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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

LET'S GET LOST


Tenho a certeza de que haverá livrarias especializadas em livros para crianças muito mais bonitas do que estas, mas vale a pena ver a amostra. Aqui.

sexta-feira, 25 de março de 2011

LIVRARIAS CÁ DAS NOSSAS


A questão de “como escolher livros para crianças” (ver post anterior) está muito ligada a outra, de ordem mais prática: onde procurá-los. Não é preciso cultivar a monogamia, mas a fidelidade a uma livraria – que se destaca pelos conhecimentos de um/a livreiro/a e pela organização da secção – ajuda muito. Quem diz uma livraria, diz meia dúzia delas. Com a ajuda dos comentários no Facebook e do site da DGLB, cheguei a uma lista das livrarias portuguesas especializadas em livros para crianças e adolescentes, de todo o país. Algumas não têm site nem blogue, encontrando-se apenas em páginas de directórios, mas é justo mencioná-las. Algumas não são apenas livrarias, mas também. Depois, há outras livrarias que, não sendo especializadas, primam por uma boa secção de livros para crianças, onde se nota a arrumação com critério e destaques merecidos. É o caso da Letraria, em Miraflores, ou da Bulhosa Campo de Ourique, exemplos do empenho das respectivas livreiras, Sandra Simões e Ana Rita Fernandes. Fora de Lisboa, assim de repente, lembro-me da Lura dos Livros, em Tavira, e da Centésima Página, em Braga. No Facebook, houve outras sugestões, como a Index (Porto) ou a Arquivo (Leiria). Há mais? Digam, digam.

Do lado direito do Jardim Assombrado, entre os “Links à Sombra” e o “Kindergarten”, passa a constar uma lista (em construção) de links para esses lugares onde os livros para crianças são bem tratados. Passem por lá, de preferência pessoalmente.


Adenda: Ana Rita Fernandes, da Bulhosa Campo de Ourique, enviou-nos um email a lembrar a Livraria Pó dos Livros (cujo blogue consta nos favoritos do Jardim Assombrado) e o mérito da Débora Figueiredo na "gestão" dos livros para crianças, que merecem destaque na montra e são sempre bem recomendados. Tem toda a razão.


Mais:
- Livraria Culsete, em Setúbal, recomendada por Fátima Medeiros através de email.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

LIVROS A OLHAR PARA O TEJO




É uma livraria infantil que não é só livraria. Também tem brinquedos do género anti-Toys'r'Us e uma série de actividades para crianças e adultos. Tudo para pôr a gente a pensar, a imaginar, a criar. Talvez daí o nome: Cabeçudos. Onde? No Parque das Nações, perto da Torre Vasco da Gama. Passem por lá. Ou por aqui, para começar.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

DOURO VINTAGE



Depois das duas últimas incursões ao Douro, entre a Régua e Vila Nova de Foz Côa, o jardineiro honorário deste blogue assinou a produção caseira que está desde ontem em cena no You Tube.

domingo, 25 de outubro de 2009

O PAÍS PALEOLÍTICO


Castelo Melhor, freguesia do concelho de Vila Nova de Foz Côa, é uma aldeia parada no tempo, ruas estreitas onde pouca gente passa e as casas ostentam o avanço da decrepitude. O quadro repete-se no país interior, pobre e desertificado, mas Castelo Melhor é um caso extremo de perplexidade.

Há 13 anos que esta é uma das portas de entrada para o Parque Arqueológico do Vale do Côa, sinónimo de dezenas de turistas que ali aportam diariamente, à espera de encontrarem um restaurante, uma esplanada ou um café decente, enquanto aguardam a hora da visita às gravuras rupestres. Não há nada. A cerca de meia hora de entrar para o jipe, às 13h30, tentei comer qualquer coisa rápida, sem cerimónias. Uma sopa, uma sande de presunto, uma cerveja e a coisa compunha-se. Pensava eu.

Ao lado da Junta de Freguesia, encontrei um sítio onde não arriscaria sequer lavar as mãos. Mais acima, um café onde não tinham pão – o equivalente a um hotel sem camas ou a uma biblioteca sem livros. No Restaurante Paleolítico, uma tasca onde o único prato era frango com massa, a má vontade sobressaiu quando perceberam que não queria comer de faca e garfo. Mandaram-me esperar pelas sandes, que havia clientes à frente. Fui-me embora e almocei amêndoas e figos secos, vendidos na casa de produtos artesanais que abriu este Verão, o único sítio simpático da terra. É assim há 13 anos, e cada vez pior, dizem os responsáveis do parque. Aparentemente, os turistas que vão ver “os riscos feitos pelos pastores”, como ainda há quem pense, são um enfado e um incómodo para a próspera freguesia de Castelo Melhor, onde a riqueza é tal que ninguém precisa de trabalhar nem de ter ideias para ganhar dinheiro. Mais vale embrutecer, orgulhosamente sós. Ah, ditosa terra que tais filhos tem.

domingo, 18 de outubro de 2009

DOURO SUPERIOR








Entre São Salvador do Mundo e o Vale do Côa, há cerca de uma semana, o Douro estava assim. As fotografias foram tiradas pelo jardineiro convidado do blogue, Guto Ferreira, com uma velhinha Yashica FX-3 e um rolo Kodak Ektar 100. Parece que o filme é que faz a diferença, digo eu que não percebo nada do assunto.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

CITY-BREAKS: DOURO


No fim de Julho, o Jardim Assombrado fechou os portões para sair em reportagem ao Douro. Está aqui a prova em papel, com fotografias do jardineiro convidado. Agora vai voltar lá mais uns dias – e vai voltar quantas mais vezes puder. A parte boa, desta vez, é que não estamos em trabalho. A parte má é que o tempo está um bocado foleiro. Aliás, promete chover torrencialmente. Não faz mal. Adoramos o cheiro da terra molhada.

Fotografia de Guto Ferreira.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

RECUERDOS DO DOURO







Estive no Douro e não vejo a hora de lá voltar. Talvez em Outubro. As fotografias são do jardineiro convidado deste blogue, Guto Ferreira. E a senhora de óculos escuros que aparece na primeira imagem não sou eu.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

OLHA QUE BEM


Deixo um apelo a “certas e determinadas pessoas” (se me dás licença, Sara) que comemoram hoje o seu aniversário e têm como tentação desancar em bares com terraço onde pára a fina flor murcha e polyesterizada da sociedade lisboeta para que investiguem a pertinência deste sítio: Sky Bar, Hotel Tivoli. Eu própria o faria, se estivesse com vida para isso, mas como não sou invejosa deixo as dicas para quem queira aproveitar. O texto foi tirado do press-release:

"5ª feira, 13 de Agosto - Kika, de Pedro Almodóvar
6ª feira, 14 de Agosto - Maria Antonieta, de Sofia Coppola
Sábado, 15 de Agosto - Uma Comédia Sexual Numa Noite de Verão, de W. Allen
5ª feira, 20 de Agosto - Má Educação, de Pedro Almodóvar
6ª feira, 21 de Agosto - Juno, de Jason Reitman
Sábado, 22 de Agosto - Amor Cão, de Alejandro González Iñárritu
5ª feira, 27 de Agosto - Uma Verdade Inconveniente, de Davis Guggenheim
6ª feira, 28 de Agosto - Good Night and Good Luck, de George Clooney
Sábado, 29 de Agosto - Estranhos de Passagem, de Stephen Frears

Mas as propostas do Sky Bar não se ficam pelo cinema. Durante o mês de Agosto pode-se também dançar com vista para Lisboa! De 1 a 15 de Agosto, as escolhas musicais ficam a cargo de Isilda Sanches. Na segunda quinzena, será DJ Belita a marcar o ritmo."

(Parabéns, Pedro! Sem ponto de exclamação ia parecer que estou zangada.)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

NA CASA DE ARISTIDES DE SOUSA MENDES


No centro de Portugal, em Cabanas de Viriato, existe uma estátua de outro Cristo-Rei, versão reduzida do panegírico mineral que no último fim-de-semana comemorou 50 anos, provocando uma enchente de acólitos em Lisboa e Almada. A inscrição explica que foi mandada erigir em 1933 “pelo ilustre cabanense Doutor Aristides de Sousa Mendes, diplomata que ao exercer as funções de cônsul-geral em Bordéus – 1940 – salvou milhares de vidas do Holocausto nazi da II Guerra Mundial”. Exactamente quantos? O livro de Rui Afonso (Um Homem Bom, Caminho, 1995) menciona “possivelmente trinta mil”; não sei se o recente estudo de Miriam Assor (Aristides de Sousa Mendes – Um justo contra a corrente, Guerra & Paz, 2009) fornece números mais precisos, porque não o li. Ainda.

Seja como seja, é bom ver como a imagem do “ilustre cabanense” é tratada na sua própria terra. De preferência, a partir do miradouro que parece estar ali para aumentar o efeito irónico. O estado de degradação da Casa do Passal, onde o ex-cônsul e família viveram o seu exílio punitivo, tem sido falado ocasionalmente, mas não há como um choque de realidade para acabar com as dúvidas. Esqueçam quaisquer ideias de reabilitação para museu ou coisa que o valha. Aquilo é uma ruína, ponto. Se dúvidas há, o aviso afixado na porta (“Perigo de derrocada”) encarrega-se de as demolir rapidamente. Pelo que me contaram (e por favor, não me peçam para “concretizar”), a casa de Aristides de Sousa Mendes foi alvo de tantos actos de vandalismo, ao longo do tempo, que em Cabanas de Viriato - e não só - muita gente guarda um documento qualquer relacionado com Aristides de Sousa Mendes e o seu acto solitário de coragem. É o que se pode chamar de "distribuição democrática" de um espólio.

A poucos quilómetros dali, em Santa Comba Dão, continua a avançar o projecto de criação do museu e centro de estudos do Estado Novo, nas casas de Salazar. Cada povo tem os heróis que merece.

Fotografias de Guto Ferreira.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

AMENDOEIRAS EM FLOR


É domingo, está um belo dia de sol, uma pontinha de calor, não há trabalho urgente para entregar e o Sporting ganhou ontem em Alvalade. Estão reunidas as condições para a prática descontraída da modalidade passeante. Se houvesse tempo, subia até ao Douro e ia dar umas voltas pelos lados de Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta e Torre de Moncorvo, terras que neste momento fazem a festa habitual das amendoeiras em flor. Aproveitem, ó gentes do Norte.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O PORTO NUM RELANCE


Descer a Rua dos Clérigos depois de entrar no Centro Português de Fotografia e sair logo a seguir, hoje estamos fechados, a livraria só abre a partir das quatro, ficar pela exposição dos bacalhaus secos na Casa Oriental, que felizmente não encerra à segunda-feira, atravessar para a Rua do Almada e parar na loja dos chocolates Arcádia, a comemorar setenta e cinco anos, apreciar o sortido de bombons, as embalagens retro, sair com uma caixa de línguas de gato setenta por cento chocolate preto, seguir adiante até à Praça D. Filipa de Lencastre, esquadrinhar as prateleiras da loja Alma Viva, levar mais uma agenda para 2009 e um cheiro a folhas de Outono para o roupeiro, hesitar entre um café no Aviz ou no Ceuta, acabar por ir a nenhum, correr até à Rua de Cedofeita para comprar um guarda-chuva, o tempo está bom para o negócio e melhor do que este não encontra, menina, é de fabrico alemão, dois anos de garantia, chove copiosamente e a salvação do dilúvio encontra-se debaixo de um tecto impermeável verde-azeitona, a caminho do CCB, na Rua Miguel Bombarda, o único centro comercial do país que vale a pena conhecer e não só pelo jardim de bonsais, há por exemplo uma loja que não é loja, é um espaço de leituras públicas, algumas estão afixadas na parede desde o último encontro, cito, “contemporâneo é aquele que recebe em pleno rosto o feixe das trevas que provém do seu tempo”, Georgio Agamben, fim de citação, na mesa ao canto há restos de pão, figos e queijo, tudo seco, sequíssimo, ao contrário deste dia que rebenta em água debaixo de um céu plúmbeo, o Porto é uma cidade de Inverno, como Praga, o sol assenta-lhe mal, as gaivotas atravessam a rasar a Praça dos Leões, o mar estará revolto, apetece uma torrada e um galão tranquilos mas só há tempo para resgatar um salgado da montra da Padaria Ribeirinha, passar à porta da Lello e regressar à Livraria Caixotim, que estava fechada à hora de almoço, ficar ali um bocadinho a namorar os tinteiros antigos e sair depois em direcção aos alfarrabistas, à procura de uma recolha de contos populares da Figueirinhas que desapareceu nas trocas de casa, ou de mãos, ou de gostos, tanto faz, termina-se a tarde no Café Lusitano com uma taça de vinho branco, na rua já é de noite e continua a chover, o jantar pode esperar, a família pode esperar, o Metro pode esperar, hoje o meu coração é de granito, deixem-me estar sossegada, amanhã logo se vê.

PS – A fotografia foi tirada há uns anos. Ainda os automóveis circulavam no tabuleiro superior da Ponte D. Luís, onde agora só passa o Metro.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

CHRISTMAS-BREAKS: LEÇA DA PALMEIRA


Há aquelas pessoas para quem o Natal significa “ir à terra”. Dantes também ia “à terra”, primeiro no sentido telúrico do termo, depois no sentido simbólico. A terra é Matosinhos. Nasci numa casa com quintal na Rua Silva Cunha, entre toalhas fervidas e mãos de parteira, e ali vi crescer uma parte do meu jardim assombrado. No Natal, ia-se ao mercado comprar um pinheiro – um pinheiro de verdade – e usava-se algodão a fazer de neve. Havia aletria, laços fritos com mel e bolinhos de abóbora bolina. As prendas vinham embrulhadas em papéis de fantasia que se guardavam de um ano para outro na “gaveta dos papéis”, por baixo do telefone. A minha tia Augusta tricotava carapins para todas as crianças da família, empenhada em aproveitar as sobras de lã de todo o ano. Por todos os livros e jogos e kispos que se pudessem receber, lá estavam os carapins da tia Augusta, a lembrar a ordem de um mundo estabelecido e rigoroso como o Inverno que atravessávamos. Com os pés sempre quentes durante a noite, graças aos ditos carapins.

Há alguns anos, movida por um atávico espírito de clã, toda a família se mudou de Matosinhos para Leça da Palmeira, uma urbanização moderninha e sem carisma perto do Farol da Boa Nova e da casa de chá homónima de Siza Vieira. O Natal passou a ser celebrado aí, a árvore é agora de plástico, como manda o ecologicamente correcto. Ainda se faz aletria, laços fritos com mel e bolinhos de abóbora bolina. Mas já nada, absolutamente nada, tem a mesma piada desde que os meus pés cresceram e acabou a era dos carapins. Aqueles previsíveis, aborrecidos e monótonos carapins.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

CITY-BREAKS: DOURO


Agora gostava de estar na Gulbenkian, onde continua o XVIII Encontro de Literatura para Crianças, para ouvir o que estão a dizer dois dos meus autores portugueses favoritos: Manuel António Pina e Álvaro Magalhães. E também Rita Taborda Duarte, na sessão de encerramento. Mas por essa hora vou estar a caminho do Douro, para respirar ar puro e ver umas coisas bonitas como as da imagem acima. Também é bom. Até daqui a pouco.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

MAIS BIBLIOTECAS NA NOVA ZELÂNDIA


Tenho uma reacção do tipo pavloviano quando ouço as palavras "Nova Zelândia". Um dia explico aqui porquê. Hoje de manhã, na primeira volta dos blogues, encontrei isto na LER. Pouco faltou para começar logo a salivar. Não conheço a biblioteca de Blenheim, mas posso garantir na sua homónima em New Plymouth (ilha Norte) encontrei também qualquer coisa que me chamou a atenção. Conseguem ler?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

JARDIM BOTÂNICO: 130 ANOS E UM LIVRO


O Jardim Botânico da Universidade de Lisboa faz hoje 130 anos. Não há dinheiro para grandes festas nem inaugurações, já se sabe. Mesmo os projectos de requalificação, que nos últimos meses envolveram alguns dos melhores ateliers de arquitectura de Lisboa, correm o risco de ficar no papel se não houver mecenas para dispensar os fundos necessários. Estamos a falar da recuperação de toda a zona urbana envolvente, desde o Príncipe Real até à Avenida da Liberdade, e não apenas do jardim em si mesmo. Vamos ver o que acontece, até porque as eleições estão à porta... Para já, é hora de dar os parabéns a um dos lugares mais bonitos de Lisboa e ver com curiosidade o livro a ser lançado hoje, o primeiro de uma colecção de bolso que pretende facilitar a orientação do visitante: Jardim Botânico – Flores, com texto de Irineia Melo e fotografias de José Cardoso. A apresentação está a cargo de Fernando Catarino, que já não é director mas continua um mestre na arte de comunicar. Os Amigos do Botânico contam mais pormenores.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

ONDE OS REGRESSOS SE CRUZAM


A ser verdade que não devemos voltar aos sítios onde fomos felizes, também o contrário deve estar certo. Voltar aos sítios onde fomos infelizes será necessário para encontrar o que perdemos na primeira vez? Imagino o ponto onde esses caminhos se cruzam como o único lugar onde realmente importa estar. Um sofá no meio do deserto, nada nem ninguém à volta, o ar repassado de silêncio e a consciência de estar vivo ali, respirando com o tempo.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

VINTE ANOS DEPOIS, É ASSIM


A placa azul que dizia Essex Street West desapareceu. A rua já não é de sentido único e tem candeeiros novos. As velhas casas e armazéns, substituídos por apartamentos da upper class, exibem automóveis de alta cilindrada estacionados à porta. O único elemento que se mantém é a firma Kennan and Sons, uma das mais antigas de Dublin, agora transformada no Contemporary Music Centre. A rua fica nos limites do Temple Bar, o equivalente ao Bairro Alto ou à Ribeira, e a dois passos turísticos das catedrais de Christ Church e St. Patrick's. Estive muito perto, mas não a consegui reconhecer. Um homem de uma casa de ferragens, que sorriu depois de lhe ter mostrado a fotografia de há vinte anos, ajudou-me a descobri-la. Foi fácil. Quando a encontrei, perdi-a para sempre.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

À PROCURA DE UM QUASE NÃO-LUGAR


Nada nos move mais do que uma ideia. Quando fui pela primeira vez à Nova Zelândia, tinha um único propósito em mente: conhecer os meus antípodas. Ir ao outro lado do mundo, real e simbólico, para encontrar aquele ponto imaginário onde os extremos se tocam. A ideia dos opostos complementares é um tema caro ao Romantismo (sobre o qual escreveram Hoffmann, Chamisso ou Andersen), mas não escondo as minhas obsessões. Claro, tornou-se difícil explicar; daí que, para a maior parte das pessoas, eu terei ido à Nova Zelândia por causa das paisagens e dos cenários de O Senhor dos Anéis. No worries, mate.

Esta fotografia de Dublin dá para as traseiras dos prédios, numa rua de sentido único. O negócio de família, uma fundição cujo nome deixou cair algumas letras, parece ter-se esgotado. É quase um não-lugar onde nada se passa, ninguém passa. Cinzento e triste, para alguns pontos de vista, porventura indiferentes ao charme da decadência. Gostava de saber como estará agora. Vou à procura desta imagem que registei há vinte anos. É uma ideia que me (co)move. Até já.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

GATOS DE LIVRARIAS: FLORBELA ESPANCA


Um jardim sem gatos é um enorme desperdício de espaço. Mas se há outro lugar onde os gatos se sentem em casa é nas livrarias. Porque são criaturas de bom gosto, amantes do sossego e do tempo vagaroso. Uns deixam-se tocar, outros nem tanto, e desandam como quem vai à sua vida. Gato é assim mesmo: sabe quem manda. A Florbela Espanca mora numa livraria das Caldas da Rainha, a Loja 107, e até há algum tempo usufruía da companhia masculina do Gil Vicente. Agora está sozinha. É uma gata reservada e arisca, talvez leia Edgar Allan Poe quando ninguém está a ver. O jardineiro convidado do blogue apanhou-a a olhar para as letras lá fora, que por acaso se juntaram para formar a palavra G-A-T-U.

Quem conhecer mais gatos de livrarias pode escrever para o email do jardim: cmaia.almeida@netcabo.pt.