quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

ENFRENTA O TEU INIMIGO


Parafraseando Tristan Tzara, devo dizer que, em princípio, sou contra as mensagens em cadeia, venham elas do Dalai Lama, dos mais expeditos agentes da PSP ou dos detractores do Actimel. Agradeço a todos a preocupação, mas troco a miragem de um aumento exponencial de sorte e felicidade por um prato de lentilhas, que é como quem diz, por um pouco de sossego. No entanto, sendo em princípio contra as mensagens em cadeia, também sou contra os princípios. Por isso aqui fica a minha resposta ao desafio do Spark, leitor habitué que justifica excepções. Ah, mas fiz batota: como o livro que tinha mais à mão não era lá muito recomendável, fui buscar outro à estante: o segundo volume de Varjak, de SF Said (com ilustrações de Dave Mckean), sem dúvida das coisas mais interessantes que por cá se têm traduzido, mérito da Gailivro. Uma história de luta e sobrevivência entre gatos vadios, com o zen e a arte do tiro ao arco à mistura. Da página 161:

“– Às vezes, meu filho, tu não podes vencer o inimigo.
Varjak recuou ao ouvir estas palavras. Agora tinha a certeza: o seu antepassado sabia que ele perderia contra Sally Bones. Uma vez mais, sentiu a vergonha da derrota a mordê-lo.
– Depende de onde, quando e como lutas – continuou o mestre. – Depende dos teus pontos fortes e das fraquezas do teu inimigo.
– Fraquezas? – perguntou. – Como é que posso saber quais são as fraquezas de alguém?
– Como qualquer outra coisa: tu observas os defeitos dos outros. Enfrenta o teu inimigo e verás as suas fragilidades verdadeiramente, sem medo e sem ódio. Só quando o fizeres, poderás conhecê-las.”

Last but not least: vale a pena ver algumas preciosidades em matéria de curtas-metragens de animação que o Spark seleccionou no lado direito do blogue. Por exemplo, esta história de tricot e obsessão: The Last Knit. Ou vasculhar nos arquivos da Velha Jukebox e descobrir relíquias como "Echo Beach", uma daquelas músicas que lembram como a vida passa a correr. Dancemos, pois.

1 comentário:

Margarida Pereira disse...

Fabulosa.
Fabulosa.
Fabulosa, que é uma palavra que aqui 'assenta que nem uma luva'...
Não fosse ter ficado seriamente afectada com Sophie Feodorovna Rostopchine, permaneceria aqui e em mais lugar nenhum...