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segunda-feira, 28 de junho de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

A LITERATURA INFANTIL NUA, OCIOSA E VOADORA

“Não os deixeis ler, em vez dos clássicos, as desgraças disseminadas por todo o lado, num tempo em que a própria literatura infantil, que outrora apelava à responsabilidade e ao bom sentimento, está agora repleta de criaturas ociosas, mulheres quase nuas, homens que voam e de todo um cortejo patético de inverosimilhanças.”

Não, não é um excerto do Thesouro das Meninas, Diálogo entre uma Sábia Aia e as suas Discípulas de 1ª Distinção, publicado em 1760 por Mme. Leprince de Beaumont. Este livro existe no ano da graça de 2010, com a chancela de uma editora conhecida. Não, não estão a gozar. Mais pérolas do género no blogue da Pó dos Livros.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

FINDAGRAVE.COM


Find a Grave: um site sobre campas e monumentos funerários de pessoas famosas (ou nem por isso), cujo slogan é: “Let your friends and co-workers know about your enthusiam for cemeteries!!!”. Registado o humor negro, acrescenta-se que a imagem acima pertence ao escritor Hilaire Belloc (1870 - 1953), autor das Cautionary Tales for Children. A família dos “Tragic Toys for Girls and Boys”, de Tim Burton, também encontra aqui as suas raízes. Para quem não conhece, eis a história exemplar (embora trágica) de Matilda. Também pode ser lida aqui.

"Matilda told such Dreadful Lies,
It made one Gasp and Stretch one’s Eyes;
Her Aunt, who, from her Earliest Youth,
Had kept a Strict Regard for Truth,
Attempted to believe Matilda:
The effort very nearly killed her,
And would have done so, had not she
Discovered this Infirmity.
For once, towards the Close of Day,
Matilda, growing tired of play,
And finding she was left alone,
Went tiptoe to the telephone
And summoned the Immediate Aid
Of London’s Noble Fire Brigade.

Within an hour the Gallant Band
Were pouring in on every hand,
From Putney, Hackney Downs and Bow,
With Courage high and Hearts a-glow.
They galloped, roaring through the Town,
‘Matilda’s House is Burning Down.’
Inspired by British Cheers and Loud
Proceeding from the Frenzied Crowd,
They ran their ladders through a score
Of windows on the Ball Room Floor;
And took Peculiar Pains to Souse
The Pictures up and down the House,
Until Matilda’s Aunt succeeded
In showing them they were not needed;
And even then she had to pay
To get the Men to go away!

It happened that a few Weeks later
Her Aunt was off to the Theatre
To see that Interesting Play,
The Second Mrs Tanqueray.
She had refused to take her Niece
To hear this Entertaining Piece:
A Deprivation Just and Wise
To Punish her for Telling Lies.
That Night a Fire did break out—
You should have heard Matilda Shout!
You should have heard her Scream and Bawl,
And throw the window up and call
To People passing in the Street—
(The rapidly increasing Heat
Encouraging her to obtain
Their confidence)—but all in vain!
For every time she shouted, ‘Fire!’
They only answered, ‘Little Liar!’
And therefore when her Aunt returned,
Matilda, and the House, were Burned."

domingo, 6 de setembro de 2009

ARE WE THERE YET?

Um leitor anónimo deixou um link para o You Tube na caixa de comentários do post anterior. Não gosto do produto publicitado, mas o video é muito bom. Como seria o Ainda Falta Muito? em versão de fenómeno paranormal? Vejam aqui.

domingo, 26 de julho de 2009

QUEM TEM MEDO DO LOBO MAU?


Devem os escritores e ilustradores de livros para crianças pagar 64 libras ao governo britânico para poderem continuar a visitar as escolas, depois de obtido o atestado de garantia “não sou pedófilo”? O caso surge na sequência do assassinato de duas alunas por um funcionário, mas há quem não alinhe na nova caça às bruxas. Philip Pullman, Quentin Blake, Michael Morpurgo e Anthony Horowitz são alguns dos autores que já vieram a público dizer que se recusam a fazer parte da base de dados que serve como garantia de idoneidade, classificando a medida de “ultrajante” e “monstruosa”. Se o preço a pagar é o veto de entrada nas escolas, pois que seja. Mas Anthony Browne, outro autor consagrado, adoptou uma posição mais conciliadora e não vê problema em submeter-se ao escrutínio governamental, defendendo igual tratamento para quem lide com crianças, seja um escritor, um professor ou um contínuo de uma escola.

Isto é perigoso. Primeiro, porque a questão envolve valores pessoais. Há quem não goste de ser mais um ficheiro, mais um número, mais uma fotografia e uma impressão digital numa sociedade hipervigiada. Há quem não queira ser ajuizado, na sua vida privada, por um sistema político que não dá provas de ser impoluto. Não têm de ser criticados nem julgados por isso, como se tivessem algo a esconder. Estão no seu direito, tal como Anthony Browne está no direito de assumir outros valores e prontificar-se a fornecer os seus dados para registo. Por outro lado, e este será o busílis, não valerá a pena questionar a real eficácia desta proposta? Sabe-se que os abusos sexuais são perpetrados, na maioria dos casos, por gente que vive em constante proximidade com as crianças, seja na escola ou na família. Sabe-se, também, que os autores se deslocam às escolas sempre acompanhados por professores e com um incansável programa de festas a cumprir. Que perigo efectivo podem representar para as crianças? Não mais do que o homem dos gelados, o vendedor do quiosque ou a senhora que limpa os balneários. Bom, se calhar, o melhor é passar a pente fino a vida de toda a gente. Podemos começar já pelo vizinho do lado.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

SE ISTO É A REALIDADE...

... mais vale procurar já um mundo paralelo. Philip Pullman recusa submeter-se ao escrutínio governamental e a integrar uma base de dados para controle e prevenção das práticas pedófilas. A consequência é a proibição de entrar nas escolas. Vai suceder o mesmo com todos os escritores de livros para crianças e adolescentes? J. K. Rowling também? Ou é só para homens? Está tudo doido. Nuts. Ver a notícia completa no Diário Digital.

terça-feira, 14 de julho de 2009

AINDA FALTAM UNS DIAS


O Ainda Falta Muito? está mais do que pronto e já seguiu para a imprensa e outros meios. Devia ter chegado às livrarias no dia 9, mas foi adiado para próxima segunda-feira. A razão por que isto acontece transcende-me em absoluto e não encontro uma explicação lógica. Só sei que não é bom para os livros nem para os autores. Mas é assim.

(Ilustração de Alex Gozblau)

terça-feira, 23 de junho de 2009

O BLOGGER RELUTANTE


O blogger anda armado em parvo, não sei porquê. Dá-me mensagens de erro de cada vez que publico um post, criando problemas acrescidos para colocação de links ou imagens. Decidiu aumentar o corpo de letra das mensagens sem que lhe tivesse dado ordens para isso, criando um efeito inestético que muito me desagrada. Se é uma piadinha em relação às minhas 13 dioptrias, acho de péssimo gosto. Vou tentando enganá-lo como posso, mas fico sempre com a sensação de que um dia isto desembocará num verdadeiro ataque de nervos. Mas enfim, como se diz no post anterior, vamos indo e vamos vendo. Se se notar alguma coisa realmente estranha, queiram desculpar.

AMIGOS ESTRANHOS

O Edifício Barbosa du Bocage, que tem como slogan “prestígio no coração de Lisboa”, quer ser meu amigo no Facebook. É uma das propostas mais estranhas que tenho recebido ultimamente. Receio bem que o meu modesto apartamento alugado em Alvalade, sem jacuzzi nem aquecimento central, não tenha afinidades com este amigo de elevado estatuto imobiliário. Pese embora o eterno sentimentalismo das minhas águas-furtadas, vou ter de recusar o pedido de amizade, a menos que a cave me faça encontrar razões profundas para não o fazer. Para já, despeço-me, piscando uma tímida persiana ao Barbosa du Bocage, e garantindo-lhe que não estou com a telha. Não hoje.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O INCRÍVEL MUNDO DAS PETIÇÕES


- Petição para despedir Jesualdo Ferreira, treinador do Futebol Clube do Porto: 7 assinaturas.
- Petição para sanear a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues: 12 assinaturas.
- Petição para levar Peter Gabriel ao Brasil: 14 assinaturas.
- Petição para requalificar a EN 360, principal via de acesso dos peregrinos a Fátima: 160 assinaturas.
- Petição para remover nove postes em fibrocimento que dificultam a actividade do Campo de Voo de Benavente: 511 assinaturas.

Agora a sério:

Petição para a dedução de despesas com o veterinário no IRS: 7360 assinaturas. Eu assinei aqui. Gasto um ror de dinheiro por ano com a gataria. “E eu com isso?”, diz ele, preocupadíssimo.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O MUNDO É QUE EXAGERA?


A Planeta Tangerina publicou este ano Um Dia na Praia, um livro sem palavras que conta a história de um homem capaz de construir um barco só com o lixo recolhido na praia. Agora ficámos a saber que o homem existe mesmo, chama-se António Caló e andou por Tavira no Verão de 2007, antecipando o livro que outro dia acabou por descobrir, sem querer. O blogue da Planeta Tangerina conta tudo e mostra as fotografias do barco "verdadeiro", aqui. Nunca mais digam que "o mundo é que exagera"…

terça-feira, 25 de novembro de 2008

E AGORA PARA ALGO REALMENTE IMPRESSIONANTE

Via Bruáa, este pequeno filme no site do New York Times: miúdos filmados pelo fotógrafo Robbie Cooper, completamente concentrados nos jogos de video. Os olhos não mexem, como os bonecos do Noddy ou do Ruca, e as expressões limitam-se a uma mudança de frames, rodando e basculando sobre o corpo praticamente imóvel. Ironicamente, o vídeo chama-se Immersion, designação do sistema de aprendizagem de línguas estrangeiras adoptado nos Estados Unidos, que consiste em “mergulhar” as crianças no contexto linguístico e cultural de um idioma sem recorrer ao uso da sua língua de origem. Para ver clique aqui.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

PUBLICIDADE

Acaba de me chegar ao correio electrónico a newsletter de um conhecido banco português. Tropeço involuntariamente num teaser: “Existem cada vez mais alternativas para aqueles que querem rentabilizar ao máximo o potencial das suas poupanças, sem para isso sacrificarem os seus princípios.” Clico para saber mais. Falam de investimentos em empresas amigas do ambiente e por aí fora. Fico descansada. Por momentos, pensei que se tratasse de um novo tipo de publicidade confessional.