domingo, 18 de janeiro de 2015

DESMENTIDO


Entre as dezenas de livros que costumo levar para as formações está Samuel e Saltitão (Caminho), de Margaret Wild e Freya Blackwood, vencedor do prémio Kate Greenaway 2010. Ninguém lhe fica indiferente. Trata da perda e do luto de um animal de estimação, tema tanto mais difícil de partilhar quanto mais se esconde na noite de seda que envolve o nosso coração. De vez em quando surgem livros assim, capazes de cerzir as partes inconjuntas de que é feito o nosso corpo emocional. Andamos sempre à procura da linguagem que nos permita comunicar o incomunicável; e é também para isso que temos a arte e a literatura. Por isso, o que escrevi aqui, questionando a «plausível inutilidade da arte e da literatura em geral», não é só uma mentira. É uma mentira perigosa, estéril e inútil; e parte do nosso desamparo individual e colectivo advém do facto de nos tentarem convencer disso, constantemente.

Sem comentários: