segunda-feira, 28 de junho de 2010
FEIRA DO LIVRO DA RIBEIRA

«A Feira do Livro "Saldos Verão 2010" decorre no Mercado da Ribeira, em Lisboa, de 26 de Junho a 11 de Julho, diariamente, das 10h00 às 19h00. Milhares de livros em fim de edição e em saldo, usados e manuseados, estão à venda a preços acessíveis, com 20 por cento a serem vendidos em “operação fim de stock”. Há também um local onde, diariamente, estão expostos livros com promoções adicionais. Os livros infantis têm também uma forte presença na feira onde, paralelamente, decorre uma venda de utilidades, velharias, discos de vinil, cassetes e CD.»
(Informação enviada pela agência LPM.)
domingo, 27 de junho de 2010
VIEW-MASTER: A REALIDADE AGORA A CORES



"Não há turistas mal comportados nas Cataratas do Niágara. Como figurantes na maqueta de um mundo perfeito, vivem suspensos no interior dos discos do View-Master, com os seus binóculos e oleados pretos, imunes ao vento e aos salpicos de água, sempre rodando no sentido dos ponteiros do relógio. Se quiséssemos, poderiam rodar até à eternidade, sem nunca tirar os olhos da paisagem.
O View-Master foi uma das atracções da Feira Internacional de Nova Iorque, em 1939, a par da Magna Carta e do ar condicionado. Patenteada no ano seguinte, a invenção partiu do engenho de dois norte-americanos, Gruber e Graves, apostados em recuperar o princípio dos visores estereoscópicos do século XIX: duas imagens bidimensionais que, sobrepostas, dão a ilusão de profundidade. O uso do filme Kodachrome, outra invenção recente do tempo de Gruber e Graves, completou a magia. Com as suas cores saturadas e formato 16 mm, também usado pelo cinema, a realidade nunca foi tão luminosa como através do View-Master. Até os oleados pretos dos visitantes das Cataratas do Niágara adquirem um brilho especial.
Para as gerações de miúdos que nele tiveram um dos seus brinquedos preferidos – o equivalente em sofisticação às actuais consolas de videojogos –, saber que o View-Master surgiu para mostrar o Grand Canyon ou as Grutas de Carslbad é uma relativa decepção. Além de gadget turístico, também foi usado para fins militares, uma ideia aviltante, mesmo sabendo que estávamos na época em que até o mais inocente objecto era olhado como potencial contribuinte para o esforço de guerra.
Mas pouco importa. O View-Master continua a ser o cinema portátil a que tivemos direito, o único onde nunca pagámos bilhete. Fomos os projeccionistas amadores das histórias de Peter Pan, Cinderela, Mickey Mouse e Os 101 Dálmatas, entre tantas outras. Tivemos um vislumbre da Estátua da Liberdade e do Outono no Vermont, sem saber onde era o Vermont. Conhecemos a vida selvagem de África, acompanhando as imagens com legendas típicas dos interlúdios do cinema mudo: «O leão é naturalmente preguiçoso.» Ou: «Jovens elefantes tomando banho.»
Com o View-Master, nunca foi preciso acumular pontos para subir de nível. O jogo era outro. O jogo era só nosso."
(Texto integral da versão publicada no número de 13 de Junho da Notícias Magazine, revista de domingo do DN e JN, na secção "Nostalgia". Imagens originais de view-master digitalizadas com a cortesia do jardineiro honorário deste blogue, Guto Ferreira.)
sábado, 26 de junho de 2010
VENCEDOR DO PRÉMIO KATE GREENAWAY 2010, 2

Regressando ao post anterior, é preciso dizer que Samuel e Saltitão (Caminho) é um livro a todos os títulos memorável. Não só pelas suas extraordinárias ilustrações a aguarela, guache e carvão, que deram a Freya Blackwood a prestigiada Kate Greenaway Medal, atribuída anualmente no Reino Unido desde 1956; como pelo texto de Margaret Wild, autora de origem sul-africana também amplamente premiada. É raro um livro para crianças conseguir tratar com tanta “magia” (costumo inibir-me de usar esta palavra, mas não desta vez) o tema da morte e do luto – neste caso, de um animal – sem lhe subtrair um pingo de honestidade. Samuel e Saltitão consegue-o, sem lamechices, mas com toda a comoção possível (mal vai quem não se emocionar com este livro...). Curiosamente, Freya Blackwood já tinha ilustrado uma narrativa de teor semelhante, em que a perda de um elemento da família e a relação entre pai e filha foram brilhantemente interpretados por Roddy Doyle. Sobre Her Mother’s Face, ler aqui o post publicado no Jardim Assombrado/LER.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
VENCEDOR DO PRÉMIO KATE GREENAWAY 2010, 1

Anunciámos aqui e confirmou-se ontem:
“A ilustradora australiana Freya Blackwood ganhou a medalha Kate Greenaway de 2010, o prémio de ilustração para crianças mais prestigiado do Reino Unido, pelas suas ilustrações do livro Samuel e Saltitão (Harry & Hopper, no original), com texto de Margaret Wild. O livro, publicado pela Caminho em 2009, retrata de modo comovente o modo como um rapazinho, Samuel, lida com a morte súbita de Saltitão, o seu cão.
Margaret Pemberton, presidente do júri, afirmou sobre o livro vencedor: «Em Samuel e Saltitão, Freya Blackwood prima pelo uso da cor suave, da perspectiva, do espaço exterior e interior, para abordar de forma poderosa o relacionamento pai-filho e a morte de um animal de estimação muito amado. Um tema delicado para as crianças é tratado com grande mestria, e as emoções de Samuel e as suas recordações de Saltitão são expressas visualmente com grande eficácia.»
Esta distinção foi instituída no Reino Unido em 1955 em honra de Kate Greenaway, ilustradora infantil do século XIX. A medalha é atribuída anualmente a um livro notável do ponto de vista da ilustração para crianças. É concedida pelo CILIP (Chartered Institute of Library and Information Professionals).
Freya Blackwood nasceu em Edimburgo em 1975 durante uma viagem turística dos seus pais ao Reino Unido. Cresceu no estado australiano de New South Wales, na cidade de Orange, onde continua actualmente a viver com a sua filha de quatro anos.
As ilustrações de Freya Blackwood para Samuel e Saltitão foram parcialmente inspiradas por um cão que ela própria teve na infância, Furlani, que conheceu um fim igualmente triste e repentino. A ilustradora aponta Maurice Sendak e Shaun Tan como dois dos seus ilustradores preferidos.”
(Informação enviada pela editora.)
CONTADORES DE HISTÓRIAS

Hoje há festa em Montemor-o-Novo. Às 21h00, no pátio da Biblioteca Municipal Almeida Faria, oito contadores de histórias mostram o que valem no Festival Contos de Outra Hora. São eles: Jorge Serafim, Emílio Gomes, António Fontinha, Carlos Marques, Cristina Taquelim, Ana Sofia Paiva, Thomas Bakk e Luís C. Carmelo.
Quem não tiver hipótese de se deslocar até ao Alentejo (1h30 desde Lisboa… vá lá), fique também a saber que Luís Carmelo e Thomas Bakk são os protagonistas dos audiolivros O Mistério do Coiso e Anda Cá Que Eu Já te Conto, com a chancela da BOCA. Segundo palavras da editora (“palavras que alimentam”, pois claro), “os dois volumes inauguram a colecção HOT - Histórias Oralmente Transmissíveis, através da qual queremos registar e actualizar os vários géneros literários da tradição oral e homenagear os contadores de histórias.”
À apresentação da colecção HOT, que conta com o apoio do IELT – Instituto de Estudos de Literatura Tradicional e se integra na programação final do Festival Silêncio!, junta-se a narração das Memórias de Um Craque, de Fernando Assis Pacheco, por Nuno Moura. Nada mais apropriado para uma tarde de intenso fervor futebolístico, com o jogo Portugal-Brasil, que acontece poucas horas antes do encontro no Jardim dos Sons do Goethe Institut, ao Campo Mártires de Pátria (Lisboa), às 18h00. Eu torço pelos contadores – não de golos, mas de histórias.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
O MEU AVÔ, O LEIXÕES E A NAU CATRINETA
“E se me perguntarem porque torço pelo Leixões antes de qualquer outra equipa, não sei se sei responder, mas suspeito que as raízes no Porto e a associação aos pescadores de Matosinhos têm algum peso. O essencial é isto, parece-me: as escolhas futebolísticas também se fazem através de certos imaginários, afectivos, políticos e da memória, mesmo que para tal se ignorem várias outras coisas. Eu sei que o Leixões não coloca em campo jogadores-pescadores cheios de histórias do mar e de lutas por melhores condições de trabalho e de vida, e sim jogadores profissionais, tal como qualquer outro clube, que jogam no Leixões mas que poderiam jogar em qualquer parte. E é aqui que entra o irracional.”
Fiquei a saber que por motivos diferentes – ou nem tanto – partilho com a Sara Figueiredo Costa uma parte desta irracionalidade clubística.
LAICOS DESTE MUNDO, UNI-VOS

Estou há pouco mais de dois meses a morar nos Olivais Sul, a dez minutos a pé da Expo e a outros tantos da Bedeteca de Lisboa, onde este fim-de-semana acontece mais uma Feira Laica. Pretexto para conviver com editoras mui respeitáveis e independentes como A Estante, Ana Oliveira, projecto Apupópapa, Associação Chili Com Carne, Averno, zine B74, Blam Blam + Toys Are Evil, Contraprova, grupo Entropia, discos F.Leote + Ana Menezes, Imprensa Canalha, Mike Goes West, MMMNNNRRRG, Narcolepsia, autor Nevada Hill (EUA), Noori, Oficina do Cego, Opuntia Books, Pedro Gonçalves, Pedranocharco, Quarto de Jade, Reject'zine, Ruru Comix + Latrina do Chifrudo, Thisco...
Melhor do que isto, nos Olivais, só a gentileza das meninas do Happy Grill, explicando, calma e repetidamente, se é mais compensador optar por um Menu Family ou comprar os acompanhamentos à parte. Não caiam é na asneira de confundir os «supremos de porco» com «secretos de porco», a menos que tenham uns canitos em casa a quem dar razões de euforia e contentamento salivar.
JE VOUS EN PRIE
FOGO À PEÇA
Na Fábrica da Pólvora, em Barcarena, encontram-se as últimas "produções ilustradas" do Alexandre Esgaio: um livro de actividades, outro de culinária e ainda outro sobre profissões extintas. A questão é: como exportá-los para outros lugares?
HIS MASTER'S VOICE

A Gramofone é o exemplo de uma colecção bem conseguida de livros didácticos, que junta o objectivo da aprendizagem de regras de gramática e fonética da língua portuguesa com a desenvoltura da linguagem textual e visual. Para esta qualidade concorrem, desde logo, os nomes dos autores: Alice Vieira, Rosário Alçada Araújo, Margarida Fonseca Santos, Luísa Costa Gomes e Afonso Cruz, nas ilustrações. Sem forçar a nota, conseguiram criar histórias divertidas e irrequietas em prosa e poesia, evitando o ar professoral e a rigidez da temática. Saíram, até agora, quatro volumes – cinco, com este de Rosário Alçada Araújo (na imagem), dedicado às onomatopeias e pontuação. Um novo título da autoria de Margarida Fonseca Santos está para breve. Vejam as capas e informação sobre todos os volumes no site da Texto.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
SE EU FOSSE TUDO O QUE EU QUISESSE SER

A VIDA GRAÇAS A NÓS

“No lado ocidental de Manhattan há uma velha linha férrea elevada chamada Highline. Durante décadas os seus comboios rugiram muito acima das ruas da cidade, mas em 1980 a Highline foi fechada e esquecida. Sem ter de enfrentar pessoas nem comboios, a natureza viu-se livre para mudar a decoração. Com o passar dos anos, o cascalho e os carris oxidados deram lentamente lugar a flores selvagens e a árvores. E se hoje formos espreitar a linha, veremos um jardim luxuriante que serpenteia acima das ruas e por entre os prédios.”
Assinada pelo autor deste excelente livro, em jeito de posfácio, a descrição faz lembrar o guião de uma série fascinante que estreou o ano passado no Canal de História, A Vida Depois de Nós; ou como seria a Terra se, de repente, o ser humano desaparecesse e a Natureza tomasse conta de tudo. Com base em acontecimentos reais, Peter Brown, escritor e ilustrador norte-americano, desenhou um cenário semelhante, mas com um menino industrioso no papel de jardineiro demiurgo que decide transformar o local abandonado. Best-seller do The New York Times durante quase dois anos, O Jardim Curioso é, pela notável articulação entre a ideia, o texto e as ilustrações, um dos melhores títulos até agora publicados pela colecção Borboletras (Caminho).
Saiba mais sobre Peter Brown no site do autor, Some Brown Stuff.
OBRAS

Há tempos, um inglês descrevia-me o seu fascínio pela palavra “obras”. Estabelecido em Portugal há mais de dez anos, continuava a surpreender-se pelo uso abrangente e multifacetado do termo, por contraste com a objectividade dos ingleses. Enquanto estes especificam o que querem fazer, seja proceder a uma intervenção na via pública (“doing roadworks”), recuperar a fachada de um edifício (“renovate a building”) ou algo mais doméstico como mudar a casa de banho (“get the bathroom done”), a nós basta-nos uma palavra mágica para significar a mesma coisa e coisas muito diferentes. “A minha casa está em obras”, “tenho a cozinha em obras”, “aquela rua está em obras”, “o hospital vai entrar para obras”, “o país está em obras”, “este blogue está em obras”. Até há uma editora que conseguiu criar um slogan – brilhante, diga-se de passagem – a partir do termo: “Oficina do Livro. É bom trabalhar nas obras”.
TOMAR NOTA
PEQUENOS PESSOAS

Em Lisboa, a Casa Fernando Pessoa inaugurou recentemente a “Exposição Pequenos Pessoas”, uma mostra de trabalhos realizados por alunos das escolas Engenheiro Ressano Garcia, Fernanda de Castro, Santo Condestável e Vale de Alcântara – visitável até 16 de Julho. O projecto visou a “divulgação e estudo da obra do autor, recorrendo à expressão plástica, à palavra e à partilha de conhecimentos, incentivando o público mais novo (6-9 anos) à leitura e à escrita”. Quase a começar estão oficinas criativas de Verão (3-9 anos), a decorrer entre 28 de Junho e 28 de Julho. O leit-motiv das oficinas, gratuitas, será o heterónimo Álvaro de Campos. Obrigatória a inscrição prévia pelo telefone 213913270.
domingo, 20 de junho de 2010
O TIGRE NÃO MORREU

"Por uma nota de vinte escudos, a extinta distribuidora Regimprensa fez chegar às mãos dos fãs uma das cadernetas de cromos mais procuradas de sempre. Para quem se tinha habituado a seguir a série de televisão na RTP, descobrir um Sandokan a cores causou alguma estranheza, mas a bandeira vermelha do Tigre de Mompracem estava de acordo com o air du temps. Herói revolucionário, incansável na luta contra a opressão e a injustiça, Sandokan representa o espírito romântico da pirataria, o fora-da-lei secretamente admirado pelo inimigo: «Quem sabe se eu não tivesse nascido com a pele branca, talvez pertencesse àquele lado…”, diz Lord James Brooke, no cromo 288, ao ver o pirata da Malásia fugir-lhe por entre os dedos. E conclui, com a lucidez dos derrotados: «Mas agora é demasiado tarde.»
No mundo de Emilio Salgari, nem os bons são incorruptíveis nem os maus são sempre odiosos. Lord Brooke mostra-se «um homem sem escrúpulos, mas com o sentido da honra». Koa, um dos fiéis a Sandokan, conspira com os ingleses numa armadilha, mas suicida-se por não poder «resistir à vergonha da sua traição». Lord Guillonk, tio da bela Marianne, a pérola de Labuan, «é um homem frio mas com uma afeição muito grande pela sobrinha». E o Capitão Fitzgerald, que lhe move uma corte diplomática e insistente, é morto «à sombra de uma enorme árvore, gloriosamente, como um militar teria desejado.»
Porém, ninguém se compara à figura de Ianes, o braço-direito de Sandokan, um gentleman de bigode e cigarrilha cuja aparente fleuma não desmerece as origens: «Português, de origem nobre, atravessou meio mundo antes de alcançar Mompracem e de se tornar no melhor amigo de Sandokan. Aventureiro temido, com um passado misterioso, leal, generoso, está sempre pronto para a aventura e sempre com o sorriso nos lábios.»
Ainda se fazem cromos assim?"
(Publicado na Notícias Magazine de hoje, junto com o Diário de Notícias e Jornal de Notícias. Para quem quiser rever imagens da série e trautear a música do genérico em italiano, aqui fica o registo da canção de Claudio Baglioni no You Tube. Todos em coro: “Sandokan Sandokan / giallo il sole la forza mi dà / Sandokan Sandokan / dammi forza ogni giorno ogni notte coraggio verrà / Sandokan Sandokan ...)
sexta-feira, 18 de junho de 2010
ABECEDÁRIO DE LUÍSA DUCLA SOARES

Do mais recente livro de Luísa Ducla Soares, Brincar com as Palavras, eis um ABC que nos traz qualquer coisa da deliciosa perversidade de Edward Gorey:
“Abecedário Maluco de Nomes”
A é o António, que faz coisas do demónio.
B é o Bernardo, picou o rabo num cardo.
C é a Catarina, a fugir de uma vacina.
D é a Diana, com o sapato se abana.
E é a Elisa, sai à rua sem camisa.
F é o Filipe, para faltar diz que tem gripe.
G é a Gabriela, que se julga muito bela.
H é o Hugo, mais gordo que um texugo.
I é a Isabel, tem mais borbulhas que pele.
J é o João, a beber do garrafão.
L é a Leonor, namora o computador.
M é o Mário, guarda os livros no aquário.
N é a Natália, quando chove usa sandália.
O é a Olívia, lava as unhas com lixívia.
P é a Paulina, põe creme de margarina.
Q é o Quim, nas aulas come pudim.
R é o Ricardo, morde como um leopardo.
S é a Susana, a cavalo numa cana.
T é o Tomás, só de mentir é capaz.
U é o Urbino, come as cascas do pepino.
V é a Vanda, caiu na jaula do panda.
X é a Xana, tropeçou numa banana.
Z é o Zeca, plantou relva na careca.
(Brincar com as Palavras, de Luísa Ducla Soares, tem ilustrações de Joana Alves, Maria João Lopes e Teresa Lima, e ainda um CD musicado e interpretado por Daniel Completo. Ed. Civilização, 2010)
UMA NOVA COLECÇÃO


TALENTOS RENOVÁVEIS

(Informação enviada pela editora.)
terça-feira, 15 de junho de 2010
AMANHÃ ARREBATAREI UMA BESTA

“Amanhã arrebatarei uma besta é o título de uma narrativa gráfica ainda no prelo. A exposição que dá pelo mesmo nome, na Galeria de Papel do Espaço Campanhã, mostra a maior parte do trabalho que deu corpo a este livro. Uma maqueta do livro está igualmente presente para consulta no espaço da galeria.”
Não me importava de dar um salto ao Porto só para ver a exposição do Daniel Silvestre da Silva; sem dúvida, um dos meus ilustradores portugueses preferidos. Licenciado em Artes Plásticas/Pintura pela ESAD de Caldas da Rainha, trabalha em ilustração infanto-juvenil desde 2006, tendo colaborado com autores como Alice Vieira, Ana Saldanha, João Pedro Mésseder, José Jorge Letria, Wang Suoying e Ana Cristina Alves. Vejam o blogue aqui.
O horário do Espaço Campanhã é de terça a sábado, das 14h00 às 20h00. Morada: Rua Pinto Bessa 170 r/c tras., 122 Armazém 4/5 (atrás do BANIF). A exposição deverá ficar até ao fim do mês.
CARLA MATADINHO
E DEPOIS DISTO VOU DORMIR
“Era uma vez um menino pobre, que não tinha pai, nem mãe. Tudo estava morto e não havia ninguém mais no mundo. Tudo morto. E o menino andou, procurando dia e noite. E já que não havia ninguém mais no mundo, quis ir para o céu, onde a lua olhava com tanta simpatia. E quando chegou na lua, viu que era um pedaço de madeira podre. E então foi para o sol, e quando chegou no sol, viu que era um girassol murcho. E quando chegou nas estrelas, viu que eram mariposas douradas, estavam espetadas, como se espetam os vagalumes nas árvores. E quando quis voltar para a terra, a terra era um porto destruído. E o menino estava sozinho. Então se sentou e chorou, e até hoje ainda está sentado, sozinho.”
Foi postado há pouco tempo no Blogtailors e Pó dos Livros (pelo menos), mas não podia faltar no Jardim Assombrado: “Children’s Story”, uma pequena obra-prima de humor negro, escárnio e sacanice, contada e musicada por Tom Waits. Para quem não saiba, vem no álbum triplo Orphans – variante Bastards (os “bastards” dão sempre as melhores histórias). O texto acima (retirado daqui) é um excerto da célebre peça de George Büchner, Woyzeck, e a animação pertence a Matt Rosemier. Só escapou ao vídeo o riso sarcástico de Tom Waits, no final, tal como vem no disco…
PS – Tenho dúvidas quanto à tradução de “porto destruído”, mas infelizmente não leio alemão para poder comparar com o original.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
LER PARA CRESCER
A ILUSTRAÇÃO EM DESTAQUE
quinta-feira, 10 de junho de 2010
O SENHOR MELANCÓMICO
Sob os céus de Lisboa, algures entre as Amoreiras e Campo de Ourique, encontra-se o Melancómico, um possível pen-friend do Senhor Palomar (qual deles?) que carrega o mundo em sacos de supermercado. É o melhor pedaço de televisão que já vi desde Um Mundo Catita. Os quatro episódios, aqui, por partes. Pode começar pelos primeiros cinco minutos, clicando agora no "play".
quarta-feira, 9 de junho de 2010
GENIOZINHO

“Na altura dizíamos-lhe que se trabalhasse muito ainda ia conseguir publicar um livro e isso passou a ser um sonho para ela. No verão passado, quando estávamos de férias ela estava a ler O Rapaz de Bronze de Sophia de Mello Breyner Andresen e disse-nos que não sabia como a autora tinha conseguido publicar o livro porque escrevia como ela”, contou Emília.
Emília é a mãe da menina de nove anos que acaba de publicar um livro de histórias para crianças, a que deu o nome de A Grande Máquina do Tempo. Uma editora de Coimbra, Temas Originais, aceitou publicar o texto; que, segundo se diz nas notícias (aqui e aqui), não encontrou resposta noutras casas. Sinceramente, só espero que a moda não pegue. Não acredito em geniozinhos da literatura infantil que gostam de brincar às casinhas e vão à natação todos os dias, e muito menos em pais babados que admitem que a filha possa escrever como a Sophia de Mello Breyner Andresen. Se a catraia fosse minha, mandava-a já ler The Book of Virtues, do William J. Bennett, com posterior resumo de todos os capítulos.
Esclareço que a imagem acima não é da menina de Vila Real. Fui agora buscá-la à minha colecção de postais pirosos.
PERDAS
SIGA ESTE BARCO

MALASARTES 19

sexta-feira, 4 de junho de 2010
E O GATO A VER COM ISSO?

quinta-feira, 3 de junho de 2010
DA HUMILDADE INICIAL DA ESCRITA
Confesso: não sabia que Sarah The Duchess of York Ferguson tinha uma carreira tão prolixa como escritora de livros para crianças, até deparar com este post no blogue da Bruaá. Logo fui confirmar à Amazon e constatei que sim, que Sarah The Duchess of York Ferguson já escreveu imensos livros para crianças. Que grande talento tenho andado a perder.
O ESCRITOR DAS COISAS SELVAGENS

Apesar de uma obra relativamente curta, o inglês David Almond foi recentemente distinguido com o Prémio Hans Christian Andersen, o mais prestigiado galardão da literatura para crianças e adolescentes. Nas suas histórias não há elfos guerreiros nem vampiros sexy. Bom, para variar.
Não é exacto dizer que David Almond é um escritor realista, mesmo quando descreve com rigor os bairros cor de tijolo das classes trabalhadoras, cercados por baldios e minas abandonadas – uma evocação da sua infância na antiga localidade industrial de Feeling-on-Tyne. Se Hemingway e Raymond Carver são influências visíveis nesta escrita límpida e desafectada, o tema da queda e redenção coloca-o mais próximo do imaginário incandescente de Flannery O’Connor ou William Blake. Forjadas em lugares subterrâneos, a meio caminho entre o real e o sobrenatural, as suas histórias são povoadas por presenças nunca totalmente decifradas pela lógica. Skellig, o sem-abrigo com asas de anjo que se esconde numa garagem em ruínas, sobrevivendo com a ajuda de duas crianças, cerveja e aspirina, inaugurou uma galeria de personagens misteriosas, quase sempre representativas da protecção dos adultos, nunca reduzidos a caricaturas pelo autor. A morte das figuras familiares, a inquietação de crescer e a conquista da autonomia impulsionam as vidas das crianças e adolescentes que se perdem nestes emocionantes enredos. Mas não para sempre.
Skellig é também o título do primeiro romance juvenil de David Almond (O Segredo do Senhor Ninguém, em português), publicado em 1998 e vencedor dos prémios Whitbread e Carnegie. Seguiram-se Kit’s Wilderness (O Grande Jogo) e Heaven Eyes (Um Cantinho no Paraíso), também editados em Portugal. O quarto título, O Meu Pai é um Homem-Pássaro, destinado a um público mais infantil, é uma relativa decepção para quem leu os anteriores. Depois do Prémio Andersen 2010, espera-se que a Presença conclua a publicação da obra de David Almond, em particular de Secret Heart, The Fire Eaters (novamente vencedor do Whitbread) e Clay. As traduções de Fernanda Pinto Rodrigues e Ana Corrêa da Silva souberam preservar a exigência de um escritor cujo trabalho sobre a palavra foi também uma das razões óbvias da atribuição deste cobiçado prémio.
(Texto publicado na LER nº 92. Fotografia de Sara Jane Palmer.)
quarta-feira, 2 de junho de 2010
ESCREVER À VISTA, DESENHAR SOBRE LETRAS, 2
segunda-feira, 31 de maio de 2010
ESCREVER À VISTA, DESENHAR SOBRE LETRAS, 1

Carla Maia de Almeida (CMA): É difícil trabalhar com escritores?
Danuta Wojciechowska (DW): Não posso generalizar. É uma experiência que muda de livro para livro, até com o mesmo escritor. Uma pessoa cria expectativas e depois acontece uma coisa diferente. Mas isso é o mais fascinante, quando se faz um livro a meias.
CMA: E exigente. Não sei é possível fazer um bom picture book se a relação entre escritor e ilustrador não for minimamente… fluente. Não digo que precisem de ser amigos, mas será possível fazer um bom livro se houver um mau relacionamento?
DW: Talvez só com um escritor morto…
CMA: Sim, pelo menos esses não levantam cabelo.
DW: Mas olha, eu já ilustrei contos do Hans Christian Andersen e foi como se ele voltasse a viver. Quando estava a trabalhar sobre o texto, era como se ele ganhasse vida própria. Isto pode parecer uma coisa um bocado maluca.
CMA: Nem por isso. E alguma vez recusaste ilustrar um livro?
DW: Já. (...)
("Escrever à vista, desenhar sobre letras". Na próxima quarta-feira sairá no Blogtailors a segunda parte desta conversa/crónica. Ler aqui o início.)
sexta-feira, 28 de maio de 2010
THE KILLING MOON REVISITED
Filme animado com versão atmosférica de uma grande canção dos Echo & The Bunnymen: "The Killing Moon", pelos Nouvelle Vague. Terno, enigmático e poético. Ou apenas muito bonito.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
A LITERATURA INFANTIL DEVE SER SUBSIDIADA?, 2

Suponho que Miguel Sousa Tavares (MST) estivesse a falar em sentido figurado quando afirmou, na entrevista de ontem ao Diário de Notícias, que “a literatura infantil é que deve ser subsidiada”. Seria um mau princípio (e um mau exemplo) se os escritores de livros para crianças recebessem algum incentivo – oficial e directo – de tipo monetário para produzir obra literária, não se prevendo que tal caucionasse a qualidade dos resultados. O pagamento atempado dos direitos de autor, a dotação de meios financeiros para a aquisição de livros em escolas e bibliotecas, e um empenho sério na sua promoção por parte das editoras já fariam maravilhas. Julgo que a ideia de “subsidiar” passa por aqui.
É claro que MST tem razão quando diz que “nunca foi tão importante haver boa literatura infantil”, que “com boa literatura infantil, defende-se o livro” e que “a crítica literária liga muito pouco à literatura infantil”. Sendo MST um opinion maker, é bom que estas palavras encontrem eco, porque têm valor. Cabe perguntar, já agora, quem é que liga à pouca crítica literária existente. Apesar de um vasto e potencial público composto por pais, educadores, professores, bibliotecários, livreiros, editores, ilustradores, designers gráficos, promotores da leitura e outros, incluindo os próprios escritores, a experiência diz-me que são poucos os que fazem um esforço para sair do seu ramerrame e adquirir informação nessa matéria. Revistas como a Ler, Os Meus Livros e Malasartes, suportes em que o livro infanto-juvenil tem, neste momento, a visibilidade que merece (e desculpem-me o elogio em boca própria), ainda são lidas por uma ínfima minoria, passe o pleonasmo.
Não subscrevo essa ideia de literatura infantil em estreita comunhão com a sua função social, pelos motivos que MST acaba por deixar claros: “Ao escrever este [Ismael e Chopin] tive isso em consideração [a teatralização nas escolas], acrescentando personagens que não fariam falta mas permitem teatralizações.” Se não fazem falta, por que razão estão lá? Os condicionalismos e ambiguidades fazem parte deste campo específico (e ainda muito menorizado) do sistema literário, mas quando um escritor tem deles consciência e permite que ganhem terreno ao que é pertença da literatura, estranha-se.
Mais estranha é a ideia de que escrever para crianças funcione, para MST, como uma “reciclagem”, uma espécie de duche Vichy exfoliante capaz de limpar as células mortas da pele do escritor calejado pela dureza do romance, proporcionando-lhe o encontro com “uma certa humildade inicial da escrita”. Em nome deste equívoco publicam-se coisas absolutamente sofríveis, apenas justificadas pelo nome do “escritor sério” que decidiu ter a sua aventura no campo-de-morangos-para-sempre da literatura infantil. Não é o caso de MST, de quem conheço apenas o primeiro livro para crianças, O Segredo do Rio. O correio trouxe-me hoje o recém-publicado Ismael e Chopin (Oficina do Livro). Estou curiosa.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
A LITERATURA INFANTIL DEVE SER SUBSIDIADA?, 1
DAVID MACHADO LÊ O TUBARÃO
David Machado lê em voz alta a história d'O Tubarão na Banheira, com os peixes do Oceanário de Lisboa ao fundo. Em cima, o video da primeira parte. A segunda pode ser vista e ouvida no blog do livro. Aqui.
terça-feira, 25 de maio de 2010
DA BONDADE DOS AVÓS

A livraria de um centro comercial, ontem à tarde. A miúda terá entre três e quatro anos e corre pelo meio dos livros como um diabrete, vigiada de perto pelo avô, um senhor bem posto e de modos suaves. “Olha este, avô! Tão giro!”. Pega nos livros, folheia-os, carrega nos botões que emitem sons, abre pop-ups, demora-se nos mais coloridos e sofisticados. Revela bom gosto. O avô, conformado com a ideia de que lá terá de abrir os cordões à bolsa, vai atrasando o momento como pode: “Esse não, é mais para o teu irmão.” “Esse é muito caro.” “Esse não é para a tua idade.” “Esse não, que tem muitas letras.” A avó, entretanto chegada, dá uma ajuda: “E tu ainda não sabes ler, pois não?”. A cada "não" escutado dos beneméritos avós, a miúda vai esmorecendo no seu entusiasmo e curiosidade. Até que o avô descobre, exultante, a resolução do problema: “Pronto! Já sei o que é que vamos levar! E logo dois de uma vez, já viste?” “Que luxo!”, rejubila a avó. A criança agarra nos livros sem sequer olhar para eles e, como um animalzinho domesticado, agradece a generosidade alheia com voz sumida: “Obrigada…”
Para não levantar mais suspeitas da avó, que já me olha de lado e estranha a observação descarada, espero que deixem a livraria e só depois vou ao escaparate onde o avô teve a sua epifania. Unidos por um elástico, descubro um molho de livros de capa de papel e pequeno formato, de uma editora que nunca ouvi falar. Lá estão A História da Carochinha, O Gato das Botas, O Capuchinho Vermelho e outros contos tradicionais, com uma chamada na capa a prometer um “vocabulário adaptado a crianças a partir dos quatro anos”. O texto é indigente, as ilustrações uma desgraça, a edição paupérrima. Dá para perceber por que é que o avô não hesitou em levar “logo dois de uma vez”. Custam 1.95 € cada. Um luxo, de facto.
CURSO INTENSIVO DE JARDINAGEM

Mais cedo do que o jardim mencionado no post anterior, aguarda-se o primeiro livro de poemas de Margarida Ferra, com uma belíssima capa ilustrada por Luís Henriques, habitué dos livros de Rita Taborda Duarte e não só. O título é um achado. Via Bibliotecário de Babel.
UM JARDIM ILUSTRADO


Ainda falta muito tempo, mas não resistimos a divulgar já dois dos trabalhos que Leonor Feijó vai mostrar na Quasiloja Galeria (Rua Ribeiro Sousa, 225-229). A exposição tem por título “Memories” e decorre entre 26 de Junho e 14 de Julho. Leonor Feijó é licenciada em fotografia pela London College of Communication e também se dedica à ilustração. Com um toque very british, indeed.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
A ARTE DE MORRER LONGE

sábado, 22 de maio de 2010
JORNADAS DE TRADUÇÃO LIJ, 1
A fechar o primeiro dia das Jornadas Internacionais de Tradução de Literatura Infanto-Juvenil, a professora Maria da Graça Bigote Chorão (Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, Universidade de Vigo) apresentou os resultados preliminares da tese de doutoramento em que investiga o impacto da dobragem no público infanto-juvenil. Os gráficos de barras em que sintetizou a evolução da programação televisiva destinada às crianças - nas últimas décadas e nos quatro canais principais - permitem concluir que a exibição de desenhos animados e séries de televisão nas suas versões originais são hoje uma verdadeira raridade (e não vamos aqui incluir "Os Simpsons"), como acontece há mais tempo em países como Espanha, França, Itália ou Brasil. Confesso que não me tinha dado conta deste primado do português falado às horas preferidas da miudagem, por razões que facilmente depreenderão. Sim, continuo a lembrar-me do Sandokan em italiano e do Michel Strogoff em francês – e gosto disso. Não sei bem se as gerações habituadas à dobragem vão continuar a ter aquela "facilidade" em falar e aprender línguas estrangeiras de que às vezes gostamos de nos gabar. Vamos esperar para ver. O estudo e a realidade.
(Em cima, com música de Bach, o genérico da série “Era Uma Vez… o Homem” e um excerto do primeiro episódio, tal como passou por cá no final dos anos 1970 – em francês. Também já escrevi um post sobre este tema.)
quinta-feira, 20 de maio de 2010
CITY-BREAKS: COIMBRA

Durante os próximos dias vamos estar em Coimbra, para assistir às primeiras Jornadas Internacionais de Tradução de Literatura Infanto-Juvenil. Assunto sério e que faz falta debater. Já as Clarissinhas, uma reinvenção conventual do chef Albano Lourenço, conspirador-mor do restaurante da Quinta das Lágrimas, são outro assunto ainda mais sério. Também podem dizer que só está aí essa fotografia porque é difícil ilustrar uma coisa que ainda não aconteceu e porque já gastámos a imagem do cartaz no post anterior.
UM NOVO BLOGUE
COMENTÁRIOS IDIOTAS NÃO SERÃO PUBLICADOS

Este jardim quer ser um local sossegado. Onde livros, bichos e pessoas (não necessariamente por esta ordem) se sintam em paz. Este jardim não tem pachorra para gente que não sabe ler, que não tem sentido de humor e que confunde a opinião com o insulto. Posto isto, tenho a dizer que comentadores malcriados e anónimos farão melhor em mudar de paragens ou em criar o seu próprio blogue. Daqui não levam nada. E se chatearem muito lanço-lhes o crocodilo.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
CÃO SEM-ABRIGO

Um cão vadio partilha os caixotes do lixo e vãos de escada com os sem-abrigo que percorrem as ruas de uma grande cidade. Estranhamente, ou não, acaba por ter mais sorte do que estes. Um belo picture book cheio de emoções contraditórias, assinado por Stephen Michael King, escritor e ilustrador australiano que se apresenta aqui (o cão também). Já saiu em Fevereiro, mas só agora o lemos. Na colecção Borboletras, da Caminho.
FESTA DO LIVRO DA AMBAR

Alice no País das Maravilhas – primorosamente ilustrada por Lisbeth Zwerger – é um dos títulos com 40 por cento de desconto na Festa do Livro da Ambar, à disposição dos interessados na loja do Porto ou no site www.ambar.pt. Livros entre 20 a 50 por cento mais baratos, para combater a crise (medida não incluída no PEC).
terça-feira, 18 de maio de 2010
LIVROS DE ARTE PARA PEQUENOS ARTISTAS


Abigail Wheatley
Ilustrações de Uwe Mayer e Ian McNee
Tradução de Pedro Garcia Rosado
Texto
Uma colecção de médio formato e capa flexível que alia a estimulante concepção gráfica de Zöe Wray a conteúdos irresistíveis para leitores enciclopedistas. O primeiro título, A História da Pintura, segue o percurso dos bisontes rupestres de Lascaux até à arte moderna de Jackson Pollock ou Andy Warhol; e só é pena não haver exemplos mais recentes. A evolução da pintura explica-se a partir do seu contexto social, com pormenores curiosos (como as cenas de mau génio de Caravaggio), uma extensa cronologia, glossário e índice remissivo. A seguir, A História das Invenções.
Arte Para Crianças
Tradução de Bárbara Maia
Civilização
A complexidade de alguns livros informativos torna impossível a identificação de um só autor. É o caso deste álbum de grande formato, editado originalmente pela prestigiada Dorling Kindersley. Dotado de uma extensa ficha técnica e um título algo enganador (“para crianças”, sim, ma non troppo), opta por uma paginação que muda consoante se trata de perfis de artistas, explicação de técnicas, evolução de estilos ou galerias virtuais temáticas. Pode parecer confuso, no início, mas vale a pena. A fechar, o controverso Damien Hirst e a sua caveira cravejada de brilhantes. Esperemos que não choque alguns pais ou educadores “mais sensíveis”.
(Textos publicados na LER nº 91)
segunda-feira, 17 de maio de 2010
TRADUZIR LIVROS PARA CRIANÇAS

Aguarda-se a chegada de Riitta Oittinem (Finlândia) para a conferência de abertura, marcada para as 10h15 de dia 21. Tema: “Revoicing Picturebooks: Translating the Verbal, the Visual and the Aural”. A partir daí, a escolha pode tornar-se mais difícil, uma vez que se preparam sessões paralelas em três salas (felizmente, todas no mesmo piso). Falar-se-á de temas tão particulares como “a tradução dos nomes próprios nas edições portuguesas de Astérix” (Raquel Mouta) ou “a tradução das intertextualidades bíblicas em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, de C.S. Lewis (Elaine Sant’Anna). Na quinta à tarde haverá um painel dedicado à tradução audiovisual e, na sexta de manhã, à tradução para crianças com necessidades especiais. À tarde, também na sexta, duas mesas-redondas convocarão tradutores (Margarida Vale de Gato e Elisabete Ramos estarão lá) e editores (Kalandraka, Bruaá e Cuckoo também são presenças confirmadas), mas a esta hora já teremos de estar de regresso à Estação do Oriente. Snif.
O programa completo pode ser consultado aqui (se tiver dificuldade em chegar ao link, faça “guardar” e abra com o programa Adobe).
II SALÃO INFANTO-JUVENIL DE V.N. DE GAIA

Começa hoje e prolonga-se até dia 5 de Junho, com um programa cheio de actividades de promoção da leitura e da literatura que pode ser consultado na íntegra aqui. Em vésperas do encerramento, atenção à apresentação pública do Prémio Maria Alberta Menéres – Conto Ilustrado. Para começar, hoje mesmo, às 18h00, inaugura-se a exposição de homenagem ao pintor, ilustrador e designer António Modesto (autor do desenho acima reproduzido), seguida de conversa moderada por José António Gomes. No Auditório da Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia, às 18h30.
sábado, 15 de maio de 2010
O PAÍS DOS TERMINATORS

E nesta estreiteza que começa na geografia e se estende por todos os planos da vida nacional, acentuando-se no plano inclinado, é sempre doloroso quando desaparece mais um “dos bons”. A morte de Saldanha Sanches alimenta o sentimento de orfandade cívica e moral de quem não vive protegido por berços ou conluios; ou seja, quase todos nós, os sobreviventes.
Se a morte é absoluta, dói ainda mais quando a perda parece insubstituível. Por cada Mário Viegas e cada Agostinho da Silva que desaparece, multiplicam-se os lugares vazios, as sombras e as subserviências. Raro, cada vez mais raro encontrar o “riso admirável de quem sabe e gosta/ ter lavados e muitos dentes brancos à mostra”, como nos versos de Cesariny. Também eu estou cansada de ver “os melhores espíritos da minha geração” destruídos pelo desgosto quotidiano que é viver neste país; gente para quem emigrar, hoje, é uma decisão tão saudável como combater o mau colesterol. Quem fica, seja por que razão seja, sabe que tem de ser feito de uma liga especial para resistir à corrosão e ao desgaste permanentes. Uma têmpera de aço, ferro, carbono, fósforo, titânio, tungsténio e o diabo a sete, como o raio do Terminator.
Acontece que a maior parte das pessoas não quer ser o Terminator, com todo o direito que lhes assiste. Não quer ser herói nem vilão, porque cada uma dessas escolhas dá trabalho. Só quer ter um emprego, uma casa, uma família, um ordenado decente ao fim do mês, escola e hospital, e caracóis com cerveja ao fim-de-semana. Ao que parece, é pedir muito. Dêem-lhes mais tungsténio.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
A MONTANHA NÓMADA

Duna
Por andar sempre aos búzios na praia, foi-se formando uma montanha de areia no meu quarto. Trazia-a nos sapatos, pouco a pouco, sem dar conta.
– Chamo-me Duna – parecia dizer.
– As dunas são montanhas nómadas – disse-me a minha irmã.
– Eu tenho uma – respondi-lhe.
– Ah, sim? Onde?
– Vem comigo.
– Quando chegámos, o meu quarto estava cheio de búzios e vazio de montanhas.
– O que é que quer dizer nómada? – perguntei-lhe.
Desde então, ronda por minha casa uma montanha nómada, a Duna.
Como vive por aqui desde pequena, não foge, mesmo tendo sempre a porta aberta.
(Diógenes, uma edição Kalandraka com texto de Pablo Albo e ilustrações de Pablo Auladell, Prémio Lazarillo de Criação Literária 2008)





