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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ESTRANHOS QUE ENCONTRAMOS


Achei este livro nos saldos da BD Mania, livraria de Lisboa que visito muito menos vezes do que gostaria, por razões que facilmente se adivinham. Mesmo desconhecendo 95 por cento dos autores, a ideia atraiu-me imediatamente: um livro de histórias inventadas a partir de velhos postais – esses sim, verdadeiros, com selo e carimbo dos correios e letra manuscrita no verso. E, no entanto, a leitura foi algo decepcionante, não tanto pela qualidade gráfica, que não sei avaliar, mas pela tristeza sem redenção que atravessa as 16 histórias, quase sem excepções. Tristeza, luto, angústia, insanidade, desilusão, morbidez, indiferença, até o puro terror; um concentrado de digestão difícil. Confesso que não consegui ler mais do que dois ou três argumentos seguidos, com algum tempo de intervalo entre eles. Jason Rodriguez, o organizador do livro e responsável pela selecção dos autores, admite no posfácio que "tudo o que via nos postais era a morte". Tem graça. Também tenho um fascínio por velhos postais usados, mas procuro sempre neles a sugestão de uma vida muito mais promissora do que a minha. É fácil, de resto.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

PARECE MESMO O PARAÍSO


Stonefield é um retiro para escritores em pleno british countryside, onde a inspiração se cultiva em camas com edredões de penas, sestas à lareira, tartes de fruta e comida orgânica. Se tudo isso não chegar, há sempre uma taça de vinho ao fim da tarde e o pub local, onde o gossip literário e não só se põe em dia. Por trás deste cenário privilegiado, há especulação imobiliária e adolescentes a envelhecer de tédio nas paragens de autocarro abandonadas, cujas maiores diversões consistem em atirar ovos aos automóveis e assustar as vacas que pastam no prado. Fuma-se muito. O campo é um deserto de ideias e de sentimentos sólidos – e se os adultos se entretêm com o adultério, a intriga e a má-língua, os adolescentes sonham com a vida das celebridades e “snifam” latas de aerossol quando precisam de um bom kick. Não é um retrato simpático, este que Posy Simmonds publicou em banda desenhada nas páginas do The Guardian e mais tarde passou a livro (ed. Jonathan Cape, 2007). Tamara Drewe, uma beldade esculpida a bisturi que aterra em Stonefield e de quem vagamente se pode dizer que é jornalista (mas também quer escrever dois ou três romances antes dos 35 e, claro, fazer um livro para crianças), é uma daquelas personagens que irritam do princípio ao fim. Os escritores não se saem melhor do retrato. Egocêntricos, egoístas, invejosos, arrivistas, vaidosos, autoindulgentes e mentirosos, não têm problemas em conciliar o homicídio involuntário com a escrita de best-sellers. OK. Já tive a minha dose de cinismo para as próximas semanas. Resta lembrar que Stephen Frears vai adaptar Tamara Drewe ao cinema, com a Bond girl Gemma Arterton no papel principal. Tem todas as condições para ser um bom filme.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

QUASE A COMEÇAR


Em http://www.festivalbdbeja.net/, tudo sobre a programação para o primeiro fim-de-semana: lançamentos, apresentações, conversas à volta da bd, workshops, sessões de autógrafos e muito mais...