terça-feira, 30 de setembro de 2008

PLANO PESSOAL DE LEITURA


A Fada Oriana, Sophia de Mello Breyner Andresen
A Ilha do Tesouro, Robert Louis Stevenson
A Princesinha, Frances Hodgson Burnett
Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll
Contos, Hans C. Andersen
Contos, Oscar Wilde
David Copperfield, Charles Dickens
Jackpot - Um Rapaz Cheio de Sorte, Peter Carey
Jane Eyre, Charlotte Brontë
Matilde, Roald Dahl
O Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcelos
O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry
O Sonhador, Ian McEwan
Os Mistérios da Floresta Negra, Emilio Salgari
Os Pássaros da Noite, Tormod Haugen
Peter Pan, J. M. Barrie
Pobby e Dingan, Ben Rice
Rumble Fish, S.E. Hinton
Sexta-Feira ou a Vida Selvagem, Michel Tournier
To Kill a Mockingbird, Harper Lee
Where The Wild Things Are, Maurice Sendak
PLANO NACIONAL DE LEITURA: UMA DÚVIDA

Achei muito elucidativo o último “Câmara Clara”, onde se falou do Plano Nacional de Leitura. Só não percebo uma coisa: se, como afirmou Isabel Alçada, os responsáveis fazem (cito) “quando muito, análises de livros” e não de autores, por que razão aparecem livros etiquetados com o selo do PNL mal acabam de ser editados? Serão os senhores das gráficas que os analisam? Os livreiros? Sejamos concretos: a Presença faz isso. E garante que não age à revelia do PNL, que na sua listagem de obras recomendadas tem uma nota de rodapé a esclarecer os professores: “Os títulos que pertencem a uma colecção podem ser substituídos por outro título do mesmo autor e da mesma colecção.” A Presença entende que este critério se aplica mesmo aos livros acabados de sair. Eu não interpreto assim. Quer dizer: então basta um autor escrever um novo título para a mesma colecção, para o ver automaticamente incluído no PNL. Mesmo que seja de qualidade inferior ao antecedente. Em que ficamos? Isto é abrir um precedente grave. Se todas as editoras decidem fazer o mesmo, passamos a alucinar com milhares de rodelinhas brancas na livrarias. Então, para que serve o PNL?

domingo, 28 de setembro de 2008

O CROMO DA MINHA VIDA


Em 1976, tive uma paixão revolucionária. De turbante e sabre em punho, Sandokan afrontava o imperialismo britânico, protagonizado pelo odioso Lord Brooke. Depois da série de televisão, veio a colecção de cromos. Se Sandokan era o sex-symbol para uma aventura, Ianes, o tipo easy going, era o cromo com quem se quer passar o resto da vida. Que ele fosse português, parecia-me extraordinário. Mais ainda, de origem nobre, o arrepio final. Ainda hoje sei de cor a legenda que acompanhava a figura:

“Português, de origem nobre, atravessou meio mundo antes de alcançar Mompracem e de se tornar no melhor amigo de Sandokan. Aventureiro temido, com um passado misterioso, leal, generoso, está sempre pronto para a aventura e sempre com o sorriso nos lábios.”

Já não se fazem cromos assim.

HERÓIS INFANTIS


Ser fã penitente das histórias da Mônica e do Cebolinha não impediu que lesse o Cândido, de Voltaire, quando tinha oito ou nove anos. Alheia às questões filosóficas, li-o várias vezes, como um livro de aventuras, onde não faltavam actos de pirataria, violações, canibalismo e mortes terríveis. O tipo de coisas que fazem a caridosa Sarah-"Barracuda"-Palin espumar de raiva, se não andar demasiado ocupada a esquartejar alces. O meu pai, entre o espantado e o divertido, nunca me tirou o livro das mãos – nem esse, nem outro –, com o pretexto de que não era “adequado” para a minha idade. Independentemente da leitura que dele se possa fazer, um livro passa a ser adequado a partir do momento em que uma criança o escolhe – e o lê até ao fim. A propósito da recente polémica em Inglaterra, estou do lado dos autores. Admito que um livro para crianças possa conter uma sugestão de faixas etárias, mas sou contra as etiquetas na capa, preguiçosamente simplistas.

Ler Cândido não chegou para fazer de mim uma optimista, mas continuo a impressionar-me com as peripécias da menina Cunegundes e companhia. E guardei do meu herói aquela frase final, um ensinamento prático para todas as horas: “Tudo isso é muito bonito – respondia Cândido –, mas o que é preciso é cultivar o nosso jardim.” Ora bem.

EXPLICAÇÃO DOS ASSOMBROS


“Assombro” faz parte da minha lista de palavras preferidas. Assombro, assombrar, assombrado, assombramento, assombrear, assombroso: encontro aqui um sopro de estranheza que me agrada ao ouvido. Das possíveis definições que podem explicar o nome deste blogue, gosto especialmente da que consta no Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado: “Assombrar: acompanhar, como a sombra o corpo oposto à luz.” Livros, escrita, pessoas, personagens, animais, lugares, pequenos prazeres e coisas que fascinam – eis o que me vai acompanhar neste jardim. Haverá lugar para a imaginação gótica, sim, mas em matéria de sobrenatural paro por aí. O futebol, a política e os ditos “temas fracturantes”, por princípio, ficarão para quem sabe e gosta de falar neles. Embora nesse campo também aconteçam coisas que mais parecem do outro mundo.

A fotografia do jacarandá que abre O Jardim Assombrado - como outras que se hão-de seguir - é da autoria do jardineiro convidado deste blogue, Guto Ferreira.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

OPEN HOUSE



















"Open House", Lou Reed e John Cale (Songs for Drella).
Fotografia de Guto Ferreira.