terça-feira, 22 de junho de 2010

PEQUENOS PESSOAS


Em Lisboa, a Casa Fernando Pessoa inaugurou recentemente a “Exposição Pequenos Pessoas”, uma mostra de trabalhos realizados por alunos das escolas Engenheiro Ressano Garcia, Fernanda de Castro, Santo Condestável e Vale de Alcântara – visitável até 16 de Julho. O projecto visou a “divulgação e estudo da obra do autor, recorrendo à expressão plástica, à palavra e à partilha de conhecimentos, incentivando o público mais novo (6-9 anos) à leitura e à escrita”. Quase a começar estão oficinas criativas de Verão (3-9 anos), a decorrer entre 28 de Junho e 28 de Julho. O leit-motiv das oficinas, gratuitas, será o heterónimo Álvaro de Campos. Obrigatória a inscrição prévia pelo telefone 213913270.

domingo, 20 de junho de 2010

O TIGRE NÃO MORREU


Desculpem, mas não é todos os dias que a nossa colecção de cromos preferida – do longínquo ano de 1976 – se revela em todo o seu esplendor na última página de uma revista. Reduzir o herói a uns escassos 1800 caracteres é que é quase imperdoável:

"Por uma nota de vinte escudos, a extinta distribuidora Regimprensa fez chegar às mãos dos fãs uma das cadernetas de cromos mais procuradas de sempre. Para quem se tinha habituado a seguir a série de televisão na RTP, descobrir um Sandokan a cores causou alguma estranheza, mas a bandeira vermelha do Tigre de Mompracem estava de acordo com o air du temps. Herói revolucionário, incansável na luta contra a opressão e a injustiça, Sandokan representa o espírito romântico da pirataria, o fora-da-lei secretamente admirado pelo inimigo: «Quem sabe se eu não tivesse nascido com a pele branca, talvez pertencesse àquele lado…”, diz Lord James Brooke, no cromo 288, ao ver o pirata da Malásia fugir-lhe por entre os dedos. E conclui, com a lucidez dos derrotados: «Mas agora é demasiado tarde.»
No mundo de Emilio Salgari, nem os bons são incorruptíveis nem os maus são sempre odiosos. Lord Brooke mostra-se «um homem sem escrúpulos, mas com o sentido da honra». Koa, um dos fiéis a Sandokan, conspira com os ingleses numa armadilha, mas suicida-se por não poder «resistir à vergonha da sua traição». Lord Guillonk, tio da bela Marianne, a pérola de Labuan, «é um homem frio mas com uma afeição muito grande pela sobrinha». E o Capitão Fitzgerald, que lhe move uma corte diplomática e insistente, é morto «à sombra de uma enorme árvore, gloriosamente, como um militar teria desejado.»
Porém, ninguém se compara à figura de Ianes, o braço-direito de Sandokan, um gentleman de bigode e cigarrilha cuja aparente fleuma não desmerece as origens: «Português, de origem nobre, atravessou meio mundo antes de alcançar Mompracem e de se tornar no melhor amigo de Sandokan. Aventureiro temido, com um passado misterioso, leal, generoso, está sempre pronto para a aventura e sempre com o sorriso nos lábios.»
Ainda se fazem cromos assim?"

(Publicado na Notícias Magazine de hoje, junto com o Diário de Notícias e Jornal de Notícias. Para quem quiser rever imagens da série e trautear a música do genérico em italiano, aqui fica o registo da canção de Claudio Baglioni no You Tube. Todos em coro: “Sandokan Sandokan / giallo il sole la forza mi dà / Sandokan Sandokan / dammi forza ogni giorno ogni notte coraggio verrà / Sandokan Sandokan ...)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

ABECEDÁRIO DE LUÍSA DUCLA SOARES


Do mais recente livro de Luísa Ducla Soares, Brincar com as Palavras, eis um ABC que nos traz qualquer coisa da deliciosa perversidade de Edward Gorey:

“Abecedário Maluco de Nomes”

A é o António, que faz coisas do demónio.
B é o Bernardo, picou o rabo num cardo.
C é a Catarina, a fugir de uma vacina.
D é a Diana, com o sapato se abana.
E é a Elisa, sai à rua sem camisa.
F é o Filipe, para faltar diz que tem gripe.
G é a Gabriela, que se julga muito bela.
H é o Hugo, mais gordo que um texugo.
I é a Isabel, tem mais borbulhas que pele.
J é o João, a beber do garrafão.
L é a Leonor, namora o computador.
M é o Mário, guarda os livros no aquário.
N é a Natália, quando chove usa sandália.
O é a Olívia, lava as unhas com lixívia.
P é a Paulina, põe creme de margarina.
Q é o Quim, nas aulas come pudim.
R é o Ricardo, morde como um leopardo.
S é a Susana, a cavalo numa cana.
T é o Tomás, só de mentir é capaz.
U é o Urbino, come as cascas do pepino.
V é a Vanda, caiu na jaula do panda.
X é a Xana, tropeçou numa banana.
Z é o Zeca, plantou relva na careca.

(Brincar com as Palavras, de Luísa Ducla Soares, tem ilustrações de Joana Alves, Maria João Lopes e Teresa Lima, e ainda um CD musicado e interpretado por Daniel Completo. Ed. Civilização, 2010)

UMA NOVA COLECÇÃO



De Kate Bloom e Emma Pack, chegam hoje às livrarias os dois primeiros títulos de uma nova colecção intitulada As Fadas do Vale Encantado. Segundo informações da Editora Nacional, os enredos desenvolvem-se à volta “de quatro fadas cuja missão é ajudar as crianças a realizar desejos especiais”. Pelo press-release, dá para perceber que são livros de pequeno formato e capa flexível, e custam 5,5 euros cada.

TALENTOS RENOVÁVEIS


O Rapaz Que Prendeu o Vento, de William Kamkwamba e Bryan Mealer, publicado desde dia 4 de Maio em Portugal pela Editorial Presença, venceu o prémio Nautilus Book Awards 2010, na categoria de ecologia, ambiente e sustentabilidade. Os Nautilus Book Awards reconhecem livros que promovam o crescimento espiritual, um estilo de vida consciente e que dêem origem a mudanças sociais positivas. Bestseller do New York Times, O Rapaz Que Prendeu o Vento foi considerado “o melhor livro de 2009” pela Amazon.com e pela revista Publishers Weekly. Mais informações aqui.

(Informação enviada pela editora.)

UMA FLOR PARA JOSÉ SARAMAGO


Retirada ao Jardim Assombrado, a maior flor que ele conseguiria imaginar.

terça-feira, 15 de junho de 2010

AMANHÃ ARREBATAREI UMA BESTA


Amanhã arrebatarei uma besta é o título de uma narrativa gráfica ainda no prelo. A exposição que dá pelo mesmo nome, na Galeria de Papel do Espaço Campanhã, mostra a maior parte do trabalho que deu corpo a este livro. Uma maqueta do livro está igualmente presente para consulta no espaço da galeria.”

Não me importava de dar um salto ao Porto só para ver a exposição do Daniel Silvestre da Silva; sem dúvida, um dos meus ilustradores portugueses preferidos. Licenciado em Artes Plásticas/Pintura pela ESAD de Caldas da Rainha, trabalha em ilustração infanto-juvenil desde 2006, tendo colaborado com autores como Alice Vieira, Ana Saldanha, João Pedro Mésseder, José Jorge Letria, Wang Suoying e Ana Cristina Alves. Vejam o blogue aqui.

O horário do Espaço Campanhã é de terça a sábado, das 14h00 às 20h00. Morada: Rua Pinto Bessa 170 r/c tras., 122 Armazém 4/5 (atrás do BANIF). A exposição deverá ficar até ao fim do mês.

CARLA MATADINHO

Confesso: também me “googlo” de vez em quando. É um exercício com o seu quê de deprimente, logo às primeiras letras. Ainda vou no “Carla Ma…” e já me aparece a endiabrada Carla Matadinho com as suas imparáveis rotinas, uma vida mais animada do que Sunset Boulevard em noite de fim-de-semana. Ele é “Carla Matadinho fotos roubadas”, ele é “Carla Matadinho vídeo escândalo”, ele é “Carla Matadinho fotos namorado”, “Carla Matadinho fotos íntimas”, “Carla Matadinho Maxmen”… Que dizer de tudo isto? O meu momento alto do dia acontece quando tomo café em jejum e sinto os neurónios a reagregarem-se lentamente. Por acaso, já passou.

E DEPOIS DISTO VOU DORMIR


“Era uma vez um menino pobre, que não tinha pai, nem mãe. Tudo estava morto e não havia ninguém mais no mundo. Tudo morto. E o menino andou, procurando dia e noite. E já que não havia ninguém mais no mundo, quis ir para o céu, onde a lua olhava com tanta simpatia. E quando chegou na lua, viu que era um pedaço de madeira podre. E então foi para o sol, e quando chegou no sol, viu que era um girassol murcho. E quando chegou nas estrelas, viu que eram mariposas douradas, estavam espetadas, como se espetam os vagalumes nas árvores. E quando quis voltar para a terra, a terra era um porto destruído. E o menino estava sozinho. Então se sentou e chorou, e até hoje ainda está sentado, sozinho.”

Foi postado há pouco tempo no Blogtailors e Pó dos Livros (pelo menos), mas não podia faltar no Jardim Assombrado: “Children’s Story”, uma pequena obra-prima de humor negro, escárnio e sacanice, contada e musicada por Tom Waits. Para quem não saiba, vem no álbum triplo Orphans – variante Bastards (os “bastards” dão sempre as melhores histórias). O texto acima (retirado daqui) é um excerto da célebre peça de George Büchner, Woyzeck, e a animação pertence a Matt Rosemier. Só escapou ao vídeo o riso sarcástico de Tom Waits, no final, tal como vem no disco…

PS – Tenho dúvidas quanto à tradução de “porto destruído”, mas infelizmente não leio alemão para poder comparar com o original.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

SAIAM DA FRENTE


A nossa caixa de correio está prestes a ser abalroada por um rinoceronte.

LER PARA CRESCER

No dia 3 de Julho, a Biblioteca Municipal de Ílhavo recebe o “Ler Para Crescer”, um encontro aberto ao público (mediante inscrição) onde participam José António Gomes (“Literatura infantil e promoção da leitura”), Ana Margarida Ramos (workshop “Como ler um álbum?”), Elisa Sousa (“O livro na família e no jardim de infância”) e Inês Vila (“Ler para crescer”). O programa pode ser consultado aqui.

A ILUSTRAÇÃO EM DESTAQUE

Daqui a um mês, começa na Universidade do Minho (Campos de Gualtar – Braga) o 8º encontro nacional/6º internacional em “Leitura, Literatura Infantil e Ilustração”. Dois dias para falar das linguagens da ilustração do livro para crianças, com comunicações sobre o papel do design, das guardas e outros tópicos habitualmente pouco discutidos. O programa provisório pode ser consultado aqui. Até ao dia 15 de Junho, a inscrição tem o valor de 50 euros, passando para 60 depois dessa data.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O SENHOR MELANCÓMICO



Sob os céus de Lisboa, algures entre as Amoreiras e Campo de Ourique, encontra-se o Melancómico, um possível pen-friend do Senhor Palomar (qual deles?) que carrega o mundo em sacos de supermercado. É o melhor pedaço de televisão que já vi desde Um Mundo Catita. Os quatro episódios, aqui, por partes. Pode começar pelos primeiros cinco minutos, clicando agora no "play".

quarta-feira, 9 de junho de 2010

GENIOZINHO


“Na altura dizíamos-lhe que se trabalhasse muito ainda ia conseguir publicar um livro e isso passou a ser um sonho para ela. No verão passado, quando estávamos de férias ela estava a ler O Rapaz de Bronze de Sophia de Mello Breyner Andresen e disse-nos que não sabia como a autora tinha conseguido publicar o livro porque escrevia como ela”, contou Emília.

Emília é a mãe da menina de nove anos que acaba de publicar um livro de histórias para crianças, a que deu o nome de A Grande Máquina do Tempo. Uma editora de Coimbra, Temas Originais, aceitou publicar o texto; que, segundo se diz nas notícias (aqui e aqui), não encontrou resposta noutras casas. Sinceramente, só espero que a moda não pegue. Não acredito em geniozinhos da literatura infantil que gostam de brincar às casinhas e vão à natação todos os dias, e muito menos em pais babados que admitem que a filha possa escrever como a Sophia de Mello Breyner Andresen. Se a catraia fosse minha, mandava-a já ler The Book of Virtues, do William J. Bennett, com posterior resumo de todos os capítulos.

Esclareço que a imagem acima não é da menina de Vila Real. Fui agora buscá-la à minha colecção de postais pirosos.

PERDAS


Com poucos dias de intervalo, sucederam-se duas perdas de vulto para a literatura infanto-juvenil: João Aguiar e, ontem, António Manuel Couto Viana. Pena, muita pena.

SIGA ESTE BARCO


Paulo Nogueira, jornalista, escritor, crítico literário e um dos maiores “especialistas em generalidades” que conheço, entrou há pouco na blogosfera com o Transatlântico, nome sacado ao penúltimo livro (e ainda o meu preferido). Não confundir com o Transa Atlântica, da MM.

MALASARTES 19


Pelos motivos do costume (work, work, work), este jardim tem estado em pousio nos últimos dias. Nada que uma chuvada de Verão – ou quase Verão – não possa recuperar. Ou então a notícia de que já saiu a nova Malasartes, lida no blogue Bibliotecar. Quem quiser saber o que lá pode encontrar, veja aqui.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

quinta-feira, 3 de junho de 2010

DA HUMILDADE INICIAL DA ESCRITA

“Infelizmente, a literatura infantil continua ainda a ser para muitos adultos campo fértil para exercícios de expiação. Incapazes de se salvarem da sua hipocrisia, agarram na bonecada do costume e lançam ao mundo a sua mensagem pelo tal mundo melhor que são incapazes de construir e pelo higiénico exemplo que nunca o serão.” Ler aqui.

Confesso: não sabia que Sarah The Duchess of York Ferguson tinha uma carreira tão prolixa como escritora de livros para crianças, até deparar com este post no blogue da Bruaá. Logo fui confirmar à Amazon e constatei que sim, que Sarah The Duchess of York Ferguson já escreveu imensos livros para crianças. Que grande talento tenho andado a perder.

O ESCRITOR DAS COISAS SELVAGENS


Apesar de uma obra relativamente curta, o inglês David Almond foi recentemente distinguido com o Prémio Hans Christian Andersen, o mais prestigiado galardão da literatura para crianças e adolescentes. Nas suas histórias não há elfos guerreiros nem vampiros sexy. Bom, para variar.

Não é exacto dizer que David Almond é um escritor realista, mesmo quando descreve com rigor os bairros cor de tijolo das classes trabalhadoras, cercados por baldios e minas abandonadas – uma evocação da sua infância na antiga localidade industrial de Feeling-on-Tyne. Se Hemingway e Raymond Carver são influências visíveis nesta escrita límpida e desafectada, o tema da queda e redenção coloca-o mais próximo do imaginário incandescente de Flannery O’Connor ou William Blake. Forjadas em lugares subterrâneos, a meio caminho entre o real e o sobrenatural, as suas histórias são povoadas por presenças nunca totalmente decifradas pela lógica. Skellig, o sem-abrigo com asas de anjo que se esconde numa garagem em ruínas, sobrevivendo com a ajuda de duas crianças, cerveja e aspirina, inaugurou uma galeria de personagens misteriosas, quase sempre representativas da protecção dos adultos, nunca reduzidos a caricaturas pelo autor. A morte das figuras familiares, a inquietação de crescer e a conquista da autonomia impulsionam as vidas das crianças e adolescentes que se perdem nestes emocionantes enredos. Mas não para sempre.

Skellig é também o título do primeiro romance juvenil de David Almond (O Segredo do Senhor Ninguém, em português), publicado em 1998 e vencedor dos prémios Whitbread e Carnegie. Seguiram-se Kit’s Wilderness (O Grande Jogo) e Heaven Eyes (Um Cantinho no Paraíso), também editados em Portugal. O quarto título, O Meu Pai é um Homem-Pássaro, destinado a um público mais infantil, é uma relativa decepção para quem leu os anteriores. Depois do Prémio Andersen 2010, espera-se que a Presença conclua a publicação da obra de David Almond, em particular de Secret Heart, The Fire Eaters (novamente vencedor do Whitbread) e Clay. As traduções de Fernanda Pinto Rodrigues e Ana Corrêa da Silva souberam preservar a exigência de um escritor cujo trabalho sobre a palavra foi também uma das razões óbvias da atribuição deste cobiçado prémio.

(Texto publicado na LER nº 92. Fotografia de Sara Jane Palmer.)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

segunda-feira, 31 de maio de 2010

ESCREVER À VISTA, DESENHAR SOBRE LETRAS, 1


Carla Maia de Almeida (CMA): É difícil trabalhar com escritores?
Danuta Wojciechowska (DW): Não posso generalizar. É uma experiência que muda de livro para livro, até com o mesmo escritor. Uma pessoa cria expectativas e depois acontece uma coisa diferente. Mas isso é o mais fascinante, quando se faz um livro a meias.
CMA: E exigente. Não sei é possível fazer um bom picture book se a relação entre escritor e ilustrador não for minimamente… fluente. Não digo que precisem de ser amigos, mas será possível fazer um bom livro se houver um mau relacionamento?
DW: Talvez só com um escritor morto…
CMA: Sim, pelo menos esses não levantam cabelo.
DW: Mas olha, eu já ilustrei contos do Hans Christian Andersen e foi como se ele voltasse a viver. Quando estava a trabalhar sobre o texto, era como se ele ganhasse vida própria. Isto pode parecer uma coisa um bocado maluca.
CMA: Nem por isso. E alguma vez recusaste ilustrar um livro?
DW: Já. (...)

("Escrever à vista, desenhar sobre letras". Na próxima quarta-feira sairá no Blogtailors a segunda parte desta conversa/crónica. Ler aqui o início.)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

THE KILLING MOON REVISITED

Filme animado com versão atmosférica de uma grande canção dos Echo & The Bunnymen: "The Killing Moon", pelos Nouvelle Vague. Terno, enigmático e poético. Ou apenas muito bonito.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A LITERATURA INFANTIL DEVE SER SUBSIDIADA?, 2


Suponho que Miguel Sousa Tavares (MST) estivesse a falar em sentido figurado quando afirmou, na entrevista de ontem ao Diário de Notícias, que “a literatura infantil é que deve ser subsidiada”. Seria um mau princípio (e um mau exemplo) se os escritores de livros para crianças recebessem algum incentivo – oficial e directo – de tipo monetário para produzir obra literária, não se prevendo que tal caucionasse a qualidade dos resultados. O pagamento atempado dos direitos de autor, a dotação de meios financeiros para a aquisição de livros em escolas e bibliotecas, e um empenho sério na sua promoção por parte das editoras já fariam maravilhas. Julgo que a ideia de “subsidiar” passa por aqui.

É claro que MST tem razão quando diz que “nunca foi tão importante haver boa literatura infantil”, que “com boa literatura infantil, defende-se o livro” e que “a crítica literária liga muito pouco à literatura infantil”. Sendo MST um opinion maker, é bom que estas palavras encontrem eco, porque têm valor. Cabe perguntar, já agora, quem é que liga à pouca crítica literária existente. Apesar de um vasto e potencial público composto por pais, educadores, professores, bibliotecários, livreiros, editores, ilustradores, designers gráficos, promotores da leitura e outros, incluindo os próprios escritores, a experiência diz-me que são poucos os que fazem um esforço para sair do seu ramerrame e adquirir informação nessa matéria. Revistas como a Ler, Os Meus Livros e Malasartes, suportes em que o livro infanto-juvenil tem, neste momento, a visibilidade que merece (e desculpem-me o elogio em boca própria), ainda são lidas por uma ínfima minoria, passe o pleonasmo.

Não subscrevo essa ideia de literatura infantil em estreita comunhão com a sua função social, pelos motivos que MST acaba por deixar claros: “Ao escrever este [Ismael e Chopin] tive isso em consideração [a teatralização nas escolas], acrescentando personagens que não fariam falta mas permitem teatralizações.” Se não fazem falta, por que razão estão lá? Os condicionalismos e ambiguidades fazem parte deste campo específico (e ainda muito menorizado) do sistema literário, mas quando um escritor tem deles consciência e permite que ganhem terreno ao que é pertença da literatura, estranha-se.

Mais estranha é a ideia de que escrever para crianças funcione, para MST, como uma “reciclagem”, uma espécie de duche Vichy exfoliante capaz de limpar as células mortas da pele do escritor calejado pela dureza do romance, proporcionando-lhe o encontro com “uma certa humildade inicial da escrita”. Em nome deste equívoco publicam-se coisas absolutamente sofríveis, apenas justificadas pelo nome do “escritor sério” que decidiu ter a sua aventura no campo-de-morangos-para-sempre da literatura infantil. Não é o caso de MST, de quem conheço apenas o primeiro livro para crianças, O Segredo do Rio. O correio trouxe-me hoje o recém-publicado Ismael e Chopin (Oficina do Livro). Estou curiosa.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

CAPUCHINHO VERMELHO-SANGUE

Red from Hyunjoo Song on Vimeo. Via De Olhos Bem Fechados.

A LITERATURA INFANTIL DEVE SER SUBSIDIADA?, 1

É o que sugere Miguel Sousa Tavares, numa entrevista ao Diário de Notícias que pode ser lida aqui. Neste momento não há tempo para comentar.

DAVID MACHADO LÊ O TUBARÃO



David Machado lê em voz alta a história d'O Tubarão na Banheira, com os peixes do Oceanário de Lisboa ao fundo. Em cima, o video da primeira parte. A segunda pode ser vista e ouvida no blog do livro. Aqui.

terça-feira, 25 de maio de 2010

DA BONDADE DOS AVÓS


A livraria de um centro comercial, ontem à tarde. A miúda terá entre três e quatro anos e corre pelo meio dos livros como um diabrete, vigiada de perto pelo avô, um senhor bem posto e de modos suaves. “Olha este, avô! Tão giro!”. Pega nos livros, folheia-os, carrega nos botões que emitem sons, abre pop-ups, demora-se nos mais coloridos e sofisticados. Revela bom gosto. O avô, conformado com a ideia de que lá terá de abrir os cordões à bolsa, vai atrasando o momento como pode: “Esse não, é mais para o teu irmão.” “Esse é muito caro.” “Esse não é para a tua idade.” “Esse não, que tem muitas letras.” A avó, entretanto chegada, dá uma ajuda: “E tu ainda não sabes ler, pois não?”. A cada "não" escutado dos beneméritos avós, a miúda vai esmorecendo no seu entusiasmo e curiosidade. Até que o avô descobre, exultante, a resolução do problema: “Pronto! Já sei o que é que vamos levar! E logo dois de uma vez, já viste?” “Que luxo!”, rejubila a avó. A criança agarra nos livros sem sequer olhar para eles e, como um animalzinho domesticado, agradece a generosidade alheia com voz sumida: “Obrigada…”

Para não levantar mais suspeitas da avó, que já me olha de lado e estranha a observação descarada, espero que deixem a livraria e só depois vou ao escaparate onde o avô teve a sua epifania. Unidos por um elástico, descubro um molho de livros de capa de papel e pequeno formato, de uma editora que nunca ouvi falar. Lá estão A História da Carochinha, O Gato das Botas, O Capuchinho Vermelho e outros contos tradicionais, com uma chamada na capa a prometer um “vocabulário adaptado a crianças a partir dos quatro anos”. O texto é indigente, as ilustrações uma desgraça, a edição paupérrima. Dá para perceber por que é que o avô não hesitou em levar “logo dois de uma vez”. Custam 1.95 € cada. Um luxo, de facto.

CURSO INTENSIVO DE JARDINAGEM


Mais cedo do que o jardim mencionado no post anterior, aguarda-se o primeiro livro de poemas de Margarida Ferra, com uma belíssima capa ilustrada por Luís Henriques, habitué dos livros de Rita Taborda Duarte e não só. O título é um achado. Via Bibliotecário de Babel.

UM JARDIM ILUSTRADO



Ainda falta muito tempo, mas não resistimos a divulgar já dois dos trabalhos que Leonor Feijó vai mostrar na Quasiloja Galeria (Rua Ribeiro Sousa, 225-229). A exposição tem por título “Memories” e decorre entre 26 de Junho e 14 de Julho. Leonor Feijó é licenciada em fotografia pela London College of Communication e também se dedica à ilustração. Com um toque very british, indeed.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A ARTE DE MORRER LONGE


"A cada dia que passava, as coisas tendiam a agravar-se e o próprio esforço de memória, revolvendo e trazendo ao de cima escórias e impurezas, algumas há muito soterradas e, até, anteriores ao casamento, era um factor de desconforto e afastamento. Como em tudo na vida, a recordação dos bons momentos era abafada pela dos maus, porque o escuro é mais forte do que a claridade, e a treva é o estado natural de repouso que não exige esforço nem energia."

sábado, 22 de maio de 2010

JORNADAS DE TRADUÇÃO LIJ, 1




A fechar o primeiro dia das Jornadas Internacionais de Tradução de Literatura Infanto-Juvenil, a professora Maria da Graça Bigote Chorão (Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, Universidade de Vigo) apresentou os resultados preliminares da tese de doutoramento em que investiga o impacto da dobragem no público infanto-juvenil. Os gráficos de barras em que sintetizou a evolução da programação televisiva destinada às crianças - nas últimas décadas e nos quatro canais principais - permitem concluir que a exibição de desenhos animados e séries de televisão nas suas versões originais são hoje uma verdadeira raridade (e não vamos aqui incluir "Os Simpsons"), como acontece há mais tempo em países como Espanha, França, Itália ou Brasil. Confesso que não me tinha dado conta deste primado do português falado às horas preferidas da miudagem, por razões que facilmente depreenderão. Sim, continuo a lembrar-me do Sandokan em italiano e do Michel Strogoff em francês – e gosto disso. Não sei bem se as gerações habituadas à dobragem vão continuar a ter aquela "facilidade" em falar e aprender línguas estrangeiras de que às vezes gostamos de nos gabar. Vamos esperar para ver. O estudo e a realidade.

(Em cima, com música de Bach, o genérico da série “Era Uma Vez… o Homem” e um excerto do primeiro episódio, tal como passou por cá no final dos anos 1970 – em francês. Também já escrevi um post sobre este tema.)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

CITY-BREAKS: COIMBRA


Durante os próximos dias vamos estar em Coimbra, para assistir às primeiras Jornadas Internacionais de Tradução de Literatura Infanto-Juvenil. Assunto sério e que faz falta debater. Já as Clarissinhas, uma reinvenção conventual do chef Albano Lourenço, conspirador-mor do restaurante da Quinta das Lágrimas, são outro assunto ainda mais sério. Também podem dizer que só está aí essa fotografia porque é difícil ilustrar uma coisa que ainda não aconteceu e porque já gastámos a imagem do cartaz no post anterior.

UM NOVO BLOGUE

De uma senhora editora. A partir de hoje, Maria do Rosário Pedreira faz aqui Horas Extraordinárias. O Jardim Assombrado ficou contente por fazer parte da lista de Amigos do Livro. E oferece um ramo de flores que durem muito, muito tempo.

COMENTÁRIOS IDIOTAS NÃO SERÃO PUBLICADOS


Este jardim quer ser um local sossegado. Onde livros, bichos e pessoas (não necessariamente por esta ordem) se sintam em paz. Este jardim não tem pachorra para gente que não sabe ler, que não tem sentido de humor e que confunde a opinião com o insulto. Posto isto, tenho a dizer que comentadores malcriados e anónimos farão melhor em mudar de paragens ou em criar o seu próprio blogue. Daqui não levam nada. E se chatearem muito lanço-lhes o crocodilo.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

CÃO SEM-ABRIGO


Um cão vadio partilha os caixotes do lixo e vãos de escada com os sem-abrigo que percorrem as ruas de uma grande cidade. Estranhamente, ou não, acaba por ter mais sorte do que estes. Um belo picture book cheio de emoções contraditórias, assinado por Stephen Michael King, escritor e ilustrador australiano que se apresenta aqui (o cão também). Já saiu em Fevereiro, mas só agora o lemos. Na colecção Borboletras, da Caminho.

FESTA DO LIVRO DA AMBAR


Alice no País das Maravilhas – primorosamente ilustrada por Lisbeth Zwerger – é um dos títulos com 40 por cento de desconto na Festa do Livro da Ambar, à disposição dos interessados na loja do Porto ou no site www.ambar.pt. Livros entre 20 a 50 por cento mais baratos, para combater a crise (medida não incluída no PEC).

terça-feira, 18 de maio de 2010

LIVROS DE ARTE PARA PEQUENOS ARTISTAS



A História da Pintura
Abigail Wheatley
Ilustrações de Uwe Mayer e Ian McNee
Tradução de Pedro Garcia Rosado
Texto

Uma colecção de médio formato e capa flexível que alia a estimulante concepção gráfica de Zöe Wray a conteúdos irresistíveis para leitores enciclopedistas. O primeiro título, A História da Pintura, segue o percurso dos bisontes rupestres de Lascaux até à arte moderna de Jackson Pollock ou Andy Warhol; e só é pena não haver exemplos mais recentes. A evolução da pintura explica-se a partir do seu contexto social, com pormenores curiosos (como as cenas de mau génio de Caravaggio), uma extensa cronologia, glossário e índice remissivo. A seguir, A História das Invenções.

Arte Para Crianças
Tradução de Bárbara Maia
Civilização

A complexidade de alguns livros informativos torna impossível a identificação de um só autor. É o caso deste álbum de grande formato, editado originalmente pela prestigiada Dorling Kindersley. Dotado de uma extensa ficha técnica e um título algo enganador (“para crianças”, sim, ma non troppo), opta por uma paginação que muda consoante se trata de perfis de artistas, explicação de técnicas, evolução de estilos ou galerias virtuais temáticas. Pode parecer confuso, no início, mas vale a pena. A fechar, o controverso Damien Hirst e a sua caveira cravejada de brilhantes. Esperemos que não choque alguns pais ou educadores “mais sensíveis”.

(Textos publicados na LER nº 91)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

TRADUZIR LIVROS PARA CRIANÇAS


Quase, quase a caminho de Coimbra. Espera-se que o vulcão islandês não perturbe a ordem de trabalhos das primeiras Jornadas Internacionais de Tradução de Literatura Infanto-Juvenil, a decorrer na Faculdade de Letras da Universidade esta quinta e sexta-feira (garantiram-nos que, havendo lugares, se aceitam inscrições de última hora).

Aguarda-se a chegada de Riitta Oittinem (Finlândia) para a conferência de abertura, marcada para as 10h15 de dia 21. Tema: “Revoicing Picturebooks: Translating the Verbal, the Visual and the Aural”. A partir daí, a escolha pode tornar-se mais difícil, uma vez que se preparam sessões paralelas em três salas (felizmente, todas no mesmo piso). Falar-se-á de temas tão particulares como “a tradução dos nomes próprios nas edições portuguesas de Astérix” (Raquel Mouta) ou “a tradução das intertextualidades bíblicas em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, de C.S. Lewis (Elaine Sant’Anna). Na quinta à tarde haverá um painel dedicado à tradução audiovisual e, na sexta de manhã, à tradução para crianças com necessidades especiais. À tarde, também na sexta, duas mesas-redondas convocarão tradutores (Margarida Vale de Gato e Elisabete Ramos estarão lá) e editores (Kalandraka, Bruaá e Cuckoo também são presenças confirmadas), mas a esta hora já teremos de estar de regresso à Estação do Oriente. Snif.

O programa completo pode ser consultado aqui (se tiver dificuldade em chegar ao link, faça “guardar” e abra com o programa Adobe).

II SALÃO INFANTO-JUVENIL DE V.N. DE GAIA


Começa hoje e prolonga-se até dia 5 de Junho, com um programa cheio de actividades de promoção da leitura e da literatura que pode ser consultado na íntegra aqui. Em vésperas do encerramento, atenção à apresentação pública do Prémio Maria Alberta Menéres – Conto Ilustrado. Para começar, hoje mesmo, às 18h00, inaugura-se a exposição de homenagem ao pintor, ilustrador e designer António Modesto (autor do desenho acima reproduzido), seguida de conversa moderada por José António Gomes. No Auditório da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia, às 18h30.

sábado, 15 de maio de 2010

O PAÍS DOS TERMINATORS


Felizmente, não faço parte das gerações que cresceram a ouvir mentiras sobre a grandeza de Portugal, as suas glórias passadas e os seus heróis tão convenientes. Tive um derriço por Portugal quando tinha 20 anos e lia as crónicas do MEC no Expresso, mas a verdade é que nem o saudosismo de Teixeira de Pascoaes nem o pitoresco da manteiga Primor chegam para fazer esquecer o resto. E o resto é isto: um país pobre e claustrofóbico, amesquinhado pela eterna pequenez dos seus políticos e ensandecido por rasgos pontuais de histerismo mediático à volta do futebol, do clima ou do escândalo. Não é só isto, mas é cada vez mais disto.

E nesta estreiteza que começa na geografia e se estende por todos os planos da vida nacional, acentuando-se no plano inclinado, é sempre doloroso quando desaparece mais um “dos bons”. A morte de Saldanha Sanches alimenta o sentimento de orfandade cívica e moral de quem não vive protegido por berços ou conluios; ou seja, quase todos nós, os sobreviventes.

Se a morte é absoluta, dói ainda mais quando a perda parece insubstituível. Por cada Mário Viegas e cada Agostinho da Silva que desaparece, multiplicam-se os lugares vazios, as sombras e as subserviências. Raro, cada vez mais raro encontrar o “riso admirável de quem sabe e gosta/ ter lavados e muitos dentes brancos à mostra”, como nos versos de Cesariny. Também eu estou cansada de ver “os melhores espíritos da minha geração” destruídos pelo desgosto quotidiano que é viver neste país; gente para quem emigrar, hoje, é uma decisão tão saudável como combater o mau colesterol. Quem fica, seja por que razão seja, sabe que tem de ser feito de uma liga especial para resistir à corrosão e ao desgaste permanentes. Uma têmpera de aço, ferro, carbono, fósforo, titânio, tungsténio e o diabo a sete, como o raio do Terminator.

Acontece que a maior parte das pessoas não quer ser o Terminator, com todo o direito que lhes assiste. Não quer ser herói nem vilão, porque cada uma dessas escolhas dá trabalho. Só quer ter um emprego, uma casa, uma família, um ordenado decente ao fim do mês, escola e hospital, e caracóis com cerveja ao fim-de-semana. Ao que parece, é pedir muito. Dêem-lhes mais tungsténio.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A MONTANHA NÓMADA


Duna

Por andar sempre aos búzios na praia, foi-se formando uma montanha de areia no meu quarto. Trazia-a nos sapatos, pouco a pouco, sem dar conta.
– Chamo-me Duna – parecia dizer.
– As dunas são montanhas nómadas – disse-me a minha irmã.
– Eu tenho uma – respondi-lhe.
– Ah, sim? Onde?
– Vem comigo.
– Quando chegámos, o meu quarto estava cheio de búzios e vazio de montanhas.
– O que é que quer dizer nómada? – perguntei-lhe.
Desde então, ronda por minha casa uma montanha nómada, a Duna.
Como vive por aqui desde pequena, não foge, mesmo tendo sempre a porta aberta.

(Diógenes, uma edição Kalandraka com texto de Pablo Albo e ilustrações de Pablo Auladell, Prémio Lazarillo de Criação Literária 2008)

HOJE HÁ FESTA NO TEATRO DO BOLHÃO


Cristina Taquelim, Luís Carmelo, Thomas Bakk, Carlos Marques e Inácio Villariño são alguns dos contadores de histórias presentes no Contemfesta 2010, que hoje e amanhã vai animar o Teatro do Bolhão, no Porto. Sessões de contos, instalações vídeo, exposições, teatro, música e feira de livros de cordel fazem parte do programa (ver aqui). O Contemfesta 2010 é uma parceria do projecto Memoriamedia com a Academia Contemporânea do Espectáculo/Teatro do Bolhão e o Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Universidade Nova de Lisboa.

LITERATURAS INFANTIS IBÉRICAS

A Universidade de Santiago de Compostela vai ministrar mais uma edição do Curso de Formación Contínua: As Literaturas Infantís e Xuvenís Ibéricas, que este ano trata o tema das “reescrituras actuais do conto popular”. Dirigido por Blanca-Ana Roig Rechou, com uma parte presencial (Setembro) e outra à distância (Junho), o curso destina-se a professores, estudantes, bibliotecários e outros interessados nesta área. Mais informações aqui.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

LÁGRIMAS DE CROCODILO, 2


LÁGRIMAS DE CROCODILO, 1


Via Bruaá.

SINAIS DOS TEMPOS, 1




É certo e sabido que os livros para crianças reflectem os valores, as expectativas e as angústias sociais do seu tempo. Três títulos de não-ficção acabados de chegar às livrarias são disso sintomáticos: Dormir é Bom, Dormir Faz Bem à Saúde, de Teresa Paiva/Helena Rebelo Pinto e Danuta Wojciechowska (ilustrações), uma história em verso sobre os problemas de sono da Família Pardal; Os 7 Hábitos das Crianças Felizes, de Sean Covey, filho de Stephen R. Covey, autor do best-seller Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes; e ainda Faz Crescer o Teu Dinheiro, de Gerry Bailey e Felicia Law, uma introdução à história do dinheiro e dos bancos, que explica o que é o Psi-20 e termina com publicidade à entidade bancária que patrocinou a edição. Assim vai o mundo em 2010.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

SEMPRE QUIS FAZER ESTA PERGUNTA


Alice: O seu nome parece tirado de uma fábula. O que é preciso para ter o apelido Gato?
Margarida Vale de Gato: É preciso ser trineta de um alentejano que só tinha primeiro nome e recebeu o apelido da terra que trabalhava. É uma história com raízes de que gosto.

(A entrevista completa à tradutora Margarida Vale de Gato pode ser lida na nova revista on-line editada por Maria João Freitas, também conhecida como A Namorada de Wittgenstein. Renasce com a herança da sua anterior versão em papel e espera-se que tenha uma vida longa. Há muita coisa boa para ler e olhar. Bem-vindos ao Clubalice.

IRMÃO LÚCIA MUDA DE RETIRO

Quiçá influenciado pela deslocação papal, o Irmão Lúcia convida todos os fiéis a visitar o seu novo santuário, agora aqui.

HANS CHRISTIAN ANDERSEN EM EXPOSIÇÃO


Continua até dia 2 de Junho na Biblioteca Municipal de Campo Maior. Uma visão intrgrada e multidisciplinar do universo de Andersen, com passagem pelas artes visuais, literatura, cerâmica, joalharia, teatro e dança. Também aos sábados de manhã. Mais informações aqui.

terça-feira, 11 de maio de 2010

MUSEUS E CEMITÉRIOS


Não fomos ao MOMA ver a exposição retrospectiva de Tim Burton, mas (fraco consolo) encontrámos o catálogo, provavelmente na sua versão mais reduzida, à venda na Fnac. Reproduções de trabalhos inéditos, alguns textos, uma cronologia essencial e, a abrir, um “artist’s statement” em que Tim Burton explica por que razão os museus têm tudo a ver com cemitérios. O que não é necessariamente mau:

“Growing up in Burbank, there wasn’t much of a museum culture. I never visited one until I was a teenager (unless you count the Hollywood Wax Museum). I occupied my time going to see monster movies, watching television, drawing, and playing in the local cemetery. Later, when I did start frequenting museums, I was struck by how similar the vibe was to the cemetery. Not in a morbid way, but both have a quiet, introspective, yet electrifying atmosphere. Excitement, mystery, discovery, life, and death all in one place.”

domingo, 9 de maio de 2010

WISH I WAS THERE


A partir de amanhã e até 19 de Maio, a Nova Zelândia está em festa com a 14ª edição do New Zealand Post Children's Book Festival, que atribui "os prémios literários mais prestigiados do país". Não somos nós que o dizemos.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

UM TUBARÃO NA FEIRA DO LIVRO


Este domingo e nos dias seguintes há teatro de marionetas à volta do último livro de David Machado, Um Tubarão na Banheira (ilustrações de Paulo Galindro). Datas e horários aqui.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

LIVRO DOS MEDOS


O Livro dos Medos, de Adélia Carvalho (texto) e Marta Madureira (ilustrações) vai ser apresentado no próximo sábado, 8 de Maio, às 11h30, na loja/livraria Mãos à Arte, um espaço bonito em Leça da Palmeira. Toca a aparecer!

ANDRELETRIA.PT


O site do André Letria já está - finalmente - pronto. Espreitem aqui.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

CINDERELAS LITERÁRIAS


Porque é que há tanta gente a querer escrever livros para crianças e adolescentes? Uma das razões tem a ver com a “síndrome de Cinderela”. From rags to riches é um dos enredos mais velhos da Humanidade. Agora foi uma australiana, mãe de quatro filhos, que salvou a família da bancarrota ao escrever um romance juvenil que já foi descrito como “Stephenie Meyer sem vampiros”. O Wall Street Journal pergunta se Rebecca James será a nova J.K. Rowling (surge uma nova J.K. Rowling a cada três meses, como é sabido). O livro chama-se Beautiful Malice e vai ser publicado este mês na Austrália, depois de ter sido bastas vezes rejeitado por agentes literários. Entretanto, foi vendido para 20 países e traduzido para 13 línguas, pelo menos. Uma delas será o português?

Notícia completa sobre a "million-dollar mum" no The Sidney Morning Herald.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O DIREITO DE NÃO LER


O que faz um leitor são também as suas circunstâncias. Há uma diferença intransponível entre ler de livre vontade e ler por imposição alheia. Este domingo, ao falar dos livros que marcaram a minha infância, citei o Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro, como o único livro que me obrigaram a ler, estragando o ritual das idas pontuais à Livraria Victor, em Braga, no final dos anos 1970. A dado ponto, vendo-me entretida com a leitura dos imprescindíveis “patinhos”, o meu pai fartou-se das delongas à volta de mestre Aquilino e preveniu-me: “Olha que eu não te compro mais livros até leres o Romance da Raposa.” Foi a via imediata para a embirração com a Salta-Pocinhas, o pai raposo, a mãe raposa e restante bicharada. De orelha murcha, abati-me sobre as páginas, cumprindo o mais depressa possível a minha via sacra e saltando tudo o que não percebia, incluindo “os arganazes roazes” e “a papalva que se esconde com a alva”. Bem gostaria de me ter revoltado e proclamado os direitos do leitor, de Daniel Pennac, mas na altura não havia cá essas modernices.

Curiosamente, o Romance da Raposa foi o livro mais marcante, de forma oposta à minha, da escritora e jornalista Alice Vieira, que também contou a sua experiência no debate. Não deixa de ser mais uma coisa que temos em comum.

A LITERATURA INFANTIL NUA, OCIOSA E VOADORA

“Não os deixeis ler, em vez dos clássicos, as desgraças disseminadas por todo o lado, num tempo em que a própria literatura infantil, que outrora apelava à responsabilidade e ao bom sentimento, está agora repleta de criaturas ociosas, mulheres quase nuas, homens que voam e de todo um cortejo patético de inverosimilhanças.”

Não, não é um excerto do Thesouro das Meninas, Diálogo entre uma Sábia Aia e as suas Discípulas de 1ª Distinção, publicado em 1760 por Mme. Leprince de Beaumont. Este livro existe no ano da graça de 2010, com a chancela de uma editora conhecida. Não, não estão a gozar. Mais pérolas do género no blogue da Pó dos Livros.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

PRÉMIO NACIONAL DE ILUSTRAÇÃO


Tal como aconteceu à Planeta Tangerina, a mudança de casa também tem afectado O Jardim Assombrado. Embora com muito atraso (escandaloso, mesmo), damos os parabéns a Bernardo Carvalho, vencedor do Prémio Nacional de Ilustração 2009 com o livro Depressa, Devagar; sem esquecer as menções especiais atribuídas a Madalena Matoso (Andar por Aí) e a Marta Madureira (O Livro dos Medos). Este ano, o júri seleccionou ainda mais 12 obras "pela criatividade e originalidade das ilustrações", entre as 117 a concurso. E também está lá o nosso Ainda Falta Muito?, com as ilustrações do Alex Gozblau. A notícia e a lista completa podem ser lidas no site da DGLB, aqui.

domingo, 2 de maio de 2010

PRÉMIO LITERÁRIO MARIA ROSA COLAÇO 2010


Já falámos aqui (e também aqui) do Prémio Literário Maria Rosa Colaço, instituído em 2006 pela Câmara Municipal de Almada e destinado a galardoar dois textos inéditos em língua portuguesa na área infanto-juvenil. O concurso de 2010 está aberto até 31 de Maio, recebendo originais de autores portugueses (sob pseudónimo) em duas áreas: literatura para crianças (mínimo de 10 páginas) e literatura juvenil (mínimo de 20 páginas). Cada vencedor receberá cinco mil euros e terá garantida a edição posterior. O júri é constituído por um representante a indicar para Associação Portuguesa de Escritores, outro pela secção portuguesa do IBBY (International Board on Books for Young People) e ainda por um elemento da Câmara Municipal de Almada. O regulamento pode ser consultado aqui.