavera, o ulmeiro respeita a sua velhice e executa lentamente o trabalho cíclico do florescimento. Só dará uma sombra completa no Verão, mas esta prolongar-se-á quando outras árvores já estiverem despidas. É esse o seu tempo, a sua identidade, a sua consciência de árvore. Simplificando muito, é isto a fenomenologia: a imagem deste ulmeiro na minha cabeça como uma representação da seta do tempo. Quando Husserl laborava nos seus estudos sobre a fenomenologia, na Primavera de 1910, tinha diante de si as árvores em flor no jardim da casa de Gottingen. «C'est la chose, l'object de la nature que je perçois; là-bas, dans le jardin.» (in «Edmund Husserl: Les arbres en fleurs et la phénoménologie», Sciences Humaines nº 103, Março de 2000.)

Publicado agora pela Kalandraka, O Inventário das Árvores, de Virginie Aladjidi (texto) e Emmanuelle Tchoukriel (ilustrações), reúne 57 árvores e arbustos da Europa e do mundo. Não fala do ulmeiro, mas é um belo livro para lermos lá fora e acercarmo-nos da natureza dos fenómenos.

terça-feira, 22 de abril de 2014

UM POUCO DE HOPPER


Com visíveis influências de Edward Hopper e suas paisagens urbanas «congeladas», esta é uma das ilustrações que permitiu a Federico Delicado (Badajoz, 1956) vencer o VII Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados, anunciado ontem. Ficámos também a saber que as portuguesas Fátima Afonso e Teresa Martinho Marques foram finalistas (dá para ter uma ideia do trabalho aqui) e lembrámos os prémios anteriores, já transformados em livros pela Kalandraka: 

- 2008: Perto, Natalia Colombo.
- 2009: Um Grande Sonho, Felipe Ugalde.
- 2010: A Família C., Mariona Cabassa (com texto de Pep Bruno). 
- 2011: A Viagem de Olaj, Martín León Barreto.
- 2012: Aves, de Julia Díaz e David Álvarez. 
- 2013: Mamã, de Mariana Ruiz Johnson.

O meu preferido? Aves.(ver post aqui)

segunda-feira, 21 de abril de 2014

NOVO DE LUIS SEPÚLVEDA


Também com ilustrações de Paulo Galindro, já deve estar nas livrarias o novo título de Luis Sepúlveda destinado ao público juvenil e adulto («crossover», numa palavra). História de um caracol que descobriu a importância da lentidão resume-se como «um livro sobre a rebeldia de ultrapassar barreiras impostas e preconceitos, em busca da liberdade».

UMA PRINCESA COM CEM ANOS



Correcção ao título: quase cem anos, como se diz no post abaixo. Aqui, a capa da primeira edição de A Little Princess (Warne, 1905) e um retrato contemporâneo para a editora Livre de Poche, assinado (quase posso jurar) por Rébecca Dautremer. [cortesia de Filipa Teles Carvalho]

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A PRINCESA E A MANSARDA


Desde os nove ou dez anos, quando li pela primeira vez A Princesinha, de Frances Hodgson Burnett (n. Manchester, 1849), num velho exemplar da Colecção Azul que sobreviveu até hoje, a personagem de Sara Crewe converteu-se numa presença mais real e significativa do que muitas pessoas que conheci. Nunca mais esqueci a palavra «mansarda» nem o espírito pertinaz da menina que alguns vêem como a versão feminina de Oliver Twist. Resumi o caso neste post. Provavelmente há qualquer coisa de regressivo na experiência arquetípica dos heróis de infância, mas vivo bem com isso. Não escreveria sem isso, melhor dizendo. Em 2015 passam cem anos sobre a publicação do romance nos Estados Unidos da América, para onde a autora emigrou quando tinha 16 anos.

terça-feira, 15 de abril de 2014

TÍTULOS A EVITAR



Pré-acordo ortográfico e pós-acordo ortográfico.

SAUDADES, MR. GOREY


Edward Gorey, um dos meus excêntricos heróis, morreu a 15 de Abril de 2000, na casa de Cape Cod, EUA. Ataque cardíaco. Estive lá em 2007: a reportagem publicada na Notícias Magazine continua a poder ser lida aqui. Como ilustrador, Gorey deixou uma colecção valiosa de capas de livros, sempre de autores de quem gostava (não era do tipo de aceitar encomendas), como esta e e outras que se podem ver aqui. Link enviado por cortesia de Isabel Minhós Martins.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

AS RAPARIGAS QUE SONHAVAM URSOS


Um trabalho extraordinário da fotógrafa russa Katerina Plotnikova, com recurso a animais treinados. Por princípio, sou contra este hábito milenar de supremacia; mas quando existe respeito e admiração, como parece ser o caso, o resultado põe em evidência o que nos aproxima uns dos outros. Muitas mais fotografias, de um lirismo inquietante, podem ser vistas aqui. O título do post foi roubado a um livro de Margo Lanagan editado entre nós pela Guerra & Paz.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

ENCONTROS À VOLTA DA LIJ



De saudar, eis o I Encontro de Literatura para a Infância da Escola Superior de Educação de Lisboa, marcado para 10 de Maio. Inclui um bom programa de comunicações, oficinas e, digamos, momentos mais lúdicos (podem consultar aqui). Uns dias antes, na Universidade de Aveiro, começa o III Ciclo de Conferências para a Infância e Juventude, que se estende ao longo do mês e cujo programa também pode ser visto aqui. Ambos são acessíveis e abertos ao público. Em tempos de abulia pessoal e colectiva, as universidades, graças ao empenho de professores que são mais do que professores («um médico que só é médico nem médico é», disse Abel Salazar), vão cumprindo o seu papel.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

NOVA COLECÇÃO DE BIOGRAFIAS


Tal como o David Machado tinha afirmado neste texto, que subscrevo, é estimulante assistir ao aparecimento de boas colecções destinadas ao público infanto-juvenil, vindas não estritamente do meio editorial. Basta ver os nomes acima para saber que desta parceria entre a editora Pato Lógico e a Imprensa-Nacional Casa da Moeda é lícito esperar o melhor. Grandes Vidas Portuguesas apresenta-se este sábado na Ler Devagar, com a presença do decano António Torrado. Mais pormenores sobre a colecção no site da Pato Lógico

ONDE ESTAVAS NO 25 DE ABRIL?


Crianças e adolescentes, os primeiros destinatários do Livro Livre, ainda não tinham nascido quando se deu a Revolução de Abril. Mas são convidados a ter o papel de co-autores nas actividades criativas propostas pelos três autores: Francisco Bairrão Ruivo (textos) e Danuta Wojciechowska e Joana Paz (ilustrações e design). Com edição da Lupa Design, já está à venda na FNAC. O lançamento acontece este sábado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, pelas 15h30. Cliquem na imagem para ver os pormenores.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL 2


«Cada leitor de uma história tem alguma coisa em comum com os outros leitores da mesma história. Separadamente, mas também em conjunto, eles recriam a história do escritor com a sua própria imaginação: um acto ao mesmo tempo privado e público, individual e coletivo, íntimo e internacional. Isto deve ser o que o ser humano faz melhor. Continuem a ler!»

Mensagem para o Dia Internacional do Livro Infantil escrita por de Siobhán Parkinson, autora, editor e tradutora irlandesa. Ler o texto completo no site da DGLAB.


terça-feira, 1 de abril de 2014

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL


É amanhã. A convite da DGLAB - Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e da Biblioteca, o cartaz deste ano foi desenhado por Ana Biscaia, vencedora do último Prémio Nacional de Ilustração.

[Ontem, no programa Praça da Alegria, estive com a Ana Biscaia a falar sobre o livro para crianças. É logo no início do programa, cerca de dez minutos de conversa: http://www.rtp.pt/play/p1057/e149375/praca-da-alegria-ii. O link foi enviado por cortesia de Ana Evaristo.]

OBVIAMENTE, DISCORDO



Tropecei há pouco neste texto do Fábulas de Leitura e fiquei abismada. Não sei se se trata de um assumido guilty pleasure ou se a autora do blogue, nascida em 1981, faz questão de ignorar qualquer interpretação histórica e ideológica da obra de Odette Saint-Maurice. Chamar-lhe «um tesouro nacional desconhecido das gerações mais novas» seria apenas anedótico, se não fosse um insulto à inteligência e à memória de um país que passou por 48 anos de ditadura (e ainda não recuperou). Andei à procura da crónica que publiquei na LER de Setembro de 2011, aquando da inexplicável reedição desta obra serôdia e inane, mas não a encontrei. Deixo um excerto de um artigo mais recente, publicado no Le Monde Diplomatique, onde cito precisamente a figura e o livro em causa. E não, isto não é uma questão de opinião. É mais sério do que isso.

(...)

O paternalismo (ou maternalismo) do adulto que quer partilhar a sua «criança interior» foi, noutra época, o do «adulto exterior», mais preocupado com o amor à Pátria do que com o amor-próprio. Falamos da época «da mocidade que se dirigia valorosa e radiante para o dia de amanhã», quando as «pessoas da melhor sociedade» se cruzavam com outras, «acanhadas, mas com um ar feliz que nada igualava»; e o mundo se dividia entre «os que estavam muitíssimo bem vestidos e os que apenas vinham decentes e asseados»

Não são páginas da revista O Mundo Ilustrado, por onde alegremente se passeava o jet-set dos anos 1950, mas de Um Rapaz às Direitas, de Odette de Saint-Maurice (1918-1993), recentemente reeditado. A fechar o livro, uma nota biográfica: «À literatura juvenil, de que foi uma das mais notáveis cultoras, dedicou o melhor do seu trabalho, que um critério elevado e uma feição sadia definem e impõem.» Enigmático.


O tema da distinção de classes, com o seu séquito de virtudes bem constituído – o dever, a caridade, a docilidade, o patriotismo... –, marcou profundamente a produção literária para a infância e juventude em Portugal, em particular no género da novela de costumes, de que Odette de Saint-Maurice foi, sem dúvida, «uma das mais notáveis cultoras». Porque legitimado pela função educativa desde a sua génese, o livro para crianças sempre foi permeável à moral e às ideologias políticas vigentes, tornando-se facilmente um veículo de instrumentalização.

(...)

segunda-feira, 31 de março de 2014

ARTE VS. PUBLICIDADE


Nunca me esquecerei dos dias em que o Irmão Lobo contactou com a civilização e lhes mostrou como o efémero pode ser útil e cheio de beleza. «Desenhos de Cordel - exposição de António Jorge Gonçalves» nos cais do Metropolitano de Lisboa. Estação final: Alameda. Termina hoje. Ah, poder limpar brevemente os olhos num mundo sem publicidade...

sexta-feira, 28 de março de 2014

THE KIDS ARE ALRIGHT: THE HOUSE THAT JACK BUILT



The House That Jack Built ou This is the House That Jack Built é uma das mais conhecidas nursery rhymes inglesas, remontando a meados do século XVIII. Um clássico das rimas de estrutura cumulativa, em que a primeira frase é o pretexto para o desencadear sucessivo de interligações nem sempre lógicas (por exemplo: «Minha mãe teve dez filhos,/ Todos dez dentro de um pote;/ Deu-lhe o tangro-mangro neles,/ Não ficaram senão nove.», etc., etc.), The House That Jack Built tem sido reformulada ao sabor das épocas e tendências, sendo provavelmente um dos títulos mais parodiados de sempre. Os australianos The Go-Betweens revestiram-na de melancolia ácida em The House That Jack Kerouac Built, mas a versão que fica para a história será a dos Metallica. É o terceiro tema do álbum Load, dos idos de 1996. Um prodígio.

quinta-feira, 27 de março de 2014

CATARINA, A GRANDE


Tanta coisa para fazer que O Jardim Assombrado arrisca-se a mudar o nome para O Jardim Assoberbado. Mas eis que uma grande notícia revolve os canteiros e faz estremecer as árvores de contentamento: Catarina Sobral, única representante de Portugal na exposição internacional da Feira do Livro Infantil de Bolonha, que termina hoje, foi considerada a melhor entre 41 ilustradores, com o livro O Meu Avô (Orfeu Negro). O Blogtailors fez um apanhado das notícias e o Hipopótamos na Lua mostra como é o livro por dentro. Foi destaque na LER de Fevereiro e o texto pode ser lido aqui. Parabéns, Catarina!

sábado, 22 de março de 2014

THE KIDS ARE ALRIGHT: O GRUFALÃO



Seguindo uma ideia do A Origem das Espécies, que coligiu há tempos uma série de videoclips juntando música (rock, essencialmente) e literatura, quero esticar um pouco mais a corda e fazer o mesmo com a literatura infanto-juvenil, começando com este tema do compositor e multi-instrumentista René Aubry (França, 1956) para a banda sonora do filme O Grufalão (sobre o livro, ler aqui). Vamos ver. Pode ser que isto dê mau resultado. Mas não haverá música para martelinhos Disney, isso garanto.

sexta-feira, 21 de março de 2014

NOVO LIVRO DE DAVID MACHADO


Desviei do Facebook este texto do David Machado, subscrevendo o segundo parágrafo e aplaudindo o resto:

«O conto infantil que escrevi para a colecção da APCC chegou esta semana. As ilustrações do Gonçalo Viana são mesmo bonitas e fico muito feliz por fazer parte deste projecto.
 

A APCC está a conseguir fazer uma coisa que muitas editoras portuguesas não conseguem nem estão interessadas em fazer: uma colecção original e eclética, com livros infantis escritos e ilustrados apenas por autores portugueses e um cuidado enorme com a qualidade (do texto, da ilustração, da paginação, do papel). É uma pena que só esteja à venda em duas livrarias do país (FNACs, uma Lisboa, outra no Porto).
 

Para além deste livro, será publicado ao mesmo tempo o livro que o Afonso Cruz escreveu e ilustrou para esta colecção, que, por uma enorme coincidência, também é sobre pássaros - juro que não combinámos. Haverá um lançamento para os dois livros, ainda não sei onde nem quando.»

quinta-feira, 20 de março de 2014

BLIMUNDA DA PRIMAVERA


Às vezes, uma pessoa tem de rir para não chorar. Com a recente passagem da revista LER a trimestral, a Blimunda passa a ser, creio, a única revista cultural e literária onde todos os meses a ilustração e a literatura infanto-juvenil são tratadas com bom gosto, paixão e conhecimento de causa. Não digo os nomes dos culpados; basta ver a ficha técnica. Sim, é uma revista que só se lê no ecrã - e esse é o seu único defeito, aos meus olhos... com 13 dioptrias. Sim, seria incomportável fazê-la em papel nestes tempos miseráveis, portanto celebremos o que temos e que não é nada pouco. O número de Março chega com a Primavera e traz como temas as Correntes D'Escritas, Valter Hugo Mãe, censura no cinema, Catarina Sobral, Maurice Sendak e as habituais secções. Na página 61, dou uma entrevista a Andreia Brites sobre esse privilégio insano que é estar a traduzir para português uma boa parte da obra de Maurice Sendak, um dos meus heróis literários. A Blimunda, revista da Fundação José Saramago, pode ser lida aqui ou aqui.

terça-feira, 18 de março de 2014

NA IDADE DOS PORQUÊS

 
Entrei numa retrosaria antiga, aqui na minha aldeia, à procura de um botão extraordinário. Queria um botão dourado, em forma de pássaro. Não encontrei, claro.... Mas quando ia a sair da loja, um bracinho puxou por mim e disse: 

«Não se lembra de mim?»

Era uma criatura de metro e dez, metro e vinte. Loura, de olhos muito cálidos. Reconheci os olhos imediatamente, mas o resto não encaixava. Tinha crescido. «Sou o João Paulo, andava na escola X» (a 100 km de distância). «Claro que me lembro de ti, meu aluninho!» E abracei-o imediatamente. É preciso dizer que o João Paulo era um daqueles miúdos que me martirizava a cabeça (ao ponto de tu acreditares que um tabefe bem dado naquele rabo era paliativo santo) em troca dos meus trezentos e cinquenta euros por mês como professora AEC.

«Então e o teu amigo, o Cabaceira, que é feito dele?» «Está para fora, os pais foram presos» («Ainda bem» - pensei para mim - «Assim ao menos terá uma chance».) «Estás mais gordinho, João Paulo». Ele encolheu os ombros e não disse nada. Foi um daqueles momentos em que acreditei nas ondas telepáticas, já que me pareceu ouvir exactamente na minha cabeça a voz dele: «Pudera... é que agora como.» 
 
O João Paulo não podia ter nota cinco; teve sempre quatros, porque o comportamento deixava mesmo muito a desejar. Sei que aquela nota foi uma revolução na vida dele, subindo inusitadamente a sua autoestima. O João Paulo era um miúdo que dançava maravilhosamente e de uma forma (como dizer?) intrínseca. Dançava assim, com a cabeça cheiinha de cicatrizes que se viam através do cabelo rapado. Era a mãe que lhas dava e pai não havia. Uma vez dei-lhe o meu lanche. Outra vez, foi uma professora que lhe trouxe um casaco no Inverno. Nós, no Facebook, nem sempre imaginamos uma realidade assim.

«Então, que fazes por aqui?» «Estou na obra na Nossa Senhora das Candeias». «Que bom! Assim posso ter-te debaixo de olho.» Fui embora e disse à educadora que o acompanhava: «Este menino é um artista». E ela, incrédula, a olhar para mim. O meu João Paulo a dançar, com a cabeça cheia de cicatrizes a verem-se através do cabelo rapado.

Foi assim que encontrei o meu botão extraordinário, em forma de pássaro dourado, numa retrosaria antiga, aqui na minha pequena aldeia.


[Este texto foi escrito pela minha irmã mais nova, Micaela Maia de Almeida, e publicado na sua página do Facebook. Pedi-lhe para o reproduzir aqui, a pensar em todos os professores e educadores que visitam o Jardim Assombrado, desejando que também eles tenham também o seu «botão extraordinário, em forma de pássaro dourado». Ou, melhor ainda, um bolso cheio deles.]

segunda-feira, 17 de março de 2014

CONTOS CLÁSSICOS


Não é arty nem nada que se pareça, mas pode ser o livro certo para quem procura no mesmo volume os mais conhecidos contos de Perrault, Andersen e Grimm, e ainda adaptações de Alice no País das Maravilhas, Pinóquio ou Aladino. Texto e ilustração em doses equilibradas (na terminologia, é um bom exemplo de livro «profusamente ilustrado»), numa edição exclusiva do Círculo de Leitores.