sábado, 6 de março de 2010

DAQUILO DO JUNG


Janeiro foi um mês aziago, sobretudo entre os dias 1 e 31. Tenho que me penitenciar aqui por não ter lido a secção do Provedor dos Leitores da LER com a mesma atenção com que Nuno Costa Santos esmiuçou as Leituras Miúdas e escreveu sobre o assunto. O texto que se segue só há pouco foi detectado no Melancómico, via blogsearch do Google.

"Daquilo da literatura infantil

Como pai que sou, como provedor que vou tentando ser, tenho-me revelado relativamente atento a algumas obras da chamada “literatura infantil”. Devo dizer que vou encontrando mais desilusões do que motivos de felicidade – apesar das pérolas, há, parece-me, muita rima forçada, muita palavra obscura, muita trama sem interesse. Falo pela minha estante, é claro. Às vezes pergunto-me: quem somos nós, adultos, para criticarmos a livralhada que as crianças consomem? No outro dia quase chorei ao ler, na Fnac Chiado, um livro sobre uma criança a quem morre a avó. Mas, se calhar, isto é matéria que não impressiona os miúdos – e até solidifica a sua maneira de sentir e o seu crescimento. Deslizo nestas considerações para chegar à secção da responsabilidade de Carla Maia de Almeida, “Leituras Miúdas”. Tenho-a seguido com interesse. Já adquiri um livro, “Burros”, da autoria de uma dupla austríaca, por ter sido uma sugestão sua. Faz falta quem oriente os pais no angustiante momento de decidir qual o livro certo para oferecer ao seu petiz ou ao petiz do amigo. E a prosa de Carla Maia de Almeida é muito boa – além de que as suas observações são, em geral, incisivas e pertinentes. Inquietou-me apenas ter encontrado na última edição desta publicação a seguinte passagem sobre o livro infantil “Onde Vivem os Monstros”, de Maurice Sendak: “tem como tema o ‘processo de individuação’, para usarmos a célebre expressão de Carl Jung”. Processo de individuação? Ok, preocupou-me um pouco esta inesperada referência psiquiátrica no contexto em questão, mas há-de passar, com certeza.”

(Caro Nuno Costa Santos, muito obrigada pelo elogio tão simpático. Quanto às referências psiquiátricas, já passaram, fique descansado. Por outro lado, é provável que voltem. Aquilo da literatura infantil, sabe como é... Tem dias.)

1 comentário:

sofia wahnon disse...

já eu, adoro as "referências psiquiátricas" ;-)