A propósito do Dia Mundial da Criança, o MSN Portugal recolheu 20 propostas de leituras para os mais novos e preparou uma galeria de imagens que continua online, aqui. Sugeri cinco. Não subscrevo todas as outras, mas isso é a biodiversidade.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
20 LIVROS PARA CRIANÇAS (NEM TODOS BONS)
A propósito do Dia Mundial da Criança, o MSN Portugal recolheu 20 propostas de leituras para os mais novos e preparou uma galeria de imagens que continua online, aqui. Sugeri cinco. Não subscrevo todas as outras, mas isso é a biodiversidade.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
MAURICE SENDAK EM ENTREVISTA
«I think there's something barbaric in children, and it's missing in lots of books for children because we don't like to think of it. We want them to be happy. And childhood is a very tough time. It was for me, and it was for my brother and my sister.»
(Um pequena e tocante entrevista a Maurice Sendak, realizada em 2009, com a particularidade de ser feita em animação e com legendas em inglês. Cortesia de Bruno Vide).
segunda-feira, 26 de maio de 2014
sábado, 24 de maio de 2014
HOJE EM AVEIRO
Mais logo, na livraria Gigões & Anantes, em Aveiro, são lançados dois novos livros da editora Pato Lógico: Capital, de Afonso Cruz, e Vazio, de Catarina Sobral. Dois livros sem texto em que as imagens dizem tudo, ou quase. Porque o «quase» é o lugar quântico do leitor onde todas as leituras são possíveis.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
O DOM DA UBIQUIDADE
Amanhã há lançamentos de novos livros de dois dos meus escritores preferidos: Rita Taborda Duarte (O Rapaz que Não se Tinha Quieto, Caminho) e David Machado (Acho que Posso Ajudar, Objectiva). As ilustrações são de Ana Ventura e Mafalda Milhões, respectivamente. Com um bocado de elasticidade, até se consegue fazer um sprint entre a livraria Pó dos Livros e o Palácio Galveias, já que ficam perto um do outro. Eu faria, mas não vou estar em Lisboa nos próximos dias, pelo que este post fica em jeito de «adeus, até ao meu regresso». Parabéns, Rita e David!
terça-feira, 13 de maio de 2014
O MAPA NÃO É O TERRITÓRIO
Os 20 livros imprescindíveis que é preciso ler durante a infância: este guia de sugestões de leitura das lojas Imaginarium já existe há pelo menos um ano, mas confesso que só ontem tropecei nele. Não tem assinatura da equipa nem do atelier que o produziu. Está bem escrito e bem organizado; e quase todas as escolhas são, de facto, imprescindíveis para o contacto com a nata dos livros para a infância: Leo Lionni, Maurice Sendak, Tomi Ungerer, Arnold Lobel e outros nomes de primeira água. Parece-me sintomático, em época de contenção sedimentada de custos para a Cultura e Educação (o que é que isso interessa?), que estas iniciativas partam de empresas privadas. O ano passado, a Fnac foi mais abrangente e lançou o guia Biblioteca Fnac Kids - 100 livros que crescem contigo. A selecção também era bastante criteriosa, mas a edição e revisão de texto deixavam algo a desejar, e este é um dos aspectos perniciosos da livre iniciativa: fazer o vulgo acreditar que «para quem é, bacalhau basta», «tão bonzinhos que nós somos», «é grátis, agradeça» e outras falácias do género. O problema é quando, por força de nos preocuparmos demasiado com a estrita sobrevivência, nos contentamos com pouco e deixamos de acreditar que merecemos o melhor. Dar e receber o melhor, sempre.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
LÁ FORA NÃO HÁ LIMITES
Foi ontem o lançamento do Lá Fora - Guia para descobrir a natureza, como falámos no post anterior. Muita gente respondeu ao convite do Planeta Tangerina para fazer o percurso da Lagoa Pequena, um sítio bonito às portas de Lisboa. As lontras fizeram jus à sua timidez, mas puderam observar-se várias aves e prestar atenção a outras manifestações mais subtis. Muito impressionante para adultos e crianças: o enorme peixe morto e encalhado nas rochas... A natureza é mesmo assim! Talvez o guia seja um pouco pesado para transportar a toda a hora (afinal, são 368 páginas), mas nada tem de maçudo. Das árvores às rochas, dos anfíbios aos tipos de nuvens, toda a abundante informação se presta a uma apreensão intuitiva, facilitada pelo design gráfico e pelas ilustrações, e abrindo caminho para actividades extra-leitura. Por exemplo, como preparar uma saída nocturna para ouvir os pirilampos ou como fazer uma escultura inspirada na Land Art. Isabel Minhós Martins, editora do Planeta Tangerina, disse no início que tinha sido «um livro muito difícil de fazer» e compreende-se porquê. Mas valeu a pena.
sábado, 10 de maio de 2014
IR PARA FORA LÁ FORA
«Criado com a colaboração de uma equipa de especialistas portugueses, este livro pretende despertar a curiosidade sobre a fauna, a flora e outros aspectos do mundo natural que podem ser observados em Portugal. Inclui também propostas de actividades e muitas ilustrações, para a judar toda a família a ganhar balanço, sair de casa e descobrir - ou simplesmente contemplar - todo o mundo incrível que existe "Lá Fora".»
Com textos de Maria Ana Peixe Dias e Inês Teixeira do Rosário, ilustrações pela mão de Bernardo Carvalho, Lá Fora é um guia para descobrir a natureza com a marca do Planeta Tangerina. O local escolhido para o lançamento é muito especial: como quem vai para as praias do Meco/Alfarim, virar um pouco antes para o lado direito e já está. Tudo explicado aqui.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
CURSO DE LIVRO INFANTIL BOOKTAILORS
quinta-feira, 8 de maio de 2014
PARA MARCAR NA AGENDA
Depois não venham dizer que «não acontece nada»... Sempre a mexer, a psicóloga Ana Mourato e seu projecto Ouvir o Falar das Letras promove mais uma acção de formação subordinada ao tema «O conto, os lobos e os medos organizadores da infância», dia 14 de Junho (já fiz e recomendo). Dia 23 de Maio, o Departamento de Educação da Universidade de Aveiro passa a palavra a Andreia Brites (O Bicho dos Livros) para falar sobre um tema difícil, com um título muito bem achado: «Os jovens e a leitura: um gueto dentro do gueto». Mais próximo, dia 19 de Maio, decorre o simpósio sobre a obra de António Mota, no Instituto de Educação da Universidade do Minho. O programa é suculento e culmina com a presença do próprio escritor, noblesse oblige. Cliquem nas imagens para ler melhor.
terça-feira, 6 de maio de 2014
THE WARRIOR'S REMINDER
Gosto mais de falar para adolescentes e adultos do que para crianças, é um facto. As crianças são a minha «zona de conforto», mas obrigam-me a um ajuste cognitivo de linguagem que, nos livros, é muito mais livre. Quando me perguntam, por exemplo, «o que me inspira para escrever», dou por mim a falar da natureza e do mundo em geral, quando só me apetece dizer que o fundamental é a nossa vida interior, consciente e inconsciente, porque é nessa torrente que mergulhamos quando nos comprometemos verdadeiramente com a arte. Portanto, quando não digo isto e digo outra coisa simpática, soa-me sempre como uma espécie de mentira; ainda que seja uma «mentira positiva», como diz o meu tio Ruben. Ora, estou cansada de mentiras e deste embuste institucionalizado. Na véspera de visitar o INETE, uma escola profissional em Lisboa onde se completa o ensino secundário, tinha preparado uma espécie de aula em power-point sobre o que é isso de escrever. À última hora, mudei tudo. Peguei nos meus livros e numa série de objectos pessoais, desde um disco de vinil a uma pequena estatueta africana que me assombrou a infância, e fui ter com eles. Ouviram-me durante hora e meia, com uma atenção tão generosa quanto curiosa. Passei-lhes um poema da Erykha Badu que me acompanha há anos, The Warrior's Reminder, e que um aluno chamado André quis ler alto para todos nós, espontaneamente, num inglês perfeito. Passei-lhes o que sentia, sem preocupações de «fazer bonito». Porque tão importante como «escrever contra a mentira» é falar contra a mentira.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
PRÉMIO BISSAYA BARRETO 2014
Pequeno Livro das Coisas (Caminho), escrito por João Pedro Mésseder e ilustrado por Rachel Caiano, venceu o Prémio Bissaya Barreto de Literatura para a Infância 2014. Sendo um dos critérios a valorização estética das obras, o prémio, no valor de cinco mil euros, será dividido pelos dois autores. Ver notícia aqui. Para espreitar o livro por dentro, o blog Hipopótamos na Lua já deu uma valente ajuda.
PINA & COMPANHIA
Para arrumar na estante, eventualmente ao lado de O Senhor Pina, o terceiro volume da colecção Vozes e rostos da literatura infantojuvenil portuguesa, que antes se debruçou sobre a obra de Luísa Ducla Soares e Vergílio Alberto Vieira. Editado pela Tropelias & Companhia, Coisas que não há: sobre a escrita de Manuel António Pina, contou com a organização de Sara Reis da Silva e João Manuel Ribeiro, compreendendo uma série de textos de investigação e uma entrevista a que até aqui não era fácil aceder.
domingo, 4 de maio de 2014
O SENHOR PINA: PRÉMIO SPA 2014
Soube ontem pelo anúncio de página inteira do Expresso: O Senhor Pina, de Álvaro Magalhães e Luiz Darocha (ilustrações) foi distinguido este ano pela Sociedade Portuguesa de Autores na categoria de Melhor Livro Infanto-Juvenil. Os outros dois nomeados: O Rei Vai à Caça, de Adélia Carvalho e Marta Madureira (ilustrações) e... Irmão Lobo, de Carla Maia de Almeida e António Jorge Gonçalves (ilustrações). Este ano não há transmissão da entrega dos prémios pela RTP.
Sobre o fantástico O Senhor Pina, ver aqui, aqui, aqui e aqui. Uma entrevista que fiz a Álvaro Magalhães, em Janeiro do ano passado, pode ser lida aqui e aqui.
sábado, 3 de maio de 2014
MAIS NOVIDADES DA ORFEU NEGRO
Além da chegada em português de David Wiesner, a Orfeu Negro tem na calha mais um livro de Oliver Jeffers, a estreia de Beatrice Alemagna no catálogo e também de Madalena Moniz, ilustradora do belíssimo Sílvio Domador de Caracóis, editado em 2010 pela Caminho, com texto de Francisco Duarte Mangas.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
DAVID WIESNER NA ORFEU NEGRO
A editora Orfeu Negro vai publicar um dos autores mais conceituados no domínio da ilustração e do storytelling, o norte-americano David Wiesner (New Jersey, 1956). Vencedor por três vezes do Prémio Caldecott, que distingue o melhor álbum ilustrado editado no ano anterior, Wiesner é um exímio desenhador e um mestre na composição de narrativas visuais, recorrendo a pouco ou nenhum texto, sozinho ou em parceria com escritores. Art & Max, o livro a publicar brevemente em português, afasta-se da fantasia cinematográfica de Tuesday (e continuada em Hurricane e June 29, 1993), bem como da habilidosa metaficção de The Three Pigs; mas é um livro visualmente muito estimulante, ideal para quem queira explorar o tema das artes visuais. Oxalá que a Orfeu Negro possa trazer mais livros de Wiesner. O meu preferido é The Night of the Gargoyles (ver o post A Vida Interior das Gárgulas).
Antes que alguém mande retirar do YouTube, vale a pena ver aqui o pequeno filme de animação realizado por Geoff Dunbar e produzido por Paul McCartney, a partir do livro Tuesday. O site oficial de David Wiesner está aqui.
sábado, 26 de abril de 2014
COMO SI FUERA UN TÓTEM
Listo! Em vésperas da 27ª FILBO - Feira Internacional do Livro de Bogotá, chega a notícia de que está pronta a edição em castelhano do Irmão Lobo, com tradução de Jeronimo Pizarro e a chancela da editora Rocca. Hermano Lobo. Garanto: soa como se tivesse sido eu a escrever. «Malik. Pienso en él como si fuera un totém que hubiera logrado mantener unida a una tribu, mientras buscaba adaptarse al apartamento y soñaba con su viejo tipi en medio de la pradera.» Algumas páginas podem ser vistas aqui.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
CAPITÃO DE ABRIL
Este post só poderia ir para a etiqueta «Heróis». Com texto de José Jorge Letria e ilustrações de António Jorge Gonçalves, Salgueiro Maia - o homem do tanque da liberdade é uma das primeiras biografias da nova colecção produzida em parceria pela Imprensa Nacional Casa da Moeda e a editora Pato Lógico. Daqui a uns meses também darei o meu contributo, num volume dedicado à escritora e feminista Ana de Castro Osório. Para já, celebremos este dia que nos lembra o valor da liberdade!
quinta-feira, 24 de abril de 2014
THE KIDS ARE ALRIGHT: ALICE, 2
Esta Alice veste-se de negro. Em 1982, os ingleses The Sisters of Mercy criaram mais uma personagem atraída por estados alterados de consciência. A austeridade dos anos 80 substituiu o devaneio lúdico e psicadélico dos Jefferson Airplane: «Alice in her party dressed to kill/ She thanks you turns away/ Needs you like she needs her pills/ To tell her that the world's okay.» E o mundo ficou negro durante muito tempo.
THE KIDS ARE ALRIGHT: ALICE, 1
Entre as muitas canções inspiradas em Alice no País das Maravilhas, White Rabbit, dos Jefferson Airplane, é um clássico que não perdeu o seu charme indiscreto. Onde se fala de cogumelos, cachimbos de água, comprimidos e outros elementos de conteúdo explícito, tal como quis Grace Slick, que leva todos os créditos pela canção. Do álbum Surrealistic Pillow, de 1967.
Mais da série «The Kids are Alright» com Metallica e René Aubry, respectivamente, aqui e aqui.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
A NATUREZA DOS FENÓMENOS
O velho ulmeiro que vejo da janela do escritório começou a libertar as primeiras folhas. Enquanto outras árvores já vão adiantadas na Primavera, o ulmeiro respeita a sua velhice e executa lentamente o trabalho cíclico do florescimento. Só dará uma sombra completa no Verão, mas esta prolongar-se-á quando outras árvores já estiverem despidas. É esse o seu tempo, a sua identidade, a sua consciência de árvore. Simplificando muito, é isto a fenomenologia: a imagem deste ulmeiro na minha cabeça como uma representação da seta do tempo. Quando Husserl laborava nos seus estudos sobre a fenomenologia, na Primavera de 1910, tinha diante de si as árvores em flor no jardim da casa de Gottingen. «C'est la chose, l'object de la nature que je perçois; là-bas, dans le jardin.» (in «Edmund Husserl: Les arbres en fleurs et la phénoménologie», Sciences Humaines nº 103, Março de 2000.)
Publicado agora pela Kalandraka, O Inventário das Árvores, de Virginie Aladjidi (texto) e Emmanuelle Tchoukriel (ilustrações), reúne 57 árvores e arbustos da Europa e do mundo. Não fala do ulmeiro, mas é um belo livro para lermos lá fora e acercarmo-nos da natureza dos fenómenos.
terça-feira, 22 de abril de 2014
UM POUCO DE HOPPER
Com visíveis influências de Edward Hopper e suas paisagens urbanas «congeladas», esta é uma das ilustrações que permitiu a Federico Delicado (Badajoz, 1956) vencer o VII Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados, anunciado ontem. Ficámos também a saber que as portuguesas Fátima Afonso e Teresa Martinho Marques foram finalistas (dá para ter uma ideia do trabalho aqui) e lembrámos os prémios anteriores, já transformados em livros pela Kalandraka:
- 2008: Perto, Natalia Colombo.
- 2009: Um Grande Sonho, Felipe Ugalde.
- 2010: A Família C., Mariona Cabassa (com texto de Pep Bruno).
- 2011: A Viagem de Olaj, Martín León Barreto.
- 2012: Aves, de Julia Díaz e David Álvarez.
- 2013: Mamã, de Mariana Ruiz Johnson.
O meu preferido? Aves.(ver post aqui)
- 2008: Perto, Natalia Colombo.
- 2009: Um Grande Sonho, Felipe Ugalde.
- 2010: A Família C., Mariona Cabassa (com texto de Pep Bruno).
- 2011: A Viagem de Olaj, Martín León Barreto.
- 2012: Aves, de Julia Díaz e David Álvarez.
- 2013: Mamã, de Mariana Ruiz Johnson.
O meu preferido? Aves.(ver post aqui)
segunda-feira, 21 de abril de 2014
NOVO DE LUIS SEPÚLVEDA
Também com ilustrações de Paulo Galindro, já deve estar nas livrarias o novo título de Luis Sepúlveda destinado ao público juvenil e adulto («crossover», numa palavra). História de um caracol que descobriu a importância da lentidão resume-se como «um livro sobre a rebeldia de ultrapassar barreiras impostas e preconceitos, em busca da liberdade».
UMA PRINCESA COM CEM ANOS
Correcção ao título: quase cem anos, como se diz no post abaixo. Aqui, a capa da primeira edição de A Little Princess (Warne, 1905) e um retrato contemporâneo para a editora Livre de Poche, assinado (quase posso jurar) por Rébecca Dautremer. [cortesia de Filipa Teles Carvalho]
quarta-feira, 16 de abril de 2014
A PRINCESA E A MANSARDA
Desde os nove ou dez anos, quando li pela primeira vez A Princesinha, de Frances Hodgson Burnett (n. Manchester, 1849), num velho exemplar da Colecção Azul que sobreviveu até hoje, a personagem de Sara Crewe converteu-se numa presença mais real e significativa do que muitas pessoas que conheci. Nunca mais esqueci a palavra «mansarda» nem o espírito pertinaz da menina que alguns vêem como a versão feminina de Oliver Twist. Resumi o caso neste post. Provavelmente há qualquer coisa de regressivo na experiência arquetípica dos heróis de infância, mas vivo bem com isso. Não escreveria sem isso, melhor dizendo. Em 2015 passam cem anos sobre a publicação do romance nos Estados Unidos da América, para onde a autora emigrou quando tinha 16 anos.
terça-feira, 15 de abril de 2014
SAUDADES, MR. GOREY
Edward Gorey, um dos meus excêntricos heróis, morreu a 15 de Abril de 2000, na casa de Cape Cod, EUA. Ataque cardíaco. Estive lá em 2007: a reportagem publicada na Notícias Magazine continua a poder ser lida aqui. Como ilustrador, Gorey deixou uma colecção valiosa de capas de livros, sempre de autores de quem gostava (não era do tipo de aceitar encomendas), como esta e e outras que se podem ver aqui. Link enviado por cortesia de Isabel Minhós Martins.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
AS RAPARIGAS QUE SONHAVAM URSOS
Um trabalho extraordinário da fotógrafa russa Katerina Plotnikova, com recurso a animais treinados. Por princípio, sou contra este hábito milenar de supremacia; mas quando existe respeito e admiração, como parece ser o caso, o resultado põe em evidência o que nos aproxima uns dos outros. Muitas mais fotografias, de um lirismo inquietante, podem ser vistas aqui. O título do post foi roubado a um livro de Margo Lanagan editado entre nós pela Guerra & Paz.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
ENCONTROS À VOLTA DA LIJ
De saudar, eis o I Encontro de Literatura para a Infância da Escola Superior de Educação de Lisboa, marcado para 10 de Maio. Inclui um bom programa de comunicações, oficinas e, digamos, momentos mais lúdicos (podem consultar aqui). Uns dias antes, na Universidade de Aveiro, começa o III Ciclo de Conferências para a Infância e Juventude, que se estende ao longo do mês e cujo programa também pode ser visto aqui. Ambos são acessíveis e abertos ao público. Em tempos de abulia pessoal e colectiva, as universidades, graças ao empenho de professores que são mais do que professores («um médico que só é médico nem médico é», disse Abel Salazar), vão cumprindo o seu papel.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
NOVA COLECÇÃO DE BIOGRAFIAS
Tal como o David Machado tinha afirmado neste texto, que subscrevo, é estimulante assistir ao aparecimento de boas colecções destinadas ao público infanto-juvenil, vindas não estritamente do meio editorial. Basta ver os nomes acima para saber que desta parceria entre a editora Pato Lógico e a Imprensa-Nacional Casa da Moeda é lícito esperar o melhor. Grandes Vidas Portuguesas apresenta-se este sábado na Ler Devagar, com a presença do decano António Torrado. Mais pormenores sobre a colecção no site da Pato Lógico.
ONDE ESTAVAS NO 25 DE ABRIL?
Crianças e adolescentes, os primeiros destinatários do Livro Livre, ainda não tinham nascido quando se deu a Revolução de Abril. Mas são convidados a ter o papel de co-autores nas actividades criativas propostas pelos três autores: Francisco Bairrão Ruivo (textos) e Danuta Wojciechowska e Joana Paz (ilustrações e design). Com edição da Lupa Design, já está à venda na FNAC. O lançamento acontece este sábado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, pelas 15h30. Cliquem na imagem para ver os pormenores.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL 2
«Cada leitor de uma história tem alguma coisa em comum com os outros leitores da mesma história. Separadamente, mas também em conjunto, eles recriam a história do escritor com a sua própria imaginação: um acto ao mesmo tempo privado e público, individual e coletivo, íntimo e internacional. Isto deve ser o que o ser humano faz melhor. Continuem a ler!»
Mensagem para o
Dia Internacional do Livro Infantil escrita por de Siobhán Parkinson, autora, editor
e tradutora irlandesa. Ler o texto completo no site da DGLAB.
terça-feira, 1 de abril de 2014
DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL
É amanhã. A convite da DGLAB - Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e da Biblioteca, o cartaz deste ano foi desenhado por Ana Biscaia, vencedora do último Prémio Nacional de Ilustração.
[Ontem, no programa Praça da Alegria, estive com a Ana Biscaia a falar sobre o livro para crianças. É logo no início do programa, cerca de dez minutos de conversa: http://www.rtp.pt/play/p1057/e149375/praca-da-alegria-ii. O link foi enviado por cortesia de Ana Evaristo.]
OBVIAMENTE, DISCORDO
Tropecei há pouco neste texto do Fábulas de Leitura e fiquei abismada. Não sei se se trata de um assumido guilty pleasure ou se a autora do blogue, nascida em 1981, faz questão de ignorar qualquer interpretação histórica e ideológica da obra de Odette Saint-Maurice. Chamar-lhe «um tesouro nacional desconhecido das gerações mais novas» seria apenas anedótico, se não fosse um insulto à inteligência e à memória de um país que passou por 48 anos de ditadura (e ainda não recuperou). Andei à procura da crónica que publiquei na LER de Setembro de 2011, aquando da inexplicável reedição desta obra serôdia e inane, mas não a encontrei. Deixo um excerto de um artigo mais recente, publicado no Le Monde Diplomatique, onde cito precisamente a figura e o livro em causa. E não, isto não é uma questão de opinião. É mais sério do que isso.
(...)
O paternalismo (ou maternalismo) do adulto que
quer partilhar a sua «criança interior» foi, noutra época, o do «adulto
exterior», mais preocupado com o amor à Pátria do que com o amor-próprio.
Falamos da época «da mocidade que se dirigia valorosa e radiante para o dia de
amanhã», quando as «pessoas da melhor sociedade» se cruzavam com outras,
«acanhadas, mas com um ar feliz que nada igualava»; e o mundo se dividia entre
«os que estavam muitíssimo bem vestidos e os que apenas vinham decentes e
asseados».
Não são páginas da revista O Mundo Ilustrado, por onde alegremente
se passeava o jet-set dos anos 1950, mas de Um
Rapaz às Direitas, de Odette de Saint-Maurice (1918-1993), recentemente
reeditado. A fechar o livro, uma nota biográfica: «À literatura juvenil, de que
foi uma das mais notáveis cultoras, dedicou o melhor do seu trabalho, que um
critério elevado e uma feição sadia definem e impõem.» Enigmático.
O tema da distinção de classes, com o seu
séquito de virtudes bem constituído – o dever, a caridade, a docilidade, o
patriotismo... –, marcou profundamente a produção literária para a infância e
juventude em Portugal, em particular no género da novela de costumes, de que Odette
de Saint-Maurice foi, sem dúvida, «uma das mais notáveis cultoras». Porque
legitimado pela função educativa desde a sua génese, o livro para crianças sempre
foi permeável à moral e às ideologias políticas vigentes, tornando-se
facilmente um veículo de instrumentalização.
(...)
segunda-feira, 31 de março de 2014
ARTE VS. PUBLICIDADE
Nunca me esquecerei dos dias em que o Irmão Lobo contactou com a civilização e lhes mostrou como o efémero pode ser útil e cheio de beleza. «Desenhos de Cordel - exposição de António Jorge Gonçalves» nos cais do Metropolitano de Lisboa. Estação final: Alameda. Termina hoje. Ah, poder limpar brevemente os olhos num mundo sem publicidade...
sexta-feira, 28 de março de 2014
THE KIDS ARE ALRIGHT: THE HOUSE THAT JACK BUILT
The House That Jack Built ou This is the House That Jack Built é uma das mais conhecidas nursery rhymes inglesas, remontando a meados do século XVIII. Um clássico das rimas de estrutura cumulativa, em que a primeira frase é o pretexto para o desencadear sucessivo de interligações nem sempre lógicas (por exemplo: «Minha mãe teve dez filhos,/ Todos dez dentro de um pote;/ Deu-lhe o tangro-mangro neles,/ Não ficaram senão nove.», etc., etc.), The House That Jack Built tem sido reformulada ao sabor das épocas e tendências, sendo provavelmente um dos títulos mais parodiados de sempre. Os australianos The Go-Betweens revestiram-na de melancolia ácida em The House That Jack Kerouac Built, mas a versão que fica para a história será a dos Metallica. É o terceiro tema do álbum Load, dos idos de 1996. Um prodígio.
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