quinta-feira, 14 de maio de 2009

FIRMIN E O FRACASSO


No blogue Desesperada Esperança, Bruno Alves diz que eu não sei “o que é ter 15, 20 ou 30 anos”, referindo-se ao meu texto sobre Firmin, de Sam Savage, publicado na LER nº 79. A passagem que lhe suscitou o comentário foi esta:

“Um livro para adolescentes? Não exactamente. Apenas pela simples razão de que aos quinze, vinte ou mesmo trinta anos a possibilidade de um grandioso fracasso é uma noção demasiado estranha.”

Posso garantir ao Bruno que não passei directamente dos 4 para os 40 anos. Tudo o que eu queria dizer não coube em 2500 caracteres, mas ficou explícito aqui. Recupero o essencial:

“À segunda leitura, percebi que Firmin não é (sem deixar de poder ser) um livro para adolescentes. Não por causa das muitas referências literárias que contém, mas apenas porque a impressão do fracasso não deve – ou não deveria – fazer parte do mal-estar adolescente. O sentimento de inadaptação das personagens poderá calar fundo em quem tem 16 anos, ou perto disso, mas a sensação de que existe todo o tempo do mundo para o resolver deverá ser total e avassaladora. Só mais tarde, na chamada idade adulta, conseguimos perceber como estávamos enganados quanto à reversibilidade das coisas – e persistir adequadamente nesse engano, porque na verdade não há muito mais a fazer. É por isso, e apenas por isso, que Firmin não é um livro para adolescentes.”

1 comentário:

Pedro Teias da Ega disse...

Segundo percebo, a autora defende que o mal estar(ou a sensação de) adolescente (pré e pós) deve ser assimilada, mas coadjuvada por uma pretensa ilusão de que "ainda há tempo para..."

Talvez na linha do que ouvimos às nossas mães e avós na infância, algo como "aproveita enquanto podes..."

Concordo que não se deve revelar demasiado cedo que "o Pai Natal não existe", mas pergunto-me se essa constatação, chegada em tempo útil, em vez de como parece ficar sugerido "castrar e desencorajar" as expectativas juvenis, não permitiria um choque de real que ao invés possibilitaria partir para voos mais realistas (mas também mais alcançáveis, e logo catalizadores de um tão necessário - e poucas vezes obtido - sentimento de realização pessoal)

Cumprimentos