segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

OS PERIGOS DA LITERATURA


“Se uma educação literária serve para alguma coisa, é para nos fornecer um sentido de fatalidade. Nada como uma imaginação fértil para sugar a coragem a uma pessoa. Se lia o diário da Anne Franck (sic), passava a ser a Anne Franck. Quanto aos outros, podiam ficar aterrorizados, esconder-se ao canto, transpirar de medo, mas assim que o perigo passava era como se ele nunca tivesse existido e retomavam alegremente as suas vidas. Retomavam-nas alegremente até ao dia em que eram esmagados ou envenenados ou alguma barra de ferro lhes partia o pescoço. Quanto a mim, sobrevivi a todos eles e em troca morri umas mil mortes.” (Firmin, Sam Savage, ed. Planeta, pág. 41)

Fernando Savater, no final dos encontros “Formar Leitores para Ler o Mundo”, preferiu falar sobre “os perigos da leitura”, comparando-a a uma droga dura. “A leitura pode ser um sucedâneo infernal do paraíso”, afirmou. Porque a todas as vidas falta algo. “Falta tempo, falta amor, falta justiça… E, no entanto, a leitura é algo que contrapesa, que faz esquecer tudo o resto.”

É verdade. Tive a minha última dose desta “droga dura” hoje à tarde, quando acabei de ler Firmin, de Sam Savage. Só agora começo a lembrar-me de tudo o resto.

3 comentários:

  1. "Não vos inquieteis! É a realidade que se engana!"

    Francisco Sousa

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  2. O acaso a funcionar elegantemente, como sempre: ofereceram-me esse livro há 2 dias e estava mt hesitante em começar a lê-lo.

    Mas parece recomendável, não?

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  3. Sim, mas não é prescrição absoluta. Também devemos prestar atenção às nossas hesitações...

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