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sexta-feira, 29 de maio de 2015
ALICE JÁ NÃO MORA AQUI
Tinha de partilhar aqui esta fotografia, eu que não percebo nada de fotografia. Porque foi distinguida num concurso da Gulbenkian, A Terra Como um Jardim (Prémio do Júri), e sobretudo porque é da autoria de um amigo chamado Fernando Lopes dos Reis, que umas vezes tratávamos por Paulo e outras por Fernandinho (esqueçam a lógica). Não é fotógrafo profissional, não vale a pena googlar. Conheço-o desde o tempo em que comprávamos singles e LPs em vinil e tínhamos o gozo de ler e decorar as letras das canções, dando graças quando estas apareciam no interior do disco. Portanto, estão a ver os séculos... Não percebo nada de fotografia e não me atrevo a comentar a luz e o enquadramento e por aí fora, mas sei que quem olha assim para as árvores vê além do visível e é sempre isso que me interessa; é sempre isso que distingue um olhar poético de um olhar concreto e banal. Os anos vão passando e começo a reparar nas pessoas da minha geração que se salvaram da morte por suicídio, overdose e doenças várias, todas elas estúpidas e demasiado rápidas. Se me dissessem que iria escrever isto há 30 anos, diria que estavam malucos, mas os anos passam e uma pessoa aprende a dar valor a certas coisas, se não for arrogante ou autista de todo. Enfim, que grande relambório só para dizer que estou orgulhosa por ter esta foto no meu Jardim Assombrado (fica a matar, na verdade), com a devida permissão do autor: Fernando, Fernandinho, Paulo Reis, Sonic Vessel ou o que ele quiser. A foto tem um título: Alice Já Não Mora Aqui, como o filme do Martin Scorcese que todos nós vimos, os da geração do vinil. E ainda que o disfarcemos, estamos sempre à procura uns dos outros, nas nossas moradas frequentemente extraviadas, perdidas, incompletas, rasuradas. Estamos sempre à procura uns dos outros e ficamos contentes quando, por acaso, nos encontramos no abraço de uma árvore.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
O RAPAZ OSTRA
O Rapaz Ostra, de Tim Burton, na versão da fotógrafa Susana Blasco. Ver mais imagens desta série no Público. (Obrigada, Angelina Pereira).
segunda-feira, 14 de abril de 2014
AS RAPARIGAS QUE SONHAVAM URSOS
Um trabalho extraordinário da fotógrafa russa Katerina Plotnikova, com recurso a animais treinados. Por princípio, sou contra este hábito milenar de supremacia; mas quando existe respeito e admiração, como parece ser o caso, o resultado põe em evidência o que nos aproxima uns dos outros. Muitas mais fotografias, de um lirismo inquietante, podem ser vistas aqui. O título do post foi roubado a um livro de Margo Lanagan editado entre nós pela Guerra & Paz.
sexta-feira, 14 de março de 2014
ALEMANHA ASSOMBRADA
Os cenários dos contos dos Irmãos Grimm actualizados pela objectiva de um fotógrafo que tem a particularidade de ser daltónico. Ver mais imagens aqui.
[cortesia Angelina Pereira.]
domingo, 9 de dezembro de 2012
DENDROFILIA
«Dendrófilo: adj. (dendro+filo) 1 Amigo das árvores. 2 Que vive dentro das árvores ou sobre elas.» Uma das maiores dendrófilas que conheço (e não são poucos/as) chama-se Susana Neves, é jornalista, escritora, ilustradora, fotógrafa e, essencialmente, uma pessoa maravilhosa. Acabou de publicar, com texto e fotografias da sua autoria, um belo álbum de grande formato intitulado Histórias que Fugiram das Árvores (ed. By the Book). Só vos digo que é lindíssimo. Espreitem aqui.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
CORRESPONDÊNCIAS, 1


“La nature est un temple où de vivants piliers
Laissent parfois sortir de confuses paroles;
L'homme y passe à travers des forêts de symboles
Qui l'observent avec des regards familiers.”
(Fotografia de Guto Ferreira meets Correspondances de Baudelaire meets Na Noite Escura de Bruno Munari.)
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
NO ÚLTIMO DIA DO VERÃO

"E Port dissera: «A morte vem sempre a caminho mas o facto de não sabermos quando chegará parece afastar a natureza finita da vida. É essa terrível precisão que odiamos tanto. Mas, como não sabemos, pensamos que a vida é um poço inesgotável. No entanto, tudo acontece apenas um certo número de vezes, na verdade um número muito reduzido. Quantas vezes mais recordarás, uma tarde que é, tão profundamente, uma parte do teu ser que nem podes conceber a tua vida sem ela? Talvez mais quatro ou cinco vezes. Talvez nem tanto. Quantas vezes mais contemplarás a lua cheia a erguer-se? Talvez vinte. E, no entanto, tudo parece ilimitado.»"
Paul Bowles, O Céu Que Nos Protege, ed. Assírio & Alvim
(Fotografia de Guto Ferreira, tirada na praia do Meco com uma Yashica Electro 35CC dos anos 1970 e filme Agfacolor 100, prazo de validade terminado em Setembro de 2006. O tempo distorceu as cores. E sim, já escrevi isto num post anterior. A minha melancolia é muito repetitiva.)
Paul Bowles, O Céu Que Nos Protege, ed. Assírio & Alvim
(Fotografia de Guto Ferreira, tirada na praia do Meco com uma Yashica Electro 35CC dos anos 1970 e filme Agfacolor 100, prazo de validade terminado em Setembro de 2006. O tempo distorceu as cores. E sim, já escrevi isto num post anterior. A minha melancolia é muito repetitiva.)
domingo, 19 de setembro de 2010
SWEET DELIGHT, ENDLESS NIGHT

To see a world in a grain of sand
And a heaven in a wild flower
Hold infinity in the palm of your hand
And eternity in an hour.
(...)
Every morn and every night
Some are born to sweet delight.
Some are born to sweet delight,
Some are born to endless night.
And a heaven in a wild flower
Hold infinity in the palm of your hand
And eternity in an hour.
(...)
Every morn and every night
Some are born to sweet delight.
Some are born to sweet delight,
Some are born to endless night.
(...)
Do poema Auguries of Innocence, de William Blake. Texto completo aqui.
(Fotografia de Guto Ferreira, tirada na praia do Meco com uma Yashica Electro 35CC dos anos 1970 e filme Agfacolor 100, prazo de validade terminado em Setembro de 2006. O tempo distorceu as cores.)
Do poema Auguries of Innocence, de William Blake. Texto completo aqui.
(Fotografia de Guto Ferreira, tirada na praia do Meco com uma Yashica Electro 35CC dos anos 1970 e filme Agfacolor 100, prazo de validade terminado em Setembro de 2006. O tempo distorceu as cores.)
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
DEIXAR DE VER

Amanhã, na Casa Fernando Pessoa, abre a exposição de fotografias que Pedro Cláudio fez à volta de Ricardo Reis, um dos heterónimos do poeta. O texto que se segue é de Inês Pedrosa, directora da instituição. "Deixar de Ver" ficará em cena até ao final de Abril.
"Pedro Cláudio concentrou-se na figura do exílio, que é a génese do poeta Ricardo Reis: um homem que se agarra ao conhecimento para se salvar e que descobre na poesia – esse saber que nasce das ruínas da cultura e da civilização – o caminho solitário da transcendência. Toda a poesia digna desse nome é um exílio, e Reis é a voz modulada, mansa, greco-romana do abissal exílio pessoano. Fernando Pessoa exportou para o Brasil este que foi o mais europeu e
"Pedro Cláudio concentrou-se na figura do exílio, que é a génese do poeta Ricardo Reis: um homem que se agarra ao conhecimento para se salvar e que descobre na poesia – esse saber que nasce das ruínas da cultura e da civilização – o caminho solitário da transcendência. Toda a poesia digna desse nome é um exílio, e Reis é a voz modulada, mansa, greco-romana do abissal exílio pessoano. Fernando Pessoa exportou para o Brasil este que foi o mais europeu e
conservador dos seus poetas, acto só aparentemente irónico. Não há em parte alguma um céu inteiro, todo o sol esconde uma lua negra, e à pátria da língua nunca acabamos de aportar nem de escapar. Um exilado vive exactamente fora do tempo, isto é, fora de si – porque o eu, Freud explicou-o, é uma construção imaginária que se projecta sobre a realidade, e o exílio curto-circuita as projecções sincrónicas, potenciando a interrogação do eu sobre a sua própria
identidade, isto é, fazendo-o implodir. É a essa implosão interna, intemporal, dilacerante e dilacerada que assistimos nas belíssimas imagens de Pedro Cláudio. Aqui nunca se trata de ilustrar as palavras de Reis, mas de as descarnar até à névoa de que são feitas, água de lágrimas. Pedro Cláudio cria o Ricardo Reis que a obra de Ricardo Reis oculta, mas não é apenas esse o seu génio; ele cria o Ricardo Reis que cada um de nós tem dentro de si. Fernando Pessoa nunca fez outra coisa. Por isso continua a dizer-nos tanto."
sábado, 12 de setembro de 2009
ANIMA VEGETALIS

Acabado de inaugurar: "Anima Vegetalis - Imaginário Botânico do Mosteiro de Tibães", fotografias de Paulo Gaspar Pereira. "Espíritos Elementares", outra exposição do mesmo autor, continua no Museu Municipal Abade Pedrosa, em Santo Tirso, até 4 de Outubro. Há alturas em que apetece estar mais perto do Norte.
domingo, 25 de janeiro de 2009
FALSO DÍPTICO

“As imagens de João Leal fazem parte do projecto em desenvolvimento Loose Pieces. Falsos dípticos, peças que, por estarem divididas, pretendem ser uma falsa alusão a algo inacabado.”
João Leal (Prémio Pedro Miguel Frade 2005) é um dos fotógrafos participantes do projecto Lab.65, que começou por ser uma galeria dedicada à fotografia, no Porto. Não deu certo. Os coleccionadores de arte continuam a desconfiar de uma invenção que ainda não fez 200 anos. Agora exclusivamente na Internet, a ideia passa por divulgar e tornar acessível a todas as bolsas uma ampla colecção de fotografias de autor em edições limitadas, para um valor unitário que vai desde 30 a 300 euros. Conheça o blogue da sua mentora, The Lone Lake.
João Leal (Prémio Pedro Miguel Frade 2005) é um dos fotógrafos participantes do projecto Lab.65, que começou por ser uma galeria dedicada à fotografia, no Porto. Não deu certo. Os coleccionadores de arte continuam a desconfiar de uma invenção que ainda não fez 200 anos. Agora exclusivamente na Internet, a ideia passa por divulgar e tornar acessível a todas as bolsas uma ampla colecção de fotografias de autor em edições limitadas, para um valor unitário que vai desde 30 a 300 euros. Conheça o blogue da sua mentora, The Lone Lake.
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