terça-feira, 28 de abril de 2009

IAN McEWAN (TAMBÉM) PARA CRIANÇAS



Escritor genial e músico frustrado, Ian McEwan passou por Lisboa para apresentar o libreto da ópera de Michael Berkeley (Por Ti, ed. Gradiva) e dar entrevistas – uma delas, feita por José Mário Silva, foi publicada no último Expresso e pode ser lida integralmente aqui. Uma das perguntas que não saiu na versão impressa foi esta: “E o Ian, já se imaginou em Estocolmo a receber o prémio [Nobel da Literatura]?”. Confesso que gostaria de saber um pouco mais sobre os motivos que estão por trás de uma resposta tão lacónica. Simplesmente: “Não.”

Fica o sublinhado para os dois livros que Ian McEwan escreveu (também) para os mais novos: Rose Blanche (1985), um álbum ilustrado por Roberto Innocenti, história de uma criança resistente à demência nazi, do lado de fora dos campos de concentração; e O Sonhador (1994), um conjunto de contos cheios de humor, cujo protagonista é um miúdo sobredotado em imaginação, capaz de inventar a realidade quando esta é insuficiente – justamente o que faz um escritor. Só este último se encontra traduzido em português pela Gradiva, o que é pena.

3 comentários:

once disse...

"capaz de inventar a realidade quando esta é insuficiente" - a capacidade que falta a muitos. Ou pelos menos reconhecer-lhe a necessidade.

Fiquei curiosa, Carla. Obrigada

Márcio Almeida Júnior disse...

Vou procurar o título tão logo ele seja publicado (se o for) por aqui. Abraços de além mar.

Ana Margarida Ramos disse...

Olá Carla! "O Sonhador" integra a selecção da Casa da Leitura. Aquando da entrega do Prémio Andersen de Ilustração, em Setembro de 2008, em Copenhaga, Roberto Innocenti voltou a sublinhar a importância da edição de "Rose Blanche", assim como do seu significado simbólico, político e social. Quantas décadas teremos de aguardar por uma tradução portuguesa? Um abraço