terça-feira, 5 de março de 2013

MORANGOS COM AÇÚCAR



«Este encantador livro de cozinha, dedicado às raparigas mais jovens, alia, de uma maneira muito equilibrada, o passatempo e a vida real.» Com versão portuguesa de Maria de Lourdes Modesto e supervisão de Yvonne Bonis, inspectora do Ensino Manual e da Economia Doméstica de Paris, O Meu Livro de Cozinha (Verbo) apresentou-nos a receitas inesquecíveis como a Pombinha, os Corações em Flor, a Brisa do Oceano ou a Nani Negrinha. Escrevíamos «alperches», «tira-cápsulas» e «avòzinha» com acento grave; não sabíamos o que era paprika nem onde desencantar «duas latas de puré de castanhas ao natural». Apesar disso, foi o livro de cozinha mais popular entre as miúdas da década de 70, as mesmas que hoje dão voltas à imaginação para esticar o orçamento e inventar mais uma receita de frango.

(Texto publicado na LER nº 122, secção «A Biblioteca do Nautilus».)

4 comentários:

Anisa disse...

Também o tenho na minha estante, prateleira nostalgia.

ERA UMA VEZ disse...

Quando nos idos anos setenta, oferecíamos o livro às nossas meninas, não nos passava pela cabeça que um dia teriam de contar os euros antes de comprar um livro, um disco, um vestido novo, um bilhete de cinema, um avio completo.
Pior, tantas de nós, não acreditaríamos que seria a nossa reforma, feita de tantos descontos, a pagar os livros da escola, o bolo de Parabéns para levar para a escola, a abrir secretamente a caixa do correio dos filhos e correr para a máquina multibanco para antecipar o pagamento do IMI...

Vivíamos tempos de esperança. O caminho não seria fácil, mas sabia a saudável desafio. Ser produtivo, ter iniciativa, trabalhar com entusiasmo abriria portas para proporcionar aos filhos uma boa educação/instrução.

A Festa ia ficando para trás, as palavras e as flores também. Um dia por ano recordávamos juntos "A Gaivota", cabeças de fora na nossa Diane branca descapotável, o melhor carro do mundo...

Em casa só faltava alguma coisa quando nos atrasávamos a ir ao Super.
E, em Janeiro, eles começavam a pensar nas férias de praia e "nos escorregas"do Algarve.
E porque não? Trabalhávamos para merecer.
Agora dizem que foi demais. Porquê?
Não temos dívidas.Pagámos tudo no tempo combinado. As contas estão feitas.

De vez em quando um passeio colectivo pela Baixa...acabava no Cais das Colunas.
Mal sabia eu que,no ano treze do novo milénio, quando devíamos ser já um País remediado e com futuro, ALI, tantas de nós, olhos rasos de água (com filhos e netos) cantaríamos de novo...

Nada fazia prever que num sábado

sofia wahnon disse...

Mas foi um bonito sábado!
Eu também cheguei a casa, sozinha e a pé, quase feliz. Entre outras coisas ia pensando que: está.nas nossas.mãos.
Quanto ao livro lembro-me de o ver mas nunca foi realmente um tema que me tenha interessado, lucky me!

dora disse...

... e tu a desencantar maravilhas ( com as tuas palavras ). Estava na casa da minha mãe. Fui buscá-lo há um ano, agora que já sei o que é paprika, temos nata à farta e posso fazer aqueles ovos estrelados a fingir : )